Posts tagged religião

43ª semana de 2013

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“À medida que se intensificou a urbanização no século 20, a queixa sobre o ruído foi frequentemente tratada com certo sarcasmo. Exigir silêncio é dar sinal de neurose ou de escapismo. ‘Por que você não vai fazer artesanato em Mauá?’, seria uma reação comum à reclamação sobre o barulho no Rio ou em São Paulo. (…) Nas últimas décadas, acumulou-se conhecimento médico sobre o preço que pagamos pela explosão de decibéis. A poluição sonora hoje só perde para a poluição do ar como dano à saúde e fator para encurtar a vida.”

Lúcia Guimarães, O Estado de S.Paulo – 21/20/2013

 

“Eles gostaram, particularmente, da ideia de ter um projeto de vida na velhice. Eles não precisam mais, mas querem continuar trabalhando em algo que dê sentido às suas vidas. Eles querem, mais do que tudo, encontrar um significado para a última fase de suas vidas.”

Mirian Goldenberg, Folha de S.Paulo – 22/10/2013

 

“É moralmente lícito fazer experimentos com cães? A meu ver, a posição ética é tentar limitar cada vez mais experimentos fúteis, como os que envolvem cosméticos, e seguir adiante com aqueles que, um dia, poderão resultar em benefícios mais palpáveis. Não há como avançar no conhecimento de doenças sem infligir sofrimento a cobaias.”

Hélio Schwartsman, Folha de S.Paulo – 22/10/2013

 

“O Brasil é o quarto país do mundo em nativos digitais – terminologia usada pela ONU para classificar jovens de 15 a 24 anos que estão conectados à internet há pelo menos cinco anos. Segundo a ITU (União Internacional de Telecomunicações), agência das Nações Unidas especializada em tecnologias da comunicação e informação, o número de nativos digitais já representa 30% da população jovem mundial ou 5,2% da população mundial de 7 bilhões de habitantes. São 363 milhões de jovens com acesso à internet há pelo menos cinco anos, dos quais 20,1 milhões no Brasil. Dois terços dos nativos digitais estão nos países em desenvolvimento. A China lidera com 75,2 milhões de nativos digitais. Em seguida vem os EUA, com 41,3 milhões. E a Índia, com 22,7 milhões. O Japão é o quinto país em número de nativos digitais: 12,2 milhões. No países desenvolvidos os nativos digitais representam 86,3% dos 145 milhões de usuários de internet. Já nos países em desenvolvimento eles representam a metade dos 503 milhões de usuários de internet. Nos próximos cinco anos, a população de nativos digitais nos países emergentes deverá dobrar. Os dados da ITU fazem parte do estudo anual Medindo a Sociedade da Informação. De acordo com o estudo, pelo terceiro ano consecutivo a Coreia lidera como o país mais desenvolvido em termos de inclusão digital e infraestrutura de telecomunicações. Em seguida vem Suécia, Islândia, Dinamarca, Finlândia e Noruega. O Brasil aparecem na 62ª posição. Segundo estudo do ITU, 250 milhões de pessoas se conectaram à internet ao longo de 2012, totalizando 2,7 bilhões de pessoas.”

Mariana Barbosa, Folha de S.Paulo – 22/10/2013

 

“Os jovens, hoje, estão totalmente submetidos à ideologia do consumo. ‘Consumo, logo existo’ tem sido uma máxima a nos guiar em nossas vidas. Logo, na deles também.”

Rosely Sayão, Folha de S.Paulo – 22/10/2013

 

“No mundo, em pleno século XXI, 30 milhões de pessoas são exploradas. Os dados são do Índice de Escravidão Global da Walk Free Foundation. A instituição britânica classificou 162 países de acordo com a proporção de escravos em relação à população. O Brasil está em 94º no ranking e a estimativa é a de que haja cerca de 220 mil pessoas em condição de escravidão no País. A maior parte dos afetados está concentrada em países da Ásia e da África – a Índia aparece em primeiro lugar na lista, com 14 milhões de escravos -, mas o índice revela a existência de escravidão também em nações como Reino Unido, Suíça e Suécia.”

Antonio Carlos Prado e Elaine Ortiz, IstoÉ, 23/10/2013

 

“Em política, quando o fim justifica os meios, o que se tem é a brutalidade dos meios com um fim sempre desastroso. A opção moralmente aceitável é outra: os meios qualificam o fim.”

