Posts tagged envelhecer

43ª semana de 2013

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“À medida que se intensificou a urbanização no século 20, a queixa sobre o ruído foi frequentemente tratada com certo sarcasmo. Exigir silêncio é dar sinal de neurose ou de escapismo. ‘Por que você não vai fazer artesanato em Mauá?’, seria uma reação comum à reclamação sobre o barulho no Rio ou em São Paulo. (…) Nas últimas décadas, acumulou-se conhecimento médico sobre o preço que pagamos pela explosão de decibéis. A poluição sonora hoje só perde para a poluição do ar como dano à saúde e fator para encurtar a vida.”

Lúcia Guimarães, O Estado de S.Paulo – 21/20/2013

 

“Eles gostaram, particularmente, da ideia de ter um projeto de vida na velhice. Eles não precisam mais, mas querem continuar trabalhando em algo que dê sentido às suas vidas. Eles querem, mais do que tudo, encontrar um significado para a última fase de suas vidas.”

Mirian Goldenberg, Folha de S.Paulo – 22/10/2013

 

“É moralmente lícito fazer experimentos com cães? A meu ver, a posição ética é tentar limitar cada vez mais experimentos fúteis, como os que envolvem cosméticos, e seguir adiante com aqueles que, um dia, poderão resultar em benefícios mais palpáveis. Não há como avançar no conhecimento de doenças sem infligir sofrimento a cobaias.”

Hélio Schwartsman, Folha de S.Paulo – 22/10/2013

 

“O Brasil é o quarto país do mundo em nativos digitais – terminologia usada pela ONU para classificar jovens de 15 a 24 anos que estão conectados à internet há pelo menos cinco anos. Segundo a ITU (União Internacional de Telecomunicações), agência das Nações Unidas especializada em tecnologias da comunicação e informação, o número de nativos digitais já representa 30% da população jovem mundial ou 5,2% da população mundial de 7 bilhões de habitantes. São 363 milhões de jovens com acesso à internet há pelo menos cinco anos, dos quais 20,1 milhões no Brasil. Dois terços dos nativos digitais estão nos países em desenvolvimento. A China lidera com 75,2 milhões de nativos digitais. Em seguida vem os EUA, com 41,3 milhões. E a Índia, com 22,7 milhões. O Japão é o quinto país em número de nativos digitais: 12,2 milhões. No países desenvolvidos os nativos digitais representam 86,3% dos 145 milhões de usuários de internet. Já nos países em desenvolvimento eles representam a metade dos 503 milhões de usuários de internet. Nos próximos cinco anos, a população de nativos digitais nos países emergentes deverá dobrar. Os dados da ITU fazem parte do estudo anual Medindo a Sociedade da Informação. De acordo com o estudo, pelo terceiro ano consecutivo a Coreia lidera como o país mais desenvolvido em termos de inclusão digital e infraestrutura de telecomunicações. Em seguida vem Suécia, Islândia, Dinamarca, Finlândia e Noruega. O Brasil aparecem na 62ª posição. Segundo estudo do ITU, 250 milhões de pessoas se conectaram à internet ao longo de 2012, totalizando 2,7 bilhões de pessoas.”

Mariana Barbosa, Folha de S.Paulo – 22/10/2013

 

“Os jovens, hoje, estão totalmente submetidos à ideologia do consumo. ‘Consumo, logo existo’ tem sido uma máxima a nos guiar em nossas vidas. Logo, na deles também.”

Rosely Sayão, Folha de S.Paulo – 22/10/2013

 

“No mundo, em pleno século XXI, 30 milhões de pessoas são exploradas. Os dados são do Índice de Escravidão Global da Walk Free Foundation. A instituição britânica classificou 162 países de acordo com a proporção de escravos em relação à população. O Brasil está em 94º no ranking e a estimativa é a de que haja cerca de 220 mil pessoas em condição de escravidão no País. A maior parte dos afetados está concentrada em países da Ásia e da África – a Índia aparece em primeiro lugar na lista, com 14 milhões de escravos -, mas o índice revela a existência de escravidão também em nações como Reino Unido, Suíça e Suécia.”

Antonio Carlos Prado e Elaine Ortiz, IstoÉ, 23/10/2013

 

“Em política, quando o fim justifica os meios, o que se tem é a brutalidade dos meios com um fim sempre desastroso. A opção moralmente aceitável é outra: os meios qualificam o fim.”

Reinaldo Azevedo, Folha de S.Paulo – 25/10/2013

 

“Não há um Deus. Há dois: o Deus dos oprimidos e o Deus dos opressores. Enquanto a sociedade for dividida e houver tanta desigualdade social, penso que o Deus que estiver do lado dos oprimidos não se reconhece num Deus que esteja do lado dos opressores.”

Boaventura de Sousa Santos, Folha de S.Paulo – 26/10/2013

 

“Os adolescentes precisam ser capazes de adquirir habilidades fundamentais que os permitam continuar a serem aprendizes ao longo de sua vida. (…) Uma boa educação é o passaporte para a mobilidade social. Essa é a forma de você ter acesso a um trabalho melhor e a um maior nível de renda. Portanto, se os mais pobres não tiverem acesso a uma boa educação, os filhos deles serão pobres também. E isso é profundamente inquietante. Quando as pessoas sentem que, se trabalharem duro, seus filhos terão uma situação financeira melhor do que a delas, isso fortalece a democracia. Agora, uma situação em que exista a percepção de que os pobres sempre serão pobres é uma ameaça real à democracia.”

Richard Murnane, Folha de S.Paulo – 26/10/2013

 

“Os avanços da ciência não são um bem absoluto para nossa humanidade apenas quando nos salvam da morte, mas tão somente quando nos salvam também para a vida.”

