Arquivo de maio 2011

Semana 22: Jó 21.29-30

[Jó]

Será que vocês não têm conversado com pessoas que viajam? Vocês não têm ouvido as suas histórias? Essas pessoas dizem que, quando Deus fica irado e castiga, o homem mau sempre escapa.

Reflexão

Este é o final da resposta de Jó para Zofar. Em si é uma observação importante. Além disto, representa um princípio crucial de interpretação dos caminhos de Deus.

A observação é simplesmente isto: “prestem atenção, olhem ao seu redor, examinem os fatos, informem-se”. Tudo isto resumidamente é o procedimento científico de observar, estudar, examinar, e testar as suas hipóteses antes de chegar a conclusões. A recomendação de “conversar com pessoas que viajam”  significa se informar com pessoas com experiências mais amplas e hoje inclui tanto a seleção de boas leituras de livros, revistas e periódicos quanto a informação por boas fontes de reportagem de televisão, jornais e internet. Mas o resultado é o mesmo que Jó dizia e o aviso é sério: até onde tiramos as nossas conclusões sobre coisas espirituais ou a maneira que nosso mundo funciona de elementos do mundo religioso (pessoas religiosas ou escritos religiosos) que poderão aqui e ali ser equivocos? Tais conclusões batem com a realidade?

Isto nos leva a considerar o princípio em si de nos informarmos de fontes que não sejam restritamente a Bíblia. Veja bem, a afirmação que as Escrituras Sagaradas são plenamente inspiradas e portanto autoridade divina para as nossas vidas não significa que vamos entendê-la sempre corretamente. Óbvio que não. Por isso é sempre apropriado perguntar: as minhas conclusões sobre a maneira que Deus age na minha vida e no mundo são bem fundamentadas mesmo na Palavra de Deus? De modo abrangente ou esporático e inconcluso? As observações que faço do mundo ao meu redor conferem? E se não, não seria melhor examinar novamente as Escrituras?

Oração

Pai querido, é muito fácil a gente tirar conclusões equivocadas de como tu ages nas nossas vidas, e ainda como os amigos de Jó, passar maus conselhos para os outros. Ajude-nos a discernir da tua Palavra e das sitações concretas ao nosso redor a tua vontade para as nossas vidas. No grandioso nome de Jesus. Amém.

Semana 21: Jó 20.17 e 21.13

[Zofar:]

Quem é mau não terá o prazer de tomar leite e mel, que correm como rios. (Jó 20.17)

[Jó:]

Os maus têm sempre do bom e do melhor e morrem em paz, sem sofrimento. (Jó 21.7)

Reflexão

As duas perspectivas acima são antagônicas. Alias, praticamente toda a fala de Jó no capítulo 21 é uma contrariante da fala de Zofar no capítulo 20. Isto nos apresenta uma série de desafios sobre a maneira que tratamos e interpretamos as Escrituras. Consideremos alguns deles…

Por exemplo, quem tem a razão, Jó ou Zofar? Qual dos dois faz a leitura correta da justiça de Deus e da prosperidade dos maus? A ótica de Zofar é aquela que soa bem aos novos ouvidos e muitas pessoas assumem a visão de Zofar em relação ao bem e ao mal. Óbvio, pensamos, Deus castiga os maus e faz os bons prosperarem. E, de fato, muitos acreditam como Zofar, inclusive pregadores notórios que conquistam a simpatia de muitos. Mas o que dizer da perspectiva de Jó e da sua leitura contrária de Zofar?

Como conhecedores do desdobrar dos eventos desde o início, diferente dos amigos de Zofar, não temos saída. Sabemos que Jó não havia cometido nenhum mal. Logo a perspectiva de Jó está “correta”? Mais ou menos, pois o que dizer de Jó 21.17, por exemplo? O que diremos? Sim, de grosso modo, Jó está mais certo que os seus amigos, inclusive na sua triste conclusão de que os maus frequentemente não sofrem e aproveitam bem desta vida…pelo menos enquanto nesta vida.

Meu ponto é que, ao ler Jó, somos forçados a abandonar uma leitura simplista da Palavra de Deus. Somos forçados a prestar atenção ao contexto. Somos forçados a entender as motivações e as possíveis mas leituras das personagens cujas palavras se consagram como parte das Escrituras Sagradas.

