Arquivo de janeiro 2010

Semana 4: Romanos 1.16

Não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê: primeiro do judeu, depois do grego. (NVI)

Reflexão

Nunca “se envergonhou” do evangelho? Alguma vez, teve uma conversa com um amigo, ou professor, ou estranho, e na conversa teve oportunidade boa de dar testemunho da sua fé, mas teve vergonha? Eu já tive.

E Paulo, é isso que ele queria dizer? Afinal, diz a tradição antiga que ele era um baixinho feio com sobrancelhas grossas, pernas tortas (cambaio), meio careca, nariz torto, sem uma boa visão e sem uma boa oratória. E agora estava diante de gente muito importante–cristãos de Roma–e, de certo modo, diante do poderoso império do mundo! Como no filme, O Gladiador. Mesmo assim, não acredito que Paulo estava se referindo ao seu embaraço e até mesmo à falta dele. O que então?

Dentro da cultura judaica, uma cultura de honra e de vergonha, como as culturas orientais até hoje, e de acordo com o uso desta linguagem por Paulo  em outras passagens,  Paulo está dizendo que ele não será envergonhado pelo evangelho. Veja, por exemplo, a maneira que ele cita o profeta Isaías em Romanos 9.33:

Como está  escrito: “Eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço e uma rocha que faz cair; e aquele que nela confia jamais será  envergonhado” . (citando Isaías 28.16; veja também  Isaías 50.7-8; Salmo 25.2; 44.9)

Efetivamente Paulo está contrastando, com flagrante coragem, a justiça de Deus (v.17) com a injustiça e a impiedade do império (vv.18-32). A mensagem da justiça de Deus que se manifestará em todas as dimensões é uma mensagem segura. Há de acontecer porque o próprio Deus promete, e ele cumpre as suas promessas. Não nos envergonhará.

Oração

Agradecemos a Ti, poderoso Deus, porque a mensagem que nos deste não nos deixará  indefesos. É a maior honra sermos Teus embaixadores. Ajuda-nos a cumprir tão grande incumbência diante dos poderes humanos que pleiteiam soberania. Em nome do Rei, Teu filho, nosso Senhor Jesus. Amém.

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Semana 3: Romanos 1.14-15

Sou devedor tanto a gregos como a, tanto a sábios como a ignorantes. Por isso estou disposto a pregar o evangelho também a vocês que estão em Roma. (NVI)

Reflexão

Se Deus, de fato, é único—não há outro concorrente—e é seu propósito “justiça-ficar” a sua criação aleijada pela injustiça, e se hoje é possível (!) porque Jesus, o Justo, viveu uma vida justa até mesmo a mais cruel morte na cruz, e se estas são as boas notícias (= evangelho) que transforma o mundo, começando com gente e chegando a toda a criação, não poderá ser de outro jeito…somos, como Paulo, devedores a todo tipo de gente. Na linguagem dos romanos, Paulo distingue estes mordomos em potencial entre ”gregos, sábios e ignorantes” (no versículo 16 vai usar a linguagem dos judeus = “judeus e gregos”). Não importa a distinção que se usa. Sua conclusão é a mesma. Somos devedores a todo tipo de gente. Como devedores? Recebemos algo preciossímo que precisa ser repassado, passado para frente…o evangelho.

Isto é nosso privilégio? Sim. É nossa responsabilidade? Sim. Mas aqui, a nomenclatura é mais forte ainda. Somos devedores. E devedores não descansam em paz enquanto não quitam a sua dívida. A dívida incomoda, enquanto não se paga. O dia inteiro se pensa na dívida. Tudo bem, sei que isto parece um pouco mórbido, que a gente deveria testemunhar pelo amor, devoção, gratidão, etc. E tudo isto é verdade. Mas também é verdade que somos devedores.

A quem? Os inteligentes, os formadores de opinião, os poderosos, a liderança? Sim, sem dúvida. Mas também aos mais simples (claro, pelo nosso padrão, não pelo padrão de Deus).

Como isto impacta a estratégia da Rocha Brasil? O que você acha?

Oração

Quão grande tarefa, Pai! Quão grande responsabilidade! Nem um pingo menor que a multiforme beleza da sua criação. Mas nossa gratidão é maior ainda…e nosso amor por Ti. Perdoe-nos quando assumimos a tarefa com leveza. Incomoda-nos. Inquieta-nos. Quebranta-nos. Em nome do Justo, Jesus. Amém

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Semana 2: Romanos 1.8-12

Antes de tudo, sou grato a meu Deus, mediante Jesus Cristo, por todos vocês, porque em todo o mundo está sendo anunciada a fé que vocês têm. Deus, a quem sirvo de todoo coração pregando o evangelho de seu Filho, é minha testemunha de como sempre me lembro de vocês em minhas orações; e peço que agora, finalmente, pela vontade de Deus, seja-me aberto o caminho para que eu possa visitá-los. Anseio vê-los, a fim decompartilhar com vocês algum dom espiritual, para fortalecê-los, isto é, para que eu evocês sejamos mutuamente encorajados pela fé. (NVI)

Reflexão

Muitas pessoas pensam em Paulo como um machista ultra-conservador, normalmente bravo, e geralmente difícil de se relacionar. Dá até para entender como este perfil pode ser construiído, quando repara algumas passagens onde, de fato, Paulo repreende duramente (especialmente em Gálatas e 2 Coríntios). Mas este estereótipo não coaduna com o testemunho maior tanto das suas cartas quanto do Livro de Atos. Aliás, não podia ser de outro modo. Afinal, como se explica o seu grande sucesso missionário sem concluir que Paulo sabia desenvolver boas amizades? Eu diria até que o o seu desenvolvimento sincero de amizades era uma das principais razões por que ele conseguia desenvolver igrejas boas em tão pouco tempo.

A passagem acima ilustra como Paulo tratava até pessoas que ainda não conhecia pessoalmente. E se for ler com atenção o capítulo 16 desta carta, o seu trato carinhoso e profundamente amigável é inescapável (veja também os últimos versos do Livro de Atos e suas cartas aos filipenses e aos tessalonicenses).

Romanos trata da proposta de Deus para a criação: justiça redentora (ele introduz este tema principal logo em seguida, no versículo 16). No Livro de Gênesis aprendemos que o ser humano recebe a incumbência de cuidar da criação e em Romanos 8 os seguidores de Cristo tem papel especial neste empreendimento. Logo a redenção da criação é vinculada à redenção das pessoas. Por isso, o desenvolvimento de relacionamentos amigáveis é tão importante.

Mais uma consideração, se Deus amou ao mundo de tal modo que deu seu filho, Jesus, nós também, seguidores de Jesus, não deveremos amar? Claro que sim. Creio que ninguém contesta. Mas como amar, se não se relacionar. E como se relacionar sem desenvolver amizades.

Não “ganharemos” o mundo pelos nossos seminários, publicações, ciência, teologias e pregações, mesmo que tudo isto tenha seu devido papel. A nossa influência decorre principal, ou pelo menos inicialmente, do nosso trato…trato amigável.

Oração

Pai, ensina-nos a amar, ser amigo, tomar café com o vizinho, convidar para o jantar tanto o nosso querido quanto o desprezado. Em nome de Jesus. Amém.

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