Arquivo de agosto 2010

Semana 35: Romanos 9.33; 10.10-11

Romanos  9.33; 10.10-11

como dizem as Escrituras Sagradas: “Vejam! Estou colocando em Sião uma pedra em que eles vão tropeçar, a rocha que vai fazê-los cair. Mas quem crer nela não ficará desiludido…. Porque nós cremos com o coração e somos aceitos por Deus; falamos com a boca e assim somos salvos. Porque as Escrituras Sagradas dizem: “Quem crer nele não ficará desiludido.” (NTLH)

Reflexão

Jesus Cristo é a nossa Rocha. Conforme estes versículos, quem crê nele, isto é, que confia nele e a ele é fiel (a idéia de pistis = fé) “não ficará desiludido”. Que quer dizer desiludido? A palavra grega tem a mesma raiz da palavra traduzida como “envergonhar-se” de Romanos 1.16. É a linguagem típica de culturas de “honra” e “vergonha” como as culturas mediterrânea antigas ou as orientais hoje. A idéia é que os seguidores de Jesus podem contar com ele. Eles não “perderão a face” diante dele, não serão “desgraçados”. Ou seja, Deus cumprirá as suas promessas para eles, do mesmo jeito que sempre cumpriu, e, assim, os seguidores de Jesus, no fim, serão vindicados. Já na passagem que Paulo está citando, Isaías 28.16, a idéia é um pouco diferente. A palavra hebraica que a palavra grega traduz significa “apressar”, no sentido de “fugir depressa com medo” ou “entrar em pânico.”

Paulo usa esta passagem para dizer algo a respeito daqueles que “confiam” na Lei ao invés de confiar em Jesus. Assim ele afirma que o baluarte da nossa fé é Jesus, não é Lei. Quem estabelece a justiça é Jesus (veja Isaías 28.17, o versículo após daquele que Paulo cita que diz que Yahweh é quem faz a justiça). A justiça que tanto desejamos, para nós mesmos, para os outros, e para a criação toda, é Jesus quem estabelece, nisto podemos confiar resolutamente!

Ou seja, fazemos parte dum plano magnífico, que tem o aval do próprio Criador. Assim, ele só pode “dar certo”. Isto é tão sólido quanto uma rocha. A rocha d’A Rocha Brasil é a Rocha de Sião. É Jesus. Que Ele guie cada um dos nossos passos.

Oração

Graças Te damos por teres ti revelado em Cristo Jesus. Que Ele possa crescer em nós e no nosso meio para o cumprimento maior do Teus propósitos. Em nome de Jesus.  Amém.

Semana 34: Romanos 9.30-32

O que vamos dizer, então? Vamos dizer isto: os não-judeus, que não procuravam ser aceitos por Deus, foram aceitos por meio da fé. Porém o povo de Israel, que procurava uma lei para ser aceito por Deus, não encontrou o que estava procurando. E por que não? Porque eles procuravam alcançar isso por meio das suas ações e não por meio da fé. Eles tropeçaram na “pedra de tropeço”,… (NTLH)

Reflexão

Nestes três versículos, Paulo resume as suas observações feitas nos primeiros 8 capítulos da carta. Ele faz isto para ilustrar o “dilema” atual dos judeus, que não queriam crer. Mas não é difícil ver como estas observações se aplicam a nós também que, às vezes, achamos que as nossas ações vão nos alcançar o favor de Deus.

Ora, quase todas estas devocionais tem apelado para o nosso engajamento, a nossa ação, nos desafios deste mundo. É a nossa missão. E acredito que seja a vontade de Deus para as nossas vidas. Entretanto, a vida de fé sempre exige mais. Certamente exige ação. Tiago que o diga. Mas exige mais (não menos!). Exige “fé”. Que quer dizer “fé”? Fé e fidelidade são palavras em português que traduzem a mesma palavra grega, pistis. Fé popularmente nos fala, talvez, de algo interior, algo talvez místico. Mas, fidelidade esclarece mais, pois fala duma dimensão relacional, justamente algo que nos remete para as idéias do pacto, da aliança, do compromisso. Logo, não é tão distante da ação. Entretanto, envolve uma outra dimensão, a dimensão do vínculo, digamos, afetivo do relacionamento. Somos comprometidos não só a obedecer a Deus, mas com a própria pessoa de Deus. Esta distinção faz sentido para você? Poderá nos falar de outra?

Todo caso, precisamos tomar o cuidado de não deixar nosso precioso relcionamento com Deus se deteriorar em ação (obediência) sem paixão (fé). Não que eu queira reduzir fé à paixão mas ela inclui esta dimensão.

