Arquivo de novembro 2011

Semana 48: Jó 42.10-11

Depois que Jó acabou de orar pelos seus três amigos, o SENHOR fez com que ele ficasse rico de novo e lhe deu em dobro tudo o que tinha tido antes. Todos os seus irmãos e irmãs e todos os seus amigos foram visitá-lo e tomaram parte num banquete na casa dele. Falaram de como estavam tristes pelo que lhe havia acontecido e o consolaram por todas as desgraças que o SENHOR havia feito cair sobre ele. E cada um lhe deu dinheiro e um anel de ouro. (NTLH)

Reflexão

Na reflexão anterior reparamos que Deus avisou os amigos de Jó que deveriam pedir para Jó orar por eles. E na passagem acima é exatamente isso que Jó fez. Orou pelos seus amigos. Fácil? Tenho a impressão que não.

Pense bem. Estes “amigos” haviam aborrecido Jó extensiva e profundamente durante boa parte do Livro de Jó. Pior, haviam feito isto com ar de piedade. Sabe como é quando alguém fala contigo “em nome de Deus” e você sabe muito bem que é papo furado? Jó poderia ter guardado muito rancor. Poderia, mas evidentemente não fez. A passagem acima não nos dá os detalhes e nem precisamos. O importante é saber que Jó “perdoou” os seus amigos ao ponto de recebê-los para um grande banquete. Não é incrível isso? Não muito bonito? Podemos fazer igual?

Um “pequeno” detalhe, não que isto deve ser a nossa principal motivação: primeiro, Jó perdoou os seus amigos e somente depois, Deus restaurou a sua sorte. Aliás, não só restaurou como multiplicou, e multiplicou muito.

Coincidência?

Oração

Pai, somos bem frágeis. Queremos mesmo felicidade e paz. Tememos dificuldades e sofrimentos. Pior ainda é quando somos acusados religiosa e falsamente de sermos pecadores pelo nosso sofrimento. Não deixes que nosso coração endureça. Conceda-nos um espírito de misericórdia e compaixão como vemos em Jesus. Pelo poder do Teu Espírito Santo e em nome de Jesus. Amém.

Semana 47: Jó 42.7-9

Depois que acabou de falar com Jó, o SENHOR disse a Elifaz, da região de Temã: — Estou muito irado com você e com os seus dois amigos, pois vocês não falaram a verdade a meu respeito, como o meu servo Jó falou. Agora peguem sete touros e sete carneiros, levem a Jó e ofereçam como sacrifício em favor de vocês. O meu servo Jó orará por vocês, e eu aceitarei a sua oração e não os castigarei como merecem, embora vocês não tenham falado a verdade a meu respeito, como Jó falou. Então Elifaz, que era da região de Temã, Bildade, que era da região de Sua, e Zofar, que era da região de Naamá, foram e fizeram o que o SENHOR havia mandado, e ele aceitou a oração de Jó.

Reflexão

O perigo de falar (errado!) em nome de Deus. Este é o subtítulo que eu daria para a passagem acima. Não duvido que Elifaz e os outros dois amigos de Jó, Bildade e Zofar, eram bem-intencionados. Achavam que falavam as verdades de Deus. Achavam-se teologicamente corretos. Achavam que avaliaram corretamente a desgraça de Jó como consequência de algum pecado. E por isso, falavam, falavam e falavam. Dos 42 capítulos de Jó, estes três “amigos” gastaram 12 para dar os seus conselhos, e o outro sujeito, Eliú, gastou mais 6, um total de 18 capítulos. Mais de 43% do Livro de Jó são de conselhos grandemente furados, pelo menos de acordo com o testemunho de Deus em Jó 42.7. Quais lições podemos tirar disto? Sugiro algumas:

  1. Cuidado quando citamos Jó como bom conselho para os aflitos. 42% é conselho furado!
  2. Não é pelo volume de fala que “se ganha” um argumento. No Livro de Jó, quem menos falou foi Deus, esporadicamente nos primeiros 2 capítulos e no final, nos capítulos 38-42! Semelhantemente, não é porque se usa muita linguagem “religiosa” que se tem a razão. Se não souber discernir a situação do outro, é melhor ouvir muito e com muita simpatia do que falar logo e já julgando.
  3. Nós que somos “conselheiros”, ao dar o conselho errado e depois, saber disto, precisamos corrigir a situação, fazendo duas coisas importantes: primeiro, pedir desculpas devidamente para a pessoa que aconselhamos mal e segundo, pedindo que aquela pessoa ore a Deus pela sua misericórdia (veja a passagem de novo)!

Puxa! Esta terceira lição é difícil mesmo. Será que somos capazes?

Oração

Eterno, Pai. Graças de damos pela Tua misericórdia. Como somos presunçosos quando falamos de Ti para os outros. Tenha misericórdia de nós. Em nome de Jesus. Amém.

