Arquivo de fevereiro 2010

Semana 8: Romanos 2.6

…pois ele [Deus] recompensará cada um de acordo com o que fez. (NTLH)

Reflexão

Capítulo 2 de Romanos trata dum aviso acerca do julgamento de Deus. O princípio básico, citado acima e elaborado nos versículos 7-10, é universal. Parece se contrapor à graça de Deus como o único meio de salvação e à justificação pela fé, grandes temas desta Carta aos Romanos. Mas não é o caso.. Fato é que as nossas ações têm consequências (1 Coríntios 3.10-15), consequências para nós individualmente, consequências que atingem as pessoas mais próximas a nós, e consequências que alcançam até mesmo o ambiente que nos cerca. Tudo isso a própria experiência também nos diz, não é?

A mensagem, “as ações humanas tem consequências abrangentes”, é o bê-a-bá da ética cristã, inclusive da educação ambiental, e poderemos apontar para esta passagem entre outras para sustentar a sua base bíblica. Mais adiante em Romanos (capítulo 8), lemos que a redenção da criação também decorre das ações, neste caso, especificamente das ações do povo de Deus. Esta última afirmação, entretanto, não é óbvia como a primeira. Tendemos a pensar que o nosso papel é mínimo e essencialmente se reduz à conscientização da população maior. Ninguém duvida que devemos conscientizar a população maior, utilizando todos os meios à nossa disposição. Não tenho dúvida disto e dou graças a Deus pelos políticos e outros setores que lutam tão bravamente. Mas quero deixá-los com este pensamento…

Qual é o papel (ou papéis) específico tão notável do povo de Deus na redenção da criação? A resposta para mim não é muito clara. Fascino-me pela perspectiva de Romanos 8, do Livro de Apocalipse, das passagens proféticas de modo geral, todas que apontam para a realização do papel nos dado em Gênesis 1 e 2. Mas confesso que ainda não consigo entender muito bem porque o nosso papel é tão especial

… confissões dum “teologo” e capelão dum ONG cristã ambiental

Oração

Pai. Nos ajude a agir de modo agrável a Ti. Mostre-nos o nosso papel, ações específicas. Em nome de Jesus. Amém.

Semana 7: Romanos 1.21…32

Eles sabem quem Deus é, mas não lhe dão a glória que ele merece e não lhe são agradecidos. Pelo contrário, os seus pensamentos se tornaram tolos,  e a sua mente vazia está coberta de escuridão…

Eles sabem que o mandamento de Deus diz que aqueles que fazem essas coisas merecem a morte. Mas mesmo assim continuam a fazê-las e, pior ainda, aprovam os que fazem as mesmas coisas que eles fazem. (NTLH)

Reflexão

Estes dois versos enquadram uma longa descrição da depravação humana. E é importante dizer que é a condição de todos nós sem Deus. É relatório sóbrio, que nos obriga, Deus queira (!), a ter bastante humildade quanto às mudanças socio-ambientais que tanto desejamos incentivar. Caros colegas, precisamos de muita humildade muita perseverança. Celebramos com muitíssima alegria “pequenas” vitórias e jamais nos desanimamos quando não encontramos “grandes” conquistas.

Outra grande lição destes versos é a ênfase na condição humana. Não faz muito tempo—e os brasileiros contribuíram muito para esta nova perspectiva—que paramos de falar exclusivamente de problemas “ambientais” e começamos a falar dos desafios “socio-ambientais”. A reflexão de Paulo nos obriga a dar muita atenção à parte “socio”. Por isso, enquanto a abrangência do projeto de Deus de estabelecer a sua justiça é nada menos que a criaçõ toda (Romanos 8), não é à toa, que Paulo concentra a sua atenção à condição humana. Afinal, se fomos criados como mordomos e jardineiros sobre a criação toda, somos os grande responsáveis.

Quer dizer que precisamos continuar a buscar meios de levar o povo de Deus a ver o seu papel como catalisadores duma nova sociedade, duma vida alternativa, dum compromisso radical. Utopia? Sem dúvida. Mas prefiramos a nomenclatura: “reino de Deus”… ou que tal, “novos ceús e nova terra”?