Nilton Bonder, Folha de S.Paulo – 26/10/2013

 

“O salário é importante para chamar a atenção e manter bons professores, mas não é suficiente. Há outras condições fundamentais para garantir a atratividade, como a melhoria da formação inicial e a existência de planos de carreira estruturados. Também é essencial um bom ambiente de trabalho e na escola e isso diz respeito a muitas coisas: infraestrutura, relações entre a equipe e a comunidade e ainda meios de que a instituição dispõe para valorizar e ajudar o corpo-docente – por exemplo, assessoria relacionada às dúvidas e às necessidades em relação aos estudantes e aos conteúdos a serem ensinados. Sobre a permanência do bom profissional, há outro fator relevante: ter sucesso no processo de ensino e de aprendizagem. Prova disso é ser comum encontrar novatos dizendo: ‘Mesmo com todos os problemas que enfrento, ver o brilho nos olhos dos alunos quando eles aprendem é o que me faz continuar lecionando’.”

Marli André, docente da PUC-SP, se dedica há área de formação de professores há 30 anos, Nova Escola – outubro de 2013

 

“Não sei se trabalhar com humor rejuvenesce, mas muda tudo, porque é preciso ser rápido, atento, esperto, sagaz… são características associadas à juventude. Fazer muito humor me dá leveza.”

Andrea Beltrão, 50, atriz, mãe de Francisco, 18, Rosa, 16, e José, 13. Claudia – outubro de 2013

 

“A Regina Casé sempre brinca que fui ‘obrigada’ a ser atriz. Quando eu era criança, já achava que seria atriz mesmo. Aos 30 é que comecei a questionar. Achei que eu poderia ser outras coisas. Gosto de literatura e de desenhar. Cheguei a pintar, mas, com os filhos, parei. E já tentei a música por um tempo, mas meu talento infelizmente é nulo. Eu toco como hobby, em casa. Meus filhos não gostam, mas não to nem aí. E escrever é também um pouco essa tentativa de fazer coisas diferentes. A atividade de roteirista e de cronista é uma atividade solitária e vou encaixando no meu horário. Como gosto de estar só, parecia que eu tinha nascido para aquilo. A profissão de atriz é coletiva, muita gente trabalhando junto. O prazer de estar sozinha me levou a querer escrever mais.”

Fernanda Torres, 48, atriz, Claudia – outubro de 2013

 

“O humor é como matemática: quanto mais você exercita, mais afiada fica. A prática torna o raciocínio rápido.”

Miá Mello, 32, Claudia – outubro de 2013

41ª semana de 2013

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“Desde que o mundo é mundo, as pessoas buscam áreas melhores para viver e os mais fortes tentam subjugar os mais fracos. E, hoje, a migração é um problema imenso e muito delicado. (…) O dilema tem contornos econômicos, políticos, culturais, humanitários e morais. E divide opiniões acaloradas. O que fazer?”

Eliane Cantanhêde, Folha de S.Paulo – 06/10/2013

 

“O Brasil não trata bem seu capital humano. É o que aparece nitidamente no ‘Relatório de Capital Humano’, que acaba de ser divulgado pelo Fórum Econômico Mundial, a entidade que promove, todo janeiro, os encontros de Davos. O Brasil fica no 57º lugar entre 122 países. Já é um resultado ruim, se se considerar que o país está entre as oito maiores economias do mundo. Quer dizer que tem tamanho, mas não tem qualidade. Piora as coisas saber que países de bem menor desenvolvimento relativo ficam à frente do Brasil, casos de Costa Rica (35º), Chile (36º), Panamá (42º) e Uruguai (48º), sem falar em Barbados, país caribenho que, na 26ª posição, é o mais bem situado na América Latina/Caribe. Para fechar o círculo negativo, o que afunda a posição brasileira é educação, um dos quatro pilares que constituem o levantamento. Nesse quesito, que recolhe indicadores quantitativos e qualitativos de todos os três níveis de ensino, o Brasil fica em obsceno 88º lugar. (…) O fato é que o Brasil tem problemas estruturais que o amarram ao solo faz gerações.”

Clóvis Rossi, Folha de S.Paulo – 06/10/2013

 

“Talvez um dos maiores medos humanos e que move o mundo desde sempre seja justamente o medo de perder a beleza e a juventude, e se restará alguém ao nosso lado quando formos apenas uma alma em agonia. (…) Aprendemos a negar nosso medo com teorias sofisticadas, mas o medo sempre aparece. Ficou chique dizer que se é emancipado, quando na realidade nem só de liberdade vive o desejo, mas também de pecado, medo e vergonha.”

Luiz Felipe Pondé, Folha de S.Paulo – 07/10/2013

 

“Uma mulher que deixa o emprego para cuidar dos filhos tem o respeito de 78% dos homens brasileiros. Já um pai que faz a mesma opção é malvisto por 42% dos entrevistados. Para 54% deles, largar o trabalho para cuidar das crianças é motivo de vergonha e é avaliado como comodismo, preguiça e vagabundagem. Apenas 11% dos homens consideram essa opção um motivo de orgulho.”

Mônica Bergamo, Folha de S.Paulo – 07/10/2013

 

“A adolescência agora vai até os 25 anos – e não apenas até os 18, como era previsto. Essa é a nova orientação dada a psicólogos americanos. É como se a neurociência pudesse eximir a todos de responsabilidade por um fenômeno deste século: jovens demoram muito mais a amadurecer, sair de casa e ser independentes. As pesquisas revelam que “a maturidade emocional de um jovem, sua autoimagem e seu discernimento são afetados até que o córtex pré-frontal seja totalmente desenvolvido”. E isso só acontece aos 25 anos. (…) A adolescência é cultural, depende do país e da sociedade. O fenômeno fisiológico é a puberdade. ‘Crianças de rua não têm adolescência, só puberdade. Rapidamente se tornam adultos’, como diz o psiquiatra Luiz Alberto Py. Prolongar a adolescência além dos 18 anos é prolongar a angústia. O jovem não é tão despreparado quanto teme. Nem tão brilhante quanto gostaria.”

Ruth de Aquino, Época – 07/10/2013

 

“Ouvi de um rapaz que foi homossexual praticante durante muito tempo que nós afirmamos que a graça de Deus basta, que Deus ama o pecador. Cantamos para que eles venham como estão. Mas não no caso dos gays. No caso dos gays, pedimos que mudem primeiro. A igreja deve manter o mesmo convite para todos, para que todos possam caminhar em direção à vida que Cristo nos oferece.”