Reinaldo Azevedo, Folha de S.Paulo – 25/10/2013

 

“Não há um Deus. Há dois: o Deus dos oprimidos e o Deus dos opressores. Enquanto a sociedade for dividida e houver tanta desigualdade social, penso que o Deus que estiver do lado dos oprimidos não se reconhece num Deus que esteja do lado dos opressores.”

Boaventura de Sousa Santos, Folha de S.Paulo – 26/10/2013

 

“Os adolescentes precisam ser capazes de adquirir habilidades fundamentais que os permitam continuar a serem aprendizes ao longo de sua vida. (…) Uma boa educação é o passaporte para a mobilidade social. Essa é a forma de você ter acesso a um trabalho melhor e a um maior nível de renda. Portanto, se os mais pobres não tiverem acesso a uma boa educação, os filhos deles serão pobres também. E isso é profundamente inquietante. Quando as pessoas sentem que, se trabalharem duro, seus filhos terão uma situação financeira melhor do que a delas, isso fortalece a democracia. Agora, uma situação em que exista a percepção de que os pobres sempre serão pobres é uma ameaça real à democracia.”

Richard Murnane, Folha de S.Paulo – 26/10/2013

 

“Os avanços da ciência não são um bem absoluto para nossa humanidade apenas quando nos salvam da morte, mas tão somente quando nos salvam também para a vida.”

Nilton Bonder, Folha de S.Paulo – 26/10/2013

 

“O salário é importante para chamar a atenção e manter bons professores, mas não é suficiente. Há outras condições fundamentais para garantir a atratividade, como a melhoria da formação inicial e a existência de planos de carreira estruturados. Também é essencial um bom ambiente de trabalho e na escola e isso diz respeito a muitas coisas: infraestrutura, relações entre a equipe e a comunidade e ainda meios de que a instituição dispõe para valorizar e ajudar o corpo-docente – por exemplo, assessoria relacionada às dúvidas e às necessidades em relação aos estudantes e aos conteúdos a serem ensinados. Sobre a permanência do bom profissional, há outro fator relevante: ter sucesso no processo de ensino e de aprendizagem. Prova disso é ser comum encontrar novatos dizendo: ‘Mesmo com todos os problemas que enfrento, ver o brilho nos olhos dos alunos quando eles aprendem é o que me faz continuar lecionando’.”

Marli André, docente da PUC-SP, se dedica há área de formação de professores há 30 anos, Nova Escola – outubro de 2013

 

“Não sei se trabalhar com humor rejuvenesce, mas muda tudo, porque é preciso ser rápido, atento, esperto, sagaz… são características associadas à juventude. Fazer muito humor me dá leveza.”

Andrea Beltrão, 50, atriz, mãe de Francisco, 18, Rosa, 16, e José, 13. Claudia – outubro de 2013

 

“A Regina Casé sempre brinca que fui ‘obrigada’ a ser atriz. Quando eu era criança, já achava que seria atriz mesmo. Aos 30 é que comecei a questionar. Achei que eu poderia ser outras coisas. Gosto de literatura e de desenhar. Cheguei a pintar, mas, com os filhos, parei. E já tentei a música por um tempo, mas meu talento infelizmente é nulo. Eu toco como hobby, em casa. Meus filhos não gostam, mas não to nem aí. E escrever é também um pouco essa tentativa de fazer coisas diferentes. A atividade de roteirista e de cronista é uma atividade solitária e vou encaixando no meu horário. Como gosto de estar só, parecia que eu tinha nascido para aquilo. A profissão de atriz é coletiva, muita gente trabalhando junto. O prazer de estar sozinha me levou a querer escrever mais.”

Fernanda Torres, 48, atriz, Claudia – outubro de 2013

 

“O humor é como matemática: quanto mais você exercita, mais afiada fica. A prática torna o raciocínio rápido.”

Miá Mello, 32, Claudia – outubro de 2013

34ª semana de 2013

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“Apesar da culpa que as mães costumam sentir por se afastar dos filhos para trabalhar fora, as crianças de hoje recebem muito mais atenção dos pais do que nas décadas de 60 e 70. É o que revela a American Time Use Survey, pesquisa do departamento de estatísticas do trabalho do governo americano. A explicação é que, naquela época, as donas de casa monitoravam menos as crianças para se dedicar aos afazeres domésticos e à vida social.”

VocêS/A – agosto 2013

 

“Segundo Pesquisa TIC KIDS Brasil 2012, ‘Quem aconselha os estudantes sobre segurança na internet?’: 59% parente; 55% professor; 33% televisão, rádio, jornais e revistas; 20% igrejas ou grupos de jovens; 16% bibliotecário ou monitor de lan house. Crianças e adolescentes rejeitam o controle dos adultos quanto ao uso da rede, mas querem orientação. ‘Ao mesmo tempo que não aceitam interferências, eles demandam intermediações sobre o uso seguro’, diz Regina de Assis, consultora em Educação e Mídia.”

