Arquivo de novembro 2010

Semana 47: Romanos 15.1-3,6

Nós que somos fortes na fé devemos suportar as fraquezas dos incapazes e não agradar a nós mesmos. 2 Cada um de nós deve agradar ao seu próximo para o que é bom para a edificação. 3 Porque também Cristo näo agradou a si mesmo. Pelo contrário, como está escrito: Os insultos daqueles que te insultavam caíram sobre mim…. para que concordemente em uma só voz glorifiquem a Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. (tradução minha)

Reflexão

Ainda no assunto da semana passada…

O papel dos fortes não é de dar bronca nos fracos. O seu papel é de apoiá-los. Por que? Porque o fraco está numa outra fase do seu amadurecimento na fé. O papel do forte não é de “ganhar” a disputa teológica com o fraco e, em consequência disto, esmagá-lo. Seu papel é de agradar no sentido de edificar este irmão. Não faz sentido? Então, considere o próprio exemplo de Jesus, que sofreu imensamente na cruz, não procurou se “agradar” escapando de tal situação. Ele enfrentou esta situação difícil como um inocente, se humilhou à condição dum culpado e foi condenado. Que exemplo para nós!

Tudo isto tem uma finalidade que os líderes reformados perceberam há muitos anos: glorificar a Deus. E como podemos glorificá-lo no culto, se estamos divididos e disputando entre nós. Por isso, que pensemos concordemente, certamente um conselho que vai na contramão da nossa cultura que valoriza tanto a liberdade da expressão e o direito de discordar. Pensar concordemente, este é o alvo final…abrir mão do nosso direito de opinar, em favor do bem estar do próximo.

Oração

Graças te damos pelo supremo exemplo de Cristo, o mais forte de todos mas feito fraco e que se deu por nós, os verdadeiros fracos. Em nome dele. Amém.

Semana 46: Romanos 14.23

Mas aquele que está disputando, é condenado se comer, porque não [age] pela fé, e tudo que não [é] de fé é pecado. (tradução minha)

Reflexão

Quase todas as versões da Bíblia em português traduzem a primeira frase assim: “mas aquele que tem dúvidas…” ao invés de “mas aquele que está disputando”. Não vou entrar no mérito da tradução.  Ao pé da letra a palavra significa “discriminar” ou “julgar”. De todo jeito, isto muda um pouco a orientação da reflexão da semana passada e dos versículos anteriores onde diz que não devemos forçar a barra quando, pela fé, a gente acha que alguma prática é lícita mas um outro irmão, também pela fé e convicção, acha que não é lícita.

O versículo acima levanta o outro lado da moeda, quando alguém adota uma prática como lícita ou não mas sem a convicção e por isso, não está agindo pela fé. Neste caso, a pessoa não deve ser deixado na sua não-convicção. Temos a obrigação de ajudá-la a chegar biblicamente a uma convicção.

Creio que parte da conscientização ambiental se enquadra neste caso. Devemos conhecer bem a Palavra de Deus a fim de caminhar com esta pessoa ou estas pessoas para que se definam e tenham convicções com boas bases….sem que nós nos esquecermos o que Paulo disse antes.

O que fazemos façamos em prol da justiça, da paz, e da alegria que está no Espírito Santo (v.17). Façamos com graça e façamos para contribuir para a união,  marcas registradas da obra que Deus está fazendo na nossa história.

Oração

Pai, como é fácil agir por egoísmo, querendo “ganhar”. Liberte-nos deste demônio de querer ser superior e querer “ganhar” as disputas com os nossos irmãos e irmãs em Cristo. Conceda-nos o espírito de Jesus. Em nome dele. Amém.

