(Thiago Gomes/Agência Pará)

Empreendimentos de grande impacto não podem ser realizados na Terra Indígena Waimiri Atroari sem o consentimento prévio da comunidade. A determinação, em caráter liminar, é da justiça federal no Amazonas, que reconheceu as violações sofridas por esses indígenas durante a abertura da BR 174, na ditadura militar.

A decisão atende a uma ação do Ministério Público Federal, que pediu ainda a abertura dos arquivos militares e a reunião e sistematização de toda a documentação, no Arquivo Nacional, sobre a apuração das violações cometidas contra o povo.

A Justiça Federal também determinou que a União e a Funai assegurem a proteção dos locais sagrados para o povo. Eles serão indicados pelos próprios índios em audiência marcada para março deste ano.

O MPF aponta que ainda existem tentativas de utilização do território Waimiri Atroari sem a adoção de consulta prévia, a exemplo do projeto de construção de linha de transmissão de energia que vai de Manaus a Boa Vista. Mas a decisão a respeito dos eventos ocorridos na ditadura pode mudar a situação, como explica o coordenador do grupo de trabalho Povos Indígenas e Regime Militar, procurador Júlio Araújo:

A decisão da ditadura é importantíssima porque ela estabelece que qualquer empreendimento de grande porte – e nós entendemos que a linha de transmissão se enquadra nisso – pra que seja realizado não depende apenas de consulta, mas também do próprio consentimento dos indígenas.

A União deve ser intimada a apresentar, em 15 dias, cópia dos arquivos que existirem no 6º Batalhão de Engenharia de Construção e no 1º Batalhão de Infantaria de Selva e que digam respeito aos fatos relativos ao período de 1967 a 1977.

Nota: Reproduzido de Repórter Amazônia.

Para cumprir a vocação não basta ter paixão. Além de dedicação, esforço e trabalho, é necessário capacitação e estudo. Quando se trata de missões transculturais, chavões triunfalistas não ajudam muito, ou quase nada. Aqueles que desejam compartilhar o evangelho com pessoas de outras culturas – mesmo dentro do Brasil, onde existem diversos grupos com culturas distintas –, precisam buscar conhecer as histórias e os costumes desses segmentos, bem como a maneira como vivem, pensam e leem o mundo.

Embora tenhamos vários seminários e centros de treinamento missionário, nem todas as pessoas tem acesso à capacitação oferecida por eles, seja por motivos de falta de recursos, barreiras geográficas ou outras dificuldades. Mas uma boa ajuda é a leitura de obras que podem dar ao missionário um fundamento bíblico e missiológico, uma leitura contextualizada da realidade, além de desconstruir visões ingênuas e românticas do campo missionário.

Pensando nisso, o Paralelo 10, com o auxílio de missionários experientes e líderes do nordeste, fez uma lista de 11 obras básicas que todos os que desejam servir como missionários no nordeste precisam ler. São livros na área de missiologia, evangelização, contextualização, eclesiologia e outros assuntos com foco na realidade nordestina. Vale a pena conferir!

Cidades do Interior: Uma proposta missionária

Sérgio Lira | 320 páginas | Betel Brasileiro Publicações e Ultimato, 2013.

Cidades do Interior é uma resposta à quase ausência da influência do evangelho nas pequenas cidades brasileiras. Uma obra que identifica e oferece propostas para projetos missionários nessas cidades, considerando a sua realidade religiosa e social. Uma abordagem bíblica e rica em exemplos, para melhor equipar a igreja brasileira na evangelização e no alcance daqueles que vivem à margem das grandes cidades e no interior do país. Continue lendo →

A Diaconia ajudou as mulheres a formar empresas comunitárias, como padarias. (Foto: Diaconia)

A vida pode ser dura na região semiárida do Brasil, especialmente para as mulheres. A falta de acesso à água e à terra faz com que a agricultura seja muitas vezes uma luta. Muitos homens e jovens migram para cidades à procura de trabalho. A cultura é dominada pelos homens, e as mulheres normalmente têm poucas oportunidades para ter uma renda ou voz.

A parceira da Tearfund, Diaconia, criou um projeto de três anos para ajudar as mulheres desta região a ter sucesso econômico e tornarem-se mais empoderadas social e politicamente.

União e empoderamento das mulheres

A Diaconia mobilizou as mulheres para se juntarem em grupos femininos comunitários. Os funcionários do projeto treinaram as mulheres em novas técnicas agroecológicas (formas sustentáveis e ecológicas de agricultura). Eles também as ensinaram como agregar valor aos seus produtos, fazendo polpas de frutas, doces, bolos e pães. Eles ajudaram as mulheres a iniciarem juntas negócios comunitários, como padarias, e também organizaram visitas de intercâmbio entre diferentes comunidades para que as mulheres pudessem aprender com os sucessos e fracassos umas das outras.

Os funcionários da Diaconia ofereceram um treinamento completo em gestão empresarial, produção e comercialização às mulheres e ajudaram-nas a acessar os mercados em que poderiam vender seus produtos de forma mais rentável, inclusive feiras agroecológicas. Eles também ajudaram a ligá-las a duas políticas governamentais: o Programa de Aquisição de Alimentos e o Programa Nacional de Alimentação Escolar. Através desses programas, o governo compra alimentos de pequenos agricultores para hospitais, casas de idosos e escolas públicas.

