Por Jénerson Alves

Confesso que tenho profunda afeição pelas palavras. Até porque, sei como é não conseguir manejá-las bem. Nasci com a língua presa, tive de fazer cirurgias quando criança para conseguir falar. Mesmo assim, ainda apresentei algumas sequelas na fala e me submeti a várias sessões de fonoaudiologia. Neste período, não eram poucos os apelidos que recebia dos colegas em sala de aula, pois eles nem sempre entendiam o que eu desejava verbalizar. Somente com muito esforço consegui controlar minha fala e tornar meus discursos mais inteligíveis.

Aprendi a ler sozinho, aos quatro anos de idade. Livros, cadernos, cordéis e revistas em quadrinhos fazem parte das mais diversas cenas da minha infância e adolescência. A escrita foi se tornando a melhor maneira de me comunicar. Já nos primeiros anos do Ensino Fundamental, destacava-me nas produções escritas, recebendo elogios de professores e estudantes. Isso aumentou ainda mais após eu despertar para a poesia. Escrevendo cordéis, constatei que era possível deixar fragmentos da minha alma em pedaços de papel.

Desta feita, desde cedo eu decidira que deveria cursar Jornalismo. E foi nas cadeiras da faculdade, logo nas primeiras aulas, que aprendi que “comunicar é tornar comum”. Assim, mesmo após formado, meu desafio através das matérias sempre foi narrar, esclarecer e analisar os fatos, buscando tornar a compreensão dos mesmos acessível às mais distintas camadas da sociedade. Não foram raras as vezes que utilizei de um recurso denominado “didatismo”, de modo que os textos assumiam um tom praticamente professoral, com pontos de intersecção entre o jornalismo e o ensino. O mesmo pode ser dito sobre os cordéis. A rima e a métrica da literatura popular, para mim, são elementos que auxiliam na compreensão de temas, que podem ser abordados tanto dentro quanto fora da sala de aula, onde o chão da existência agiganta-se como mestre.

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Foto: Suki Ozaki, 2006

Por Phelipe Reis

Lucas 10.25-37

Para testar Jesus, um líder religioso lhe perguntou: “Mestre, o que preciso fazer para ter a vida eterna?”.

Ele respondeu: “O que está escrito na Lei de Deus? Como a interpreta?”.

Ele disse: “Ame o Senhor seu Deus com toda a paixão, toda a fé, toda inteligência e todas as forças; e ame seu próximo como a você mesmo”.

“Boa resposta!”, disse Jesus. “Faça isso e viverá.”

Querendo fugir da resposta, ele perguntou: “Como saber quem é o ‘próximo’?”.

Jesus respondeu contando uma história:

Na companhia de amigos, um jovem Tukano navegava o rio Negro em direção a São Gabriel da Cachoeira. O município, que fica no noroeste do estado do Amazonas e possui um território maior que Portugal, reuniria num torneio de futebol representantes de algumas das 23 etnias indígenas que vivem na região.

Debaixo do forte Sol e o vento quente do calor amazônico, o time dos Tukanos venceu a final com uma goleada de 4 a 0 em cima dos Húpd’äh*. O jovem Tukano comemorou a vitória com os amigos bebendo um porção de caxiri. Em meio à muvuca do torneio e entre tanto indígenas, o jovem Tukano acabou se perdendo dos amigos.

No caminho de volta para embarcação, quando a luz do Sol quase já não iluminava a cidade, o jovem foi surpreendido por três assaltantes. Não bastou tomarem o pouco dinheiro que ele tinha, os assaltantes o espancaram e o feriram no rosto com uma faca. Deixaram o jovem sagrando, caído sobre uma grande pedra, que fica à beira do rio.

O sino começou a soar, anunciando o início da novena. Atrasado, o padre da paróquia caminhava em direção à igreja. Ao avistar o corpo do jovem franzino à beira do rio, o sacerdote apressou o passo para não se atrasar ainda mais para a celebração. Na volta, quem sabe, poderia dar alguma atenção. 

