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Leitores e leituras

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No Brasil o número de leitores fiéis ao exercício da leitura, infelizmente, é menor do que os amantes dos exercícios do corpo. Claro que cuidar do corpo é algo importante, e bem sabemos que nem todos que se exercitam o fazem por gosto, mas necessidade, por acreditarem nos benefícios à saúde advindos desse hábito. Mas, como desenvolver uma academia de leitores? Em tese, isso não viria de nossas bibliotecas? Será que igrejas não poderia contribuir mais para estimular, ensinar e encorajar a termos mais leitores, e depois, bons leitores?

Vamos aos números. Saiu há pouco a nova edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil. Apesar de aumentar o número de leitores em nosso país, de 50% a 56% desde 2011, vemos que 44% dos brasileiros não leem regularmente e 30% nunca adquiriu um livro. Além disso, 73% dos entrevistados nessa 4ª edição da pesquisa dizem ver TV no tempo livre. A atividade lidera o ócio dos brasileiros, mas perdeu espaço, já que em 2011 era 85%. A leitura ficou em 10º lugar quando o assunto foi esse: o que gosta de fazer no tempo livre. Pouca leitura e ainda bastante tempo destinado à TV. Leitura não é prioridade no tempo livre e nem hábito.

A pesquisa apontou também que 50% dos professores disseram não ter lido nenhum livro nos três meses anteriores à pesquisa e 22% tinham lido a Bíblia. Índices que nos desafiam a melhorar e denunciam que crianças talvez não tenham tanto bons exemplos nesse aspecto.

Outro dia, em sua coluna no jornal “O Estado de S.Paulo”, Marcelo Rubens Paiva dizia: “As aberrações ditas em redes sociais, a vergonha alheia no púlpito dos poderes, o contexto nebuloso na política, a baixa cultura e educação, provam que o desconhecimento de História, a falta de leitura, traz um dano que prejudica o pouco que resta de Projeto de Nação”. E comenta sobre professores que atestam não querer que os alunos encarem o livro como obrigação, mas com prazer, sendo assim, não forçam. É quando acrescenta: “Beleza, não obrigam, eles não leem. Poderiam também não os obrigar à Química Orgânica, Biologia, Gramática, Trigonometria, façam eles terem uma relação de prazer com o conhecimento. Ensinem apenas o que lhes dá prazer. Criem uma geração hedonista e manipulável”. O fato de citá-lo não significa que concorde com ele inteiramente, mas, acredito ser uma boa provocação. Criar o hábito da leitura é algo importante para o desenvolvimento das pessoas e do país.

Dizia Marcel Proust que “a leitura é uma amizade”. Se assim for, parece que não temos muitos amigos. Uma minoria aprendeu a desenvolver essa amizade. Talvez, um tesouro menosprezado. E vamos convivendo com as consequências em sociedade. Muitas são as implicações. Sem esse compromisso com a leitura a interpretação do mundo fica menor. As ignorâncias tendem a se ampliarem e os preconceitos ganham a correnteza.

Em nosso país, segundo essa pesquisa Retratos do Brasil, o brasileiro lê apenas 4,96 livros por ano, sendo 2,88 lidos por vontade própria. Uma pesquisa divulgada em outubro passado pelo Pew Research Center revelou que a média de leitura da população norte-americana, em geral, é de doze livros por ano. Isso para ficarmos apenas com um exemplo. Nos índices da América Latina passamos vergonha.

A professora da New York University, Susan Keuman, em entrevista recente disse que “se uma criança não vê ninguém lendo habitualmente já é ruim, porque está sempre a procura de modelos que indiquem como o mundo funciona. Se não observa à sua volta uma cultura de leitura, tem menos chances de se sentir atraída por livros”. E acrescenta: “nem toda mãe ou todo pai pode passar muito tempo leno à noite para cada filho. Mas não importa, nem que seja alguns minutos, abrace e beije a criança, olhe nos olhos enquanto abre um livro. Ela guarda estas emoções na memória e vai sempre associar a leitura a momentos preciosos”. Parece ser uma boa dica, não? Ao invés de pais ansiosos para tornar seus filhos mais competitivos na escola, pais compromissados em oferecer afeto e exemplo, incentivo à leitura.

