Por Priscila Mesquita
Viagem pelo rio Negro apresentará iniciativas missionárias entre ribeirinhos e indígenas

Uma viagem de 12 dias pelo rio Negro para conhecer iniciativas missionárias existentes entre ribeirinhos e indígenas do Norte do País. Essa é a proposta da “Expedição Transcultural”, lançada neste mês por um grupo de participantes do próximo encontro regional do Conselho de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas (Conplei).

A próxima edição será realizada na cidade de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas (a 850 quilômetros de Manaus), de 20 a 24 de julho de 2017. Os organizadores aguardam um público estimado em 3 mil participantes de diversas etnias existentes no Norte do Brasil, que terão a oportunidade de trocar experiências e aperfeiçoar sua liderança.

De acordo com o pastor Alcedir Sentalin, que há 23 anos lidera iniciativas missionárias entre os ribeirinhos e indígenas do Estado, a proposta da Expedição Transcultural é reunir um grupo de 20 pessoas interessadas em conhecer mais sobre o trabalho missionário na região. Continue lendo →

O que a lente enquadra quando um indígena está com a câmera na mão? E o que muda quando o equipamento passa para a mão de um não indígena?

Cada escolha, ângulo, foco e composição de uma fotografia revelam e constroem visões de mundo. É daí que nascem os estereótipos, que quase sempre não correspondem exatamente com a realidade.

Pela passagem do Dia do Índio (19 de abril), trazemos dois álbuns com fotografias exclusivas de um fotógrafo indígena, Eliseu Júnior, e de um não indígena, Nelson Diego. As fotos retratam um pouco da vida e do cotidiano dos povos indígenas do Brasil, misturando costumes tradicionais e uso de novas tecnologias.

Tradição

Caçada, celebração, artesanato são temas frequentes e comuns do dia-a-dia dos indígenas. O fotógrafo manauara Nelson Diego dos Santos Campos fez alguns registros desse tipo em tribos do Amazonas. Continue lendo →

“Os brancos sempre acham que os indígenas são incapazes.”
Josué Paumari

A declaração acima de um indígena da etnia Paumari, do sul do Amazonas, revela o sentimento provocado por anos de massacre e discriminação vividos pelos povos indígenas no Brasil. No vídeo a seguir, indígenas de diferentes etnias falam o que há para comemorar e o que ainda há para lamentar no Dia do Índio – 19 de abril. Com a palavra, indígenas das tribos Terena, Pataxó, Piratapuia, Baré e Paumari.

 

São Félix do Xingu (PA). Foto: Thiago Gomes / Agência Pará

Nas cidades, onde vive hoje mais da metade deles, os indígenas parecem ser invisíveis. Vivendo em barracos improvisados ou debaixo de pontes, eles estão ao mesmo tempo no centro e nas margens. Na igreja evangélica brasileira a situação está mudando, mas por muito tempo eles também não receberam dela atenção devida.

Para diminuir essa invisibilidade, o Paralelo 10 divulga frequentemente artigos, notícias e outros conteúdos produzidos por indígenas ou relacionados a esse grupo. Eles têm o que dizer. Nós precisamos aprender com eles, ouvi-los, conhecê-los melhor; desconstruir preconceitos e caricaturas; amá-los.

Listamos abaixo conteúdos sobre povos indígenas publicados no blog Paralelo 10. Confira e divulgue:

Povos Não Alcançados no Brasil: A realidade indígena

Feminicídio subiu 75% nas regiões Norte e Nordeste entre 2003 e 2013

Povos indígenas no Brasil: uma tarefa inacabada

Aumenta índice de suicídio entre crianças e adolescentes indígenas

Por mais jovens líderes indígenas

As corajosas histórias dos seminaristas indígenas

Da linha de frente: indígenas professores

Para celebrar os indígenas

Um olhar sobre os indígenas

Indígenas em missão

Por Valdir Soares da Silva

A população indígena no Brasil tem crescido e alcançou um milhão de habitantes, distribuídos com os seguintes percentuais: 37% na Região Norte; 26% no Nordeste; 16% no Centro-Oeste; 12% no Sudeste e 9% no Sul. São mais de 300 povos, falando mais de 180 línguas diferentes. Um contexto transcultural muito vasto que temos dentro das nossas fronteiras.

