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Excesso

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O excesso parece dominar em vários setores da vida cotidiana. Excesso de excitação, excesso de consumo, excesso de informação, excesso de trabalho, e por aí vai.

É permitido, mas é indecente? Qual o limite? Conhecemos? O que é de fato necessário? Vivemos num tempo onde extremos atraem mais, e queremos sempre ultrapassar, intensidade nas experiências singulares, sobram desejos, falta a arte de comedir. Raros os que se contem, tornou-se exceção os moderados, embora, todos os radicais se julguem moderados e bem regulados a seus próprios olhos.

Cegueira e confusão parecem nos conduzir a maior parte do tempo. Uma teimosia e arrogância natural nos conduzem ao “mais” como conclusão de que isso seria bom. E aí ficamos entre o descartável e o acúmulo, com este último avançando.

Como diz Edgar Morin: “O homem manifesta uma afetividade extrema, convulsiva, com paixões, cóleras, gritos, mudanças brutais de humor; ele carrega consigo uma fonte permanente de delírio.” E assim, não é difícil perceber que não gostamos de limites, ainda que destemperos sejam visíveis.

Chamou-me atenção a música de Arnaldo Antunes em seu recente trabalho intitulado “Disco”:

tem muito carro e muito pouco chão

tem muita gente e muito pouco pão

tem muito papo e muito pouca ação

muito parente e muito pouco irmão

 

e então?

o que vamos fazer então

com mais um milhão?

e depois?

o que vamos fazer depois

com um grão de arroz?

 

tem muito pouca dúvida e muita razão

tem muito pouca ideia e muita opinião

muita pornografia e muito pouco tesão

muita cerimônia e muito pouca educação

 

e então?

e depois?

Temos feito o mundo cada vez mais frágil. A desconfiança cresce, mas plantamos violência, egoísmo, desigualdades. Engolimos caroços de corrupção e injustiças se proliferam, contudo, nos engasgamos é com a fraternidade que virou espinho na garganta, queremos cuspir.

Distanciamentos se ampliam, e a intimidade tornou-se quase desconhecida. Gente articulada, bem armada, bons discursos, mas a prática, o exemplo, o envolvimento minguam.

Fim de ano é tempo de avaliação, de colocarmos coisas na balança existencial, de fazermos faxina na alma, nos guarda-roupas, nas garagens, nos cantos que costumamos acumular. Rever e revisitar, repartir e celebrar. Arrepender e renovar-se. Ainda há tempo de novas escolhas, inéditas posturas.

Senhor Jesus, tem misericórdia de nós, e converte-nos ao teu evangelho – são boas e urgentes novas para o nosso século XXI.

46ª semana de 2013

“Uma mulher vitimada pelo estupro não é só alguém manchada na honra, mas alguém temporariamente alienada da existência. Honra, dignidade, autonomia são ignoradas pelo estuprador, é verdade. Mas o estupro vai além: é um ato violento de demarcação do patriarcado nas entranhas das mulheres. É real e simbólico. Age em cada mulher vitimada, mas em todas as mulheres submetidas ao regime de dominação.”

Debora Diniz, O Estado de S.Paulo – 10/11/2013

 

“E a política para trazer montadoras, para produzir carros caros e com alto consumo de gasolina, com potência para 350 km/h – mas você anda a 40 km/h? É o auge do supérfluo.

45ª semana de 2013

“Como mostrou o psicólogo Irving Janis, o desejo de manter a coesão e a harmonia do grupo faz com que seus membros tentem agir sempre em bloco e de maneira às vezes patológica. Uma série de experimentos sugere que juntar muitas pessoas que pensam de forma parecida, numa sala ou na rede de computadores, resulta em maior polarização (radicalização das ideias), mais animosidade (sensação de onipotência em relação a outros grupos) e conformidade (supressão de dissensos internos).”

Hélio Schwartsman, Folha de S.Paulo – 03/11/2013

 

“Confiamos nas pessoas ao redor para nos ajudar a lembrar os detalhes da vida desde sempre. Sabemos mais ou menos em que somos ruins em lembrar e no que nossos amigos, mulheres e maridos são bons. Até inconscientemente. Eu sei que minha mulher é melhor com datas. Ela sabe que sou bom para lembrar onde ficam as coisas na casa. Nós armazenamos um volume grande de dados fora de nós, dentro de outras pessoas. E aprendemos que, coletivamente, chegamos a melhores lembranças, análises e soluções.”

