Arquivo de janeiro 2011

Semana 5: Jó 2.11-13

Jó tinha três amigos…. Eles ficaram sabendo das desgraças que haviam acontecido a Jó e combinaram fazer-lhe uma visita para falar de como estavam tristes pelo que lhe havia acontecido e para consolá-lo….quando viram que era ele, começaram a chorar e a gritar. Em sinal de tristeza, rasgaram as suas roupas e jogaram pó para o ar e sobre a cabeça. Em seguida sentaram-se no chão ao lado dele e ficaram ali sete dias e sete noites; e não disseram nada, pois viam que Jó estava sofrendo muito.

Reflexão

Quem conhece a história do Jó sabe que os seus amigos fizeram perguntas erradas, chegaram a conclusões erradas a respeito da sua situação. Isto pode nos levar a pensar que eles nada fizeram de certo. Mas este não é o caso. Os amigos do Jó reagiram do modo certo a princípio, e foram um modelo para todos nós.

O que fazer quando um amigo passa por grande dificuldade? Elifaz, Bidade e Zofar não tiveram dúvida: procuraram, logo em seguida, estar com Jó. Não enviaram nenhuma mensagem de consolo e de solidariedade. Foram estar com ele. E não só isto. Ao testemunhar com os próprios olhos a desgraça por que Jó passava, se comportaram de forma humana e culturalmente apropriada: choraram, gritaram e rasgaram as suas roupas (já viu na TV e nos filmes os choros públicos dos povos do Oriente Médio? Não é só para inglês ver). Compadeceram-se.

Diante de situações de extrema angústia, nossa tendência é querer “fazer alguma coisa”. E lógico, ações concretas dentro do nosso alcance devem ser realizadas. Mas, a angústia precisa ser compartilhada, e isto exige a nossa presença física, se for possível, e exige  o nosso choro junto com quem chora.

Agora, o fascinante é o que vem depois…depois do choro e depois da lamentação. Os amigos permaneceram! Não foram embora, tendo já “cumprido a sua obrigação”. Permaneceram quietos ao lado do Jó durante sete dias e sete noites, sem dar um pio! Esta foi a hora em que as lâgrimas já haviam secado, mas não a tristeza. Ainda havia confusão e o lamento no íntimo. Durante sete dias e sete noites, quem sabe, Jó já começava a formular dentro da sua cabeça e do seu coração perguntas, indagações e atitudes…algo que leva tempo. E os amigos estavam lá, quietos, não tentando antecipar as perguntas e as reações que viriam. Simplesmente ficaram quietos…mas não quietos de longe, e sim, quietos ao lado de Jó.

Talvez você pense algo assim: “Mas, e daí?  Não seria melhor nem aparecer do que aparecer e depois torturar o seu amigo Jó com as perguntas erradas?” Pessoalente eu creio que não. Antes amigos presentes, compassivos e solidários, que pisam na bola com as respostas “erradas” que “amigos” distantes, sem coragem de arriscar palavras certas de consolo.

Isto é um caso individual, de Jó. E quando a tragédia for coletiva, envolvendo centenas e milhares de pessoas como testemunhamos nas últimas semanas de enchentes? Confesso que não tenho muitas respostas. Dependo do seu palpite….sério….escreva. Mas uma coisa me ocorre. Quando pessoas que conhecemos pessoalmente estão envolvidas, precisamos nos esforçar para nos fazer presentes com elas. Favor, envie as suas dicas também…

Oração

Pai, eu não quero me envolver. Sou preguiçoso. Não sei o que dizer. Prefiro me esconder da dor dos outros. Mas sei que isto não é certo. E sei o tanto que o Senhor se compadeceu e ainda se compadece da gente. Pai, complete, pelo Teu Espírito, o que falta em mim, para espelhar a sua compaixão e me fazer presente. Em nome de Jesus. Amém.