Semana 46: Jó 42.1-6

Então, em resposta ao SENHOR, Jó disse:

“Eu reconheço que para ti nada é impossível e que nenhum dos teus planos pode ser impedido. Tu me perguntaste como me atrevi a pôr em dúvida a tua sabedoria, visto que sou tão ignorante. É que falei de coisas que eu não compreendia, coisas que eram maravilhosas demais para mim e que eu não podia entender. Tu me mandaste escutar o que estavas dizendo e responder às tuas perguntas. Antes eu te conhecia só por ouvir falar, mas agora eu te vejo com os meus próprios olhos. Por isso, estou envergonhado de tudo o que disse e me arrependo, sentado aqui no chão, num monte de cinzas.”

Reflexão

É a segunda e última resposta de Jó para a segunda pergunta de Deus neste livro. Belo de chorar. Realmente chorar. Jó passara pelas piores situações de privação e sofrimento imaginável. Sentia-se injustiçado. Quem não iria sentir igual! Igual!

Mas Deus se revela para Jó como Criador e como Soberano. Jó fica mudo. Não há o que dizer. Deus se dá como satisfeito? Não. Continua a interrogar Jó. E do silência Jó passa para a extrema vergonha e humilhação. Chegou onde precisava, onde nós precisamos, prostrados, humilhados e humildes, esvaziados de qualquer percepção de ter conhecido Deus antes em toda a sua piedade anterior. Piedade transformara em humildade, humildade em incompreensão, e incompreensão no lugar certo de criado, servo, arrependido, cinzenta. E assim, somente assim assim e nada menos, Jó está preparado para a última cena do livro logo a seguir (na próxima reflexão) e nós para a graça de Deus nas nossas vidas.

Oração

Tu, somente tu és o nosso Deus, o eterno e único Deus, Deus de tudo e Deus sobre tudo. Nós somos teus criados, prontos e dispostos  ao Teu querer. Em Cristo. Amém.

Semana 45: Jó 40.6-9, 15-16; 41.1

Então, do meio da tempestade, Deus respondeu a Jó assim:

“Mostre agora que é valente e responda às perguntas que lhe vou fazer. Será que você está querendo provar que sou injusto, que eu sou culpado, e você é inocente? Será que a sua força pode ser comparada com a minha? Será que você pode trovejar com voz tão forte como eu?

….Olhe para o monstro Beemote, que eu criei, como também criei você. Ele come capim como o boi, mas veja quanta força tem e como são poderosos os seus músculos!

….E, quanto ao monstro Leviatã, será que você pode pescá-lo com um anzol ou amarrar a sua língua com uma corda?”

Reflexão

leviatã

beemote

Lendo esta parte de Jó me lembra dos gibis! Especialmente Conan que sempre estava lutando contra os piores monstros. Leviatã era um enorme e terrível monstro dos mares e Beemote da terra. O exagero das ilustrações aumenta mais ainda a imaginação.

E é basicamente isto que Deus faz com Jó. Como se Ele falasse: “Jó, considere o monstro mais terrível que consegue imaginar. Quem, você acha, criou estes monstros? E quem é capaz de dominá-los. Será que realmente entende com quem está falando?”

E esta é a segunda fala de Deus com Jó. A primeira também o deixou muito sem graça. E os pormenores desta segunda resposta surtem o mesmo efeito.

Enfim, quem somos nós diante do Criador dos céus e da terra, das coisas mais belas e das coisas mais terríveis que se pode imaginar?

É quem devemos não só amar como também temer. É quem diante de quem somente podemos nos prostrar e se humilhar. É quem é capaz de transformar as nossas piores situações em sonhos… e vice versa! É quem para quem prestamos culto.

Oração

Grande és, Deus Criador. Grande és, Eterno Pai. Digno és de todo o nosso louvor e honra. Magnífico és em toda a terra e acima de todos os céus. Amém.

 

Semana 44: Jó 40.1-5

Então o SENHOR disse:

“Jó, você desafiou a mim, o Deus Todo-Poderoso. Vai desistir ou vai me dar uma resposta?”

Então, em resposta ao SENHOR, Jó disse:

“Eu não valho nada; que posso responder? Prefiro ficar calado. Já falei mais do que devia e agora não tenho nada para dizer.”

Reflexão

Deus deu uma dura lição para Jó. Chegou até a tirar sarra de Jó ao fazer perguntas feitas só para colocá-lo no seu lugar, do tipo: “Sim, você deve saber, pois é bem idoso e já havia nascido quando o mundo foi criado…” (38.21) ou “Você conhece as leis que governam o céu e sabe como devem ser aplicadas na terra?” (38.33). Depois de muito silêncio (capítulos 1-37), Deus respondeu a Jó, e respondeu nos capítulos 38 e 39 com 32 perguntas. A pergunta acima resume todas as outras, efetivamente: “e agora Jó, o que você tem para me dizer?”

A resposta de Jó é a única possível quando se dá cara-a-cara com Deus: “Eu não valho nada; que posso responder?” Isto me lembro da reação do profeta Isaías, quando se dava cara-a-cara com Deus em Isaías 6: “Ai de mim! Estou perdido!” (v.5). Tal postura de Isaías e de Jó é a única possível diante da presença poderosa de Deus e tal contrição absoluta sempre serve de preparação para uma nova fase de auto-conhecimento e percepção de missão neste mundo.

Oração

Poderoso Deus, diante de ti não temos palavras. Queremos apenas ouvir e assim, caminhar na direção do teus proósitos para e através de nós. Em Cristo Jesus. Amém.