Os não leitores, voltando à referência da pesquisa brasileira, afirmaram que as razões para não terem lido nada nos três meses anteriores seria: falta de tempo (32%), não gosta de ler (28%), não tem paciência (13%), prefere outras atividades (10%), dificuldades para ler (9%), sente-se cansado para ler (4%). Temos muito o que pensar e considerar como lidaremos com os atuais desafios. E isso sem contar naqueles que leem, porém, tem enorme dificuldade de compreensão do texto. Muitos desejam argumentar, mas nem sequer entenderam.

Os cristãos têm razões maiores para se interessarem pela leitura e em como anda a leitura no próprio país, afinal, é a partir da leitura e interpretação bíblica que se amplia a chance de desenvolver uma fé consistente, onde se compreende melhor o potencial da vida, o que Cristo ensina, o que ele quis dizer sobre uma vida abundante, plena. Mãos ao livro!

15ª semana de 2012

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“Só progrediremos moralmente como espécie quando tornarmos a proteção da vida um lema.”
Marcelo Gleiser – Folha de S.Paulo, 08/04/2012

“Para os cristãos, a Páscoa celebra a liberdade da alma diante das várias escravidões da vida. […] Cristãos comem o corpo e bebem o sangue de Cristo, um inocente. E “nós” o matamos ou você duvida de qual lado você estaria na história?”
Luiz Felipe Pondé – Folha de S.Paulo, 09/04/2012

“Eles precisam viver no mundo como ele é, viver nos mesmos espaços públicos que todos, inclusive o espaço escolar, e conviver com todo tipo de pessoa, não apenas com aqueles que também portam diferenças aparentes. Todos somos diferentes. Se não respeitarmos as diferenças, se não aprendermos a conviver com a diferença, isso recairá, uma hora ou outra, contra nós e contra nossos filhos.”
Rosely Sayão – Folha de S.Paulo, 10/04/2012

“O Brasil enfrenta hoje um grande desafio geopolítico e geoeconômico. Temos de sair de uma posição defensiva nas políticas econômica e externa e decidir que país queremos ser.”
Rubens Barbosa – O Estado de S. Paulo, 10/04/2012

“No Brasil, muitas pessoas ainda acreditam que viver só não é uma escolha legítima para a mulher. Em uma cultura que considera ter um marido como um capital, as mulheres sozinhas são vistas como párias. Enquanto em outras culturas viver só é uma opção cada vez mais desejável, aqui ainda é sinônimo de exclusão social e de fracasso pessoal.”
Mirian Goldenberg – Folha de S.Paulo, 10/04/2012

“Já quase a metade dos brasileiros (48,5%) está com excesso de peso. Isso é um problema sério. Ao que parece, seguimos a mesma rota dos EUA, onde a epidemia de obesidade teve início e a proporção de gordos já beira os 75%. […] A obesidade é uma doença crônica, incurável e intratável porque vencê-la exige passar por cima de todos os nossos instintos alimentares.”
Hélio Schwartsman – Folha de S.Paulo, 11/04/2012

“É impossível deter as Cachoeiras de desejos, sobretudo quando são proibidos por lei, mas aceitos placidamente pelos costumes da terra, como a amizade e a malandragem. Essas coisas que viciam, como disse um deputado mineiro que construiu um castelo feudal. E, mais que isso, a certeza de que o governo tem muito mais do que pode administrar. Principalmente quando se sabe que aquilo que é de todos (ainda) não é de ninguém. Como prender bandidos num país onde mentir em causa própria é um princípio constitutivo do sistema legal?”
Roberto DaMatta – O Estado de S. Paulo, 11/04/2012