Na verdade isto não deveria ser difícil a entender. Afinal, as palavras do diabo também são registradas na Bíblia e n ão por isto consideramo-nas com orientação divina a ser seguida. Não. É o registro divino da perspectiva que não devemos seguir. Pois Deus quer que saibamos distinguir, dentro da sua Palavra, quais as orientações que realmente são suas e quais são as equivocadas.

Oração

Pai amado, com é bom termos as Sagradas Escrituras. Ensina-nos e lê-las com ouvidos atentos para discernir a Tua voz e aplicá-la apropriadamente à nossa vida. Em nome de Cristo Jesus. Amém.

Semana 20: Jó 19.28-20.3

[Jó:] “Vocês dizem: ‘Como foi que nós o atormentamos? A causa desta desgraça está nele mesmo.’ Mas tenham medo da espada, a espada com que Deus castiga a maldade. Fiquem sabendo que há alguém que nos julga.”

Então Zofar, da região de Naamá, em resposta disse: “Jó, você me deixou perturbado, e por isso respondo logo. As suas repreensões são um insulto, mas eu sei dar a resposta certa…

Reflexão

Depois daquela magnífica afirmação da sua fé que lemos no devocional anterior—“Pois eu sei que o meu defensor vive; no fim, ele virá me defender aqui na terra”—Jó conclui com o severo aviso acima que Deus castiga a maldade. É mais que evidente que Jó se refere às falsas acusações dos amigos sobre a razão (pecado) das desgraças que ele sofria. De fato, esta é a conversa que estamos já acostumados a ouvir ao longo dos capítulos anteriores. Mas o susto é o seguinte…

Jó acaba de falar estas palavras, e um dos seus amigos, evidentemente surdo ao aviso que Jó acabara de dar, começa novamente a julgar Jó como culpado de pecado. Zofar faz isso, obviamente pensando que está certo, mas, como bem sabemos, não está. Até então nenhuma novidade. Mas o susto que eu levo é de contemplar que Zofar acaba se tornando alvo do aviso terrível de Jó: “tenham medo da espada, a espada com que Deus castiga a maldade. Fiquem sabendo que há alguém que nos julga.” Se eu fosse Zofar, o aviso de Jó já seria suficiente para eu pensar duas vezes antes de responder da maneira habitual. Mesmo que pensasse que Jó está em pecado, acho que eu não iria me arriscar mais em falar assim abertamente. Mas Zofar parece não estar nem aí!

Como este papel de porta-voz de Deus, de ser conselheiro aos aflitos e ouvido atento para os sofridos é uma responsabilidade enorme! Eu sei, eu sei, eu sei, já falamos isto antes (mas o Livro de Jó continua nos dando a mesma lição): sejamos moderados ao dar conselho, rápidos e super atentos para ouvir e discernir, e lentos, toda a vida lentos para falar. Isto não será falta de ousadia. Apenas é assumir a humildade de servo no trato do nosso próximo (especialmente quando for amigo!)

Oração

Pai, quando lemos o Livro de Jó, ficamos totalmente desmotivados de aconselhar os outros. Mas sabemos que isto também não seria certo. Afine os nossos corações ao seu. Dê-nos a mente de Cristo para discernirmos quando consolar, quando exortar e quando nos calar. Em nome de Jesus. Amém.

Semana 19: Jó 19.25-27

Pois eu sei que o meu defensor vive; no fim, ele virá me defender aqui na terra. Mesmo que a minha pele seja toda comida pela doença, ainda neste corpo eu verei a Deus. Eu o verei com os meus olhos; os meus olhos o verão, e ele não será um estranho para mim. E desejo tanto que isso aconteça! (NTLH)

Reflexão

Capítulos 16 a 19 continuam o mesmo tom do diálogo anterior de Jó com os seus amigos: Jó reclama, às vezes a Deus e às vezes aos seus amigos, da sua situação achando se injustiçado ao extremo, e então, os seus amigos repreendem Jó pela sua maneira de falar que, para eles, que Jó certamente recebia o que ele plantou. Mas, de repente, no meio deste vai e vem de diálogo aparece um raio de luz! Do nada, Jó pede que as palavras que está prestes a falar sejam gravadas em pedra ou ferro para um registro permanente. E quais são estas palavras? Aqueles que registramos acima que, de fato, tem inspirado gerações de crentes desde então…