Clive Thompson, Folha de S.Paulo – 04/11/2013

 

“Aprender algo novo é sempre difícil, por mais que a pessoa queira ou goste. Para aprender, é preciso reconhecer a própria ignorância, e isso tem sido cada vez mais difícil no nosso mundo.”

Rosely Sayão, Folha de S.Paulo – 05/11/2013

 

“Há pouco lugar para a tristeza. E a exaltação e excitação são confundidas com felicidade. Vivemos de uma forma mais estimulante, na qual emoções mais depressivas, reflexivas, não têm espaço.”

Regina Elisabeth Lordello Coimbra, Folha de S.Paulo – 05/11/2013

 

“Quando dizem que uma criança tem TDAH, penso: será que isso está certo? É mais cômodo dar remédio do que fazer terapia, mudar o comportamento. As crianças são nosso espelho. Será que a agitação delas não é culpa nossa?”

Kátia Christina Fonseca da Silva, Folha de S.Paulo – 05/11/2013

 

“O papa está lançando a igreja a uma agitação, no bom sentido, como não se vê há séculos.”

Clóvis Rossi, Folha de S.Paulo – 05/11/2013

 

“Os cem mais ricos do mundo incrementaram suas fortunas em US$ 200 bilhões entre 2012 e 2013, chegando a um total de US$ 2,1 trilhões, de acordo com a Bloomberg. O maior aumento foi de Mark Zuckerberg (Facebook), que dobrou sua fortuna de 1º de janeiro a 30 de setembro, para US$ 24,5 bilhões.”

Folha de S.Paulo – 06/11/2013

 

“É provável que as visitas aos cemitérios se tornem cada vez mais raras. Além de um túmulo concreto, muitos já erigem monumentos virtuais para seus entes queridos, e visitar os mortos, no futuro, talvez signifique passear por um lugar virtual: rever fotos e textos, lembrar-se e deixar um pensamento (há sites para isso, cemitérios virtuais –peoplememory.com, por exemplo).”

Contardo Calligaris, Folha de S.Paulo – 07/11/2013

 

“O trabalho é a principal atividade na sociedade contemporânea. Ele nos fornece o sustento material e a possibilidade de massagear o ego. A maioria de nós precisa estar bem no trabalho para estar bem na vida. Qual o motivo de termos tanta gente decepcionada com o trabalho no mundo corporativo? O problema começa quando nos damos conta de que dentro das empresas as pessoas são meros recursos. Como recursos, estão lá para satisfazer o interesse de acionista, ou seja, a maximização do lucro.”

Rafael Alcadipani, Você S/A – novembro de 2013

43ª semana de 2013

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“À medida que se intensificou a urbanização no século 20, a queixa sobre o ruído foi frequentemente tratada com certo sarcasmo. Exigir silêncio é dar sinal de neurose ou de escapismo. ‘Por que você não vai fazer artesanato em Mauá?’, seria uma reação comum à reclamação sobre o barulho no Rio ou em São Paulo. (…) Nas últimas décadas, acumulou-se conhecimento médico sobre o preço que pagamos pela explosão de decibéis. A poluição sonora hoje só perde para a poluição do ar como dano à saúde e fator para encurtar a vida.”

Lúcia Guimarães, O Estado de S.Paulo – 21/20/2013

 

“Eles gostaram, particularmente, da ideia de ter um projeto de vida na velhice. Eles não precisam mais, mas querem continuar trabalhando em algo que dê sentido às suas vidas. Eles querem, mais do que tudo, encontrar um significado para a última fase de suas vidas.”

Mirian Goldenberg, Folha de S.Paulo – 22/10/2013

 

“É moralmente lícito fazer experimentos com cães? A meu ver, a posição ética é tentar limitar cada vez mais experimentos fúteis, como os que envolvem cosméticos, e seguir adiante com aqueles que, um dia, poderão resultar em benefícios mais palpáveis. Não há como avançar no conhecimento de doenças sem infligir sofrimento a cobaias.”