Ricardo Barbosa, Época – 07/10/2013

 

“Um dos principais termômetros do comportamento das pessoas é sua habilidade de interação social. Cada vez mais se acredita que ela pode ser um indicador precoce de problemas neurológicos ou psiquiátricos. São atributos como conseguir se relacionar num grupo, rir das piadas ou se importar com os sentimentos do próximo. Em resumo, conectar-se com o que acontece à sua volta.”

Jairo Bouer, Época – 07/10/2013

 

“O que conta na vida não são as vantagens que conseguimos no curto prazo. É, antes, o tipo de caráter que ‘floresce’ (uma palavra cara a Aristóteles) no curso de uma vida. E, para que esse caráter ‘floresça’, as virtudes são como músculos que praticamos e desenvolvemos. (…) Não é fácil olhar em volta e ver como a mesquinhez alheia triunfa e passa impune. Mas não confunda o transitório com o essencial.”

João Pereira Coutinho, Folha de S.Paulo – 08/10/2013

 

“O mundo adulto foi invadido pela busca da felicidade e da juventude, entre outras coisas, o que transformou muito o comportamento de quem já tinha maturidade. Dessa maneira, características antes creditadas apenas a adolescentes passaram a fazer parte da vida adulta também. A impulsividade, o imediatismo, a busca do prazer e da liberdade e o comportamento de risco, por exemplo, passaram a ser fatos corriqueiros na vida dos mais velhos. Ao mesmo tempo, as crianças passaram a perder a infância cada vez mais cedo e seus interesses, seu comportamento, suas vestimentas, sua vida social e a linguagem usada ficaram cada vez mais parecidas com as dos adolescentes. Por isso, a notícia que saiu dias atrás que, agora, a adolescência deve ser considerada um período que vai até os 25 anos não é nenhuma novidade. Já faz tempo que constatamos que a adolescência começa cada vez mais cedo e termina cada vez mais tarde. Quando termina! Por isso, não deve estar longe o tempo em que a adolescência vai se tornar um conceito obsoleto. Vai deixar de ser um período da vida para ser um estilo de vida.”

Rosely Sayão, Folha de S.Paulo – 08/10/2013

 

“A expectativa de que devemos estar sempre disponíveis para empregadores, colegas e família cria um obstáculo real para a tentativa de reservar um tempo privado. Mas esse tempo privado é mais importante do que nunca.”

Lesley M. M. Blume, The New York Times/Folha de S.Paulo – 08/10/2013

“Em um congresso internacional de moda, afirmei que o mercado reproduz as imagens dos velhos do século passado e não vê os “novos velhos” que têm projeto de vida, saúde, amor, felicidade, liberdade e beleza. (…) Somos mais livres para inventar nossa ‘bela velhice’.”

Mirian Goldenberg, Folha de S.Paulo – 08/10/2013

 

“Na sociedade de massa é preciso não sentir o que se pensa, nem pensar o que se sente. A banalidade do mal se desdobra no mal da banalidade.”

Luiz Gonzaga Beluzzo, Carta Capital – 09/10/2013

 

“Existem vários tipos de leitor, e acredito que os melhores são os que sabem alternar distância e proximidade em relação a seu objeto. Uma espécie de simulação: buscamos entender os argumentos de um autor, por mais repugnantes que pareçam à primeira vista, levando seus efeitos teóricos às últimas consequências e de lá voltando com algum ensinamento (edificante ou não).”

Michel Laub, Folha de S.Paulo – 11/10/2013

 

“O espectro da atenção contemporânea foi muito reduzido com a mídia digital. Um longo romance exige uma imersão que a distração contemporânea pode não comportar.”

Daniel Menaker, O Estado de S. Paulo – 11/10/2013

 

“Especialistas em educação advertem que a atenção internacional não deve diminuir em relação à situação do ensino no Paquistão: mais de 5 milhões de meninas em idade escolar não vão à escola e há um número muito maior de escolas para meninos do que para meninas.”

Taha Siddiqui, O Estado de S. Paulo – 11/10/2013

 

“Pouco tempo atrás, a uma criança que dissesse suas vontades, só se respondia ‘cresça e depois a gente conversa’. De repente, hoje, parece que o próprio fato de uma criança falar seja garantia da qualidade (‘verídica’) do desejo que ela expressa (talvez por isso, aliás, não saibamos mais o que fazer quando as crianças dizem que preferem dormir tarde, estudar outro dia etc.). Será que nos esquecemos de que uma criança inventa, finge, mente, que nem gente grande, se não mais?”

Contardo Calligaris, Folha de S.Paulo – 12/10/2013

24ª semana de 2013

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“O cansaço é maior quando a gente faz aquilo que não gosta. Não tem sido muito pesado, não. Já fiz teatro, TV e filme ao mesmo tempo. Diante desse passado, minha vida está leve agora. A melhor coisa é fazer nada. Vou ao teatro, cinema, leio, ando na praia, viajo com meus filhos e netos e arrumo gavetas. É ótimo ficas bestando completamente, jiboiando como se diz.”

Fernanda Montenegro, 83, atriz, O Estado de S.Paulo – 09/06/2013

 

“O número de americanos que estão se matando atingiu um nível sem precedentes. No período de 1999 a 2010, o suicídio de americanos entre 35 e 64 anos de idade cresceu quase 30%. Mais pessoas nos Estados Unidos morrem hoje pelas próprias mãos do que em acidentes de carro. Entre homens na faixa dos 50 anos, a taxa de suicídio cresceu 50%.”