“Eu sei que o meu defensor vive.” A palavra “defensor” traduz bem o hebraico go’el, que tradicionalmente é traduzido como “redentor”. É a mesma palavra usada em Rute 4.1-6 para se referir à responsabilidade que se tem de “resgatar” um parente da pobreza, dívida ou outra forma de desgraça. Com todas as suas palavras ásperas, mesmo contra Deus, no fim Jó sabia que poderia contar com o socorro de Deus e que este Deus iria redimi-lo da sua situação tão desgraçada, não importa o tamanho e extensão desta desgraça. Esta era a sua esperança e esta era o seu desejo.

Tudo bem que Jó fala deste jeito de repente não apenas para se confortar, mas também como ameaça para os seus amigos pouco compreensíveis (vv. 28-29). Mesmo assim, Jó está no caminho certo e assim, serve de modelo para nós.

Oração

Eterno Pai, graças de damos pela redenção que temos de Ti em Cristo Jesus. Em Ti esperamos. Amém.

Semana 18: Jó 16.7-9

Tu, ó Deus, me deixaste sem forças e destruíste toda a minha família. Tu me puseste numa prisão, e por isso me acusam. Virei pele e osso, e por isso os outros pensam que sou culpado. Na sua ira Deus me arrasou completamente; ele olha para mim com ódio e, como uma fera, me persegue e ameaça. (NTLH)

Reflexão

Jó culpava Deus pela sua situação. Afinal, entendia que Deus era criador de tudo e assim soberano sobre todos. Logo, deduzia que tudo que acontece é responsabilidade de Deus. A bem da verdade ele pensava igual a gente, não concorda? E ele estava “errado” ao acreditar que Deus era soberano, acima de todos os poderes deste mundo? Certamente não! Mas, disto, tirou conclusões precipitadas: que tudo que ocorre ocorre por causa de Deus. Sei que estou falando de coisas que dão um nó na cabeça. Ao dizer que nem tudo que ocorre nas nossas vidas ocorre por causa de Deus, parece um confronto com a teologia, especificamente com a precisosa doutrina da soberania de Deus. Mas antes de apresentar uma teologia bonitinha, precisamos ser fieis ao que o texto bíblico diz. E Jó nos diz claramente que as desgraças na vida de Jó eram provenientes de Satanás (capítulo 1). Eu sei, eu sei, Deus deu a permissão para Satanás aprontar com Jó e por isso, não podemos concluir que ultimamente as desgraças eram provenientes de Deus (e assim, “salvaguardar” nossa doutrina da soberania de Deus)? Até podemos, só que toda esta conversa é preocupação nossa e não do Livro de Jó. No Livro de Jó, Satanás é o culpado pelas desgraças de Jó.

Hoje em dia, recorremos para outra doutrina para “explicar” os sofrimentos e dificuldades que enfrentamos “indevidamente”: a doutrina do pecado original que afirma a entrada de todo tipo de injustiça no mundo como consequência da desobediência humana às órdens de Deus. Seja como for, o ponto é o mesmo, Jó pode era inocente em contraposição aos seus amigos, mas tirava conclusões equivocadas em relação a Deus.

A transparência e franqueza de Jó diante da sua dor são coisas boas, até terapêuticas. É modelo para nós. Mas precisamos tomar cuidado que a nossa franqueza e transparência não nos leve a tirar conclusões equivocadas em relação a Deus.

Estou parecendo como os amigos de Jó? Espero que não, mas o perigo sempre é iminente…

Oração

Senhor, muitas vezes os teus caminhos na nossa vida permanecem um mistério. E como o primeiro casal,  desejamos “saber”, ao invés de confiar. Teu Filho é grande modelo e fonte de perseverança mesmo na aflição. Grave a imagem dele nas nossas mentes e nos nossos corações. Em nome de Jesus. Amém.