Semana 4: Jó 2.7-10

Aí Satanás saiu da presença do SENHOR e fez com que o corpo de Jó ficasse coberto de feridas horríveis, desde as solas dos pés até o alto da cabeça. Jó sentou-se num monte de cinza e pegou um caco para se coçar. E a mulher dele disse: — Você ainda continua sendo bom? Amaldiçoe a Deus e morra! Jó respondeu: — Você está dizendo uma bobagem! Se recebemos de Deus as coisas boas, por que não vamos aceitar também as desgraças? Assim, apesar de tudo, Jó não pecou, nem disse uma só palavra contra Deus. (Nova Tradução na Linguagem de Hoje)

Reflexão

De novo!? Fomos para a igreja domingo passado e na volta, a ponte que havíamos cruzado antes, caiu por causa das chuvas que trouxeram tanta devastação no Rio de Janeiro e agora atingiram, em menor escala, o nosso estado de Santa Catarina. Quase a mesma coisa aconteceu há dois anos, quando a tragédia foi bem maior. Saímos para a igreja um pouco cedo por causa de tanta chuva e na volta tvemos que voltar por outro camnho, porque o morro inteiro havia desabado sobre a SC 401, levando estrada, caminhão e motorista. Esta semana fomos poupados pela segunda vez, mas muita gente sofreu perdas inestimáveis. Por que? Procuramos uma resposta “natural” ou “espiritual”? Nos noticiários, as explicações são “naturais” (mudanças climáticas estão se intensificando) e “humanas” (não estamos respeitando os limites necessários para a absorbção e escoamento das águas). São afirmações seríssimas que não podemos subestimar. Sejamos justos social e ecologicamente! Fácil de dizer, mas difícil de executar, diante de toda a ideologia de vida que todos nós vivemos, baseada no consumo e na exploração, não no cuidado e na mordomia.

Entretanto, as perguntas em torno de causas meramente climáticas ou até humanas não parecem encontrar lugar no Livro de Jó (é muito forte esta afirmação?). E acredito que hoje, no Rio de Janeiro, em Santa Catarina e outros lugares atingidos, as próprias vítimas não se contentem com este nível de indagação, por mais importante que seja. Querem mesmo é saber as “causas” espirituais…neles, nos outros, em Deus, no diabo…no que for. O que foi que eu fiz de errado? As vítimas sofrem porque pecaram ou não confiaram no Deus da vitória e da prosperidade? Esta é a resposta do evangelho da bênção e da maldição, uma teologia simples, e conforme o testemunho do Livro de Jó, antiquíssima  e culturalmente difundida (a história sobre a figura do Jó consta nos mais antigos escritos como O Jó SuméricoA Teodicéia Babilônica e outros contos egípcios e árabes).

Aliás, esta é a tendência humana comum, querer uma religião simples e descomplicada com base no mérito. Fez bem, abençoado será. Fez mal, azarado será. Mas a vida simplesmente não funciona assim, e, por isso, as pessoas procuram respostas para explicar situações que nada satisfazem. E quanto silêncio Jó e os seus amigos vão encontrar até que Deus finalmente, depois de longa demora e muita interrogação humana, responda do meio duma tempestade (capítulos 38-41). Mas vamos voltar à sequência desta hístória…

No primeiro capítulo Jó é bombardeado com sofrimento e aflição. Primeiro perdeu seus rebanhos e empregados aos ladrões e assassinos. Depois perdeu seus filhos e filhas num desastre “natural”. O que sobrou? Esta é a pergunta comum de vítima: o que sobrou? E a resposta é sempre a mesma: Não sobrou nada (veja as reportagens de televisão). Ocasionalmente alguém reconhece e agradece no meio do sofrimento que a vida própria se salvou. Então, ainda sobrou a “vida” do Jó e o inimigo vai atrás disto também. E Deus concede a Satanás o direito de amolar Jó mais ainda e a doença horrível aflige o seus corpo inteiro! (Mas que livro cheio de perguntas que se levantam a respeito de Deus, da justiça, da miséria e da criação. Outra nota: agora a doença vem afligir as vitimas dos enchentes do Rio de Janeiro).