Hélio Schwartsman, Folha de S.Paulo – 22/10/2013

 

“O Brasil é o quarto país do mundo em nativos digitais – terminologia usada pela ONU para classificar jovens de 15 a 24 anos que estão conectados à internet há pelo menos cinco anos. Segundo a ITU (União Internacional de Telecomunicações), agência das Nações Unidas especializada em tecnologias da comunicação e informação, o número de nativos digitais já representa 30% da população jovem mundial ou 5,2% da população mundial de 7 bilhões de habitantes. São 363 milhões de jovens com acesso à internet há pelo menos cinco anos, dos quais 20,1 milhões no Brasil. Dois terços dos nativos digitais estão nos países em desenvolvimento. A China lidera com 75,2 milhões de nativos digitais. Em seguida vem os EUA, com 41,3 milhões. E a Índia, com 22,7 milhões. O Japão é o quinto país em número de nativos digitais: 12,2 milhões. No países desenvolvidos os nativos digitais representam 86,3% dos 145 milhões de usuários de internet. Já nos países em desenvolvimento eles representam a metade dos 503 milhões de usuários de internet. Nos próximos cinco anos, a população de nativos digitais nos países emergentes deverá dobrar. Os dados da ITU fazem parte do estudo anual Medindo a Sociedade da Informação. De acordo com o estudo, pelo terceiro ano consecutivo a Coreia lidera como o país mais desenvolvido em termos de inclusão digital e infraestrutura de telecomunicações. Em seguida vem Suécia, Islândia, Dinamarca, Finlândia e Noruega. O Brasil aparecem na 62ª posição. Segundo estudo do ITU, 250 milhões de pessoas se conectaram à internet ao longo de 2012, totalizando 2,7 bilhões de pessoas.”

Mariana Barbosa, Folha de S.Paulo – 22/10/2013

 

“Os jovens, hoje, estão totalmente submetidos à ideologia do consumo. ‘Consumo, logo existo’ tem sido uma máxima a nos guiar em nossas vidas. Logo, na deles também.”

Rosely Sayão, Folha de S.Paulo – 22/10/2013

 

“No mundo, em pleno século XXI, 30 milhões de pessoas são exploradas. Os dados são do Índice de Escravidão Global da Walk Free Foundation. A instituição britânica classificou 162 países de acordo com a proporção de escravos em relação à população. O Brasil está em 94º no ranking e a estimativa é a de que haja cerca de 220 mil pessoas em condição de escravidão no País. A maior parte dos afetados está concentrada em países da Ásia e da África – a Índia aparece em primeiro lugar na lista, com 14 milhões de escravos -, mas o índice revela a existência de escravidão também em nações como Reino Unido, Suíça e Suécia.”

Antonio Carlos Prado e Elaine Ortiz, IstoÉ, 23/10/2013

 

“Em política, quando o fim justifica os meios, o que se tem é a brutalidade dos meios com um fim sempre desastroso. A opção moralmente aceitável é outra: os meios qualificam o fim.”

Reinaldo Azevedo, Folha de S.Paulo – 25/10/2013

 

“Não há um Deus. Há dois: o Deus dos oprimidos e o Deus dos opressores. Enquanto a sociedade for dividida e houver tanta desigualdade social, penso que o Deus que estiver do lado dos oprimidos não se reconhece num Deus que esteja do lado dos opressores.”

Boaventura de Sousa Santos, Folha de S.Paulo – 26/10/2013

 

“Os adolescentes precisam ser capazes de adquirir habilidades fundamentais que os permitam continuar a serem aprendizes ao longo de sua vida. (…) Uma boa educação é o passaporte para a mobilidade social. Essa é a forma de você ter acesso a um trabalho melhor e a um maior nível de renda. Portanto, se os mais pobres não tiverem acesso a uma boa educação, os filhos deles serão pobres também. E isso é profundamente inquietante. Quando as pessoas sentem que, se trabalharem duro, seus filhos terão uma situação financeira melhor do que a delas, isso fortalece a democracia. Agora, uma situação em que exista a percepção de que os pobres sempre serão pobres é uma ameaça real à democracia.”

Richard Murnane, Folha de S.Paulo – 26/10/2013

 

“Os avanços da ciência não são um bem absoluto para nossa humanidade apenas quando nos salvam da morte, mas tão somente quando nos salvam também para a vida.”

Nilton Bonder, Folha de S.Paulo – 26/10/2013

 

“O salário é importante para chamar a atenção e manter bons professores, mas não é suficiente. Há outras condições fundamentais para garantir a atratividade, como a melhoria da formação inicial e a existência de planos de carreira estruturados. Também é essencial um bom ambiente de trabalho e na escola e isso diz respeito a muitas coisas: infraestrutura, relações entre a equipe e a comunidade e ainda meios de que a instituição dispõe para valorizar e ajudar o corpo-docente – por exemplo, assessoria relacionada às dúvidas e às necessidades em relação aos estudantes e aos conteúdos a serem ensinados. Sobre a permanência do bom profissional, há outro fator relevante: ter sucesso no processo de ensino e de aprendizagem. Prova disso é ser comum encontrar novatos dizendo: ‘Mesmo com todos os problemas que enfrento, ver o brilho nos olhos dos alunos quando eles aprendem é o que me faz continuar lecionando’.”