Lee Siegel, O Estado de S.Paulo – 09/06/2013

 

“A coisa é a seguinte: escrever ou não escrever poesia não é coisa que se decida. Na verdade, sempre que termino de escrever um livro de poemas, tenho a impressão de que não vou escrever mais, de que a fonte secou. […] Creio que isso se deve ao fato de que não planejo nada, muito menos meus livros de poemas. De repente, descubro um tema novo, um veio que passo a explorar até esgotá-lo. Isso demora anos, porque, também, ao concluir cada poema, tenho a impressão de que o veio se esgotou. […] Sempre digo que meus poemas nascem do espanto, ou seja, de algo que põe diante de mim um mundo sem explicação. É essa perplexidade que me faz escrever.”

Ferreira Gullar, Folha de S.Paulo – 09/06/2013

 

“Dos 260 mil inscritos até agora na Jornada Mundial da Juventude, a maioria são mulheres (55,32%). Peregrinos entre 19 e 24 anos respondem por 35% das inscrições. Os maiores de 65 anos não são nem 1%.”

O Globo – 09/06/2013

 

“O mundo de hoje está aterrorizado. E a economia não está florescente. Isto leva a um enclausuramento.”

Carla Bruni, O Globo – 09/06/2013

 

“A reportagem de qualidade é sempre substantiva. O adjetivo é o adorno da desinformação, o farrapo que tenta cobrir a nudez da falta da apuração. […] Uma imprensa ética sabe reconhecer os seus erros. As palavras podem informar corretamente, denunciar situações injustas, cobrar soluções. Mas podem também esquartejar reputações, destruir patrimônios, desinformar. Confessar um erro de português ou uma troca de legenda é fácil. Mas admitir a prática de prejulgamento, de engajamento ideológico ou de leviandade noticiosa exige pulso e coragem moral. Reconhecer o erro, limpa e abertamente, é condição da qualidade e, por isso, um dos alicerces da credibilidade.”

Carlos Alberto Di Franco, O Estado de S.Paulo – 10/06/2013

 

“A lição assustadora da psicologia social é a de que o ser humano pode passar por cima de suas convicções e de várias barreiras morais se for devidamente compelido por seus pares. E nem precisa ser uma pressão muito intensa.”

Hélio Schwartsman, Folha de S.Paulo – 11/06/2013

 

“Nunca nos livraremos de jovens desajustados que montam bombas caseiras ou fanáticos empunhando machadinha. Não há absolutamente nada que possamos fazer para evitar isso. Podemos minorar a letalidade dessas pessoas controlando a circulação de armas, e só. O verdadeiro problema é termos chegado à situação de todo um país entrar em pânico quando se associa um crime comum à palavra ‘terrorismo’. […] A insegurança da submissão voluntária ao controle contínuo de alguém que reforça sua autoridade alimentando-se de nossos medos. A insegurança do fim da vida privada.”

Vladimir Safatle, Folha de S.Paulo – 11/06/2013

 

“Aqui, a tradição é entrar na iniciação científica em um laboratório e continuar nele durante o mestrado, o doutorado e o pós-doutorado. E a tendência é a pessoa se aprofundar cada vez mais em um único assunto. Com isso, formamos jovens cientistas bitolados, tudo o que eles sabem é pensar em detalhes daquele único assunto que vêm desenvolvendo desde a iniciação científica. Além disso, a política de contratação nas universidades privilegia os ex-alunos. Criam-se colônias sem diversidade.”

Suzana Herculano-Houzel, Folha de S.Paulo – 11/06/2013

 

“A criança costuma dar sinais claros de que ela quer aprender a usar o banheiro. Os pais não precisam se preocupar tanto. O que não podemos é antecipar o processo. […] Quando ela pergunta do uso do banheiro, pede para ir, quer ficar por lá mais tempo, por exemplo. Quanto mais natural for o processo, melhor para a criança. Os pais não devem atrapalhar. Para isso, precisam munir-se de calma e paciência. A criança nem sempre vai acertar, e, mesmo depois de os pais acharem que ela já aprendeu, ela vai querer usar o banheiro quando tiver vontade, não quando os pais quiserem. E mais: ganhar prêmios por fazer a coisa que os pais julgam certa confunde a criança.”

Rosely Sayão, Folha de S.Paulo – 11/06/2013

 

“Como as bandas de jazz, as empresas precisam de regras básicas para operar, de forma que cada profissional possa, no momento correto, improvisar e criar.”

Thomaz Wood Jr., Carta Capital, 12/06/2013

 

“Somos anjos e demônios. Viver na internet tem um perigo: nós mesmos.”

Manuel Castells, Folha de S.Paulo – 13/06/2013

 

13ª semana de 2013

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“A sociedade de consumo tornou-se cada vez mais competitiva. Com o aumento de insegurança econômica, desenvolvemos uma cultura que valoriza os ganhos, algo que afeta homens e mulheres. Por isso, temos de ir além da ideia de que tudo está relacionado ao gênero a que você pertence. O feminismo do século XXI é sobre defender pessoas, não gêneros.”

Stephanie Coontz, “Revista Época” – 25/03/2013

 

“Vida de artista é exaustiva. A vantagem é que todos amamos fazer o que fazemos. Só a paixão dá felicidade ao artista. O glamour é só para quem está fora.”

Walcyr Carrasco, “Revista Época” – 25/03/2013

 

“Os tradicionais valores da cultura estão cada vez mais minoritários e quase, quase clandestinos. Este é um fenômeno que me parece muito perigoso para a sociedade do futuro, porque eu creio que a cultura não é entretenimento. É também, entretenimento, mas é algo muito mais importante que isso. É um tipo de conhecimento, de preocupação que responde a certas perguntas que não podem encontrar resposta em outros campos.”

Mario Vargas Llosa, “Revista Cult” – março de 2013

 

“A inexorável ação do tempo incide no corpo que envelhece sob a influência dos eventos biológicos e sua imagem se faz sentir no plano subjetivo. A constituição física, sabemos, obedece a fatores genéticos que se entrecruzam, mas essa herança, desde sempre, foi moldada por um momento cultural específico. Nunca houve um corpo natural. A maneira de nos conduzirmos, nossos gestos, nossa fala, as expressões faciais, os adornos, a comida, como caminhamos, tudo, no modo de nos expressarmos, denota nossas origens, pelas marcas cravadas em nosso corpo.”