Nova Escola – agosto de 2013

 

“Líderes que têm como principal característica o comando e controle, em geral, serão menos eficazes do que os catalizadores de colaboração e inovação. Conduzir a diversidade de opiniões será a chave para gerar mais inovação. De fato, o último estudo da IBM com CEOs em todo o mundo revelou que 71% dos executivos consideram o capital humano como a principal fonte interna de valor econômico sustentável das empresas. Serão os líderes com esse perfil que transformarão isto em realidade.”

Alessandro Bonorino, O Estado de S.Paulo – 18/08/2013

 

“É possível um mundo melhor? Sim e não. Sim, é possível um mundo melhor a começar por melhores remédios, casas, escolas, hospitais, aviões, democracia (ainda acredito nela, apesar de ficar de bode às vezes). Não, não é possível um mundo melhor porque algumas coisas não mudam, como o caráter humano, suas mentiras e vaidades, sua violência, mesmo que travestida de civilidade, nossas inseguranças, nossa miséria física e mental, nossa hipocrisia. Nossas ambivalências sem cura. […] O mundo melhor parece ser aquele no qual as pessoas podem errar, pedir perdão e ser perdoadas. Um mundo melhor não é um mundo sem violência ou ambivalência, mas um mundo onde existe o perdão.”

Luiz Felipe Pondé, Folha de S.Paulo – 19/08/2013

 

“Continuo cheia. Cheia de tecnologia. Cheia de pessoas que acham que estão inventando a roda. Cheia de empreendedores cujo grande objetivo na vida é ficar rico. Cheia de espertalhões que criam problemas para vender soluções. Farta dos que espalham terror para vender segurança. Estou cada vez mais cheia de fazer cadastros, preencher formulários, alimentar estatísticas. Não suporto marketing invasivo. Não aceito como herança tanto lixo industrial. […] Hoje não quero ser amiga de todo o mundo. Não quero que todo o mundo goste de mim. Não quero ter razão. Não quero ser popular. Não quero ser forçada a gostar de nada nem de ninguém. Hoje não quero conhecer uma nova rede social. Não acho que tudo na vida tenha de se transformar em software ou sistema. Não acredito que tecnologia seja solução para todos os problemas.”

Marion Strecker, Folha de S.Paulo – 19/08/2013

 

“É maravilhoso fazer amigos pela internet. Encontrar antigos conhecidos, colegas de infância. Manter contato com quem não se pode ver sempre. Mas a maldade me assusta. Não tenho uma solução para o problema, mesmo porque sou contra qualquer tipo de restrição. O problema é que as pessoas gostam de maldades. Ler uma notícia fantasiosa sobre alguém famoso, ou mesmo sobre uma pessoa comum, dá uma falsa sensação de intimidade. E, na constelação da internet, o veneno está em expansão.”

Walcyr Carrasco, Época – 19/08/2013

 

“A religião muda as pessoas para o bem e para o mal. Sempre fui fascinado pelo poder que a religião tem de mudar o comportamento das pessoas e da sociedade. Um de meus objetivos em meus livros é analisar o processo da crença: o que leva alguém a acreditar numa religião. No caso da cientologia, não é uma conversão, uma iluminação, como ocorre na maioria das religiões. É uma espécie de lavagem cerebral, uma passagem em que pessoas instruídas, inteligentes e céticas se tornam crentes.”

Lawrence Wright, 66, escritor americano, Época – 19/08/2013

 

“Se a humanidade se comprometesse a consumir a cada ano só os recursos naturais que pudessem ser repostos pelo planeta no mesmo período, em 2013 teríamos de fechar a Terra para balanço hoje, 20 de agosto. Essa é a estimativa da Global Footprint Network, ONG de pesquisa que há dez anos calcula o ‘Dia da Sobrecarga’. Para sustentar o atual padrão médio de consumo da humanidade, a Terra precisaria ter 50% mais recursos. Segundo a ONG WWF-Brasil, que faz o cálculo da pegada ambiental do país, nossa margem de manobra está diminuindo (veja quadro à dir.), e exibe grandes desigualdades regionais. ‘Na cidade de São Paulo, usamos mais de duas vezes e meia a área correspondente a tudo o que consumimos’, diz Maria Cecília Wey de Brito, da WWF. O número é similar ao da China, um dos maiores ‘devedores’ ambientais.”

