Arquivo de outubro 2010

Semana 43: Romanos 13.8-10

Não devam nada a ninguém, a não ser o amor de uns para com os outros. Quem ama o próximo cumpre a lei. Os mandamentos dizem: Não cometerás adultério, não matarás, não roubarás, não cobiçarás. Ora todos estes e qualquer outro mandamento resumem-se num só: Ama o teu próximo como a ti mesmo. O que ama o seu próximo não lhe faz nenhum mal. Pois o amor é o cumprimento total da lei. (Sociedade Bíblica de Portugal)

Reflexão

Quem tem medo do número “treze” não percebeu. Treze não tem nada de azar. Considere as seguintes passagens: 1 Coríntios 13, Hebreus 13 e Romanos 13 todos falam da proeminência do amor (mas não leia Apocalipse 13!). Claro que a primeira quebra todos os récordes nos casamentos. E Hebreus nos espanta com a afirmação de que quem ama, demonstrando hospitalidade, poderá chegar a receber anjos em sua casa sem o saber. Mas por mais bonito que seja a primeira passagem e mais espantosa que seja a última, Romanos 13 é mais inesperada. Afinal de contas, Paulo acabara de gastar os primeiros 11 capítulos desta carta elaborando longos e detalhados argumentos, citando dezenas de passagens do Antigo Testamento, para reconceituar a lei dentro da perspectiva da fé. E aqui, no capítulo 13, ele simplesmente resume estes milhares de palavras em sete: “quem ama o próximo cumpre a lei”! Vamos testar esta “teoria”? Vejamos…quem ama não adultera, quem ama não mata, quem ama não rouba, quem ama não cobiça. E podemos completar, não é? Quem ama não engana, quem ama não oprime, quem ama não se impõe, e assim vai. Ë possível até colocar o princípio de forma positiva: quem ama se compadece do próximo, quem ama exerce a justiça, quem ama ama o que Deus ama, quem ama cuida da criação.

Parece um truque meu, mas não é. Pense só um pouquinho. Marque apenas 60 segundos no seu relógio!

Romanos 13, leia tudinho. É inesperado!

Oração

Graças te damos por Teu grande amor, ó Pai. Encha-nos dele para que amemos de verdade. Em nome de Jesus. Amém.

Semana 42: Romanos 13.3

… faze o bem…

Reflexão

Esta frase, “faze o bem”, se repete várias vezes nos primeiros versículos do capítulo 13. Era uma injunção do mundo greco-romano dirigida para as pessoas de maior condição sócio-econômico que deveriam ser “benfeitores” da sociedade, especialmente  daqueles menos privilegiados. Paulo, entretanto, aplica o mandato para toda a comunidade da fé. Assim, democratiza uma obrigação cuja aplicação, de outra sorte, parece bastante conservadora. E de fato, pesquisas recentes do sociólogo, Rodney Stark, confirmam que o ministério social da igreja primitiva transformou a sociedade romana, invertendo estruturas injustas de hierarquia social pelo exercício de ações extraordinárias de misericórdia nos seus primeiros 300 anos até ganhar a simpatia do então imperador Constantino.

Nesta carta aos romanos repleta de citações bíblicas (mais que 55) e densa em reflexão teológica, porque Paulo apelou para uma injunção popular? Porque não citou Miquéais 6.6-8 ou “n” outras passagens bíblicas apropriadas? Sinceramente, não sei. Não vou nem chutar. Mas acredito que podemos tirar disto uma grande lição para a ética cristã em geral e para a educação ambiental especificamente. Nem sempre precisamos apelar para passagens bíblicas, inclusive para gente da igreja!

Puxa vida. Agora que eu falei isto, parece grande heresia! Graças a Deus pelo exemplo de Paulo! Veja bem, não digo que não devemos usar as Escrituras. Claro que devemos. É revelação de Deus e esclarece muito. Apenas nem sempre precisamos. Às vezes basta o bom senso ou aqueles bons princípios encravados na consciência humana que fazem parte da imagem de Deus imbutida em todo ser humano. Quando possível, nos mostramos simpatizantes com a sociedade geral. Quando necessário, claro, a desafiamos com a verdade do evangelho.

Oração

Pai, necessitamos de discernimento e da Tua graça. Revista-nos da imagem de Cristo, cheios do Teu Espírito para exercermos o nosso papel de bons mordomos da Tua criação. Amém.

