Artigos com o marcador cultura

Auto de Natal Nordestino

natal_meg_banhos21. O PERCURSOR

Narrador: Essa história se passa no tempo de Herodes, ele era o cabra que mandava na cidade de Jerusalém. Nessa cidade havia um senhorzinho velhinho chamado Seu Zacarias. Ele era Sacerdote, uma espécie de padre ou pastor da igreja, e conforme o costume da época, ele estava responsável por tacar fogo no incenso do altar, e o povo tava tudo lá fora esperando isso acontecer pra começar a reza.

Zacarias era um senhor casado com a dona Isabel, e eles não tinham tido filhos, e numa altura daquela do campeonato, era impossível uma senhora como a dona Isabel ter um menino. Quando Zacarias se aproximou do altar, avistou um anjo que tinha um brilho medonho e falou para ele:

Anjo: Zacarias cabra véi, num tenha medo não, se achegue ande. Você e sua senhora vai ter um menino e o nome dele vai ser João. Esse menino vai lhe dar alegria demais homem, pense num menino bom pra você e pra Deus. Ele será um grande profeta e a missão dele vai ser de fazer o meio de campo pra chegada do Senhor.

Zacarias: Ôxe seu anjo, comé que pode um negócio desse? Eu já tô velhinho e minha senhora também.

Anjo: E tu tá duvidando é Zacarias? Homem duvide não, eu sou Gabriel, Arcanjo do Senhor, e só por causa dessa tua teimosia, vai ficar sem falar uma ruma de dia, e só vai voltar a falar quando esse menino nascer.

Narrador: O anjo se mandou e Zacarias na mesma hora ficou mudo, falava nadinha, nem um A, avalí um Ipsilone.

2. A ANUNCIAÇÃO

Narrador: Em uma outra cidade chamada Nazaré, vivia uma jovem virgem, bem bonitinha, que se chama Maria. Ela estava de casamento marcado com um cabra mais véi do que ela, chamado Zé.

O Zé era cabra bom, trabalhador, pense num carpinteiro de mão cheia, de armário de cozinha à guarda-roupa de casal ele fazia de tudo, e ainda era muito honesto, o Zé era um grande servo de Deus.

Certo dia, uns seis meses depois que Isabel embuchou, o mesmo anjo que foi dar o recado para Zacarias apareceu pra Maria também.

Anjo: Owww Maria, Bendita é tu entra as mulheres tudin do mundo. Tenha medo não, não se avexe, o Senhor Deus apontou o dedo dele pra tu e te escolheu para parir o fí Dele, que deverá ser chamado de Jesus.

Maria: Vixe seu Anjo… eu to prestes a casar com o Zé, comé que eu vou aparecer buchuda pra ele, comé que vou ter um menino sem nunca ter tido relação.

Anjo: Creia em Deus mulher.. Tua prima, dona Isabel, tu lembra dela? Pois é, ela bem velhinha embuchou, vá lá fazer uma visitinha, tu vai ver que Deus é o Deus do Impossível.

3. A VISITAÇÃO

Narrador: Não demorou muito Maria arrumou as trouxas e foi visitar Isabel. Chegando em Jerusalém foi até a casa da prima e do portão gritou por ela. Lá de dentro da cozinha Isabel ouve Maria e no mesmo instante o menino João começou a se balançar no bucho de Isabel, e ela sem nem saber que Maria tava prenha, gritou bem alto:

Isabel: Bendita é tu entre as mulher tudin, bendito é o menino que tu carrega no bucho Maria.

Mulher, eu mal ouvi tu me chamar, o Joãozin ficou numa alegria medonha aqui dentro, me chutou todinha. Que felicidade grande receber a mãe do meu Senhor.

Narrador: Depois que Maria ouviu o que a prima disse sem nem saber que ela estava prenha, desembestou a cantar um hino que dizia: Minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu salvador. Depois disso Maria ainda ficou três meses com Isabel ajudando a prima nos afazeres da casa e depois foi embora.