Sylvia Salles Godoy de Souza Soares, “Revista Psique&Vida” – março de 2013

 

“Deixar de contar pelo menos três mentiras por semana ajuda a evitar sintomas físicos e psíquicos relacionados ao estresse, sugere um estudo da Universidade de Notre Dame, em Indiana. Segundo a psicóloga Anita Kelly, cada vez que mentimos, há aumento do nível de estresse: a glândula suprarrenal secreta hormônios, o coração acelera e a pressão sanguínea sobe. A frequência desse estímulo de ‘alerta’ pode sobrecarregar o organismo e desencadear sinais de estresse.”

“Revista Mente/Cérebro” – março de 2013

 

“Meditação é um estado diferente de consciência, pois não é o padrão da vigília normal, nem de sonho, nem de sono. Mas não tem nada a ver com um estado de transe em que a pessoa perde a consciência. Muito pelo contrário. No processo de meditação, o objetivo é ampliar a consciência e o estado de atenção. […] Meditação não é para qualquer um. É para quem está disposto a sair de uma zona de conforto e mudar os hábitos. Sem disposição para isso ninguém muda de hábitos.”

Elisa Kozasa, bióloga e pesquisadora do Instituto do Cérebro do Hospital Israelita Albert Eisntein, “Revista Lola” – março de 2013

Fim das forças

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Tivemos um carnaval diferente nesse 2013. No meio da folia, uma notícia séria. O tradicional marasmo noticiário foi rompido. As manchetes de jornais esperadas, com destaques de escola de samba, foram substituídas por algo que alvoroçou jornalistas e mais meio mundo – o papa renunciava.
Papa Bento 16, na segunda-feira, 11 de fevereiro, anunciou em seu discurso aos cardeais no Vaticano, sua renúncia: “Após ter examinado perante Deus reiteradamente minha consciência, cheguei à certeza de que, pela idade avançada, já não tenho forças para exercer adequadamente o ministério petrino”.
Muitas especulações se fazem a respeito dos reais motivos. Comentários se multiplicam, suspeitas são levantadas, apostas são feitas, ousadas afirmações distribuídas. Contudo, quanto custa a um papa assumir: “já não tenho forças”?
O que sabemos a respeito? Quem é capaz de reconhecer e confessar? Em que medida nos aproximamos dessa realidade e vivemos tal experiência?
No final de janeiro um filme me perturbou profundamente. Ele ainda está em mim, convulsionando-me nas emoções. Trata-se do filme “Amor”, do diretor austríaco Michael Haneke, 70 anos. Ele contou que a inspiração para o filme veio de sua própria história, pois, filho de atores, foi criado por uma tia, que sofria de reumatismo e, no auge da doença, aos 92 anos, pediu ajuda a Haneke para se matar. Ele se recusou. Um ano depois, ingerindo soníferos, ela se matou.
O filme retrata a decadência física e mental de um ser amado. Um casal de professores, já aposentados, com cultura, dinheiro e certo prestígio, vivem a sós num apartamento elegante, cercados de livros, música e um piano na sala de estar. Uma existência tranquila até que ela sofre um AVC, onde fica com uma paralisia parcial num primeiro momento, mas esse é apenas o princípio das dores. O relato lento, simples, triste, real e belo, aborda a impotência e a fragilidade humana de maneira delicada. Quando chegará o nosso fim? Não sabemos, mas suspeitamos, e um sinal evidente da aproximação do fim é a consciência do desvanecer das forças.
A atriz francesa, Emmanuelle Riva (indicada ao Oscar de melhor atriz por sua atuação nesse filme), consciente de que a juventude é efêmera, disse: “Acho que devemos encarar a velhice, e a presença da morte que ela traz muitas vezes, com alegria e não com tristeza. Eu, que vivo meus 86 anos, me pergunto sobre como lidar com a perda da dignidade, a dependência de outros, as dores. E como viver o amor nessas condições? […] O filme é uma dualidade, esta humanidade entre os dois, que está em todos nós, que seduz nesta história. É sobre um drama que todos nós vivemos ou vamos viver. Todos temos um mal, uma doença, uma fragilidade. Como lidamos com elas é que nos faz diferentes”.
A sociedade em geral corteja celebridades, amenidades, cultua a juventude ou aparência dela, consome o supérfluo com avidez, e, despreza a velhice, bem como a realidade, nem sempre agradável, que nos cerca.
Rotas de fuga não nos faltam. Entretenimentos nos cativam, nos levam para longe de responsabilidades, o mundo digital nos atrai mais do que encontros pessoais, laços afetivos vão se enfraquecendo, interesses “novidadeiros” nos encantam e falta-nos tempo para o cuidarmos do outro, ouvirmos repetidas histórias de alguns velhinhos, oferecermos atenção carinhosa e, de repente, recebermos um tesouro de sabedoria vinda da experiência daquele que viveu mais do que nós.
Não gostamos, nenhum um pouco, de abandonar ilusões de estimação existencial, e encarar a realidade da decadência física, das limitações que se expandem. Escamoteamos sensações que nos remetem ao fim. Talvez, por isso mesmo, o livro de Eclesiastes seja pouco palatável para tantos.
Alguém já disse que sabedoria é contemplar o abismo sem ser destruído por ele. Ou, nas palavras de Rainer Maria Rilke: “conter a morte inteira, docemente, sem nos tornar amargos”. E Rubem Alves insiste que “só podem viver bem aqueles que aprendem a sabedoria que a morte ensina”, e que por isso mesmo, “é preciso contemplar o crepúsculo no horizonte para sentir a beleza incomparável do momento”.
São muitas as perdas no decorrer da vida. O evangelho, no entanto, no ensina um princípio interessante: mesmo perdendo é possível ganhar. Mas se nossos medos nos dominam, nossa gula não vê limites, nossa arrogância nos enrijece e nos afasta da intimidade, e nossa ganância nos controla, aí, não teremos a coragem de perder a fim de ganhar.
Quando em 19 de abril de 2005 o papa Bento 16 assumiu, dificilmente imaginou viver essa realidade em menos de 8 anos. Por coragem ou por pressão, não sei, mas ouvir a afirmação: “já não tenho forças” me tocou. E aí, me lembrei das palavras de Henri Nouwen: “Estamos preparados para a morte ou a estamos desprezando por meio do trabalho? Estamos nos ajudando mutuamente a morrer ou simplesmente supomos que estaremos sempre aqui ao lado do próximo? Nossa morte dará nova vida, nova esperança e nova fé aos amigos ou será apenas mais um motivo de tristeza? A principal pergunta não é ‘Quanto seremos capazes de produzir durante os poucos anos de vida restante?’, mas, sim, ‘Como podemos nos preparar para nossa morte, de modo que ela seja uma nova forma de enviar o nosso espírito e o de Deus àqueles que amamos e que nos amaram?’.” Que as dores, e as perdas, nos ajudem a perceber mais profundamente a realidade de quem somos e para onde vamos.