“Além de ser um direito, a educação inclusiva é uma resposta inteligente às demandas do mundo contemporâneo. Incentiva uma pedagogia não homogeneizadora e desenvolve competências interpessoais. A sala de aula deveria espelhar a diversidade humana, não escondê-la. Claro que isso gera novas tensões e conflitos, mas também estimula as habilidades morais para a convivência democrática. O resultado final, desfocado pela miopia de alguns, é uma educação melhor para todos.”
Rodrigo Mendes – Folha de S.Paulo, 12/04/2012

“Quando todas as portas estão fechadas, os perdedores têm ao menos a sabedoria dos que foram profundamente feridos e que lhes permite reconhecer e sentir a dor e vulnerabilidade dos outros. Isso explica que saibam dar a ternura e amizade que jamais receberam.”
Antonio Skármeta – O Estado de S. Paulo, 14/04/2012

“No fundo, o centralizador faz do controle uma forma de suprir o poder que, na verdade, não tem.”
Fabio Steinberg, Revista Alfa – abril de 2012

“Muita gente pensa que aprendizado é só o que você consegue apresentar, colocar no papel. Mas é muito mais. No trabalho, as pessoas lidam com problemas mais complexos. Para solucioná-los, é necessário muitas vezes recorrer a diferentes tipos de conhecimento e experiências, ser capaz de reuni-los e aplicá-los. Esse tipo de competência é pouco ensinado e avaliado nas escolas. Os profissionais aprendem mais na prática e geralmente nem conseguem explicar como e onde aprenderam.”
Michel Eraut, Revista Vocês/a – abril de 2012

14ª semana de 2012

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“O número de brasileiros que diz ter lido pelo menos um livro em um período de três meses diminuiu em relação a 2007, segundo a pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, feita pelo Ibope Inteligência com o Instituto Pró-Livro. Em 2007, eles eram 55% da população (ou 95,6 milhões de pessoas). No resultado apresentado ontem em Brasília, o índice caiu para 50% da população (88,2 milhões). O número de livros lidos por ano, que inclui as obras indicadas pelas escolas, também caiu -de 4,7 por pessoa em 2007 para 4 em 2011. […]O MinC incluiu no Plano Nacional de Cultura a meta de que, até 2020, os brasileiros leiam quatro livros por ano fora do aprendizado formal.”
Nádia Guerlenda – Folha de S.Paulo, 29/03/2012

“Na secularização, Deus não é pronunciado, o que não significa que esteja ausente. Ele está presente sob o nome de justiça, amor, retidão, boa consciência, solidariedade e compaixão. Ilusão dos cristãos pensarem que Deus esteja presente somente onde seu nome é pronunciado, pois muitos se dão por piedosos e comportarem-se como malfeitores. Nosso mundo político está cheio deles. Já o ‘secularismo’ é a patologia da secularização ao afirmar que só existe este mundo e qualquer aceno a algo que o transcenda é ilusão ou alienação.”
Leonardo Boff, O Estado de S. Paulo – 01/04/2012

“O conselho que tenho para oferecer aos líderes é a importância da empatia no desenvolvimento da humildade, a importância de compreender as situações pelas quais as pessoas que trabalham na empresa estão passando. Se o objetivo é envolvê-los no trabalho, é fundamental compreendê-los de fato, bem como os desafios que enfrentam.”
Jaimes Champy, O Estado de S. Paulo – 01/04/2012

“Pergunte-se a um grupo de médicos qual o órgão mais importante do corpo humano e certamente assistiremos a diálogos intermináveis e inconclusos. O fígado é o filtro, o coração é a bomba, o cérebro toma decisões, cada um com sua fatal indispensabilidade. Impossível o funcionamento aceitável do corpo sem o concurso dessas peças. Coração sem fígado envenena-se, fígado sem cérebro desgoverna-se, cérebro sem coração morre de inanição e, dizem os poetas, de falta de emoção… Sustentabilidade urbana, conceito complexo e mal conhecido, apresenta também seus três componentes orgânicos essenciais, inexoráveis e indispensáveis: o espaço ambiental e cultural, o desenvolvimento econômico e a responsabilidade social. Inútil privilegiar um deles em detrimento de qualquer dos outros.”
João Crestana, O Estado de S. Paulo – 04/04/2012

