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	<title>Tais Machado &#187; Arte &amp; Cultura</title>
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		<title>A duração do dia, com arte nele</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Feb 2011 23:40:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>taismachado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte & Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>

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		<description><![CDATA[Eis o título do novo livro de Adélia Prado – “A duração do dia”, que esteve em São Paulo, nesses tempos, para o lançamento desse. Claro, eu não quis perder. E ouvi-la mais uma vez é um privilégio que faz bem à alma. Ler Adélia é encontrar tesouros, um baú de belezas frescas, mas ouvir&#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eis o título do novo livro de Adélia Prado – “A duração do dia”, que esteve em São Paulo, nesses tempos, para o lançamento desse. Claro, eu não quis perder. E ouvi-la mais uma vez é um privilégio que faz bem à alma.</p>
<p>Ler Adélia é encontrar tesouros, um baú de belezas frescas, mas ouvir a Adélia, nas oportunidades que tive até aqui, sempre foram momentos aonde ela me conduziu a um encontro mais profundo com o Criador. Ela sempre me provocou, santamente, me levando ao Eterno, me ajudando a reconhecer e reverenciar o Mistério. E dessa vez não foi diferente.</p>
<p>A escritora mineira falou sobre nossa necessidade da quietude em meio ao caos. E como, nesse contexto caótico, de instabilidade, irritabilidade, e tanto mais, precisamos de algo que nos fale que somos humanos. Caso contrário não resistimos, afinal, somos mais do que nosso corpo e nossa fome. Precisamos, pois, de uma vida simbólica significante.</p>
<p>Nesse caminho por significado encontramos algumas respostas. Não sempre respostas racionais, mas podemos encontrar respostas vitais, orgânicas, metafísicas, que acrescentam mais vida à nossa vida, que conferem alegria e coragem, sendo que alegria e coragem fazem parte do elã vital para a existência humana. Desconfio que as respostas possam até serem parciais diante do todo, mas significativas para o trecho a percorrer, para que a vida se faça em nós.</p>
<p>A beleza é componente fundamental. É graça manifesta em nosso instinto. Por isso, em boa parte do tempo sentimos fome, fome de beleza, do que se revela novo, original, e bole com as cordas mais sensíveis do coração, diz ela.</p>
<p>A Adélia também comentou que a arte é uma espécie de tenda onde as pessoas entram e encontram tranquilidade no caos, onde em meio ao espanto e reconhecimento do absurdo de viver encontra-se repouso, portanto, a arte é espiritual, um caminho de expressão íntima ante o assombroso mistério. Solene e serena declara que para o coração, e a sede que dele vem, o mar é uma gota.</p>
<p>A arte é um caminho de conhecimento. Inclusive, pondera a arte como sentimento de destinação. E acrescenta que a arte é fraterna, generosa e dá muita alegria, e isso se dá devido à possibilidade de identificação, onde se oferece como espelho, onde o outro pode se reconhecer, pode ver seu sentimento e experiência ali também. Sim, na arte é possível comunhão, pois nela se oferece um espaço interno. Isso acontece quando se oferece sentimento ao outro.</p>
<p>Como sábia e ousada, insiste que arte não é ideia, arte não é conceito, é sentimento, um olhar do coração. Ensina de que não precisamos entender, apenas, perceber. E nessas percepções, diz quem experimentou, é possível encontrar sentido em meio à desesperança. Uma intuição a respeito de algo que me ultrapassa em magnitude, em mistério e me serve de consolação, alegria e acrescenta vida.</p>
<p>Com leveza e humildade diz que seu canto de observação é sua partilha na e através da arte. E que cantinho precioso esse que ela nos convida a entrar, que nos oferta com a generosidade de sua vida.</p>
<p>Obrigada, tão querida Adélia. Você nos ajuda na vida, nos aponta para a beleza de Deus e sua graça, contudo, o faz com poesia singela e encantadora. Carrego em mim seus versos e um tanto de você permanece. É uma honra, presente de Deus.</p>
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		<title>Romance, vida e a gente</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Aug 2010 18:55:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ultimato</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte & Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[romance]]></category>
		<category><![CDATA[Saramago]]></category>
		<category><![CDATA[sentido da vida]]></category>

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		<description><![CDATA[No dia 18 de Junho de 2010, aos 87 anos de idade, o escritor português e Prêmio Nobel, José Saramago faleceu. Admirado por muitos, e criticado por não poucos, ele provoca-nos interessantes reflexões. Oito meses antes de sua morte ele concedeu uma entrevista ao jornalista José Rodrigues dos Santos. E agora foi publicada com o&#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No dia 18 de Junho de 2010, aos 87 anos de idade, o escritor português e Prêmio Nobel, José Saramago faleceu. Admirado por muitos, e criticado por não poucos, ele provoca-nos interessantes reflexões.</p>
<p>Oito meses antes de sua morte ele concedeu uma entrevista ao jornalista José Rodrigues dos Santos. E agora foi publicada com o título “A Última Entrevista de José Saramago” (pela Usina das Letras).</p>
<p>Em dado momento José Saramago comenta a respeito do romance com as seguintes palavras: “O romance – de acordo com as transformações por que passou recentemente e continua a passar – deixou de ser um gênero para se transformar num espaço literário. Deixou de ser um gênero classificado e dando a ideia de que fica definido para todo o resto do tempo. Não: modificou-se, alterou-se, encontrou, por instinto ou fosse porque fosse, portas de entrada. No fundo, para lhe dar uma imagem, é como se o romance fosse o mar e recebesse água dos seus afluentes, e que esses afluentes fossem, como eu digo, a poesia, o drama, o ensaio, a filosofia, tudo isso. O romance tornou-se outra coisa”.</p>
<p>Nesse momento faço uma pausa. Mais do que pensar a respeito das classificações, se o romance está em vias de extinção ou se e como tem se modificado, penso na vida como romance. Não necessariamente sobre uma vida romântica, tema que também atrai minhas fantasias e carências. Mas, sou levada a pensar na vida com seus afluentes, suas influências, suas portas e trancas, acolhidas e rejeições, filosofias e teorias, os dramas, poesias e ensaios que fazemos, achamos ou criamos em nossas próprias vidas.</p>
<p>Olho para trás e considero as minhas transformações pessoais, mas também as transformações da humanidade. Embora pouco saiba diante da vastidão das mudanças recentes e o turbilhão veloz de tantos acontecimentos a que somos expostos diariamente, o que torna bastante pretensiosa tais considerações, ainda assim, ouso pensar sobre o que tem se passado. Também procuro olhar para frente, onde nada está tão claro, contudo, os sinais e alguns apontamentos assustam.</p>
<p>Qual a imagem atual que o ser humano faz de si? Temos nos tornado outra coisa? É, talvez o mais assustador, é que o ser humano provavelmente esteja cada vez mais para coisa do que para gente. É o que queremos? Estamos conscientes? O que temos escolhido, permitido? Adaptamo-nos para sobreviver ou ignoramos o que deveríamos ser?</p>
<p>As velhas e permanentes questões aí estão. Nascemos de onde, para quê? Há identidade original? Um propósito inicial?</p>
<p>Saramago se foi. Nós estamos indo. Para onde mesmo?</p>
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