Oração

Pela tua graça, somente pela tua graça, ó Pai, somo povo teu. Enche-nos do Teu Espírito e concede-nos sabedoria para seguir a Jesus e assim liderar num mundo perdido. Em nome de Jesus. Amém.

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Semana 6: Romanos 1.20

Desde que Deus criou o mundo, as suas qualidades invisíveis, isto é, o seu poder eterno e a sua natureza divina, têm sido vistas claramente. Os seres humanos podem ver tudo isso nas coisas que Deus tem feito e, portanto, eles não têm desculpa nenhuma. (NTLH)

Reflexão

Numa longa passagem que vai de Romanos 1.18 até 2.16 Paulo explica porque a justiça de Deus precisava se manifestou no evangelho acerca de Jesus Cristo: para tratar da maldade nata das pessoas mesmo elas sabendo o que é certo a respeito das coisas de Deus (v.20 citado acima). Como sabem? Simplesmente “observando” a criação! Eu tive um amigo na época dos meus estudos universitários, muito inteligente, que se converteu simplesmente meditando nos campos as coisas lá que observava. Parece extraordinário, mas conforme o testemunho de Paulo todos nós temos embutido uma espéce de deusômetro que especialmente dispara quando em contato com a obra de Deus.

Imagine as implicações disto em termos do nosso testemunho pessoal. Precisa ter uma boa dosagem de “eco-testemunho”…huum…pano para manga, não? E imagine as implicações para uma organização como a Rocha? Que nossa “educação ambiental” precisa se dirigir especialmente ao coração e à consciência interior das pessoas. A ciência nos auxilia certamente. Mas temos que chegar no botão que dispara o deusômetro das pessoas…e isto por meio das conversas e e amostras acerca da criação.

Interessante? O que acham? Sério. Escrevam…

Oração

Deus criador. Agora entendi porque a visão, a audição e o gosto da sua criação despertam não só o meu coração mas o coração de todo o mundo. Muito obrigado por esta magnífica “casa” que nos deu para morar. Ajude-nos a cuidar dela e falar da sua glória por meio dela. Em nome de Cristo. Amém.

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Semana 5: Romanos 1.17

…visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé. (RA)

Reflexão

Normalmente eu prefiro uma tradução mais contemporânea, principalmente porque o texto original do Novo Testameto foi escrito usando uma versão popular de grego, mais ou menos a linguagem da rua, não uma linguagem formal, muito menos uma linguagem “religiosa”. Entretanto, às vezes, uma tradução contemporânea, na tentativa de usar palavras mais “fáceis”, acaba passando por cima dum termo mais técnico. É o caso do termo, dikaiosún?, que seria melhor traduzir como “justiça” ou “retidão”.

O evangelho revela a justiça de Deus, isto é, um Deus justo ou certo. Mas justiça em relação ao quê. Normalmente pensamos, e acredito que nesta passagem Paulo também pensa, em relação ao ser humano, mais especificamente a todas as raças (por isso Paulo disse “gregos e bárbaros” no v. 14 e “judeus e gentios” no v. 16). Entretanto, o contexo da justiça de Deus revelada “no evangelho”, isto é, revelada na ressurreição de Jesus (Rm 1.3-5), é a sua intenção de “endireitar” (fazer justo) toda a sua criação, o que logicamente inclui a humanidade. Este é o contexto maior desta idéia na Bíblia em geral e é o contexto maior até de Romanos (veja capítulo 8).

Tudo bem, mas da nossa parte, como vivenciamos esta manifestação da justiça de Deus? Paulo cita a situação antiga de Israel prestes a ser levado para o exílio quando Deus falou efetivamente por meio do seu profeta Habacuque: “paciência, muita paciência”, ou se preferir, “o justo (quem experimenta a justiça ou o endireitamento de Deus) viverá por fé.” Por que? Porque o endireitamento por Deus da sua criação se revela pouco a pouco, ou se preferir, “de fé em fé”. Logo, o ministério cristão da defesa e da boa mordomia da criação é ministério de muita paciência e de longo prazo, mesmo diante da urgência da questão. O que você pensa?

Oração

Pai, dê-nos paciência. Dê-nos fé para continuar a lavrar o solo e cuidar do jardim. Amém.

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