Rafael Garcia, Folha de S.Paulo – 20/08/2013

 

“A capacidade dos uruguaios em assumir riscos e procurar inventar novas respostas para velhos problemas é louvável. […] Eles optaram por colocar à frente do processo político uma espécie de antilíder [José Mujica], cujo carisma vem exatamente de seu desconforto aberto em relação aos ritos do poder. Alguém que parece a todo momento dizer não se enxergar como um presidente e que se recusa a abandonar sua vida espartana, seu sítio modesto e seus hábitos e roupas comuns. Alguém que tem a liberalidade de deixar o lugar do poder vazio e, por isso, encontra uma força inaudita por meio exatamente da expressão de seu franco desprendimento. Trata-se de uma lição política merecedora de nossa admiração, a saber, a compreensão de que o melhor líder é aquele que sistematicamente recusa-se a se ver como tal.”

Vladimir Safatle, Carta Capital – 21/08/2013

 

“A inveja é uma mistura de idealização, amor e ódio. sonha-se ser o que os outros sonham. […] Nesse mundo, em que a inveja é um regulador social, as aparências são decisivas porque elas comandam a inveja dos outros. Por exemplo, o que conta não é “ser feliz”, mas parecer invejavelmente feliz. Nesse mundo, o ter é mais importante do que o ser apenas porque, à diferença do ser, o ter pode ser mostrado facilmente. É simples mostrar o brilho de roupas e bugiganga aos olhos dos invejosos. Complicado seria lhes mostrar vestígios de vida interior e pedir que nos invejem por isso. O Facebook é o instrumento perfeito para um mundo em que a inveja é um regulador social. Nele, quase todos mentem, mas circula uma verdade de nossa cultura: o valor social de cada um se confunde com a inveja que ele consegue suscitar.”

Contardo Calligaris, Folha de S.Paulo – 22/08/2013

 

“Se entre dez mandamentos, apenas dez, cobiçar a mulher alheia estava entre eles, com a mesma relevância de “não matarás” e “não furtarás”, porque é um princípio que deve ser seguido à risca. Talvez, um dos pilares da civilização. Deus não queria baderna. Foi sucinto, porque Deus não tinha tempo a perder. E soube como ninguém usar aquilo que criou em primeiro, o verbo.”

Marcelo Rubens Piva, O Estado de S.Paulo – 24/08/2013

 

“O apelo do papa Francisco aos jovens na Jornada carioca – ‘manifestem-se’ – não pode ter resposta universal. Em regimes políticos fechados, manifestar-se não é exatamente uma opção. Além disso, a expectativa das sociedades em torno dos jovens difere muito. Quem conversar com jovens chineses de classe média urbana, por exemplo, vai se dar conta de que o seu espectro de liberdade pessoal é limitado. Eles são alegres, mas frequentemente usam a palavra ‘yali’ (pressão) para qualificar a vida. A sociedade espera que, entre 22 e 28 anos, as pessoas assegurem um emprego estável, casem-se, tenham seu filho único e o deixem sob a responsabilidade dos avós. Esse até pode ser o curso normal da vida em outros lugares. Na China, contudo, a cobrança para segui-lo é determinada. Enquanto a economia crescia a dois dígitos, encontrar trabalho não era problema. Com o crescimento mais baixo, o cenário fica difícil. Em 2011, 17.5 % dos que se formaram ficaram desempregados. O número em 2013 deve ser bem maior. Nesta semana, o premiê Li Keqiang encontrou-se com um grupo de graduandos e lhes sugeriu: criem oportunidades para si mesmos, inovem, abram negócios, tomem riscos. Em outras palavras, sua mensagem foi a seguinte: faremos o possível, mas vocês têm de se mexer.”

Marcos Caramuru de Paiva, Folha de S.Paulo – 24/08/2013

 

“Não vi nada melhorar. Cada vez parece que vai piorando. Muita gente perde a vida. O Brasil não é um país tão atrasado assim, até intelectualmente era para melhorar esse negócio da violência. Saber que a vida do ser humano tem valor.”

Wagner dos Santos, 41, sobrevivente da chacina da Candelária, Folha de S.Paulo – 24/08/2013

33ª semana de 2013

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“No cristianismo, amor não é mero afeto, mas a ação que nos faz existir. Sem ele, a vida esvazia. […] Nossa natureza ‘caída’ não suporta o ‘peso’ do amor. […] Longe do amor, somos todos doentes, umas criaturas da noite que vagam numa escuridão sem fim. No escuro, não é só o outro que desaparece, mas nós também. […] Quando nos distanciamos do amor, nos dissipamos num desejo que nos leva ao nada. […] Quando nos sentimos longe do amor (de Deus), vemos nosso nada, isso deixa nossa alma inquieta, sedenta. […] O drama maior não é não ser amado, mas ser incapaz de amar.”