Com a Bíblia debaixo do braço e o violão à mão, um pastor passou pelo mesmo caminho, se dirigindo à sua congregação. Viu o rapaz caído, mas não se preocupou. “É só mais um índio bêbado”, pensou. Deu de ombros e seguiu seu caminho. 

Então vinha um indígena da etnia Húpd’äh, descendo o caminho em direção ao rio. Ao ver o rapaz, teve compaixão dele. Aproximou-se, limpou o ferimento e passou um pouco de óleo de andiroba. Depois, colocou o jovem em sua canoa, o levou para a casa e cuidou dele.

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Localizado no sertão piauiense, mais precisamente no município de Ribeira do Piauí, o maior parque de energia solar em operação da América do Sul produz energia suficiente para abastecer diariamente um município com 1,2 milhão de pessoas.

De acordo com a matéria do Jornal Nacional, veiculada dia 21/11, o parque está em uma área equivalente a setecentos campos de futebol, onde estão distribuídos quase um milhão de painéis solares. O que atraiu o projeto para o sertão piauiense foram as características da região: a forte radiação, a baixa umidade do ar e muitas horas de sol.

O Brasil tem pouco mais de 40% de sua energia gerada por fontes renováveis. Em relação à geração de eletricidade, as hidrelétricas são as principais forças, responsáveis por 64% da produção. Atualmente, a participação da energia solar na matriz energética do país é de apenas 0,2%, mas a meta é atingir 10% até 2030.

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Por George Correa

Portanto, a fé vem por ouvir a mensagem, e a mensagem vem por meio da pregação a respeito de Cristo. (Romanos 10.17)

O apóstolo Paulo sempre procurou anunciar a boa noticia da salvação. Naquele tempo, muitas pessoas ouviram sobre o evangelho e, pela fé, creram na mensagem de Jesus Cristo. É interessante notar que no versículo acima diz que a fé em Jesus vem através do “ouvir”. Uma pessoa pode ouvir alguém falando a respeito de Cristo, ou também pode ouvir a mensagem através de um aparelho que comunique o evangelho.

Nas populações ribeirinhas existem muitas pessoas que não sabem ler, pois não tiveram a oportunidade de ir à escola. Agora, porém, a oportunidade de ouvirem sobre o evangelho chegou através do aparelho “Proclaimer” (O Proclamador), um aparelho fácil de manusear com três formas de carregar – através de uma placa solar embutida, manivela ou carregador.

Nesse aparelho está narrado todo o Novo Testamento, de Mateus à Apocalipse, na Nova Tradução na Linguagem de Hoje, o que facilita o entendimento das populações ribeirinhas.

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Na infância, ela gostava de assistir programas, reportagens, tudo que fosse relacionado à natureza e à região Amazônica. Nessa época, sua família não era cristã. Mas ela conta que, “mesmo assim, amava a Jesus e dizia que queria ser repórter, para levar o amor de Deus aos indígenas, aos ribeirinhos e ao povo que vivia nas florestas”. A paulista Margarete Araújo não imaginava que o sonho de criança se tornaria realidade um dia.

Em 2005, já na vida adulta, Margarete conheceu a Jesus e a partir da convivência na igreja foi descobrindo sua vocação missionária. Em uma experiência de trinta dias na reserva Krahô, pela Missão Jocum, em 2013, a missionária “se apaixonou pelo povo”. A continuação dessa história, ela conta na entrevista a seguir.

P10 – Como você foi parar entre o povo Krahô?

Em outubro de 2013, estava em missão no Sul e fazendo um curso da Jocum, em Almirante Tamandaré, PR. Para o período prático do curso, eu e uma equipe fomos enviadas para o estado do Tocantins, na reserva Krahô, no norte do Brasil. Ficamos ali cerca de 30 dias e me apaixonei por aquele povo. Orei perguntando a Deus se era para eu continuar ali e Deus confirmou em meu coração, através da minha família e líderes. No final de Janeiro de 2014, me mudei para Palmas, capital de Tocantins, para poder servir na reserva Krahô.