49ª semana de 2012

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“Eu gosto de estar só. Não que goste de solidão. A minha não é vazia. […] É inevitável. A velhice chega, os filhos têm suas vidas, suas casas e suas necessidades. Há uma preocupação de que é preciso dar atenção à famosa terceira idade. É um desassossego para os dois lados. […] Criança sofre muito. É todo um processo de civilização, de coerção e de enquadramento em cima delas. E isso é uma agressão violenta. Quando ouço alguém dizer que a infância foi a parte mais feliz de sua vida, olho com muita desconfiança. Deve ter sido tão terrível que nem se lembra.”
Fernanda Montenegro, “Folha de S.Paulo” – 02/12/2012

“A maioria das pessoas vive perfeitamente bem sem saber diferenciar ciência de pseudociência. Mais cedo ou mais tarde, porém, em alguns momentos da vida esse conhecimento pode ser muito importante. Seja para decidir um tratamento médico, seja para analisar criticamente algum boato, seja para se posicionar frente a alguma decisão importante que certamente influenciará a vida de seus filhos e netos. A sociedade como um todo deve assimilar a cultura científica. É importante a participação de instituições, grupos de interesse e processos coletivos estruturados em torno de sistemas de comunicação e difusão social da ciência, participação dos cidadãos e mecanismos de avaliação social da ciência. Em uma sociedade onde a ciência e a tecnologia são agentes de mudanças econômicas e sociais, o analfabetismo científico, seja de quem for, pode ser um fator crucial para determinar decisões que afetarão nosso bem-estar social. É impossível tomar uma decisão consciente se não se tem um mínimo de entendimento sobre ciência e tecnologia, como funcionam e como podem afetar nossas vidas.”
Marcelo Knobel, “Folha de S.Paulo” – 02/12/2012

“Os focos de corrupção que se disseminam nos porões da administração pública se relacionam a outros fenômenos perversos, dentre os quais a burocracia e a mediocracia. O primeiro se ampara num amontoado de leis e regulamentos, donde se originam veredas e desvios para as negociatas e dribles na Justiça. O segundo leva em conta a influência política para a indicação e ocupação de cargos públicos. Perfis medíocres e quadros despreparados acabam integrando os pelotões de corrupção nas três instâncias federativas. O servilismo emerge, dessa forma, na sombra do favoritismo. Sob a bandeira da injustiça e da indignidade. É mais do que hora de resgatar o brasão dos justos, hoje alvo de escárnio: “Não há nada que pague o preço da honra”.
Gaudêncio Torquato, “O Estado de S.Paulo” – 02/12/2012

“O errado não se torna certo por ser prática de muitos, ou até de quase todos. Mas não apenas quem sai aos seus não degenera como, mais ainda, mesmo quem não é cristão há de ver sabedoria na observação segundo a qual, antes de criticarmos o cisco no olho do próximo, devemos cuidar da trave em nosso próprio olho. […] Os envolvidos em corrupção e crimes correlatos não foram os primeiros, são herdeiros de uma velha tradição nossa. Não são exceções inusitadas. Antes, são a regra, tanto entre antecessores quanto entre contemporâneos. O inusitado são as punições. Mas não achemos que, punindo-os como se o que fizeram não estivesse de acordo com nossos costumes, vamos finalmente viver sob o império da lei e da ética, sem ter mudado nossa relação frouxa com valores básicos, fingindo que não vemos nossa cumplicidade compreensiva e tolerante. Ponhamos a mão na consciência e reconheçamos a verdade. Não podemos atirar a primeira pedra, porque o pecado começa conosco.”
João Ubaldo Ribeiro, “O Estado de S.Paulo” – 02/12/2012

“A pesquisa Nós, Jovens Brasileiros, realizada pelo Portal Educacional, que mapeou o comportamento de 4 mil estudantes de 13 a 17 anos, alunos de 60 escolas particulares de todo o País. E, quando o assunto é internet, as descobertas revelam desde questões mais objetivas – como o tempo de uso, que cresce ano após ano – até temas bem mais delicados, como a disposição a se expor na rede. Um dos dados mais preocupantes é o que mostra que, do total de entrevistados, 6% deles já apareceram nus ou seminus em fotos na rede e o mesmo porcentual já mostrou partes íntimas de seu corpo para desconhecidos por meio de webcam. Além desses, outros 3% já pensaram em se exibir dessa forma, mas não puseram isso em prática. […] Para Carmen Neme, professora do programa de pós-graduação em Psicologia da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), ‘o adolescente acha que nada vai acontecer, porque ele é muito esperto. O problema não é a internet. A questão é que os adolescentes estão sozinhos. Nunca se viveu de maneira tão solitária como agora. Os pais estão longe, e a internet parece suprir a ausência’.
Ocimara Balmant, “O Estado de S.Paulo” – 02/12/2012