Oração

Deus Eterno, alvo do nosso amor, graças Te damos pela fidelidade de Cristo que nos revelou o caminho de fé nas nossas vidas. Desejamos ser fiéis. Desejamos agir com fé. Encha-nos do Teu Espírito para que possamos viver assim. Em nome de Jesus.  Amém.

Lançamento

Torá Bilíngue King James
agosto de 2010: Abba Press, 832 páginas

A Torá é o mais sagrado dos escritos para os judeus e também reconhecido por todos cristãos como o Pentateuco, os primeiros cinco livros da Bíblia. Esta edição inclui o texto hebraico numa coluna e, na coluna ao lado, uma nova tradução em português: King James Atualizada.
Timóteo escreveu as notas explicativas sobre as palavras hebraicas chaves e o material introdutório no início e as “ajudas” para o leitor no final.

Semana 33: Romanos 9.28

Pois Ele está completando e encurtando uma questão: Senhor sobre a Terra. (tradução minha)

Reflexão

O versículo acima é difícil traduzir. As diversas versões em português ilustram a dificuldade. A minha tradução acima soa estranho mas o fiz bem ao pé da letra, tentando colocar os verbos, o sujeito dos verbos e o objeto direto na mesma ordem que Paulo escreveu em grego. Neste caso, “o Senhor” não é sujeito dos dois gerúndios (completando e encurtando) e sim objeto. O sujeito, “Ele” é o sujeito dos versículos anteriores, o Deus que cumpre as suas promessas e que demonstra a sua ira e a sua misericórdia de tal forma que glorifica a Ele mesmo, e não necessariamente de acordo com o nosso agrado. E qual é esta promessa, que no versículo 28 acima é chamada de “questão” (também o termo pode significar “palavra”)? A promessa, e isto pode surpreender mas é latente em toda a perspectiva que Paulo está apresentando em Romanos, é que Jesus será estabelecido como “Senhor sobre a Terra”. Você pode achar que estou viajando mas a questão é essa mesma. Jesus cumpriu o papel de ser guardião da criação que pertencia à humanidade mas que a humanidade não cumpriu. E ao cumprir este papel e ao nos justiça-ficar, Jesus possibilita o nosso cumprimento desta diretriz primordial. E isto significa que a restauração do carácter justo do ser humano precisa alcançar toda a raça humana, não apenas os judeus, que receberam de fato, um papel especial de Deus na execução deste plano. Por causa da situação que Paulo vivia, o argumento do capítulo 9 (e toda a carta até aqui) se ocupa mais com o esclarecimento desta última observação (justiça para todos, judeus e gentios) do que com a observação anterior (que o plano de Deus estabeleceu Jesus como Senhor sobre a Terra) que é o pressuposto da última observação. Pressupostos, por definição, raramente são argumentados…por isso são chamados de pressupostos…mas eventualmente aparecem, o que é o caso do versículo 28 acima.

Em Cristo somos restaurados como pessoas justas, capazes de executar a incumbência nos dada em Gênesis 1.26 e 2.15. Não acreditas? Porque, então, Paulo conclui os seus pensamentos imediatamente anteriores com a reflexão no capítulo 8, versos 18 a 25, e qual é o propósito para o qual fomos chamados mencionado em 8.28 e porque o capítulo 8 termina mesmo no cenário da criação no versículo 39.

Por favor queridos, dêem o seu retorno.

Oração

Gracioso Deus. Somente podemos nos dobrar diante de Ti em agradecimento por ter nos alcançado. Entregamo-nos nas Tuas mãos para o Teu bem querer. Em nome de Jesus. Amém.

Semana 32: Romanos 9.2-3

Sinto uma grande tristeza e uma dor sem fim no coração, por causa do meu povo, que é minha raça e meu sangue. Para o bem desse povo, eu mesmo poderia desejar receber a maldição de Deus e ficar separado de Cristo. (NTLH)

Reflexão

Sábado fui buscar um deck que encomendei para uma nova prancha de surf. O deck é a parte emborrachada que fica em cima da prancha e substitui a parafina. Pedi quadriculado em azul e branco. Ficou show de bola. O pessoal da fábrica já me conhece, porque foi o quarto ou quinto deck que já pedi. Então, quando eu estava saindo, o Careca tomou a liberdade de me perguntar, “Pastor, cê torce por que time?” Tentei escapar dizendo que eu só torcia pela seleção brasileira na hora da Copa, mas não adiantou. Aqui é preciso torcer por algum time. Precisa se comprometer.