Luiz Felipe Pondé, Folha de S.Paulo – 12/08/2013

 

“Criados livres de um aprendizado restrito, compartimentalizado e unidisciplinar, jovens que cresceram com a internet tiveram, pela primeira vez na história, tutores incansáveis, de capacidades infinitas, oscilando entre canais quando necessário. […] Sua forma de pensar é chamada de “mente da Renascença”, em referência a um período em que, depois de séculos isoladas, as pessoas voltaram a compartilhar conhecimento. A visão multimídia não é exclusiva da Renascença. Pitágoras, na Grécia antiga, cresceu na ilha de Samos entre tutores e navios, e sua curiosidade e formação vasta o ajudaram a influenciar áreas tão diversas quanto filosofia, ética, política, matemática, religião e música. No século 18, Goethe teve aulas de diversas línguas ainda na infância. Bom desenhista e leitor ávido, virou poeta, novelista, dramaturgo, cientista, filósofo e diplomata. […] O símbolo do raciocínio da Renascença é, naturalmente, Leonardo da Vinci. Pintor, escultor, arquiteto, músico, matemático, engenheiro, inventor, anatomista, geólogo, cartógrafo, botânico e escritor, ele imaginou helicópteros, tanques, calculadoras e baterias solares em seus cadernos, sem se preocupar em publicá-los, ou mesmo se os protótipos poderiam ser executados.”

Luli Radfahrer, Folha de S.Paulo – 12/08/2013

 

“Foi só quando pude sentir as dores de meu pai é que aprendi a ser um filho.”

Walcyr Carrasco, Época – 12/08/2013

 

“A função do escritor é enfrentar os poderes constituídos. Isso em todo o mundo. Os grandes autores são aqueles que desafiam os regimes totalitários e desumanos. Todo dia escritores são presos por se expressar criticamente contra os governos em países da África, do Oriente Médio e da Ásia. Tenho o privilégio de trabalhar num país democrático, em que a liberdade de expressão é um ponto inegociável. Mas não deixa de ser também um país em que o poder e os poderes se organizam e se mascaram rapidamente.”

Don DeLillo,76, escritor americano, Época – 12/08/2013

 

“Há um ano, a Igreja Mundial do Reino de Deus usava 320 retransmissoras de TV para propagar as palavras do apóstolo Valdemiro Santiago. Desde então, encerrou contratos com metade delas. Saiu do ar em capitais como Belém e Fortaleza.”

Época – 12/08/2013

 

“A presença feminina no conselho de empresas brasileiras ainda é pequena. Apenas 13% dessas cadeiras são ocupadas por mulheres. As que chegaram lá costumam figurar nos seguintes postos: 32% diretora de Recursos Humanos; 27% diretora de Finanças (CFO); 27% diretora de Vendas (segundo International Business Report 2013).”

VocêS/A – agosto 2013

 

“A certeza, essa deusa em cujo altar depositamos flores (e grana), é tão difícil quanto a Verdade.”

Roberto DaMatta, O Estado de S.Paulo – 14/08/2013

 

“Teremos, todos, de mudar nossos hábitos e visões. E trabalhar com otimismo em novas direções urbanas.”

Washington Novaes, O Estado de S.Paulo – 17/08/2013

 

“A religião tornou-se a única forma ideológica em Israel. Não há mais a ideologia do sionismo, do kibutz. Os religiosos é que vivem como judeus, gostemos ou não, Quem é judeu hoje? Quem reza três vezes por dia. Assim era há 2 mil anos. Assim é hoje.”

Aharon Appelfeld, 82, escritor, O Estado de S.Paulo – 17/08/2013

 

“A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) alerta que existem 28,5 milhões de crianças fora das salas de aula em áreas de conflito. Elas sofrem não só com escolas fechadas ou falta de professores, mas também com ataques às instituições, estupro e outras formas de violência sexual (44% África Subsaariana; 14% Países Árabes; 19% Sul e oeste da Ásia/ 23% Outra regiões).