Marli André, docente da PUC-SP, se dedica há área de formação de professores há 30 anos, Nova Escola – outubro de 2013

 

“Não sei se trabalhar com humor rejuvenesce, mas muda tudo, porque é preciso ser rápido, atento, esperto, sagaz… são características associadas à juventude. Fazer muito humor me dá leveza.”

Andrea Beltrão, 50, atriz, mãe de Francisco, 18, Rosa, 16, e José, 13. Claudia – outubro de 2013

 

“A Regina Casé sempre brinca que fui ‘obrigada’ a ser atriz. Quando eu era criança, já achava que seria atriz mesmo. Aos 30 é que comecei a questionar. Achei que eu poderia ser outras coisas. Gosto de literatura e de desenhar. Cheguei a pintar, mas, com os filhos, parei. E já tentei a música por um tempo, mas meu talento infelizmente é nulo. Eu toco como hobby, em casa. Meus filhos não gostam, mas não to nem aí. E escrever é também um pouco essa tentativa de fazer coisas diferentes. A atividade de roteirista e de cronista é uma atividade solitária e vou encaixando no meu horário. Como gosto de estar só, parecia que eu tinha nascido para aquilo. A profissão de atriz é coletiva, muita gente trabalhando junto. O prazer de estar sozinha me levou a querer escrever mais.”

Fernanda Torres, 48, atriz, Claudia – outubro de 2013

 

“O humor é como matemática: quanto mais você exercita, mais afiada fica. A prática torna o raciocínio rápido.”

Miá Mello, 32, Claudia – outubro de 2013

41ª semana de 2013

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“Desde que o mundo é mundo, as pessoas buscam áreas melhores para viver e os mais fortes tentam subjugar os mais fracos. E, hoje, a migração é um problema imenso e muito delicado. (…) O dilema tem contornos econômicos, políticos, culturais, humanitários e morais. E divide opiniões acaloradas. O que fazer?”

Eliane Cantanhêde, Folha de S.Paulo – 06/10/2013

 

“O Brasil não trata bem seu capital humano. É o que aparece nitidamente no ‘Relatório de Capital Humano’, que acaba de ser divulgado pelo Fórum Econômico Mundial, a entidade que promove, todo janeiro, os encontros de Davos. O Brasil fica no 57º lugar entre 122 países. Já é um resultado ruim, se se considerar que o país está entre as oito maiores economias do mundo. Quer dizer que tem tamanho, mas não tem qualidade. Piora as coisas saber que países de bem menor desenvolvimento relativo ficam à frente do Brasil, casos de Costa Rica (35º), Chile (36º), Panamá (42º) e Uruguai (48º), sem falar em Barbados, país caribenho que, na 26ª posição, é o mais bem situado na América Latina/Caribe. Para fechar o círculo negativo, o que afunda a posição brasileira é educação, um dos quatro pilares que constituem o levantamento. Nesse quesito, que recolhe indicadores quantitativos e qualitativos de todos os três níveis de ensino, o Brasil fica em obsceno 88º lugar. (…) O fato é que o Brasil tem problemas estruturais que o amarram ao solo faz gerações.”

Clóvis Rossi, Folha de S.Paulo – 06/10/2013

 

“Talvez um dos maiores medos humanos e que move o mundo desde sempre seja justamente o medo de perder a beleza e a juventude, e se restará alguém ao nosso lado quando formos apenas uma alma em agonia. (…) Aprendemos a negar nosso medo com teorias sofisticadas, mas o medo sempre aparece. Ficou chique dizer que se é emancipado, quando na realidade nem só de liberdade vive o desejo, mas também de pecado, medo e vergonha.”

Luiz Felipe Pondé, Folha de S.Paulo – 07/10/2013

 

“Uma mulher que deixa o emprego para cuidar dos filhos tem o respeito de 78% dos homens brasileiros. Já um pai que faz a mesma opção é malvisto por 42% dos entrevistados. Para 54% deles, largar o trabalho para cuidar das crianças é motivo de vergonha e é avaliado como comodismo, preguiça e vagabundagem. Apenas 11% dos homens consideram essa opção um motivo de orgulho.”

