Arquivo de março 2010

Semana 13: Romanos 3.31

Esgotamos[i], pois, a Lei pela fé? De jeito maneira! Muito pelo contrário, fortalecemos[ii] a Lei. (tradução minha)

Reflexão

Gosto muito da Nova Tradução na Linguagem de Hoje, e também da Nova Versão Internacional. Mas não para Romanos. Tanto a linguagem técnica quanto as sutilezas dos argumentos de Paulo praticamente exigem uma tradução mais “literal”. Assim procurei fazer no versículo que conclui o capítulo 3. As nuanças dos dois prinicpais verbos do versículo nas notas abaixo talvez ajudem mais ainda a entender o que Paulo está dizendo. Ajuda também lembrar do versículo 22 que comentamos na semana passada: “a fé de Jesus (manifesta) a justiça de Deus”. E olhando um pouquinho para frente, em Romanos 10.4, “pois Cristo é o fim da Lei…”. Deu para entender? A fé (primeiro de Jesus que manifesta a justiça de Deus e, em segundo lugar, a nossa fé que a fé de Jesus possibilita) não esgota a Lei porque é para ela (a fé de Jesus e a nossa fé) que a Lei (as Escrituras) aponta. Deste jeito, as Escrituras encontram o seu cumprimento em Jesus e consequentemente na salvação de todas as etnias, judias ou não.

Mas o que não significa? Não significa que a vida cristã é feita um pouco de fé (acreditamos certas coisas) e um pouco de Lei (obedecer a ordem do Antigo Testamento). Certamente Paulo, depois de tudo que falou até aqui a respeito da circuncisão, não está dizendo isso. Entretanto é assim que a maioria dos cristãos vivem e muitos líderes cristãos pregam. Não entenderam a mensagem.

O que tem a ver com o compromisso socio-ambiental? Tem a ver com método e procedimento. Arriscando ser simples demais….as coisas realmente mudam pelo código da Lei ou por transformações afetivas e interiores?

Oração

Precioso Jesus. Inunde-nos da tua graça. Amém.


[i] (1) Inutilizar, gastar, esgotar, nulificar; (2) livrar-se de: (3) abolir, destruir, cessar

[ii] (1) colocar em primeiro lugar, estabelecer, confirmer, colocar em pé; (2) aparecer, ficar em pé, ficar firme, atentar-se

Semana 12: Romanos 3.21-22

Mas agora, independentemente da Lei, a justiça de Deus se manifestou, sendo confirmada pela Lei e os Profetas.  Isto é, a justiça de Deus pela fidelidade de Jesus para todos e sobre todos que exercem fidelidade. Porque não há diferença [entre gentio e judeu]. (tradução minha)

Reflexão

Ontem à noite preguei sobre esta passagem. Acho que exagerei. Foi longo demais. Cansei o pessoal! Ainda bem que só tenho uma página aqui! Sério, compare a minha tradução acima com a sua Bíblia. Diferente, não é? De 33 versões em inglês achei 14 que traduziram (corretamente) a frase no versículo 22 como “a fé (ou a fidelidade) de Jesus”. As outras, como todas as 14 versões em português que verifiquei, traduziram como “nossa fé em Jesus”. Na língua original, a forma genitiva do substantivo garante a tradução “de Jesus” em mais que 95% dos casos.

Importante? Pode crer! A minhaem Jesus manifesta a justiça de Deus? A justiça de Deus não só para mim como para toda a criação (o contexto maior)? De jeito maneira! A minha fé em Jesus é a resposta certa para a fidelidade de Jesus na cruz que efetuou a justiça de Deus para o mundo todo. Uma é causa. A outra é consequência.

Claro que somos nós que devemos ter fé em Jesus. Paulo fala isto “n” vezes em outros lugares, mas não aqui. Por que? Primeiro porque ele está falando de algo muito maior que a gente: a justiça de Deus como solução para um mundo cheio de injustiça…o que afeta diretamente a questão do meio ambiente. Temos nós algum papel? Claro que temos. Mas é Jesus, pela SUA fidelidade que inverteu o quadro anterior. Por causa da suaa nossa é possível e há algo sólido ( a fidelidade de Jesus) no qual pode se fundamentar. Queres crescer na fé? Cresça no conhecimento de Jesus. Queremos ser mordomos fiéis da criação. Moldemos a nossa fidelidade com base na fidelidade de Jesus. Enfim, conheçamos Jesus mais e mais.

Oração

Pai amado, mostre-nos cada vez mais o rosto de Jesus para nos apaixionarmos mais e mais por ele. No seu nome santo. Amém.

Semana 11: Romanos 3.7-8

Mas digamos que a minha mentira faz com que a verdade de Deus fique mais clara, aumentando assim a glória dele. Nesse caso, por que é que devo ainda ser condenado como pecador?  Então por que não dizer: “Façamos o mal para que desse mal venha o bem”? Na verdade alguns têm me caluniado, dizendo que eu afirmo isso. Porém eles serão condenados como merecem. (NTLH)

Reflexão

Fico impressionado com a maneira como Paulo se expressava, especialmente quando penso em como os oradores se expressam na igreja…eu inclusive. No caso acima, Paulo se utiliza duma ironia ferrenha que propõe o ridículo. Quantas vezes eu queria fazer o mesmo numa pregação ou num estudo escrito! Mas pelo medo de ser mal entendido, sempre desisto, a não ser quando dirijo um estudo bíblico mais informal, de vez em quando. Mesmo assim, a ironia não nos parece fazer parte do repertório de técnicas de comunicação aceitáveis no meio da igreja. Por que? Provavelmente porque a ironia é uma forma de mentira e crente não mente!