Semana 45: Romanos 14.14, 16-17

Como crente no Senhor Jesus, eu sei e estou convencido de que näo há nada que seja impuro em si mesmo. Mas se alguém pensa que uma coisa é impura, torna-se de facto impura para ele….Que ninguém seja levado a ofender a Deus por causa de uma coisa que tenha por boa. Com efeito, o reino de Deus näo é questäo de comida e bebida, mas é questäo de justiça, paz e alegria no Espírito Santo. (Sociedade Bíblica de Portugal)

Reflexão

Em Gênesis aprendemos que  Deus considerou tudo que Ele criou como “bom” (1.10, 12, 18, 21, 25), aliás, achou “muito bom” (1.31). Paulo, na passagem acima, seguindo o exemplo de Jesus (Mt 15.11, 18), disse que a impureza é coisa da nossa cabeça e não das coisas em si. Talvez, você, como eu, queira protestar ou qualificar estas afirmações. Mas se amamos e respeitamos a Palavra de Deus, estamos sem saída. A impureza não é inerente. É derivada. É o uso das coisas que determina o seu valor positivo ou negativo. Quais as implicações para aqueles que advogam a responsabilidade sócio-ambiental dos cristãos? Esta pergunta não é retórica. Suas dicas, mesmo com frases curtas , são bem vindas e poderão ajudar todos nós. Mas vou arriscar um primeiro palpite…

A bondade da criação aumenta a nossa responsabilidade como mórdomos. Isto é óbvio provavelmente para todos que leêm esta reflexão. E o fato de podermos explorar “para o mal” a criação também é óbvio, o que nos leva a observação que certamente não idolatramos ou romantizamos o mundo físico que nos inclue. Mas como entender versículos 16-17 acima? Talvez assim…

Embora a nova terra e o novo céu façam parte do projeto escatológico de Deus, há um alvo maior ainda: o estabelecimento da justiça, da paz e da alegria no Espírito. Esta é a razão do novo céu e da nova terra e da nossa incumbência como mordomos e guardiões. Não pela coisa em si por mais magnífica que seja o mundo material, sendo reflexo da mão de Deus. Aqui enfatizo a parte “sócio” do socio-ambientalismo. O novo céu e a nova terra, cujo instrumento de inauguração somos nós, estabelecem o contexto onde poderão habitar a justiça, a paz e a alegria. Ópa. Acabou meu espaço. Que pensas?

Oração

Como podemos não admirar a sua magestade diante das Tuas obras criadas, e diante do tão espantoso plano que tens? Graças Te damos por ter nos chamado pela Tua graça para sermos co-obreiros da Tua obra e no Teu plano. Amém.

Semana 44: Romanos 14.1…13

Dêem bom acolhimento àquele que é fraco na sua fé, sem discutir com ele sobre as suas opiniões…. Por isso deixemos de nos criticar uns aos outros. Tomem antes a decisão de não fazer nada que leve os outros a tropeçar ou a cair no pecado. (Sociedade Bíblica de Portugal)

Reflexão

Não é fácil falar sobre a responsabilidade socioambiental…especialmente duma perspectiva cristã. Muitos simplesmente não entendem. Ou acham que não é assunto de crente…mesmo que nunca falem assim. Já teve esta impressão? Pois é. Isto se chama síndrome de mais forte e Paulo tem um bom conselho acima para nós. Vamos resumir de modo bem simples:

Primeiro: acolhemos as pessoas. Sejamos corteses, agradáveis. Deixemos as pessoas se sentirem em casa conosco.

Segundo: não discutimos. Discutir nunca adianta pois quando se discute, cada um tenta se impor. E quando discutimos somos ouvidos como transmissores de opiniões, não de fatos. Se discutir é se impor, imposição não realiza mudança interior. E o empenho socioambiental exige uma mudança interior.

Terceiro: não critiquemos. Criticar inferioriza o outro e assim também não realizamos mudanças. Além disto, ao inferiorizarmos o outro deixamos de ser corrigidos por ele. E deixar de aprender e se corrigir nunca é bom, ao longo prazo, certo?

Portanto, as palavras de Paulo são muito simples e práticas…muito apropriadas para nós. Não acha?

Oração

Pai amado. Inunde-nos com o Teu Espírito para que pareçamos mais com Cristo e acolhamos uns aos outros como Ele nos acolheu. Em nome de Jesus. Amém.