Mônica Bergamo, Folha de S.Paulo – 07/10/2013

 

“A adolescência agora vai até os 25 anos – e não apenas até os 18, como era previsto. Essa é a nova orientação dada a psicólogos americanos. É como se a neurociência pudesse eximir a todos de responsabilidade por um fenômeno deste século: jovens demoram muito mais a amadurecer, sair de casa e ser independentes. As pesquisas revelam que “a maturidade emocional de um jovem, sua autoimagem e seu discernimento são afetados até que o córtex pré-frontal seja totalmente desenvolvido”. E isso só acontece aos 25 anos. (…) A adolescência é cultural, depende do país e da sociedade. O fenômeno fisiológico é a puberdade. ‘Crianças de rua não têm adolescência, só puberdade. Rapidamente se tornam adultos’, como diz o psiquiatra Luiz Alberto Py. Prolongar a adolescência além dos 18 anos é prolongar a angústia. O jovem não é tão despreparado quanto teme. Nem tão brilhante quanto gostaria.”

Ruth de Aquino, Época – 07/10/2013

 

“Ouvi de um rapaz que foi homossexual praticante durante muito tempo que nós afirmamos que a graça de Deus basta, que Deus ama o pecador. Cantamos para que eles venham como estão. Mas não no caso dos gays. No caso dos gays, pedimos que mudem primeiro. A igreja deve manter o mesmo convite para todos, para que todos possam caminhar em direção à vida que Cristo nos oferece.”

Ricardo Barbosa, Época – 07/10/2013

 

“Um dos principais termômetros do comportamento das pessoas é sua habilidade de interação social. Cada vez mais se acredita que ela pode ser um indicador precoce de problemas neurológicos ou psiquiátricos. São atributos como conseguir se relacionar num grupo, rir das piadas ou se importar com os sentimentos do próximo. Em resumo, conectar-se com o que acontece à sua volta.”

Jairo Bouer, Época – 07/10/2013

 

“O que conta na vida não são as vantagens que conseguimos no curto prazo. É, antes, o tipo de caráter que ‘floresce’ (uma palavra cara a Aristóteles) no curso de uma vida. E, para que esse caráter ‘floresça’, as virtudes são como músculos que praticamos e desenvolvemos. (…) Não é fácil olhar em volta e ver como a mesquinhez alheia triunfa e passa impune. Mas não confunda o transitório com o essencial.”

João Pereira Coutinho, Folha de S.Paulo – 08/10/2013

 

“O mundo adulto foi invadido pela busca da felicidade e da juventude, entre outras coisas, o que transformou muito o comportamento de quem já tinha maturidade. Dessa maneira, características antes creditadas apenas a adolescentes passaram a fazer parte da vida adulta também. A impulsividade, o imediatismo, a busca do prazer e da liberdade e o comportamento de risco, por exemplo, passaram a ser fatos corriqueiros na vida dos mais velhos. Ao mesmo tempo, as crianças passaram a perder a infância cada vez mais cedo e seus interesses, seu comportamento, suas vestimentas, sua vida social e a linguagem usada ficaram cada vez mais parecidas com as dos adolescentes. Por isso, a notícia que saiu dias atrás que, agora, a adolescência deve ser considerada um período que vai até os 25 anos não é nenhuma novidade. Já faz tempo que constatamos que a adolescência começa cada vez mais cedo e termina cada vez mais tarde. Quando termina! Por isso, não deve estar longe o tempo em que a adolescência vai se tornar um conceito obsoleto. Vai deixar de ser um período da vida para ser um estilo de vida.”

Rosely Sayão, Folha de S.Paulo – 08/10/2013

 

“A expectativa de que devemos estar sempre disponíveis para empregadores, colegas e família cria um obstáculo real para a tentativa de reservar um tempo privado. Mas esse tempo privado é mais importante do que nunca.”

Lesley M. M. Blume, The New York Times/Folha de S.Paulo – 08/10/2013

“Em um congresso internacional de moda, afirmei que o mercado reproduz as imagens dos velhos do século passado e não vê os “novos velhos” que têm projeto de vida, saúde, amor, felicidade, liberdade e beleza. (…) Somos mais livres para inventar nossa ‘bela velhice’.”

Mirian Goldenberg, Folha de S.Paulo – 08/10/2013

 

“Na sociedade de massa é preciso não sentir o que se pensa, nem pensar o que se sente. A banalidade do mal se desdobra no mal da banalidade.”

Luiz Gonzaga Beluzzo, Carta Capital – 09/10/2013

 

“Existem vários tipos de leitor, e acredito que os melhores são os que sabem alternar distância e proximidade em relação a seu objeto. Uma espécie de simulação: buscamos entender os argumentos de um autor, por mais repugnantes que pareçam à primeira vista, levando seus efeitos teóricos às últimas consequências e de lá voltando com algum ensinamento (edificante ou não).”