Paulo era judeu e torcia pelo seu povo. Na cabeça dele, não se converteu do judaismo para o cristianismo. Converteu-se, como um judeu autêntico, a Jesus, e se transformou naquilo que nós chamaríamos de judeu messiânico. Para Paulo, “judeu” bastava. Claro que a minha analogia não é perfeita, pois “raça”, especialmente no caso dos judeus que recebiam promessas de Deus, não é a mesma coisa que time. Mas nós, como Paulo, entendemos que somos povo de Deus, todos que têm fé em Cristo Jesus, inclusive judeus e outros. Paulo defende o mesmo ponto de vista. Mas mesmo com uma vocação especial para anunciar o evangelho para não-judeus, Paulo entendia que os judeus eram “especiais” por terem sido veículos das promessas de Deus, acima de tudo, do próprio Messias.

Será que somos tão diferentes? Nós também não nos entendemos como povo de Deus com uma vocação do tamanho do mundo, chamados como portadores de boas notícias para todos os povos e até mesmo para toda a criação[1]? Vestimos as cores do nosso time?

Oração

Amado Pai. Graças Te damos pela família do povo de Deus para o qual nos chamou. Derrame sobre nós o Teu Espírito para que entendamos a nossa relação com tudo mais e todos os demais que o Senhor criou. Em nome de Jesus. Amém.


[1] A palavra para “criação” e “criatura” é a mesma no grego. Portanto, geralmente pode substituir uma pela outra. Experimente…(Mc 16.15; Rm 1.25; 2Co 5.17; Gl 6.15)

Semana 31: Romanos 8.31, 35a, 39

O que podemos dizer diante de tudo isto? Se Deus é por nós, quem poderá ser contra nós?…Quem poderá nos separar do amor de Cristo? …nem as coisas altas ou mais mais profundas, nada sequer na Criação poderá nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus nosso Senhor.. (tradução minha)

Reflexão

A passagem acima (por favor, leia-a completamente) conclui e encerra toda a primeira parte de Romanos, capítulos 1-8. Todos os comentaristas concordam. Mas pouco se repara que este parágrafo segui imediatamente a passagem que fala dos sofrimentos e do resgate da criação em Romanos 8.18-29. A afirmação que nada poderá nos separar do amor de Cristo se refere, portanto, não só à obra de Cristo a nosso favor, nós seres humanos como a coroa da criação (Hb 2.7; Sl 8.4-6), mas também se refere ao plano maior de Deus de resgatar a criação toda, também vítima, conforme o relato de Gênesis, da queda do homem e carente de redenção. A posição de 8.18-29 acerca da criação, logo antes da conclusão em 8.31-39 acerca da nossa inseparação do amor de Deus em Cristo, não á acidental. Como entender?…

O plano de Deus é maior do que podemos imaginar. Certamente maior do que nós mesmos, mesmo que, graças a Deus, nos inclua. Mas, Deus não é fortuito. Ele não criou a sua criação, inclusive nós, à toa. O universo não é caprichoso. Ele é repleto de propósito, e propósito divino. Um propósito que honra o Criador. Um propósito que retorna amor ao Criador. Um propósito que glorifica o Criador. Um propósito aos pés do Criador. Por isso, para o resgate do Universo, a retidão de Deus, isto é, a veracidade de Deus, isto é, a justiça de Deus há de invadir e tomar conta da Criação. Toda a história (as Escrituras ou a Lei) a respeito de Deus caminha nesta direção. Por exemplo, o Livro de Apocalipse termina com a estabelecimento dum Novo Céu e duma Nova Terra. A história da Bíblia é a história do resgate da Criação de Deus. Focaliza o resgate do ser humano, criado com a incumbência de ser jardineiro desta criação. Mas o resgate do jardineiro sem levar em conta o jardim não faz muito sentido e, de fato, seria incompleto. O “primeiro” Adão ocasionou a opressão e a entrada da injustiça e a morte no mundo (Rm 5.12-14): nos seres humanos e no meio ambiente. O “segundo” Adão ocasionou a libertação e a entrada da justiça e da vida (Rm 5.15-18).

O jardineiro com Cristo tudo pode para completar a sua tarefa. Porque com Cristo temos tudo que precisamos. A vitória está certa. Nada neste mundo ou além poderá impedir mais nem o nosso resgate e nem o implemento do nosso papel no resgate da criação. Não há impedimento ao cumprimento do propósito de Deus. Lá fora a situação pode não parecer boa. Mas nem isto é suficiente para nos desanimar, muito menos nos desincentivar. O percurso do plano de Deus está certo. Nossa inclusão já foi providenciada e nosso papel plenamente capacitado.

Oração

Nada, nada, nada, poderá nos separar do Teu amor, ó Pai. Nada poderá nos distanciar do amor de Cristo. Alelúia. Amém.