P10 – O que você aprendeu servindo entre os Krahô?

Deus se manifesta de maneira que não esperamos. Mesmo um povo que é esquecido, sem estudo, saneamento básico, que tem uma cultura totalmente diferente da minha, eles têm práticas de princípios bíblicos. Muitas vezes, se mostravam mais fiéis a Deus do que eu mesma. É surpreendente ver a fé, a convicção e como eles reconhecem a Deus, da forma deles, sem lerem ou entenderem a Bíblia. Nesses anos, aprendi que temos que ganhar o direito de sermos ouvidos; quando coloquei em prática e passei a conviver com eles, aprender da cultura, dos deuses deles, eu pude ter uma visão diferente e soube contextualizar o evangelho, aí ganhei o direito de ser ouvida por eles. Aprendi que ao chegar à outra etnia ou cultura, temos que fazer um estudo antropológico primeiro, para com o tempo compartilhar da pessoa de Jesus Cristo, e não impor uma religião.

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Por Raquel Lima

Era difícil acreditar que existissem pessoas tão isoladas no meio da Floresta Amazônica. Se antes era algo que eu havia escutado falar, naquele momento eu via como tanta gente ainda precisava de atenção e cuidado. Na cadência da nossa vida até lemos e sabemos, mas não nos damos conta da real condição de sermos um país de dimensões continentais, que nos eleva a certa exuberância natural e abastança, uma vez que temos um quinto de toda a água potável do planeta. A extrema pobreza e ineficiência de um governo falido e corrupto que subestima e ignora a força e dignidade do seu povo também podem ser identificadas entre os ribeirinhos.

O barulho daquele motor ligado a muitas horas, que cruzava com bravura aquelas pequenas vielas entre os igarapés, revelava entre uma mata e outra casas sobre palafitas, inundadas pelo avanço das águas. Comunidades inteiras, plantadas e populosas, emergiam no meio da floresta em completo isolamento, alheias à imensidão do Brasil, com um ritmo, uma rotina, uma identidade e perfil muito próprios.

A pele bem morena, os longos e lisos cabelos negros e o sorriso fácil são características marcantes dos ribeirinhos. A beleza pode ser explorada de muitas formas para onde quer que se olhe. Tamanha foi a benevolência de Deus naquele lugar e foi dessa bondade que surgiu, há anos, o Projeto Amazônia.]

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Foto: Ascom Sead

Os produtores da agricultura familiar no nordeste são responsáveis por fornecer metade dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros. A produção dos nove estados da região totalizam quase 50% dos 4,4 milhões de empreendimento do segmento. Os dados foram publicados recentemente em matéria da Carta Capital, baseados no último Censo Agropecuário, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com as informações, investimentos nos últimos anos visam adensar as cadeias produtivas locais, incorporar novas culturas e tecnologias, aumentar a compra e reduzir o impacto da seca, fenômeno que tem trazido prejuízos incalculáveis aos agricultores familiares.

Tania Bacelar, economista ouvida por Carta Capital, afirma que a seca afeta principalmente a pequena pecuária e a agricultura, pois os grandes produtores têm mais recursos para combatê-la, pois sempre ocuparam as terras perto de rios e contam com abastecimento de água mais farto.

No cenário da agricultura familiar, o Maranhão desponta na produção de mel e açaí, produtos enviados in natura para estados vizinhos, como Piauí e Pará, onde são processados e industrializados. Já o Ceará se destaca na distribuição de mudas de cajueiros-anões. O Estado é o maior produtor da fruta no Brasil.

Nota: Com informações de Carta Capital. Clique aqui leia a matéria na íntegra.