“Talvez, seja mais difícil ainda conviver com os filhos por períodos maiores do que os pais estão acostumados. A partir de quando ficar com os filhos em casa transformou-se em um problema? Desde o momento em que ter filhos passou a ser uma ideia diferente da de acompanhar a vida de uma criança, cuidar dela, dedicar-se a ela, ficar disponível para o que possa acontecer; desde que passamos a querer viver com filhos do mesmo modo que vivíamos antes de tê-los. A partir do momento em que nossa vida desobrigada deles parece ser muito mais sedutora. Por que temos filhos?”
Rosely Sayão, “Folha de S.Paulo” – 04/12/2012

“Vida sem água, resistente e brava, espinhosa e árida. É fato noticiado todo ano. Do Maranhão ao norte de Minas Gerais. Sebastião Salgado fotografou os tons marrons e os olhos tristes e famintos de homens e animais. A arte imortaliza o sofrimento, a resiliência e a força do povo sertanejo. Artistas de todos os tipos choraram e cantaram, pintaram e contaram. Mas, novamente, nenhuma solução. É difícil resolver algo a partir de pressupostos equivocados. A principal dificuldade que o País enfrenta está no próprio enunciado, no enfoque de combate à seca. Um fenômeno climático sistemático não é para ser combatido. Alguém imaginaria combater o gelo na Sibéria? Deve-se, sim, criar melhores condições de convivência com ele. O mais importante com relação a esse problema é que existem técnicas adaptadas às condições do Semiárido. O renomado agrônomo cearense Guimarães Duque, por exemplo, desenvolveu um método para a agricultura de sequeiro que foi objeto de muitas homenagens, mas pouca ação para colocá-lo em prática. E também, ao contrário do que se pensa e se divulga, existe água suficiente no Nordeste. Só que, pelo modelo econômico do latifúndio e do capitalismo tropical, a água também é pessimamente distribuída. Concentração de renda, concentração de terras, concentração do controle das águas, eis os pressupostos da tragédia que se renova. Aceitar passivamente a perpetuação de práticas assistencialistas e do clientelismo que assume novas formas. Enquanto a solidariedade pontual e os bálsamos emergenciais continuarem a prevalecer, nada vai mudar de verdade. O sofrimento toma novas formas. Os prejuízos ganham novos critérios de mensuração. É a seca com ares de século XXI.”
Fernando Lyra, Revista Carta Capital – 05/12/2012

“Em tempos de crise, é ainda mais importante demonstrar que você nem sempre saberá tudo – e estará pronto para entender as mudanças constantes e aprender com elas.”
Jim Collis, “Revista Exame” – 05/12/2012

“A maioria dos consumidores não considera crime baixar músicas ou filmes na internet sem pagar por eles. Essa foi uma das conclusões de uma pesquisa da Fecomércio-RJ divulgada ontem. A fatia dos consumidores que consideram baixar músicas pela internet uma prática legal subiu de 48% em 2011 para 59% neste ano, enquanto o número dos que consideram isso um crime diminuiu de 32% para 22%.”
Denise Luna, “Folha de S.Paulo” – 06/12/2012

“Um dos riscos de escrever uma coluna de jornal hoje, ou de opinar em qualquer instância pública, é o oposto: ser ignorado, quando não perseguido e açoitado num pelourinho de grunhidos, relinchos e cacarejos, a despeito da mais cuidadosa argumentação. A maioria está ali para confirmar certezas prévias ou se irritar com quem diz o contrário.”
Michel Laub, “Folha de S.Paulo” – 07/12/2012

“Um hipotético leitor de dois séculos atrás pensaria que os idosos são a perda irreparável: afinal, uma criança, ninguém sabe no que ela vai dar, enquanto um idoso é patrimônio consolidado. Num incêndio, você prefere que queime um caderno quase virgem ou o outro, no qual você anota seu diário há décadas?”
Contardo Calligaris, “Folha de S.Paulo” – 08/12/2012

“O futuro desse universo cada vez mais digital é cheio de riscos. Imagine: colapso na nuvem. ‘Crashes’ de servidores, fibras ópticas rompidas, blecautes em série nos principais polos hi-tech da Terra. Nos primórdios da web, uma situação assim teria uma consequência grave: internet fora do ar. Grave, porém única. Músicas, filmes e demais arquivos baixados pela rede estariam a salvo, guardados nos computadores das casas das pessoas. Mas, hoje, tudo mudou. Um crash gigantesco seria muito mais devastador. Porque cada vez menos gente armazena em casa seus arquivos digitais. Está tudo em servidores poderosos, espalhados pelo mundo. Nessa nuvem, digital e amorfa.”
Álvaro Pereira Júnior, “Folha de S.Paulo” – 08/12/2012

“Seria ótimo se houvesse soluções fáceis e imediatas para os problemas que nos acometem. Mas as coisas não são simples. É por esse motivo que, ao invés de oferecer soluções mágicas ao paciente, o psicoterapeuta se dispõe a ajudá-lo a entender a complexidade de seu próprio psiquismo, sua dimensão inconsciente que abriga fantasias infantis ainda vigentes na atualidade, cujos padrões anacrônicos de funcionamento continuam a influenciar seu comportamento, seus relacionamentos pessoais e decisões sem que ele mesmo disso se aperceba.”
Sérgio Telles, “O Estado de S.Paulo” – 08/12/2012

“O fim do ano se aproxima e, com ele, chegam também aquelas reflexões que costumeiramente fazemos – o balanço de sucessos e objetivos que conseguimos alcançar no ano que termina. Se seu balanço, por acaso, acabar se mostrando pobrezinho ou muito pequeno, é tempo de repensar coisas. […] Você se engajou da maneira como deveria em trabalhos em equipe? Você exercitou seu autocontrole? Tomou medidas que o ajudaram a controlar seu gênio mais explosivo ou seu frequente mau humor? Você conseguiu desenvolver sua habilidade social e conviver melhor? […] Meu ano foi muito bom, apesar de algumas situações mais tristes e de algumas mudanças necessárias e doloridas. Nunca acho que algo é totalmente ruim. Acho que situações difíceis sempre aparecem para testar minha capacidade de lidar com elas ou para me ensinar alguma coisa. Por essas e por outras, já decidi: em 2013, que venham as novidades e tudo aquilo que me fizer questionar minhas certezas. Desejo-lhe o mesmo. Feliz 2013!”
Célia Leão, “Revista VocêS/A” – dezembro de 2012