Semana 41: Romanos 12.3b

… que vocês se ofereçam completamente a Deus, um sacrifício vivo…

Reflexão

Na semana passada, refletimos sobre a introdução em Romanos 12.1, do versículo acima. Comentamos que a passagem avança a idéia de como podemos ser agentes de transformação neste mundo e deste mundo (leia: “criação”). Basicamente, a resposta que Paulo dá é que começamos por nós, e de modo bem prático: “nossos corpos”. No restante do capítulo 12, ele dá dicas bem práticas do que isto significa, dicas que muitas vezes vem até da cultura geral e não específica ou exclusivamente das Escrituras. Veja, por exemplo:

  • não se achem melhores do que realmente são…(v.3);
  • odeiem o mal e sigam o que é bom… (v.9);
  • amem uns aos outros com o amor de irmãos em Cristo e se esforcem para tratar uns aos outros com respeito…(v.10);
  • trabalhem com entusiasmo e não sejam preguiçosos…(v.11);
  • repartam com os irmãos necessitados o que vocês têm e recebam os estrangeiros nas suas casas…(v.13);
  • peçam que Deus abençoe os que perseguem vocês…(v.14);
  • não sejam orgulhosos, mas aceitem serviços humildes. Que nenhum de vocês fique pensando que é sábio! (v.16);
  • não paguem a ninguém o mal com o mal…(v.17);
  • não deixem que o mal vença vocês, mas vençam o mal com o bem (v.21).

Se seguíssemos estes conselhos já estaríamos caminhando bem na direção da nova criação, que Deus nos criou para sermos.

Oração

Graças Te damos ó Pai, pela Tua palavra que nos desafia e nos corrige. Cria em nós um espírito humilde e ensinável. No forte nome de Jesus. Amém.

Semana 40: Romanos 12.1-2

…ho?n

Reflexão

Quantas pessoas já ouviram um estudo bíblico de Romanos 12.1-2? Certamente o pessoal da ABU bastante. Mas já acertou a segunda palavra do versículo em grego, ho?n? Ela significa “então”, “portanto”, “consequentemente”. É uma conjunção, o que significa que liga a parte anterior à posterior. E a parte anterior é aquela doxologia que vimos na semana passada. Quase ninguém repara esta observação básica e essencial. Não, todos estão com pressa para dizer ou que a gente deve se comportar bem (“apresentar o nosso corpo como sacrífio vivo”) ou que Deus quer que a gente use a nossa cabeça (“renovação da nossa mente”). Alías, são dois bons conselhos. Mas o que isso tem a ver com a doxologia anterior, que por sua vez conclue a observação anterior a isto a respeito da misericórida de Deus para gentios e judeus (11.30-32, veja a mesma palavra “misericórdia também em 12.1!)?

Na verdade a interpretação de Romanos nunca foi fácil para ninguém…literalmente. Não porque a carta é demasiadamente complicada ou exageradamente densa em teologia. Mas simplesmente porque nesta carta, mais do que nas suas outras cartas, Paulo gasta vários capítulos para dizer uma só coisa. Logo, o leitor precisa prestar muita atenção e sempre toda a carta em mente. Por exemplo….

Paulo traça o plano glorioso de redimir gentios como gentios e judeus como judeus por meio da fé e através de Cristo Jesus em Romanos 1-8. Romanos 9-11 expande o assunto para pensa em todos as naçõe sgentílicas e no povo judeu. É um plano glorioso cujo enredo central é a misericórdia (graça) de Deus. Em Romanos 12-14, Paulo elabora as implicações “práticas” disto na vida dos crentes. Logo, Romanos 12.1-2 é a transição do “plano glorioso de Deus” para a “vida prática do crente”. Aqui Paulo esta dizendo que, diante deste plano de Deus (cap.s 9-11) que faz parte do plano maior de redimir a criação toda (cap.8, compare 11.36), nós devemos tomar a iniciativa nesta redenção por oferecer os nossos próprios corpos (nossa parte pessoal da criação) de tal forma que glorifica Deus e isto, por sua vez, envolve uma nova perspectiva (esta seria uma tradução melhor de “renovação da nossa mente”). Nós temos que mudar de atitude em relação a criação toda, começando em nós, pelos nossos corpos, e por implicação, a maneira como nos relacionamos com o nosso próximo (o assunto de capítulos 12-14).

Oração

Pai, transforme a nossa maneira de pensar para que ajamos, nestes corpos que fazendo parte da sua criação, de modo que Tú sejas glorifiado. Em nome de Jesus. Amém.