4. O NASCIMENTO DE JOÃO

Narrador: Depois que se passou os nove meses Isabel pariu o menino. Pense num bebê forte e com saúde. Com oito dias de resguardo apareceu um monte de primo, prima, tio, cunhado, irmão… a família de Zacarias todinha foi visitar, e queria por que queria que Isabel chamasse o menino de Zacarias Filho, mas Isabel foi firme em dizer que ia se chamar João.

Esses parentes ficaram invocado com a teimosia de Isabel, mas ai Zacarias, ainda mudo, escreveu que ia ser João e ponto final. E foi só ele garantir isso, o homem desembestou a falar e glorificar a Deus.

Zacarias: Bendito seja Deus, que visitou e trouxe liberdade ao seu povo. E tu menino João, será profeta de Deus, que irá preparar o caminho do Messias.

5. O NASCIMENTO DE JESUS

natal_meg_banhosNarrador: Depois que o João nasceu e Maria voltou pra sua casa, José reparou que a sua noiva tava prenha, mas como José não sabia de nada pensou logo que tinha levado um chifre. Mas mesmo invocado ele se conteve e resolveu não botar boneco na rua, pois se o povo soubesse poderia apedrejar Maria, ai mesmo com raiva foi pra casa se deitar e acalmar o juízo. Foi nessa hora que o mesmo anjo que falou com Maria foi explicar a situação pra José.

Anjo: Zé, fí de Davi, não pense errado sobre Maria não homem. Pode se casar com ela, pois o menino que ela espera foi obra do Espírito Santo, Maria ainda é virgem. E preste atenção, quando esse menino nascer vocês devem colocar o nome dele de Jesus.

Narrador: Depois dessa noite José fez tudo como Deus quis, ele se casou com Maria e cuidou dela na gravidez.

Certo dia o imperador Augusto, uma espécie de presidente de Israel, fez um censo para contar a população do país. Esse censo é tipo aqueles que tem aqui no Brasil feito pelo IBGE. Mas a contagem tinha que ser feita na cidade que a pessoa nasceu, ai José teve que sair de Nazaré, com a Maria bem pertinho de parir, e foi para Belém. José colocou a mulher num jumentinho e foi andando, cerca de 150 quilômetros.

Quando se achegaram em Belém, a cidade tava lotada, as pensão tava tudo cheia, e Maria sentindo dor, e José procurando um canto, e Maria já na beira de parir em cima do jumento, ai José conseguiu um cantinho num curral, no meio das palhas, dos bois, e ali, naquele lugar sem luxo, riqueza e valores nasceu o Rei dos reis, Senhor dos senhores, só pra dar uma lição pra muita gente besta que não chega nem aos pés de Jesus.

6. ADORAÇÃO DOS PASTORES E MAGOS

natal_meg_banhos3Narrador: Na mesma noite que Jesus nasceu, Deus resolveu ajuntar um povo pra ir visitá-lo, seria uma espécie de chá de fraldas do Nazareno.

Primeiro ele mandou um anjo se encontrar com uns pastores de ovelhas, homens simples e bons que não tinha maldade.

Anjo: Boa noite pastores, num tenha medo não, vim aqui pra dizer pra vocês que quase agora nasceu o Messias, o salvador do povo, e vocês deviam ir lá fazer uma visitinha… ele está em Belém num curral, deitado numa manjedoura.

Narrador: Os pastores nem pensaram muito, deixaram o rebanho dormindo e se mandaram para Belém. Foram seguindo o rastro deixado pelo anjo e chegaram bem direitinho no curral onde tava Jesus. Quando esses homens viram o menino ali, se jogaram no chão e adoram.

Mas eles não seriam os únicos convidados, haviam três reis magos, Gaspar, Belchior e Baltazar, que conhecia tudo sobre astros e estrelas, e estava seguindo o rastro de uma estrela.