“Os fundamentalistas são todos iguais: ‘apenas’ querem que a lei de seu deus seja mandatória para todos os demais.”
Contardo Calligaris – Folha de S.Paulo, 05/04/2012

“A corrupção é o capital sem lei. Todos os que a invocam, ainda que marginalmente, viram seus servidores. Sem exceção. Sem uma única exceção.”
Eugênio Bucci, O Estado de S. Paulo – 05/04/2012

“Concordo em gênero, número e caso com dom Tarcísio Scaramussa, da CNBB, quando ele afirma que não faz sentido nem obrigar uma pessoa a rezar nem proibi-la de fazê-lo. […]Como ateu, não abraço nenhuma religião, mas, como liberal, não pretendo que todos pensem do mesmo modo. […] A minha impressão é a de que não faltam oportunidades para conhecer as mais diversas mensagens religiosas, onipresentes em rádios, TVs e também nas ruas. Na cidade de São Paulo, por exemplo, existem mais templos (algo em torno de 4.000) do que escolas públicas (cerca de 1.700).”
Hélio Schwartsman – Folha de S.Paulo, 06/04/2012

“Sentimos nostalgia das coisas que estão desaparecendo da vida contemporânea. Quando eu era criança, a família só tinha um aparelho de telefone, a torradeira durava 25 anos. […] Fiz 65 anos em fevereiro. Nos Estados Unidos, sou oficialmente um cidadão que entrou na velhice. É um choque. O avanço dos anos começa a tomar conta de você. Tanta gente importante para mim tem morrido. […] Você se pergunta: como aquele menino ficou tão velho? […] Me irrita, às vezes, ficar ouvindo a falação incessante de jovens com tão pouca história de vida.”
Paul Auster, O Estado de S. Paulo – 06/04/2012

“A evolução do cérebro humano esteve associada às demandas da complexidade do ambiente social. […] Surgiram evidências de que certas regiões do cérebro são mais desenvolvidas em pessoas que mantêm contato com maior número de parentes, amigos e colegas de trabalho. […] Está cada vez mais evidente que o cérebro é uma ferramenta social.”
Drauzio Varella – Folha de S.Paulo, 07/04/2012

13ª semana de 2012

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“O valor do indivíduo passou a ser medido, numa escala maior do que outras, por aquilo que ele tem. O mérito da pessoa é avaliado hoje de uma maneira muito mais superficial, por aquilo que pode ser mostrado. E o consumo é a moeda forte nesse mercado. […] É importante lembrar que existem outras possibilidades e valores que podem e devem ser trabalhados com os filhos. Senão, corremos o risco de criar adultos insuportáveis. As escolhas profissionais, pessoais, pessoais, amorosas podem vir influenciadas exclusivamente por esse viés consumista e individualista. A vida emocional pode ficar ainda mais solitária, pragmática e chata. Esse futuro é seu sonho de consumo?”
Jairo Bouer, Revista Época – 26/03/2012

“A civilização contemporânea vive a explosiva combinação de evolução tecnológica rápida e evolução ética e social lenta.”
Ricardo Abramovay – Folha de S.Paulo, 27/03/2012

“Precisam considerar que o imenso valor que estamos dedicando ao consumo tem servido para que os mais novos criem preconceitos e estereótipos que servem para excluir, segregar, desprezar seus pares. E antes que você pense que seu filho pode ser alvo ou vítima dessa situação, considere principalmente que ele pode ser um agente dela. Lembre-se que seu filho vive neste mundo que o bombardeia com informações que o direcionam a fazer isso. ‘Quer ser popular? Compre tal objeto.’ ‘Quer ser convidado para todas as festas? Use tal roupa.’ ‘Quer ter sucesso? Tenha tal carro’. Frases desse tipo repetidas como mantras colam em seu filho. Por isso, você terá de fazer mais por ele. Uma boa atitude pode ser a de analisar criticamente as propagandas bonitas, vistosas e bem-humoradas que seduzem seu filho. Com sua ajuda, seu filho pode entender que a única coisa verdadeira nesse tipo de propaganda é o objetivo de vender.”
Rosely Sayão – Folha de S.Paulo, 27/03/2012