Nova Escola – agosto de 2013

 

“Acredito que esse é o grande segredo para chegar aos 40 anos melhor do que aos 20: ter a consciência de que fizemos o possível para vencer os percalços da vida com honestidade, sem passar por cima de ninguém e sem tentar levar vantagem. Todas as vezes em que agi sem pensar, por pressa ou ansiedade, a vida cobrou um preço muito caro depois. […] Eu me preocupei em construir um caminho em que o dinheiro não fosse o mais importante (há anos não faço comerciais. Não quero contribuir para o excesso de consumo). Não queria um padrão de vida luxuoso. Queria, sim, usar minha criatividade ao máximo. Para mim, a realização plena é dar conta do essencial, das coisas simples da vida.”

Letícia Sabetella, 42, atriz, Claudia – agosto de 2013

23ª semana de 2013

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“Os negócios tradicionais têm o objetivo de maximizar o lucro. São voltados para o ganho individual, para o acúmulo individual da riqueza. Não somos máquinas de fazer dinheiro. Somos mais que isso. Temos outras dimensões. Há uma dimensão que não é voltada para nós mesmos, mas para os outros, para o coletivo – e os negócios tradicionais não atendem essa outra dimensão. O modelo atual do capitalismo não é suficiente para nos satisfazer como seres humanos, porque não contempla todas as nossas dimensões.”

Muhammad Yunus (Prêmio Nobel da Paz/2006), Revista Época, 03/06/2013

 

“A natureza é uma vítima, não uma oprimida. As outras espécies, sim. O homem é predador das outras espécies. A natureza é maior. O alarme está tocando. O aquecimento global é verdadeiro. Mas a natureza vai se refazer. Se a gente compreender sua força, poderemos conviver com ela. Se não, ela expulsará a gente.”

Sebastião Salgado, Revista Época, 03/06/2013

 

“Pelo menos em teoria, criamos os filhos para que eles cresçam, não é? Não criamos nossas crianças para que permaneçam crianças para sempre. O crescimento resulta em assumir a própria vida e, portanto, separar-se dos pais.”

Rosely Sayão, Folha de S.Paulo – 04/06/2013

 

“A escola como o primeiro espaço público de socialização das crianças pode dar as condições para construção de valores e conhecimentos contextualizados que possibilitem a participação exigida pela sociedade contemporânea.”

Maria Alice Setubal, Folha de S.Paulo – 04/06/2013

 

“Céticos ou apenas interessados em não enxergar, os condutores da política e da economia guiam-se uns aos outros e empurram a humanidade para o desastre.”

Marina Silva, Folha de S.Paulo – 07/06/2013

 

“Uma das formas sutis de perseguição religiosa é o tratamento preconceituoso e discriminatório dos praticantes de alguma fé religiosa, como se fossem cidadãos ‘desqualificados’, com menos direitos e credibilidade, cujas convicções não devem ser levadas em consideração, ainda que não sejam sobre questões religiosas. Toleram-se até as convicções religiosas nos espaços da vida privada, mas nega-se a sua contribuição para o convívio social e a cultura. […] A liberdade religiosa e de consciência é um direito humano fundamental, que pode ser assegurado somente quando a postura do Estado é pautada pela verdadeira laicidade, que não é de intolerância nem discriminação, mas de garantia para que todos os cidadãos exerçam, sem impedimento, suas escolhas em relação à religião.”

Dom Odilo P. Scherer, O Estado de S.Paulo – 08/06/2013

 

“O medo é uma ilha, não um oceano. Acho que a gente consegue partir do medo, mas ele não pode ser limitador e paralisar. É um obstáculo para ser ultrapassado. O medo é muito necessário, do contrário a gente vira inconsequente total.” Leandra Leral, Revista Lola – junho de 2013 “Preste atenção nos mais velhos. Só eles podem falar da força de um sorriso, do sabor do desafio ou do silêncio ensurdecedor que tomou conta de determinada reunião. Respeite quem consegue perceber além do óbvio, pois o essencial, muitas vezes, é invisível aos olhos não preparados.” Eugênio Mussak, Revista VocêS/A – junho de 2013

 

“O que afeta a relação leitor-escritor hoje é o pouco tempo que devotamos à leitura. Quando achamos tempo para isso, ler ainda é, eu acredito, um dos maiores prazeres conhecidos do homem.”

Lila Azam Zanganeh, escritora franco-iraniana, Revista Claudia – junho de 2013

17ª semana de 2013

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“Esse meu pilar de preservação de qualidade de vida, física, moral e emocional, fez com que eu chegasse aos 60 anos de idade com uma jovialidade acima da média. Tenho muito que dar ainda. […] Vivemos em um momento no mundo em que há uma obsolescência terrível das coisas, dos materiais. Quando você compra um telefone celular, já lançaram um melhor no momento em que você está comprando. Então, o círculo das coisas é grande. E não conseguimos separar isso do ser humano, da obsolescência das pessoas. Mas não existe esse círculo da obsolescência das pessoas. […] Tem de entender que as pessoas estão se formando ao longo da vida. Não é demagogia dizer que a pessoa só acaba a formação quando morre. Entender que é preciso trocar o equipamento com frequência, mas investir nas pessoas. Isso é a grande maestria de um CEO.”