Mas a ironia é um jeito tão forte de se comunicar e é tão facilmente gravada, que a gente, acredito eu, deveria explorar um pouco mais este jeito de falar, se não por outro motivo, pela razão de ser bem lembrado. Sim, é uma comunicação arriscada, mas vale o risco.

É possível criar ironias a respeito da nossa incumbência de cuidar da criação de Deus? Pode sugerir alguma ironia para destacar a urgência do momento ou a importância do nosso papel? “Já que o mundo vai à descarga, vamos acelerar o processo!” (Não sou muito bom neste negócio de ironia. A casca santa de crente impede a facilidade). Usar a ironia para a educação ambiental é sacrilégio mesmo?

Terias alguma sugestão?

Oração

Pai amado, como pensamos que somos bons. Como pensamos que entendemos bem. Como pensamos que somos a solução! Pai, nos dê a noção apenas do próximo passo a tomar, sem grandes pretenções. Em nome de Jesus. Amém.<!–

Semana 10: Romanos 3.4

De modo nenhum! Que Deus continue a ser verdadeiro, mesmo que todas as pessoas sejam mentirosas. Como dizem as Escrituras Sagradas a respeito dele: “Que fique provado que tu tens razão quando falas e que sejas vencedor quando fores julgado.” (NTLH)

Reflexão

Não acha este versículo estranho? É quase impossível explicá-lo, sem colocá-lo dentro do seu contexto. Também é crucial que reparemos que Paulo está usando um jeito de desenvolver o seu pensamento bem específico da sua época. Chama-se retórica. Uma vez que entendemos como funciona este jeito antigo de escrever, a retórica, as idéias de Paulo fazem mais sentido.

Outra coisa: Paulo fala dum grande problema desde o início do capítulo 2 até o capítulo 3, versículo 20. E o problema é a propensão que cada um de nós tem de fazer o mal e o consequente julgamento de Deus que segue esta situação de maldade. Mas, é importante também reparar que a partir de 3.21 até o final do capítulo 11, Paulo vai falar da grande solução. Um capítulo e meio para tratar do problema e oito capítulos e meio para tratar da solução! Será que aqui temos um bom modelo para a educação ambiental? Primeiro, e primeiro mesmo, o problema. O problema dum jeito claro e convincente. Sem dúvida, este é o primeiro passo. Mas o segundo passo ocupa mais a nossa atença ainda: a solução. A solução exposta, explicitada, elaborada e estendida até as suas consequências mais abrangentes.

Ah é, mais uma coisa! Tudo isso usando a linguagem que se entenda. No caso de Paulo escrevendo para os romanos, era a linguagem da retórica. No nosso caso, é a linguagem da ciência e da sensibilização. Pelo menos, quando se trata da educação ambiental. Mas, poderíamos aplicar os mesmos princípios (primeiro problema, depois e mais extensivamente a solução, e tudo isso dentro da linguagem que se entende) a outras aplicações, como a evangelização de todos os povos… o assunto mais imediato de Paulo em Romanos.

Oração

Maravilhoso Deus. Conceda-nos palavras apropriadas que fluam com facilidade das nossas bocas para falar convincentemente do seu plano de redenção para o mundo todo, tudo que o Senhor criou. Em nome de Jesus. Amém.

Semana 9: Romanos 2.11

Pois ele [Deus] trata a todos com igualdade. (NTLH)
Porque para com Deus não há acepção de pessoas. (RA)

Reflexão

Esta frase é citada quase sempre para dizer que Deus aceita todas as pessoas igualmente. Entretanto, no contexto de Romanos, a frase diz exatamente o contrário: Deus julga todos igualmente (leia antes e depois do versículo 11). Tudo bem que em outros lugares a mesma frase pode ter uma conotação positiva (ex. Tiago), mas não aqui. E quem gosta, afinal, de falar sobre o julgamento de Deus? Muito mais preferimos falar da sua graça e do seu amor. Entretanto, a graça existe justamente por causa do julgamento, especificamente para escapar das consequências do julgamento.

E lembram-se que a redenção humana é conectada à redenção da criação (Romanos 8)? Pois bem, também é o caso do julgamento. Eis a preocupação cristã com o meio ambiente. Pois, tendemos a enxergar mais o perigo iminente do julgamento da criação por causa da perversidade humana do que da sua redenção por causa da conversão humana.

Se for ler o resto do capítulo 2, verá que o importante é o coração humano, pois se fosse pela “lei” ninguém realmente pratica a fio aquilo que prega. Por isso, precisamos não somente boas intenções e nem mesmo apenas boas orientações, mas precisamos de novos corações transformado pelo Espírito.

De alguma forma, este mesmo princípio deverá reger as ações daqueles que são chamados como agentes de transformação da criação toda. Como traduzir este “princípio” em orientação mestra para a Rocha?

Oração

Pai. Dá-nos olhos para ver, coração para sentir, e bons sentidos para sentir o toque do Teu Espírito e transforme-nos, Senhor, para que sejamos instrumentos da Tua transformação nesta terra. Em nome de Jesus. Amém.