“Antes havia debates para ver quem tinha razão. Hoje, todos têm razão e ai daquele que criticar tendências em nome de critérios e paradigmas seculares da arte. A inteligência foi substituída pela sacralização da irrelevância massificada; a própria ideia de “estética” é considerada por muitos como individualismo neoconservador, autoritário, produzindo parâmetros repressivos. A libertação da tutela dos chamados ‘maîtres à penser’, dos seres que nos guiavam orgulhosamente para algum Sentido foi uma coisa boa, mas abriu as portas para um vale-tudo formal que desqualifica qualquer tentativa de crítica literária, vista como um ataque contra a liberdade da estupidez. Claro que é bem-vinda a esfuziante aparição de milhares de criadores, dos blogueiros dos twiteiros, dos hipertextos da época pós pós; claro que algum dia isso vai dar em novos valores de ‘qualidade’, de ‘importância’, destilados dos alambiques da internet. Estamos numa fase da exaltação da ‘quantidade’, como se a profusão de temas e criações substituíssem a velha categoria da ‘qualidade’. Essa nova era nos ensinou que não chegaremos a nenhum destino definitivo, mas alguns parâmetros de valor estético terão de ser recolocados na literatura. Em geral, as diagnoses sobre as mutações a que assistimos hoje em dia se dividem ou em lamentos por um passado de ilusões perdidas ou em euforia por um admirável mundo novo em que todos sejam autores e leitores, nessa democracia da falta de critérios.”
Arnaldo Jabor – O Estado de S. Paulo, 27/03/2012

“O número de brasileiros que diz ter lido pelo menos um livro em um período de três meses diminuiu em relação a 2007, segundo a pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, feita pelo Ibope Inteligência com o Instituto Pró-Livro. Em 2007, eles eram 55% da população (ou 95,6 milhões de pessoas). No resultado apresentado ontem em Brasília, o índice caiu para 50% da população (88,2 milhões). O número de livros lidos por ano, que inclui as obras indicadas pelas escolas, também caiu -de 4,7 por pessoa em 2007 para 4 em 2011. O MinC incluiu no Plano Nacional de Cultura a meta de que, até 2020, os brasileiros leiam quatro livros por ano fora do aprendizado formal.”
Nádia Guerlenda – Folha de S.Paulo, 29/03/2012

“O juiz prende, decide a vida de famílias e de empresas. Veste roupas talares, cheias de renda, se sente Deus. É uma doença profissional. Todos nós, magistrados, precisamos tratar esse resquício que fica na alma com ajuda psicológica.”
Eliana Calmon, 67, Revista Claudia – março de 2012

“Eu não acredito em one man show. O que funciona é uma equipe integrada e motivada trabalhando dentro dos objetivos e estratégias que são definidos, planejados e controlados. Esta é a base da ação desenvolvida sob a minha gestão na Embraer.”
Maurício Botelho, Harvard Business Review – março de 2012

“Eu não conseguiria viver assim, com esse séquito. Esse é o perigo da fama: uma hora você acredita que é especial. Aí você dança.”
Rodrigo Santoro, ator, Revista Alfa – março de 2012