46ª semana de 2012

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“A razão irracional não se manca: ofende a inteligência e a consciência do público e acha que ninguém se dá conta.”
Eugênio Bucci, “Revista Época” – 12/11/2012

“A função do intelectual é ler, escrever, dar aula, orientar pesquisas, participar do debate público, mas não assumir funções executivas porque somos obcecados por nossas visões de mundo, corretas ou não, somos monstruosamente vaidosos e pouco democráticos, pelo contrário, adoramos o poder, e nos achamos superiores moralmente.”
Luiz Felipe Pondé – “Folha de S.Paulo”, 12/11/2012

“Narciso é um jovem magnífico que se apaixona pela própria imagem refletida na água. Acabou consumido pelo amor-próprio e se tornou o nome da flor encontrada onde ele desapareceu. Somos todos Narcisos no Facebook, Orkut ou Instagram, quando publicamos fotos dos nossos sorrisos e melhores momentos.”
Marion Strecker – “Folha de S.Paulo”, 12/11/2012

“As pessoas de 50 anos querem – e precisam – manter-se ocupadas e remuneradas. […] Houve um tempo em que o desemprego rondava quem passasse dos 50 anos. Esse cenário já mudou. O grupo dos 50 foi o único em que o índice de emprego aumentou significativamente, de acordo com o último levantamento do IBGE: de 16,7%, em 2003, para 22% em 2011. Isso corresponde a 22,5 milhões de pessoas. Nas outras faixas etárias, o índice manteve-se estável ou diminuiu. Esse também é o grupo que menos sofre com o desemprego. O ranking mais recente do IBGE mostra que é a faixa de idade com o menor percentual de desocupação. Apenas 2,1% dos trabalhadores dessa idade estão sem trabalho, em comparação aos 4,4% entre os que têm de 25 a 29 anos. O que está por trás disso: ‘Entenderam que essas pessoas estão no auge de sua vida em termos de competências técnicas, atitudes e inteligência emocional’, diz Betty Dabkiewicz, consultora de Sinergia Consultoria. A experiência profissional e a maturidade dos profissionais de 50 anos são especialmente valorizados para cargos de confiança. É a idade dos líderes.”
Flávia Oshima, Margarida Telles e Natália Spinacé, “Revista Época” – 12/11/2012

“A fama é traiçoeira. Quando ela se vai, o artista passa a viver dos farrapos dos dias dourados. […] A pessoa se destrói na esperança de recuperar um sucesso que nunca mais voltará a acontecer. A fama é um vício do qual poucos conseguem se livrar.”
Walcyr Carrasco, “Revista Época” – 12/11/2012

“Um uso pesado da internet por parte dos jovens, sem muito controle dos pais e, ainda, sem a noção precisa dos riscos de se exibir, enviar fotos ou revelar informações íntimas. O pior é que, mesmo sabendo de alguns desses riscos, os jovens lidam mal com a exposição. Para muitos, aparecer na rede (independentemente de como isso acontece) é melhor do que sumir do mapa virtual. Ser ‘popular’, nesse contexto, poderia compensar alguns riscos.”
Jairo Bouer, “Revista Época” – 12/11/2012

“Na história, nada é garantido: tudo é, sempre, conquistado. O que nos separa de outros mundos possíveis (e horríveis) não é a inelutabilidade do progresso, mas a obstinação de pequenos grandes gestos. Entre nós e as trevas, há o corpo ferido de Malala Yousafzai, 14, baleada na cabeça pelo Talibã paquistanês porque promovia o ‘secularismo’ (ou seja, queria ir para a escola e pensar com a sua cabeça). Ou, a coragem da catarinense Isadora Faber, 13, que continua seu ‘Diário de Classe’ on-line, embora hostilizada por professores, por administradores.”
Contardo Calligaris – “Folha de S.Paulo”, 15/11/2012

“Para mim, é evidente que essa droga se tornou uma epidemia, não há outro termo, não há como amenizar. Por isso, a ação não pode ser exclusiva coordenação de ações de segurança pública, de educação, de reinserção social. Nós, da Saúde, queremos pôr o dedo nessa ferida do crack e ajudar a cicatrizá-la. Já não é sem tempo, a epidemia avançou mais rápido do que as ações de combate. […] Precisamos ter serviços diferentes para situações diferentes. É grave ter centenas de pessoas se drogando na Cracolândia, com suas famílias desestruturadas, sem perspectiva de reabilitação. Nesses espaços, é necessário ter consultórios de rua e pessoas capacitadas. Para esses casos, eu tenho a convicção clara, dentro do que a Organização Mundial de Saúde defende, de que a internação involuntária é fundamental para proteger a vida das pessoas viciadas. Temos regras e protocolos para isso. Não é usar a polícia para carregar o dependente para uma clínica qualquer. É preciso a avaliação de um profissional de saúde, é preciso escolher um local adeq2uado. Sou contra o recolhimento compulsório por policiais. Agora, eu defendo, sim, a internação involuntária em caso de risco de vida.”
Alexandre Padilha, “Revista Veja” – 16/11/2012

“Vivemos uma situação em que a força da competição, da imagem e do poder duela com o respeito e a cooperação. A Educação está percebendo a crise e entendendo que tem de enfrentá-la. Querendo ou não, os educadores promovem esse tipo de reflexão em cada relacionamento, julgamento, avaliação, crítica e proposição de regras. Assim, eles e a família devem atuar. No entanto, de formas diferentes. Os primeiros lidam com o coletivo e trabalham e trabalham com a questão da igualdade. Têm de tratar todos com as mesmas regras e os mesmos princípios. Já os familiares trabalham com os valores individuais, como a cooperação, a solidariedade, a generosidade e a bondade, e protegem os seus. Na família, como na escola, moral vivida é moral ensinada. De nada adianta fazer discursos se as práticas os contradizem.”
Maria Suzana Menin, “Revista Nova Escola” – novembro de 2012

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