Eles sabiam que iria nascer um menino, muito importante nesse mundo e seria chamado o Rei dos Judeus. Essa estrela parou justamente em cima do lugar onde tava Jesus. Eles entraram, viram o menino ali e tiveram a certeza que ali estava o Rei tão esperado.

E como todo chá de fraldas tem que ter presente, cada um deu uma lembrancinha. Ao invés de chupeta deram ouro, ao invés de fralda deram incenso, e ainda deram até um pote de mirra como forma de agradecimento.

 

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Autor: Euriano Sales. Ilustrações: Meg Banhos

 

Um olhar atualizado sobre os povos indígenas

Por Héber Negrão

Meninas indígenas do Norte do Brasil. Foto: MEIB.

Meninas indígenas do Norte do Brasil. Foto: MEIB.

Qual é a primeira imagem que vem a sua cabeça quando você pensa em povos indígenas? Tenha em mente essa imagem ao longo da leitura deste artigo. Desde cedo, em nossas escolas, temos recebido informações sobre aquelas pessoas que já habitavam este território antes dos europeus chegarem. Mais de 500 anos se passaram e nossa mentalidade ainda não mudou em relação a eles.

É imprescindível que a gente tenha uma visão correta (e mais atual) sobre os povos indígenas. Como missionário que trabalha entre indígenas, já ouvi muitas perguntas carregadas de uma mentalidade cinco séculos desatualizada. Meu objetivo com esse texto é que você evite cair em alguns erros (de vocabulário e de mentalidade) que a maioria dos brasileiros tem cometido. Mais >

Quilombolas: um desafio para a Igreja

Por Alison Worrall

Frente de casa no Quilombo Alto de Negras, em Alagoas

Três anos de mapeamento pela Rede Mãos Dadas revelou-me a grande diversidade de povos e expressões étnico-culturais presentes no Nordeste. Nas viagens encontrei igrejas iniciando trabalhos em comunidades quilombolas. Andar pelas comunidades, na presença das crianças, despertou em mim um desejo de buscar mais conhecimento histórico, territorial e antropológico sobre o tema.

Denominados pelo governo como “comunidades e povos tradicionais”, os quilombolas são parte significativa da história do Brasil, embora, para a grande maioria dos brasileiros, sua realidade continue a ser praticamente invisível. Mais >

EVANARTE

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Este vídeo mostra o making of do espetáculo teatral Água da Vida – Uma Parábola do Sertão, encenado em 2006 pelo Evanarte. Continue lendo e conheça o trabalho deste grupo.

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Vamos Andar!

Por Mazinho

O ministério Amart sai pelas ruas do Nordeste com o desafio de levar a mensagem do evangelho de Cristo com muita arte. Jesus Cristo é anunciado com muito batuque, danças, poesias, performances de rua e muita amizade é claro! São elementos da nossa cultura popular a serviço do reino de Deus. Este é o nosso desafio e fazemos isto com muita alegria e satisfação.

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Vida Embolada

Vida Embolada.
vida embolada
embolada vida
na embolada
vida embolou
desembolando
essa minha vida
é o meu caminho
é nesse vou que vou

peço licença
pra sair e pra chegar
vou para qualquer lugar
que eu dê para ficar
que eu ganhe um pouco
desse pouco que sobrou
daquele pouco que é oco
pra eu poder me alimentar

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Pelas Estradas Desses Brasis no Nordeste (IV)

Show no João do Vale

O movimento cultural da cidade de São Luís do Maranhão impressiona a todo aquele que a visita. São inúmeros shows acontecendo simultaneamente nos centros culturais e teatros, apresentações de artistas da cidade nos bares do centro histórico, nos quiosques da orla marítima, nas casas de shows da periferia. Essa capital que se gabava de ser a cidade onde existe um poeta em cada esquina, tem sido conhecida também como uma grande produtora e incentivadora de músicos e instrumentistas.

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