E até a esposa de Jó — coitada, vítima também da teologia da recompensa simples — tragicamente chega à única conclusão que sua teologia permite: “amaldiçoe a Deus e morra!” A implicação é que o maridão, por alguma burrada que cometeu, merece morrer. Assim, “explicam-se” as perdas anteriores. (Na religião simples e primitiva, comum em todos os povos a nível popular, tudo exige explicação! Que isto sirva de lição para nós explicadores: professores, pastores, missionários e religiosos de modo geral).

A resposta de Jó não só foi genial, como demonstrou profunda percepção da natureza de Deus, algo difícil para muitos cristãos perceberem. (Por isso, numa devocional anterior, disse que o livro é um excelente prelúdio da fé cristã, e assim, à perspectiva do Novo Testamento.) Jó respondeu: “Se recebemos de Deus as coisas boas, por que não vamos aceitar também as desgraças?” No fim das contas tudo de bom e tudo de mal vem de Deus. (Posso imaginar o horror no rosto dos teólogos que possam estar lendo isto.) Mas Jó respondeu mal? Respondeu errado? Veja o que disse o próximo verso: “Em tudo isso não pecou Jó com os seus lábios” (Revista e Atualizada, tradução bem mais ao pé da letra). Ou seja, Jó falou certo.

Acho que já falei demais para uma “pequena” devocional. Alguns desafios:

  1. Não deixemos de fazer perguntas que parecem difíceis a respeito de Deus, dos desastres que nos cercam e da nossa “sorte”.
  2. Não abramos mão de ver Deus com propósitos bons, mesmo por meio de caminhos maus. Permaneçamos fiéis.
  3. As pessoas mais íntimas e mais paceiras nossas podem errar no seu conselho. Afinal são tão humanas quanto nós.
  4. Vivamos não pela prosperidade econômica e familiar. Vivamos pela justiça pessoal, social e criacional (mais sobre isto depois…aguardem)

Oração:

Pai, o mundo lá longe, tão distante, de Jó, nos alcançou e lembramos de pessoas e famílias muito afligidas pelo sofrimento dos últimos dias de enchentes. Console-os e desperte-nos para sermos bons mordomos da sua criação, e não pessoas que só desejam acúmulo de bens.  Faz-nos pessoas que reflitam a tua compaixão e a tua justiça. Em nome de Jesus. Amém.

Semana 3: Jó 1.14-22

… veio um mensageiro a Jó e lhe disse [perdeu para do rebanho e alguns empregados] … Falava este ainda quando veio outro e disse [perdeu mais rebanho e empregados] … Falava este ainda quando veio outro e disse [perdeu ainda mais rebanho e empregados] … Também este falava ainda quando veio outro e disse [perdeu todos os seus 7 filhos e 3 filhas] …. Então, Jó se levantou, rasgou o seu manto, rapou a cabeça e lançou-se em terra e adorou; e disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR! Em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma. (Revista e Atualizada)

Reflexão

É muito difícil imaginar a perda de Jó. Mas muitos de nós já tivemos perídodos da vida que foram “nuvens escuras”, momentos quando não sentimos nada “abençoados” por Deus. Por isto, a reação inicial de Jó pode surpreender, pelo menos, a princípio. Pois, mais adiante veremos que Jó começa a demonstrar a sua grande tristeza e aborrecimento e a soltar aquelas perguntas dífíceis de quem sofreu tamanha perda.

Não sei o que se passava neste momento no íntimo do seu coração, mas ele reagiu da maneira certa. Não ficou paralizado com o susto (“se levantou”), expressou aberta e publicamente o seu profundo lamento (“rasgou seu manto, rapou a cabeça”), não jogou a culpa em Deus, mas o adorou, e talvez especialmente importante para nós latinos, não se julgou merecedor de nada. Mas, o seu comentário final levanta uma ambiguidade. Jó afirma, “O Senhor o deu e o Senhor tomou, bendito seja o nome do Senhor!” A ambiguidade surge porque, no versículo 12, Deus  havia concedido a Satanás o poder sobre as posses de Jó. Então, quem tomou tudo do Jó? Deus ou Satanás? Os teologicamente espertos diriam que foram os dois, Deus e Satanás.  O último aprontou os detalhes, o primeiro deixou. Tudo bem, é isso mesmo. Mas nós fazemos esta avaliação de modo frio, sem sentir na pele a perda. E Jó não. Para ele, se Deus é o único e verdadeiro Deus, em última análise a nossa “sorte” está nas suas mãos. Por enquanto, Jó ainda não lida com a maldade da desgraça que lhe ocorreu. Mas isto vai acontecer. É só aguardar o capítulo 3.