Wilson Otero, “O Estado de S.Paulo” – 21/04/2013

 

“Se no último século, a preocupação era construir uma biblioteca em cada cidade, agora a palavra de ordem é construir uma biblioteca dentro da casa de cada pessoa.”

Jason Roy, diretor dos serviços digitais da biblioteca da Universidade de Minnesota, “O Estado de S.Paulo” – 22/04/2013

 

“As bombas nos EUA ainda não totalmente explicadas, a economia da Europa devagar, as ameaças da Coreia do Norte, as incertezas em relação ao Irã, as intempéries na Ásia e a fome na África. Não bastasse, temos agora na América do Sul dois polos que se contrapõem ferrenhamente. De um lado, a Venezuela chavista está vazia de Chávez e entupida de problemas. De outro, o Paraguai volta aos poucos à Unasul e ao Mercosul com um presidente eleito, Horacio Cartes, podre de rico num país muito pobre, além de suspeito de contrabando, lavagem de dinheiro e ‘otras cositas más’. Tempos difíceis virão.”

Eliane Cantanhêde, “Folha de S.Paulo” – 23/04/2013

 

“Somam-se, no pontificado de Francisco, os sinais de uma radical alteração do regime do pontificado, tanto no desbarato da Cúria quanto na emergência de uma visão global dos novos rumos a serem trilhados pela igreja. […]Encarnou, sem volta, a aspiração a uma igreja profética, ao condenar o “narcisismo teológico”, no luxo dos bem pensantes, voltado para uma “espiritualidade mundana”, e uma autossuficiência no conforto da fé, na rejeição do verdadeiro espírito missionário.”

Candido Mendes, “Folha de S.Paulo” – 23/04/2013

 

“O homem dispõe de um aparato indispensável à liberdade: a linguagem. Somos mais do que meros sobreviventes com recursos. Somos o homem político, como diziam os gregos: aquele que, se quiser, pensa, leva em conta o seu semelhante.”

Anna Veronica Mautner, “Folha de S.Paulo” – 23/04/2013

 

“Somos uma cultura ‘infantólatra’, ou seja, que idealiza e venera as crianças como crianças. Ou seja, amamos vê-las sem nenhum dos pesos que castigam a vida adulta. No sonho de irresponsabilidade que mencionei antes, esses dois traços de nossa cultura se combinam assim: 1) as crianças são todas querubins irresponsáveis e 2) a história da nossa infância nos torna irresponsáveis quando adultos. Que maravilha.”

Contardo Calligaris, “Folha de S.Paulo” – 25/04/2013

 

“Fazer 40 anos é aprender que é impossível não magoar pessoas queridas, momentaneamente ou para sempre, com ou sem razão.”

Michel Laub, “Folha de S.Paulo” – 26/04/2013

 

“ ‘Essas igrejas não obterão reconhecimento do Estado, principalmente as que são dissidências, e vão continuar impedidas de funcionar no país’, disse o porta-voz do MPLA, Rui Falcão. ‘Elas são apenas um negócio.’ Segundo Falcão, a força das igrejas evangélicas brasileiras em Angola desperta preocupação. ‘Elas ficam a enganar as pessoas, é um negócio, isto está mais do que óbvio, ficam a vender milagres’.”

Patrícia Campos Mello, “Folha de S.Paulo” – 27/04/2013

 

15ª semana de 2013

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“Na era do consumo, os jovens têm consumido de tudo e em exagero. O alcance da publicidade é maior do que o dos objetos anunciados. E os pais têm aceitado tal situação, mesmo quando consideram exagerado.”

Rosely Sayão, “Folha de S.Paulo” – 09/04/2013

 

“Todo fundamentalista cristão é ancorado na interpretação literal da Bíblia, que deriva da ignorância exegética e teológica.”

Frei Betto, “Folha de S.Paulo” – 12/04/2013

 

“Toda superação de preconceitos exige ampliação de conhecimentos.”

