Por Marcos Almeida

Foto: Pedro Coelho

Tomei banho nas águas de Maués. Mergulho nas lembranças. Vi um peixe fisgar o pescador. Verdade. Conheci a hospitalidade dos botos cor-de-rosa e suas acrobacias exuberantes. Segui olhando as margens dos rios intermináveis. Descansando nas bacias de espelhos que refletiam os cascos dos barcos. Assisti atento ao encontro das correntezas negras e marrons. Desvendei aromas, cheiros, perfumes, sabores, tons de tantos verdes e azuis. Céus que cantavam a glória eterna de Deus. Ecoavam às árvores o que Ele também nos deu, assim de forma mais extravagante: o conhecimento do Seu Eterno amor. Teu é tudo o que existe, Senhor!

Amanhece no centro da floresta. A matriarca da Aliança se aproxima, reverentemente e calmamente, me diz: “você vai fazer uma música pra eles”. Já estava pronta no coração. “Olho para os céus, de lá vem o meu socorro. Pai da Eternidade me mostra o que é o Amor. Amor perfeito e justo, que sempre me espera. Esse é o som, esse é o som, que rompe os céus: o Amor de Deus nos faz um, nos faz um com Ele”. Estávamos em dois mil e seis e a viagem que começo a relatar mudou minha vida para sempre! Continue lendo →

Poesia fotográfica – texto de Zenilda Lua e foto de John Medcraft

Ando incompleta de vazios.
Em tudo dei de achar graça.
Passei da angústia dolorida para um sentimento docíssimo que imita o cintilar dos lírios brandos.
Aprendo de azul mais que tudo.
Aprendo também de milagres, de pássaros, de cânticos e até de miçanga que já fora semente endurecida e, de repente virou um colar de ternura.
Aprendo de flor, de calêndula e até dos querubins que fizeram sonata nos campos de Salomão.
Do resto, não sei explicar direito não.
“Meu pranto tornou-se folguedo.
Meu pano de saco foi desatado.
Agora estou cingida de alegrias”.

• Zenilda Lua, nascida em Patos (PB), reside atualmente em São José dos Campos(SP). Atua como Assistente Social, escreveu livros de poemas e é mãe de Brisa.

• John Philip Medcraft, nascido em Londres, naturalizado brasileiro, mora em Patos (PB) há 45 anos. É pastor presidente da ACEV (Ação Evangélica) com compromisso com missão integral nos sertões nordestinos. Apaixonado por Jesus, Betinha, Caatinga e QPR (idealmente nesta ordem).

Por José Carlos Brito

Dona Luzia, moradora de Betânia do Piauí, a 500 km de Teresina, capital do Piauí, é uma das pessoas prejudicadas pela grande estiagem que afeta o semiárido nordestino, há cinco anos. A falta de chuva atinge, direta e indiretamente, todos os moradores da cidade, que têm no plantio e na criação de animais a maior fonte de renda para suas famílias.

Por causa dessa situação, os moradores criam outras maneiras de conseguir o sustento e o pão de cada dia. Com dona Luzia, que é mãe de cinco filhos, não foi diferente. Como sempre teve aptidão para trabalhos manuais, ela começou a fazer diversos materiais de bordado. Após participar de cursos oferecidos pela prefeitura, conseguiu aprimorar seu talento e montou uma pequena barraquinha para vender seus bordados na feira da cidade, que acontece aos sábados.

Sempre muito bonitos e bem feitos, o trabalho de dona Luzia chamou a atenção de uma equipe de missionários vindos de São Paulo que estavam visitando o sertão. Alguns dos participantes da equipe, donos de confecções de roupa em São Paulo, conheceram os bordados da dona Luzia e propuseram uma parceria: dona Luzia confeccionaria algumas peças de decoração usando os retalhos de roupas que sobram das lojas em São Paulo. Foram realizadas algumas amostram iniciais, e todas as peças confeccionadas por dona Luzia tinham uma qualidade igual ou até superior das que vinham de São Paulo.

Dona Luzia produzindo peças de artesanato

Assim nasceu o projeto ArteSertão, no início de 2017. A primeira coleção de peças foi intitulada de “Meu Mandacaru” e foi confeccionada por dona Luzia e outras duas pessoas, que ela chamou para apoiar na produção. A partir do material enviado de São Paulo, elas produzem diversas peças artesanais, tais como chaveiros, vasos, peças para design de interior com o formato do mandacaru. As peças são comercializados em conferências, feiras, e em breve em uma loja virtual.

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Conteúdo extra oferecido como Mais na Internet na revista Ultimato, edicão #367.

“Precisamos da sua ajuda para que os povos indígenas se rendam aos pés de Deus.”

Em poucas palavras e objetivamente, Nara Rúbia Taets, missionária da Junta de Missões Nacionais da Convenção Batista Brasileira, falecida no dia 11 de março de 2017, expressou em uma de suas cartas não apenas um desafio, mas também uma motivação do seu coração: fazer Deus conhecido e amado entre os indígenas.