“São inúmeras as agências financeiras que regularmente publicam informes sobre quem é mais rico, como vivem os ricos, de que forma investem ou gastam seu dinheiro. O Credit Suisse publica, anualmente, análise da distribuição da riqueza no mundo. Calcula que a metade da população adulta retém apenas 1% da riqueza global. E 67,6% da população adulta (3 bilhões de pessoas) sobrevivem com 3,3% da riqueza global. No vértice da pirâmide, os 10% mais ricos abocanham 84% da riqueza global, e 0,5% – os mais ricos – é dono de 38,5% da riqueza global. […] Na Índia, o país de maior número de famintos, o cidadão mais rico construiu, para residir com sua família, um prédio de 27 andares com três heliportos… Os mais ricos entre os ricos já não temem ostentar seus luxos, como é o caso, no Brasil, de Eike Batista e daquelas figuras esdrúxulas do programa Mulheres ricas, da Band. E o mais grave: suscitam inveja e admiração, e incutem em muitos a acumulação de riqueza como ideal de vida.”
Frei Betto, Revista Caros Amigos – março de 2012

42ª semana de 2011

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“Em geral, temos pouca vontade de saber sobre o que desconhecemos. É preciso ter informações básicas e iniciais para querer seguir descobrindo. Por exemplo: eu não posso me interessar por estudar a obra de Van Gogh (1853-1890) se não sei que ele existe.”
Myriam Nemirovsky, pesquisadora argentina – Revista Nova Escola, outubro de 2011

“Se o homem é uma máquina sem alma, ele não tem liberdade de escolha, e, se ele não é livre, a própria ideia de moral perde seu sentido.”
Contardo Calligaris – Folha de S.Paulo, 20/10/2011

“O Brasil tem lideranças femininas em quase 14% das maiores empresas atualmente, segundo a Hays Executive. Há dez anos, essa participação girava em torno de 6%.
‘O Brasil caminha para um equilíbrio. Mas, em cargos de presidência ainda está longe’, diz Cynthia Rejowski, da Hays Executive no Brasil.”
Maria Cristina Frias – Folha de S.Paulo, 20/10/2011

“Na maioria das vezes, fazemos muitas coisas sem sequer refletir sobre elas. A questão é que boa parte do tempo estamos ligados a uma espécie de piloto automático. Tirar o pensamento desse modo significa assumirmos a direção. E isso requer maior esforço da nossa parte: prestar atenção no caminho, manter a concentração, segurar firme no volante. E nem sempre esse esforço parece realmente valer a pena (quando não enxergamos uma real vantagem nele). Então, nos mantemos presos aos hábitos que já estão aprendidos, e temos uma baita dificuldade de nos desprender deles. […] Temos de tomar consciência sobre o que estamos ou não fazendo, seja em direção à transformação ou até à permanência dos padrões – se essa for nossa vontade. Estar no controle é o fator mais importante para definirmos as rotas do caminho e chegarmos bem ao fim dele. Seja seguindo a ordem da lógica, seja pulando algumas páginas.”
Rafael Tonon, Revista Vida Simples – outubro de 2011

“As pessoas sentem culpa, não por terem de reprimir seus desejos e fantasias, mas, sim, por não estar à altura de seus desejos e fantasias. Há, então, uma procura cada vez mais desesperada de exigências de satisfação, que passa pelos objetos. O saldo disso, longe de ser uma espécie de quietude, é essa transformação da sociedade, na qual a depressão é o quadro clínico mais presente atualmente.”
Vladimir Safatle, Revista Psique – outubro de 2011

“No Brasil, todos conhecem e denunciam a corrupção, a injustiça social, o desleixo dos políticos, mas numa perspectiva fatalista, do ‘este país não tem jeito mesmo…’, e não numa via de engajamento em projetos transformadores.”
Maria Rita Kehl, Revista Cult – outubro de 2011

“Ser criativo para transpor os obstáculos que aparecem pelo caminho. O que distingue o profissional criativo dos outros é sua atitude em relação aos problemas. O criativo direciona sua energia para a solução. Não fica paralisado, lamentando o problema.”
Renato Grinberg, Revista Você S/A – outubro de 2011

“Antes de classificá-la como líder em ascensão é preciso buscar indícios de sua capacidade de aprender depressa com a prática, de um genuíno interesse em ampliar seu escopo e de disposição a assumir obrigações adicionais sem muito aviso prévio.”
Claudio Fernández-Aráoz, Boris Groysberg e Nitin Nohria, Harvard Business Review – outubro de 2011