Michel Laub, Folha de S.Paulo – 11/10/2013

 

“O espectro da atenção contemporânea foi muito reduzido com a mídia digital. Um longo romance exige uma imersão que a distração contemporânea pode não comportar.”

Daniel Menaker, O Estado de S. Paulo – 11/10/2013

 

“Especialistas em educação advertem que a atenção internacional não deve diminuir em relação à situação do ensino no Paquistão: mais de 5 milhões de meninas em idade escolar não vão à escola e há um número muito maior de escolas para meninos do que para meninas.”

Taha Siddiqui, O Estado de S. Paulo – 11/10/2013

 

“Pouco tempo atrás, a uma criança que dissesse suas vontades, só se respondia ‘cresça e depois a gente conversa’. De repente, hoje, parece que o próprio fato de uma criança falar seja garantia da qualidade (‘verídica’) do desejo que ela expressa (talvez por isso, aliás, não saibamos mais o que fazer quando as crianças dizem que preferem dormir tarde, estudar outro dia etc.). Será que nos esquecemos de que uma criança inventa, finge, mente, que nem gente grande, se não mais?”

Contardo Calligaris, Folha de S.Paulo – 12/10/2013

37ª semana de 2013

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“O Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas lança amanhã, em São Paulo, um relatório sumário sobre os efeitos do aquecimento global no país. Resultado de seis anos de trabalho de 345 pesquisadores, que avaliaram tudo que já se publicou de estudos sobre o tema, suas conclusões não são nada boas. O semiárido nordestino já padece com a pior seca em muitas décadas. Imagine agora se a temperatura média na região se elevar de 3,5°C a 4,5°C, até o ano 2100, e as chuvas diminuírem de 40% a 50%. A transposição do rio São Francisco não vai dar nem para o cheiro, na hora de aplacar a penúria dos pequenos agricultores da caatinga. Para a Amazônia as previsões do PBMC são quantitativamente mais graves: o aumento de temperatura projetado ficará entre 5°C e 6°C; as chuvas terão queda de 40% a 45%.”

Marcelo Leite, Folha de S.Paulo – 08/09/2013

 

“Entre a maternidade e o túmulo, nossas mentes talvez passem mais tempo passeando por esses mundos do que pelo mundo real. (…) Crianças pequenas têm verdadeira compulsão por improvisar histórias. ‘Não precisamos subornar crianças para que inventem histórias como temos de fazer para que comam brócolis’, diz o norte-americano professor de literatura do Washington and Jefferson College, na Pensilvânia, Jonathan Gottschall. ‘Elas brincam de faz de conta quando não têm o que comer. Brincaram de faz de conta em Auschwitz’.”

Reinaldo José Lopes, Folha de S.Paulo – 08/09/2013

 

“No espanto, não há diferença entre o filósofo e o poeta, já que ambos são tomados, inesperadamente, da constatação de que não há explicação para o que acabam de perceber. A diferença, então, estaria depois da constatação, que é diferente no filósofo e no poeta. Salvo, melhor juízo, acho que o filósofo tem necessidade de explicar o fato que o espantou, e o poeta não; o poeta quer apenas dizer que se espantou, que aquilo não tem mesmo explicação; o que ele deseja, em suma, é registrar o inexplicável, afirmar o insondável mistério da existência.”

Ferreira Gullar, Folha de S.Paulo – 08/09/2013

 

“Nos últimos anos, a internet se consolidou como a principal fonte de notícias trágicas. Se má notícia corre rápido, não poderia ter escolhido melhor caminho.”

Luli Radfahrer, Folha de S.Paulo – 09/09/2013

 

“O mundo, às vezes, pode parecer um lugar assustador. Um lugar onde não conseguimos ver espaço para nossa vida. A alma, então, fica ofegante, sem ar, buscando um lugar onde o horror não seja a regra.”

Luiz Felipe Pondé, Folha de S.Paulo – 09/09/2013

 

“As religiões são incoerentes, mas Dawkins também é incoerente por não ter uma prova definitiva da inexistência de Deus. (…) Os novos ateus acham que a ciência atual é suficiente para explicar o mundo, mas isso não é possível.”