Talvez isto seja uma das maiores dificuldades da teologia da prosperidade. Quando Deus permite a vinda de desgraças na nossa vida, a teologia da prosperidade simplesmente cai por terra. A vida simplesmente não funciona assim. O perverso também prospera e o justo sofre. A tentação de querer explicar o por quê é muito grande, mas, sinceramente, embora eu possa dizer algumas coisas, nenhuma das minhas “explicações” é completa. [Domingo passado, eu fiquei frustrado porque não consegui explicar a passagem tão bem quanto queria, e a minha amada esposa me lembrou, “nem sempre precisa ou pode explicar”].

Os sofrimentos de Jó e os nossos são assim. Não há boas explicações. Por certo o evangelho da prosperidade encabeça a lista de explicações furadas. Mas, mesmo que a resposta inicial de Jó possa parecer ainda superficial (pois terá que trabalhar bem mais a sua reação), confesso que não há melhor maneira de começar: “O Senhor o deu e o Senhor tomou, bendito seja o nome do Senhor!” E isso no meio de muito choro e lamento. E sabendo que teremos que dizer, sentir, e reagir, muito mais…

A dor explicada não é assimilada, nem curada, pode até corroer mais. A dor, por definição, tem que ser sentida.

Oração
Graças te damos, sim, SENHOR, por toda boa dádiva na nossa vida. Livra-nos do mal e santifica-nos na dor. Bendita seja o teu santo nome. Amém.

Semana 2: Jó 1.8-11

Perguntou ainda o SENHOR a Satanás: Observaste o meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desvia do mal. Então, respondeu Satanás ao SENHOR: Porventura, Jó debalde teme a Deus? Acaso, não o cercaste com sebe, a ele, a sua casa e a tudo quanto tem? A obra de suas mãos abençoaste, e os seus bens se multiplicaram na terra. Estende, porém, a mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema contra ti na tua face. (Revista e Atualizada)

Reflexão

O dificuldade maior de tratar tanto da teologia da prosperidade quanto da teologia da lei (que mencionamos na primeira devocional) é que ambas nasceram de Deus! E assim possuem certa razão. Digo “certa” porque uma das características da revelação de Deus nas Escrituras que praticamente todos os teólogos afirmam é a sua natureza progressiva. Ou seja, uma leitura até superficial da Bíblia ilustra que Deus raramente revela tudo duma só vez. Isto seria mecânico demais e dispensaria o bom relacionamento que Deus quer que desenvolvamos com ele. O princípio mais básico da revelação progressiva é que o Novo Testamento interpreta o Velho. Por exemplo, as “bênçãos” que Deus promete para o seu povo no Antigo Testamento para o cristão têm que ser entendidas à luz da cruz e por consequente à luz de passagens como Efésios 1.3-10 e Gálatas 3.28-29.

Na passagem acima, quando Satanás se apresenta diante de Deus, vemos a razão porque a prosperidade absoluta, mesmo oriunda de Deus, poderá não servir os propósitos de Deus e porque é necessário o empobrecimento e o sofrimento na vida dos fiéis: para demonstrar que os retos e íntegros temem a Deus pelo que Deus é e não pelo que têm recebido em abundância de Deus.

O outro lado da moeda, e lição igualmente importante, é que o empobrecimento e o sofrimento não constituem a vontade “perfeita” de Deus para as nossas vidas, e sim, a sua vontade “permissiva”. Deus deseja, sim, nos abençoar mas permite dificuldades para criar em nós caráter e amor genuínos e irrestritos, algo que dificilmente se cria na abundância.

Mas, não nos esqueçamos do alvo de bênção maior que Deus nos dá e que Paulo nos apresenta em Efésios 1.3-10.

