Por Vivian Fernandes Barroco

Aqui o dia começa cedo, as mulheres sertanejas são como diz Provérbios 31: “olham pelo governo de sua casa e não comem o pão da preguiça”. Elas vivem com os olhos no céu a espera da chuva e com as mãos no trabalho. Essas mulheres são marcadas pela vida, marcadas pela labuta diária que é grande e pesada, marcadas pelo sol que não da trégua. Mulheres que carregam do sofrimento uma sabedoria que nenhuma grande faculdade consegue dar. Elas sabem o significado de resiliência na prática, estão sempre se reinventando, seja quando a chuva não vem, seja quando seus maridos vão para fora trabalhar, seja quando a doença bate a porta e elas não podem parar.

Eu vivo no sertão há três anos e sempre me surpreendo com a força dessas mulheres. Era uma quarta-feira à tarde, sol quente, chego a um povoado e lá na roça estava dona Doralice cortando mato, enchendo uma saca para alimentar seus animais. Ela perdeu o marido, tem duas filhas e me disse: antes eu não precisava vir, cuidava só da casa, mas agora…

Dona Maria, lavadeira, mãe, passa o dia lavando roupa e andando pra cima e pra baixo com trouxas na cabeça para entregar. Um dia desses chegou com a notícia de ter conseguido, depois de uma vida inteira de trabalho, comprar sua moto. Foi alegria que encheu os olhos! Mais >