Peter Steinberger, Época – 09/09/2013

 

“Cada vez mais, a vontade dos homens está submetida às suas produções – criamos as soluções que nos aprisionam; as coisas mandam nos desejos. Num primeiro momento, isso nos dá o pavor do descontrole racional sobre o mundo, ou melhor, da “ilusão de controle” que tínhamos: ‘Ah… que horror… o humano está se extinguindo, a grande narrativa, o sentido geral…’. Mas, pergunta-se: que ‘humano’ é esse que só no séc. 20 gerou duas guerras mundiais, Hitler, Mussolini, Hiroshima e Nagasaki, Vietnã, China, Pol Pot, África faminta. Que ‘humano’ é esse que os racionalistas teimosos cismam em idealizar? Está se formando uma nova vida social, sem finalidade, sem esperança ideológica, mas que poderá ser muito interessante em sua estranheza.”

Arnaldo Jabor, O Estado de S.Paulo – 10/09/2013

 

“E o Brasil precisa aumentar rápido sua população universitária. Nossa taxa bruta de escolarização no nível superior beira os 30%, contra 59% do Chile e 63% do Uruguai. Isso para não mencionar países desenvolvidos como EUA (89%) e Finlândia (92%).”

Hélio Schwartsman, Folha de S.Paulo – 10/09/2013

 

“Sentir ciúme é muito doloroso. Desejar o amor exclusivo de alguém e constatar que isso não é possível provoca uma intensa dor. Muitos adultos experimentam no presente esse sentimento e todos já o experimentaram algum dia, mesmo que não se lembrem mais das emoções que esse sentimento mobiliza. Mas, quando é a criança que manifesta ciúme, poucos adultos se sensibilizam e acolhem o sofrimento dela.”

Rosely Sayão, Folha de S.Paulo – 10/09/2013

 

“O que procuramos na rua?! Os meios de comunicação – jornais, revistas, rádios e televisão -, há mais de um mês, procuram uma resposta. Aqui, vou sugerir uma possível. Eu diria que nos esgueiramos para fora das quatro paredes, onde estamos enclausurados pelas tecnologias modernas, para reencontrar nas ruas, em carne e osso, o ‘outro’.”

Anna Veronica Mautner, Folha de S.Paulo – 10/09/2013

 

“Uma década após o fim da guerra, a qualidade da educação ainda é ruim e muitas das nossas escolas estão em condições precárias. Sabemos como corrigir a educação. Mas, após dez anos, o tempo de falar passou. Não podemos continuar a realizar conferências sobre o estado da educação. É hora de sujar as mãos.”

Leymah Gbowee, 41, ativista liberiana, Carta Capital – 11/09/2013

 

“Sempre se disse que a igreja não é uma democracia. Mas seria bom que houvesse um espírito mais democrático, no sentido de ouvir atentamente.”

Pietro Parolin, 58, arcebispo italiano, secretário de Estado do Vaticano, Folha de S.Paulo – 12/09/2013

 

“Ler mais não significa entender o que se está lendo, conforme provam os relinchos e dejetos nas caixas de comentários.”

Michel Laub, Folha de S.Paulo – 13/09/2013

 

“Assim como o Brasil, a Turquia viveu uma transformação muito grande nas últimas décadas. Somos, Brasil e Turquia, considerados “mercados emergentes”. Fico irritado com o rótulo. Prefiro falar em ‘humanidades emergentes’. Não é só o mercado que ’emerge’. Com a consolidação de uma classe média e o fortalecimento da economia de um país, suas artes e literatura também se desenvolvem. As manifestações recentes nas ruas do Brasil e da Turquia têm relação com esses novos humanismos.”

Orhan Pamuk, Folha de S.Paulo – 14/09/2013

 

“O mundo de hoje é comandado pelo masculino: visão de curto prazo, poder pelo poder, mania de resolver agora o problema sem olhar para a raiz.”

Marise Barroso, presidente da Amanco, Época Negócios – setembro de 2013

36ª semana de 2013

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“Segundo pesquisa da PWC, em 2040 cerca de 57% da população brasileira em idade ativa será composta por pessoas com mais de 45 anos. (…)Para os indivíduos, as crises de meia idade devem acontecer mais tarde, pois quem chega aos 40 anos tem em média mais quarenta pela frente. Tempo suficiente para rever e até mudar a carreira. Mas, em função das características do mercado atual, jovens de 28 anos já se consideram velhos, pois reina a crença de que velho, para as organizações, são profissionais em torno dos 40 anos. Para muitos jovens, a percepção de crescimento fica muito limitada. Isso causa muita frustração, já que se tem a ideia de que lhes resta pouco tempo para chegar às posições de liderança. (…) Quem é esse idoso hoje? Certamente não são os profissionais ativos na faixa dos 50 e 60 anos. Segundo a pesquisa, as empresas até reconhecem que esse grupo é melhor em realização de diagnósticos (87%), resolução de problemas (86%) e equilíbrio emocional (96%), além da fidelidade (89%), o que impacta fortemente os índices de rotatividade -um problema sério dos mais jovens.”