Cinquenta por cento da população indígena encontra-se nos grandes centros, resultando em um grande impacto social, tanto para a população indígena quanto para a não indígena. Como inseri-los nas escolas, universidades e no mercado de trabalho não indígena? E como podemos, de alguma forma, ser instrumento para auxiliar estes nossos queridos indígenas? Faz-se necessário informar, capacitar e orientar os cristãos a serem um instrumento abençoador a este povo que sonha ter os mesmos direitos e deveres como brasileiros que são.

A Juventude indígena tem buscado ocupar seu espaço no cenário nacional, como professores nas escolas indígenas, ingressando nas universidades com determinação e concluindo seus cursos, mesmo tendo que lidar com os diversos conteúdos programáticos oferecidos nas Universidades mais direcionados aos não indígenas. Continue lendo →

Por Jénerson Alves

 

Mesmo sem máquina do tempo,
Às vezes me dá vontade
De voltar para o passado,
Pr’os meus dez anos de idade.
Um período prazenteiro,
Que me faltava dinheiro
E sobrava felicidade.Em uma simples cidade,
Numa humilde habitação.
Eu morava com meu pai,
Minha mãe e meu irmão.
A gente não tinha luxo,
Mas tinha pão para o bucho
E vivia em união.

Pra não ver televisão
Que exibia coisa vã,
Via a tela do horizonte
No espetáculo da manhã.
Meu cinema era um folheto,
E dum pedaço de graveto
Eu construía um Jiban.

Meus brinquedos eram pipa,
Bola, pião, baladeira…
Ao invés de McDonalds,
Eu comia macaxeira.
Não havia Coca-cola,
Porém suco de acerola
Tinha em nossa geladeira.

Lembro de uma Sexta-feira
Da ‘Semana da Paixão’,
Que meu pai, com muito amor
Com bastante devoção
Com carinho e com quilate,
Um ovo de chocolate
Deu pra mim e meu irmão.

Ao receber o presente,
Não parávamos de rir!
Envolto em papel brilhante
Com intenso reluzir,
Desenho, coelhinho e fita…
Uma coisa tão bonita
Que dava pena de abrir!

Minha mãe pra dividir
O doce tomou a frente.
Enquanto desembrulhava,
Nos dizia calmamente:
“Vão ganhar partes iguais,
Para não comer demais
Nem ficar com dor de dente”.

Foi dando o doce pra gente,
Que era este o seu encargo…
Mas depois foi estreitando
O nosso sorriso largo.
Todo o prazer durou pouco,
Porque o ovo era oco
E o chocolate era amargo.

Foi grande a decepção,
Acabaram meus encantos!
Meus desejos se frustraram,
Meus olhos verteram prantos,
Fiz muxoxo, murmurei,
Joguei o doce e fiquei
Amuado, pelos cantos…

Mamãe ficou com desgosto
Quando me viu desgostado,
O clima tornou-se tenso,
Papai ficou preocupado.
Meu irmão falou pra ele:
“Pai, dê uma surra nele,
Pr’ ele ser mais educado!”

(É porque naquele tempo
Menino ainda apanhava,
Era posto de castigo,
Corrigido quando errava.
Não que o pai fosse bruto,
Dava cascudo um minuto
E o dia inteiro beijava).

Na situação que eu estava,
Pai não ficou tresloucado.
Pediu calma pra mamãe,
Deixou meu mano calado,
Chegou em mim, no batente,
Bem devagar, simplesmente,
Ele sentou-se ao meu lado.

 
Falou para mim: “Meu filho,
Entendo seu aperreio!
Um ovo lindo por fora,
Mas por dentro muito feio.
Embrulho com formosura,
Mas miolo sem doçura,
Sem bombom e sem recheio…

Mas deixe eu dizer, meu filho,
Que a Páscoa não é coelhinhos,
Nem ovos de chocolate,
Nem peixes, nem pães, nem vinhos,
Mas é lembrar a história
Que Cristo nos dá vitória
Por Seu sangue entre os espinhos.