Oração

Deus seja louvado, porque nos abençoou com bênçãos celestiais em Cristo Jesus. Aleluia pela bênção maior, o próprio Cristo Jesus. Com ele, tudo enfrentamos. Por ele, tudo fazemos. Amém.

Semana 1: Jó 1.1-3

Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal. Nasceram-lhe sete filhos e três filhas.Possuía sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas; era também mui numeroso o pessoal ao seu serviço, de maneira que este homem era o maior de todos os do Oriente. (Revista e Atualizada)

Reflexão

Há dois evangelhos populares que concorrem nas igrejas com o evangelho de Cristo, o evangelho da lei e o evangelho da prosperidade. Paulo era um autêntico herdeiro da mensagem de Jesus e por isso combatia os dois veementemente. Combateu o primeiro especialmente na sua Carta aos Gálatas e na sua Carta aos Romanos, como Jesus o combateu especialmente diante dos fariseus. Combateu o segundo especialmente nas suas cartas aos coríntios, como Jesus o combateu quando desafiou os ricos e a classe sacerdotal. O combate era interno, isto é, dentro do povo de Deus, cada um citando as suas fontes bíblicas, o que faz o combate complicado. A solução também não era simples. Por isto temos as cartas densas que Paulo escreveu detalhadamente. Mas o resumo da solução, a alternativa que Paulo apresentou, pode ser dita em apenas quatro palavras: o evangelho da cruz. Para Paulo, anunciar Cristo significava a adoção do evangelho da cruz. Os outros evangelhos podem ser trabalhados a partir do Antigo Testamento. É fácil fazê-lo e é frequente. Os escritores do Novo Testamento, graças à liderança de Paulo que atribuia isto à revelação de Deus e à inspiração pelo Espírito Santo, entenderam que a leitura do Antigo Testamento que resulta ou no evangelho da lei ou no evangelho da prosperidade, era equivocada. Isto é essencialmente o assunto da Epístola aos Hebreus. Sua mensagem é que à luz de Cristo o evangelho da lei e o evangelho da prosperidade não são propriamente “cristãos” e por isso não podemos voltar para trás.

O Livro de Jó é talvez a maior correção ao evangelho da prosperidade no Antigo Testamento, pois no fim, os advogados deste evangelho, os “amigos” de Jó, são revelados como errados. O evangelho da prosperidade funciona assim: se você for íntegro na sua caminhada com Deus, prosperará. Terá a vitória. O inverso também é verdade: se não prosperar é porque há algum pecado ainda na sua vida. Deve ter deixado uma brecha para o diabo e está sofrendo as consequências. Este é exatamente o “conselho” dos amigos de Jó e eles estavam tragicamente errados.

Os primeiros versos do Livro de Jó preparam este cenário. Os múltiplos de 10 (7 filhos mais 3 filhas = 10; 7.000 ovelhas mais 3.000 camelos = 10.000; 500 pares de bois = 1.000 e mais 500 jumentas) no mundo antigo indicavam compleição e o superlativo no final apenas confirma este indício:  “era o maior de todos os do Oriente”. E mais importante ainda, era homem “’íntegro e reto”. Logo será vitorioso?

Temos que admitir: todos nós (há realmente alguma exceção?) desejamos sucesso. Todos queremos ter vitória. Todos nós desejamos prosperar. O Livro de Jó redefine o conceito de bênção e prosperidade e esclarece qual é o árduo caminho para a “vitória”. Assim aponta na direção do evangelho de Cristo que é o evangelho da cruz. Neste ano queremos ouvir a voz de Deus a respeito disto para seremos verdadeiros discípulos de Cristo e não meramente versões “cristãs” do sucesso e do modelo que a nossa cultura consumista promove.

Oração

Pai, precisamos muito da Sua inspiração para de ouvir o evangelho de Cristo e ser proclamadores do mesmo. Queremos ser seguidores do Seu modo e não do nosso. Por isso suplicamos a Sua ajuda. Dê-nos humildade para não falar além daquilo que Sua palavra fala e isto, apenas à luz de Cristo. Em nome de Jesus pedimos. Amém.