“Não devemos ter atitudes bipolares diante da globalização. O ideal é encontrar um caminho entre a euforia e a negação. Nos negócios, a maneira mais eficiente de fazer isso é se debruçar sobre as diferenças em seu setor em particular, e não apenas na diplomacia mais ampla que rege os países. […] O mais importante é reconhecer que as diferenças entre os países são tão importantes quanto as semelhanças.”
Pankaj Ghemawat – prof. na Iese Business School, Época Negócios – outubro de 2011

16 de dezembro de 2010

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“No Brasil, ser político é coisa para profissional. Se a sociedade não protestar, os salários dos congressistas continuarão a subir. […] Ser político é uma forma de ascensão social, não uma atividade episódica.”

Fernando Rodrigues, Folha de S.Paulo – 16/12/2010

 

“Não sei o quanto as pessoas estão atentas, mas uma nova moral está nascendo. Não é um fenômeno local, senão global. Os conceitos de certo e errado estão em franca mutação. E essa mudança não está surgindo porque os ‘inimigos’ estão tomando conta da situação. Essa mudança está surgindo do próprio âmago da nossa sociedade, civil e civilizada. Vejamos os ultrajovens, nossos filhos com menos de 20, 15 ou 10 anos de idade. Eles usam a internet para viver a vida e fazem coisas como baixar, sem pagar, músicas, filmes e seriados de TV como quem bebe um copo d’água. Não veem nada de errado nisso. Baixam de sites que permitem baixar. Sinceramente, não acho que isso seja uma mera continuação da Lei de Gerson, que manda tirar vantagem de tudo. Não é uma falta de moral, mas sim uma nova moral que se desenvolve, que precisamos entender, senão aceitar. Os ultrajovens, que dormem com seus celulares e publicam coisas na internet, fazem seus trabalhos de escola na base do ‘mash-up’ (misturam conteúdos que produzem com fotos, filmes ou textos que foram feitos por outras pessoas, conhecidas ou não). Tudo tirado da web. Se há honestidade intelectual nisso, ou seja, se ninguém está meramente fingindo ser o autor do conteúdo autoral de um terceiro, ok, acho que é simplesmente o modus operandi dos ultrajovens, que serão adultos amanhã de manhã. Precisamos rever o conceito do que seja honestidade intelectual. E do que seja honestidade, afinal.

Márion Strecker, Folha de S.Paulo – 16/12/2010

 

“Proibir as saídas noturnas e o uso prolongado de computador é ótimo e necessário, mas a autoridade que forma o caráter de um jovem não é só a que diz não às suas vontades; é também a que o autoriza a dizer sim na hora daquelas escolhas de vida que são custosas e decisivas e diante das quais é fácil amarelar.”

Contardo Calligaris, Folha de S.Paulo – 16/12/2010

12 de dezembro de 2010

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“Os brasileiros que ganham mais de R$ 10.200 são apenas 3 milhões. Os brasileiros que sobrevivem com menos de R$ 1 mil vão a 79 milhões. Detalhe: estamos falando de renda familiar, não individual. Ou, em porcentagens: apenas 1,5% dos brasileiros habitam o que Elio Gaspari chamaria de andar de cima. Uma massa formidável de 41% mora mesmo é no porão. Outros 40%, pouco mais ou menos, ocupam o andar de baixo.
Estatística à parte, o mais elementar sentido comum manda chamar de pobres esses 80%.”

Clóvis Rossi, Folha de S.Paulo – 12/12/2010

 

“É com erros e acertos que a ciência progride e, na verdade, apenas uma pequena parte das pesquisas realmente levará a impactos positivos sobre a qualidade de vida. […] Mais rigor, menos ambição e mais humildade ajudariam o campo a avançar”.

Thomaz Wood Jr., Revista Carta Capital, 15/12/2010

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