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Imagem ilustrativa (CCO/Pixabay.com)

Eu sempre quis viver aqui perto do interior, porque eu queria viver com meu pai. Durante a minha infância, ficar longe dele muito pesado pra mim. Eu tive uma consciência muito triste, angustiado… Perdi boa parte da minha vida, vivendo quase quinze anos longe. Eu sempre tive esse peso dentro de mim. Eu pensava que quando eu casasse, se eu fosse viver na cidade, eu nunca ia ter essa convivência com meu pai, porque eu sei que ele não gosta de viver na cidade. Eu só poderia ver ele algumas vezes… Aí, como eu decidi viver como um índio, mesmo. Viver como um índio, com a minha cultura, e dessa maneira poder ajudar meu pai, isso me fez escolher a pessoa com quem me casei. A minha esposa, eu escolhi ela porque… Eu não sei bem o porquê. Eu escolhi por causa de um sentimento. A gente acabou se gostando e foi levando a coisa mais a frente e assumiu um compromisso. Escolhi ela para ser minha esposa porque ela é a única pessoa que eu procurava. Eu procurava uma indígena, que estudasse. Não como outras. A gente se conheceu em um curso e se encontrava escondido. Namoramos uns três anos e decidimos não contar para ninguém. Não contamos nem para os meus pais. A minha mãe queria que eu casasse com uma mulher da cidade. Mas eu quis viver dessa maneira. Agora ela entende o porquê. Eu morei com minha irmã na cidade e sei como é viver lá. É pesado. Não tem tempo para nada. Minha irmã quer viver como branca. Ela tem direitos e muitas políticas educacionais a favor dela, mas faz faculdade como se fosse uma branca. Eu acho errado. Se tenho direitos, para que jogar fora? Eu morei em várias casas, com várias pessoas. Por isso, quando eu voltei pra minha família, não quis mais ficar longe deles. Meu objetivo é ter um terreno lá no interior e construir uma casa. Depois, conseguir uma casa na cidade também. Não quero ter um rótulo de um índio que se urbanizou. Não quero ser um índio que deixou tudo lá… Tem muita gente fazendo isso. Eu quero viver as duas coisas, misturando, mas sem deixar de ser índio. 

Nota: Relato de um jovem indígena Sateré Mawé, escrito e adaptado por Phelipe Reis.

Na planície avermelhada, os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos.
Trecho do livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos

Apesar de um país rico em água, milhares de brasileiros ainda sofrem com a falta dela e com a seca severa (Arquivo/Agência Brasil)

Os infelizes estão nas primeiras palavras de Vidas Secas e não são apenas personagens do olhar de Graciliano Ramos, em meio ao sertão, no ano de 1938. Oito décadas depois da descrição dura de um dos gênios da literatura brasileira, o caminho tem outras curvas de dor e de luta em busca de um mesmo bem: a água.

Se o espaçar do tempo é remontado para presente e futuro, as páginas podem ser reconstruídas para muito antes da obra clássica do século 20, com narrativas de pestes, de doença, de sede e de fome. Fato é que não há novidade nesse percurso. Nada acontece pela primeira vez na imensa planície avermelhada brasileira, principalmente a nordestina. Registros de secas brasileiras refazem uma viagem no mínimo ao século 16.

As principais secas brasileiras da história ocorreram no Nordeste oriental: Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. São roteiros repetitivos em cenários sertanejos, agrestinos, semiáridos. “Essa é a área de maior irregularidade espacial e temporal de chuvas. Nos períodos de ‘manchas solares’, por exemplo, as secas são mais intensas. Esse fato já vem sendo estudado desde o início do século 20. Quando se fala em ‘episódios mais graves de secas’, em geral, nos referimos àqueles anos em que as consequências socioeconômicas foram mais intensas”, explica o professor de climatologia Lucivânio Jatobá, pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

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A pesquisa comprovou que o dano no DNA pode ser tão grave a ponto de a célula perder o controle e evoluir para câncer de pulmãoDivulgação/Doug Morton/Nasa

As partículas carregadas de toxinas, liberadas durante queimadas na Amazônia, se inaladas involuntariamente por longo período, podem causar estresse oxidativo das células e danos genéticos irreversíveis, resultando até mesmo em câncer de pulmão.

A descoberta é resultado de um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Fundação Oswaldo Cruz e Universidade Federal de Rondônia(Ufro).

A pesquisa é referente a uma tese de doutorado da bióloga Nilmara de Oliveira Alves, da USP. A equipe coletou amostras de material particulado fino em Porto Velho, uma das áreas mais afetadas pelas queimadas na região amazônica.

Para entender como ocorre a contaminação, os pesquisadores expuseram em laboratório linhagem de células pulmonares às partículas, compostas por material tóxico, em concentração semelhante com as encontradas nas queimadas da Amazônia, analisadas com técnicas bioquímicas avançadas.

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A Missão Alef oferece a profissionais cristãos, líderes e pastores, uma rica oportunidade de capacitação para quem já atua ou deseja trabalhar na área de desenvolvimento comunitário. A Semana de Capacitação em Desenvolvimento Comunitário (SCDC) é uma experiência de aprendizagem missional prática e teórica, que introduz pessoas às realidades de ministério urbano.

O curso, que possui carga horária de 55 horas e vagas limitadas, acontece no período de 22 a 26 de janeiro, em Natal (RN). De acordo com a organização, o SCDC é um momento oportuno para encorajamento, obtenção de ferramentas e de capacitação para a missão transformadora.

Assista ao vídeo de apresentação do curso:

 

Serviço
Evento: Semana de Capacitação em Desenvolvimento Comunitário (SCDC).
Data: 22 a 26 de janeiro de 2018.
Local: Igreja de Cristo em Felipe Camarão, Natal (RN).
Informações: (84) 99829-5686 (Douglas) | (84) 99913-2824 (Leandro).
Clique aqui para inscrições.