Nara nasceu no dia 13 de julho de 1977, em Goiânia, GO, em uma família cristã. Cresceu na igreja e, incentivada pelas histórias contadas por seu pai sobre a vida dos índios e por relatos missionários sobre o trabalho com eles, sentiu-se desafiada a dedicar a própria vida a esse ministério. Com apenas 9 anos de idade, participando de uma entrevista em um programa de rádio dirigido pelo pai, Nara falou da chamada missionária de Deus para o trabalho entre os indígenas e nela persistiu até a juventude.

Na Missão ALEM, em Brasília, onde fez o curso de linguística, conheceu Elias de Oliveira Taets, com que se casou, teve dois filhos – Nayane, 13, e Eliseu, 11 anos – e compartilhou a chamada missionária.

Nara e Elias se mudaram para Boa Vista, RR, em 1999, quando foram convidados pela Junta de Missões Nacionais para trabalharem com indígenas de uma tribo que habita o Brasil e a Venezuela e que, somente no Brasil, somam mais de 15 mil pessoas distribuídas em 255 aldeias, das quais 197 estão em Roraima.

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Por Phelipe Reis

Foto: Pixabay.com (CCO)

Ó, grande Deus, Criador
Tu, que com maestria estabeleceste céus e terra
e com perfeição arquitetaste nossa casa comum.
Tu, que fizeste da Amazônia varanda e quintal,
onde plantaste uma floresta a perder de vista,
e por debaixo escondeste riquezas que despertam a cobiça do homem.
Tu, que distribuíste as águas em lagos, igarapés e paranás,
e escavaste para teu próprio gozo o caudaloso Amazonas,
cujas águas barrentas refrescam e matam a sede de curumins e cunhantãs,
ouve o nosso grito de socorro.

Ó, grande Deus, Criador
Levanta-te em nosso favor.
Tu, cujos olhos do céu apreciam este imenso tapete verde,
não suportarás contemplar o verdume maculado pelas cinzas das queimadas.
Disfarçada de progresso, a destruição nos espreita
esperando a hora de ceifar-nos o suprimento e a vida.
Não permita que o teu e nosso quintal seja invadido e saqueado,
não permita que os perversos firam nossa terra sem piedade,
derrubem nossas Samaúmas, Jacarandás e Andirobeiras
fazendo teu chão e teus filhos chorar e secar.

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Conteúdo extra oferecido como “Mais na Internet”, na seção “Meio ambiente e fé cristã”, da revista Ultimato edição 367.

O pastor John Medcraft chegou ao interior da Paraíba em 1972. Ali, comprou um local, onde tinha uma casa deteriorada, sem fonte de água permanente e com mata parcialmente destruída. “Já que somos mordomos de Deus, que é dono de toda a terra e tudo o que nela há, iniciamos um longo processo de plantação de árvores, preservação do que ainda restava da natureza, perfuração de poços, recuperação dos prédios e proibição de desmatamento e caça”. Assim conta o pastor que, com o tempo, criou uma reserva legal e uma reserva ecológica em sua propriedade.

“Hoje, há muitas trilhas dentro da reserva onde tenho imenso prazer de caminhar fotografando a natureza. Nada melhor para o pastor estressado do que caminhadas na mata ouvindo apenas o canto das aves e dos mocós (Kerodon rupestris)”.

Durante suas caminhadas, Medcraft aproveita para registrar a riqueza da fauna e da flora local. Veja na galeria abaixo.

 

Veja mais fotos de John Medcraft aqui.

Por Leonizia Gama Firmo

Que Deus maravilhoso nós temos […] nos conforta e fortalece nas dificuldades e provações […] para que, quando os outros estiverem aflitos, necessitados da nossa compaixão e do nosso estímulo, possamos transmitir-lhes essa mesma ajuda e esse mesmo consolo que Deus nos deu. (2 Coríntios 1.3-4, A Bíblia Viva)

Foto: Waleska Santiago

Eu nasci na cidade de São Gabriel da Cachoeira, no Estado do Amazonas, onde a maior parte da população é indígena. Minha mãe é Tukano e meu pai, Piratapuya. Eu sou a caçula de nove irmãos. Minha mãe teve contato com o evangelho através de missionários americanos, mas meu pai, infelizmente, nunca se interessou por esse tipo de assunto. Ele causou muitos problemas para minha família devido ao uso abusivo de bebidas alcoólicas. Começou a beber ainda muito jovem, por ocasião das festas da nossa comunidade, quando eram preparadas bebidas com frutas fermentadas. A situação piorou muito quando minha família mudou-se para a cidade, onde ele tinha acesso a bebidas destiladas vendidas pelos comerciantes locais.

Na cidade, nossa vida se tornou muito difícil devido à situação de meu pai. Quando ele estava sóbrio, era trabalhador e uma boa pessoa, mas quando bebia, transformava-se em um homem violento e todos em casa sofriam com isso. Muitas vezes, ele não aparecia em casa por várias semanas, pois caía na rua e ficava por lá, junto com diversos amigos indígenas. Eu me sentia envergonhada quando, retornando da escola, encontrava-o caído na rua, como se fosse um mendigo, além de passarmos por muitas dificuldades financeiras, pois ele gastava tudo que recebia trabalhando como carpinteiro em bebidas. Até os peixes que pescava eram vendidos e o dinheiro todo gasto com bebidas. Às vezes, eu escutava minha mãe chorando baixinho, tentando esconder de nós o quanto sofria com a situação.

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