Alexandre Vidal Porto, “Folha de S.Paulo” – 13/04/2013

 

“Para entender o avanço das religiões evangélicas no Brasil, sobretudo das correntes pentecostais, é preciso compreender o papel da religião no mundo contemporâneo. A realidade torna-se mais complexa a cada dia. Os processos sociais e as grandes mudanças ocorrem de forma rápida e sem aviso. Ainda que tenha ocorrido aumento recente da renda, a situação de precariedade econômica e social persiste. O abismo entre os avanços científicos e a compreensão do homem comum aprofunda-se. Aí entra a religião. Ela é um poderoso sistema simbólico capaz de dar uma explicação ou pelo menos propiciar uma esperança de que algum dia haverá um esclarecimento sobre o caos, o sofrimento e a injustiça.”

Marcos Alvito, “Folha de S.Paulo” – 13/04/2013

 

“Aprender a olhar para o que nos cerca sem nos fundirmos com o que vemos é uma ferramenta profissional poderosa. Isso nos ajuda a ouvir, analisar, compreender o processo, em vez de mergulhar de olhos e nariz tapados na correnteza.”

Cynthia de Almeida, “Revista Claudia” – abril de 2013

 

“Dias ganhamos e dias perdemos. Isso é importante. Percebo que a criançada hoje é diferente, está crescendo mais moderna. Eles sabem ganhar, mas não sabem perder. O que precisamos passar para eles é que a vida é um aprendizado. E minha maior felicidade e virtude foi ter aprendido com meus erros.”

Rubens Barrichello, “Revista Alfa” – abril de 2012

 

 

É mais embaixo

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A nossa vida, em certo sentido, mostra nossa fome. Isto é, as escolhas que fazemos, o estilo de vida que temos ou desejamos ter. Há uma fome de comida, que mantém nossa existência. Há fome também de arte, fome que muitos chamam de felicidade, fome que revela anseios mais profundos da alma.
Jesus, mesmo tendo suas necessidades básicas, enquanto ser humano, foi capaz de discernir e assim respondeu à tentação sofrida: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4.4). Eis a fome essencial.
No cardápio cotidiano muito nos é oferecido. Temos de tudo para todos os gostos. Somos tentados a experimentar mais, a despertar paladares, a nos entregarmos a desejos que mal sabíamos que existiam em nós. E a alma vai se enchendo de muitos sabores, sem, contudo, sentir-se saciada. Uma gula instala-se e é provocada constantemente. Como se passássemos a viver tão somente para a autossatisfação.
Numa época onde o cuidado com o corpo é tão valorizado, a alma está a morrer de inanição. Joga-se coisas dentro dela sem se quer atentar para seus efeitos. A digestão geralmente mal feita vai adoecendo-nos, mas o esforço é manter as aparências.
Qual a nossa alimentação da alma? Como diz Jacques Ellul: “A fome de pão é indiscutível. Mas a fome da Palavra de Deus, menos evidente nas entranhas, é ainda mais essencial”. Porém, muitos têm desprezado o transcendente, enquanto sensações por si só são valorizadas. Experiências diversas, inéditas, menos imaginadas, assim a intensidade da vida equivale às experiências aventureiras que você tem para contar. Quanto mais risco, maior a adrenalina, maior seu próprio brilho a ser exibido.
O rabino Abraham Heschel dizia que “o compromisso religioso não é somente um ingrediente de ordem social, um complemento ou um reforço da existência, e sim o coração e a essência do ser humano; sua verificação manifesta-se na ordem social, nas ações diárias”. E ainda: “A religião é a crítica de toda satisfação. Sua meta é o regozijo, mas seu princípio é o inconformismo, a destruição dos ídolos, a repulsa ao orgulho”.
Para os que desenvolvem a religiosidade, a próxima pergunta seria, qual? Uma que acomoda ou que transforma? Uma que serve o próximo ou que serve a si mesmo?
Que dieta adotamos no cotidiano? Há espaço para uma espiritualidade saudável, que nos traga questões da realidade que nos cerca e amplia a consciência da vida? No tempo das culturas da ansiedade, da frustração e da decepção é tentador usarmos uma espiritualidade, inclusive dita cristã, que nos aliena, ou trata superficialmente as dores e as crueldades que nos cercam. A fuga de questões íntimas que precisam ser enfrentadas é comum através de atalhos feitos com “espiritualizações” estranhas, ao menos, quanto ao evangelho de Cristo Jesus. Assim o adiamento contínuo se dá, colocando o foco em demandas externas e deixando o interior esvaziado e faminto, ou, enganado, mal alimentado, permitindo-se desfrutar de prazeres imediatos às custas da desgraça do outro, sem se dar conta que se cava a própria sepultura. Defuntos ambulantes considerando-se o máximo.
Jesus instrui: “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8.32).

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