O homem trilhou caminhos
Distantes do Criador,
Por isto foi necessário
Que Jesus, o Salvador,
Viesse à Terra carente
Para ensinar toda a gente
Como viver em amor.

Nasceu da Virgem Maria,
Foi pelo Espírito gerado,
Fez o bem, desfez o mal,
Foi por João batizado,
Traçou os rumos exatos,
Mas por ordem de Pilatos
Foi morto e crucificado.

Na cova foi sepultado,
Porque José emprestou.
Guardas protegeram o túmulo,
Porque Roma os ordenou.
Porém, ao terceiro dia,
Como disse a profecia,
O Senhor ressuscitou”.

Então, meu pai me fitou,
Segurou na minha mão,
Me falou: “Filho, não chore,
Se levante deste chão!
Ovo oco é coisa pouca,
Pois de Cristo a cova oca
Mostra a nossa salvação”.

Após falar, abraçou-me,
E eu senti tão grande amor…
Esqueci minha tristeza,
E do ovo sem sabor,
Por meu pai fui instruído
Do verdadeiro sentido
Da Páscoa do Salvador.

Tantos anos se passaram
Que este fato aconteceu!
Meu pai não está comigo,
Pois há anos faleceu,
Mas não estou contristado.
Sou grato a Deus por ter dado
Um pai bom igual ao meu.

Eu hoje, vejo o comércio,
Com vis intenções grosseiras,
Falsas expressões pascais
Com projeções financeiras,
Na tradição há desvios,
E milhares de ovos vazios
Preenchendo as prateleiras.

Não que eu seja contra os doces
Que nos mercados estão,
Mas ao vê-los, me inquieto
Dentro do meu coração
Pergunto: “Que Páscoa é esta?
Qual o sentido da festa?
Qual é a celebração?”

Ao invés do chocolate,
Lembro o sangue no madeiro,
Em vez de um coelhinho branco
Lembro o Divino Cordeiro,
Que à Terra foi enviado
Para tirar o pecado
Que machuca o mundo inteiro.

Eu não me conformo às formas
Que há no secularismo
Exibindo vagas cenas
Na tela do consumismo,
Com variações imensas,
Distorcendo as santas crenças
Do puro cristianismo.

Viro as costas pra os palácios
De opacos apogeus.
Como meu pai me ensinou,
Eu ensino aos filhos meus
A história da missão,
Da vida, da encarnação,
Da morte e ressurreição
De Jesus, Filho de Deus.
 

 

 

 

• Jénerson Alves é jornalista, membro da Igreja Batista Emanuel em Caruaru (PE) e presidente da Academia Caruaruense de Literatura de Cordel (ACLC).

A organização Asas de Socorro está com inscrições abertas para voluntários que queiram participar de suas expedições missionárias para a região Amazônica, que acontecerão no decorrer de 2017. A organização atua há mais de 60 anos tornando possível o acesso a comunidades em áreas remotas, rompendo o isolamento e garantindo recursos básicos de cidadania a muitas pessoas que vivem em situação de risco.

Além de ser referência por seu envolvimento no apoio missionário nas áreas de transporte aéreo e comunicação, Asas de Socorro desenvolve desde 1985 o Programa de Assistência Médica e Dentária (AMDE), um novo ministério de assistência social e evangelismo. A partir da mobilização de profissionais voluntários e promoção de saúde e cuidado integral, o programa é um socorro para muitas pessoas, sobretudo aqueles que residem em áreas de difícil acesso, mobilizando.

Todos os anos, profissionais voluntários e missionários percorrem, todo ano, milhares de quilômetros na selva, por rios, para chegar a comunidades ribeirinhas tradicionais, quilombolas e indígenas na maior floresta equatorial do mundo. As expedições missionárias duram de uma semana a um mês. Continue lendo →