Adriana Gomes, Folha de S.Paulo – 01/09/2013

 

“A evolução da educação é um exemplo de como chegamos não ao final de um velho processo, mas ao começo de um novo. Mesmo com tantas deficiências, as estatísticas mostram que, de 1991 a 2010, tivemos avanços fundamentais nessa área, aponta a compilação de dados do Ipea. Em 20 anos, o número de crianças de 5 a 6 anos frequentando a escola pulou de 37,3% para 91,1% do total; o de jovens de 15 a 17 anos com fundamental completo passou de 20% para 57,2%. Mesmo insuficientes, são conquistas importantes. Se ainda não conseguimos garantir educação de qualidade a todos, ampliamos muito o acesso à educação. E educação puxa educação. É esse o caminho.”

Nizan Guanaes, Folha de S.Paulo – 03/09/2013

 

“Conviver com a dúvida tem sido cada vez mais difícil. Quanto mais se amplia o leque de escolhas em qualquer atividade da vida, menos dúvidas queremos ter. Queremos fazer a escolha certa, para a qual não restaria dúvida alguma. Não mais nos contentamos com a melhor escolha possível ou com uma escolha suficientemente boa. Difícil, senão impossível, viver dessa maneira, não é verdade?”

Rosely Sayão, Folha de S.Paulo – 03/09/2013

 

“Mergulhados na nossa irreprimível condição narcísica, usamos a tecnologia e as redes sociais para montar pequenos altares públicos aos nossos umbigos privados.”

João Pereira Coutinho, Folha de S.Paulo – 03/09/2013

 

“Para as convenções da estatística econômica, estão em idade ativa pouco menos de 70% da população brasileira, aqueles com idade entre 15 e 65 anos, entre a adolescência e a aposentadoria. Isso significa que o país está muito perto do auge da contribuição das transformações demográficas para o crescimento da produção e da renda. Com o número de crianças em queda e o de idosos ainda relativamente pequeno, há menos inativos a serem mantidos com as riquezas geradas pelo trabalho dos demais. O mundo desenvolvido já atravessou essa etapa do amadurecimento, quando há maior margem para poupança, chances de aprimorar a educação com o aumento dos gastos dos governos e das famílias por criança e até melhora da segurança pública. Economistas, propensos à intranquilidade, alertam cada vez mais frequentemente para o risco de o país não aproveitar ao máximo essa oportunidade. Afinal, depois da Copa de 2022, no Qatar, o envelhecimento dos brasileiros já estará tão avançado que a proporção de inativos reassumirá a tendência de alta.”

Gustavo Patu, Folha de S.Paulo – 03/09/2013

 

“A adolescência é crise brutal. A criança é tomada por hormônios, mudanças corporais que a deixam mais forte e mais erotizada. O intercâmbio amoroso-sexual se apresenta. Ambições de não ser mais tratada como criança. Embates de autoridade em casa. Tentativas de inserção social, questões de autoestima, dúvidas de imagem corporal, de direito aos desejos que descobre em si (ou vergonha deles). É um momento delicado.”

Francisco Daudt, Folha de S.Paulo – 04/09/2013

 

“Existem duas concepções sobre o que venha ser criança, tais concepções emergiram a partir do Renascimento e se distinguiram com mais clareza no século 18. A primeira, mais disciplinadora, diz que ela é um ser que precisa ser cuidado, educado e, de alguma forma, moldado para se tornar um adulto moralmente competente e com conhecimento para agir em sociedade. A segunda mais romântica, defende que ela seja pensada como um ser em desenvolvimento, que demanda proteção de qualquer efeito funesto da sociedade porque é naturalmente boa e inocente. A partir da década de 1980, a Sociologia da Infância propõe uma alternativa de definição e começa a pensar os pequenos em si próprios, como seres humanos densos e plenos, que não são estão em fase de integração e inclusão, defendendo que vivem plenamente integrados à sociedade. Eles são capazes de refletir e expressar as contradições sociais pelo seu modo de ver o mundo.”

Manuel Sarmento, diretor do Instituto de Educação da Universidade do Minho/Portugal, Nova Escola, setembro de 2013

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