Por Phelipe Reis

O Novo Testamento não apresenta uma única definição de missão, mas vários paradigmas, que sinalizam diferentes perspectivas missiológicas. Um olhar atento à vida e ao ministério de Jesus, no Evangelho de Lucas, revela que missão é movimento. É o Espírito Santo agindo e se movendo. É o Filho do Homem, enviado pelo Espírito do Senhor, movendo-se constantemente: andando de casa em casa, caminhando à beira do rio, passando por aldeias e cidades, subindo montes, aproximando-se de doentes, conversando com mulheres, comendo com pessoas de má fama e acercando-se de todo tipo de pessoas, das quais muitos faziam questão de manter distância.

Missão é movimento

O envio de Jesus mostra o movimento da missão (Lc 4.18). No Evangelho de Lucas, Jesus aparece em constante movimento durante o seu ministério público, deslocando-se para aldeias e casas, retirando-se para o monte ou lugares desertos, mas, sobretudo, andando nas cidades – a palavra “cidade” aparece quarenta vezes nesse evangelho. A cidade é o palco da missão de Jesus, onde ele anda, ensina e opera milagres.

O movimento da missão de Jesus, porém, em momento algum se confunde com ativismo. O mestre também realiza o “retirar-se”, pois compreende e pratica a disciplina do descanso. Em vários momentos ele se ausentava da insistente multidão que o seguia, retirando-se para descansar e orar. Antes de chamar os doze discípulos, por exemplo, Jesus “retirou-se para o monte, a fim de orar, e passou a noite orando a Deus” (6.12). Em outra ocasião, após o envio e o retorno dos doze, Jesus ouviu o relatório dos discípulos e os levou para um retiro, a fim de estar a sós com eles (9.10). Oito dias após anunciar a sua morte, ele subiu ao monte para orar e levou consigo Pedro, João e Tiago (9.28). Também era costume de Jesus retirar-se para orar no monte das Oliveiras (22.39), o mesmo local onde Judas o entregaria “aos principais sacerdotes, capitães do templo e anciãos que vieram prendê-lo” (22.52).

Mover-se na missão de Jesus significa conjugar coerentemente ação, reflexão e oração. E é para esse movimento que ele chama e envia os seus discípulos, levando-os consigo pelas aldeias e cidades, mas também mostrando, na prática, a importância de, em alguns momentos, se retirar.

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Poesia fotográfica – texto de Zenilda Lua e foto de John Medcraft

O amor pelas palavras começou assim:
meu avô que era um sábio caprichoso
reuniu várias margaridas
e azaléias brancas
num terreno possuído de sol
e nos contou que toda poesia sempre nasce de alguma beleza.
Quando as tristezas da vida ameaçavam apertar o coração até afracar o pulso
ele imitava Joel e profetizava risonho:
“Alegrem-se!
Pois as chuvas do outono e da primavera voltarão a cair como antes.
As eiras ficarão cheias de trigo novamente e os tanques de espremer
se encherão de vinho novo e de azeite”.

• Zenilda Lua, nascida em Patos (PB), reside atualmente em São José dos Campos(SP). Atua como Assistente Social, escreveu livros de poemas e é mãe de Brisa.

• John Philip Medcraft, nascido em Londres, naturalizado brasileiro, mora em Patos (PB) há 45 anos. É pastor presidente da ACEV (Ação Evangélica) com compromisso com missão integral nos sertões nordestinos. Apaixonado por Jesus, Betinha, Caatinga e QPR (idealmente nesta ordem).

Deixa Deus entrar nos cômodos

A primeira coisa que se vê da varanda é o rio amazonas. Ele é considerado um rio perene – aqueles em que há sempre água fluindo em seu leito, diferente dos rios intermitentes, nos quais a água desaparece nos períodos de estiagem. Isso fala muito ao meu coração, porque o amor de Deus é assim. Perene. Do outro lado da varanda é possível ver um dos braços do rio, a Lagoa da Francesa. É um rio intermitente. Ele seca no período da estiagem. Mas com a chuva, ele enche. Eu creio que Deus é a chuva e o rio que flui em meu coração e gera vida. Engraçado pensar que de cada lado se tem um rio com diferentes características. A varanda é o último cômodo da minha casa, e isso traz uma analogia interessante, pois para chegar a ela você tem que passar pela sala e pela cozinha. Normalmente, a sala é o lugar onde recebemos as visitas, mas meus amigos estão convidados a entrar na varanda, e acredito que isso é a comunhão que deve ter no corpo de Cristo. Adentrar e se mostrar ao outro. Compartilhar. Sair da superficialidade, tirar o véu, adentrar na casa. E é desafiador. Deixar Deus entrar nos cômodos e restaurar mostra ao corpo de Cristo a obra que Ele tem realizado. Sem vergonha, mas com amor.

Trícia Freitas Rossy, parintinense, artesã e idealizadora da Varanda do Artesanato

As palavras acima são de Trícia Freitas Rossy. Moradora do município de Parintins, no Amazonas, aos sete anos de idade ela começou a fazer crochê, com sua mãe. Na adolescência, aprendeu pintura em tecido e outras artes, tudo por meio de revistas e vídeos. Hoje, na varanda da sua casa, que fica à margem do rio Amazonas, ela reúne semanalmente um grupo de amigas e irmãs da igreja para produzir artesanatos diversos. Além da arte, são momentos de terapia e muita comunhão.

Além da “Varanda do Artesanato”, que reúne quatro amigas, Trícia conta que também há um grupo que funciona duas vezes ao mês em sua igreja local, a Primeira Igreja Batista de Parintins. Esse segundo grupo surgiu a convite da educadora cristã da igreja, irmã Elisângela Lessa.

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Por Gizelle Corrêa

A Missão Evangélica de Assistência aos Pescadores (MEAP), missão brasileira que há 30 anos atua na evangelização de pescadores e ribeirinhos do Brasil, tem um novo rio de desafios: a MEAP Amazonas. Nascida há um ano, recentemente reuniu quinze missionários e oito líderes locais para o seu Primeiro Retiro de Missionários e para celebrar as 4 novas bases da missão no Brasil.

“Com grande alegria reunimos nossos primeiros missionários e líderes locais para celebrar os grandes feitos do Senhor nesse primeiro ano. Chegamos em junho de 2016 com dois casais e hoje somos 22 obreiros trabalhando com igrejas e agências missionárias para levar o evangelho às comunidades não alcançadas do Rio Purus. Deus está trazendo outros que estão em preparação para virem para o Purus nos próximos meses”, celebra o Pr. Oscar Oliveira, líder de área da Meap Amazonas.

O retiro aconteceu em Lábrea, cidade no médio Purus onde está localizada a base 1, e contou com os missionários das base de Pauiní, Canutama, Foz do Tapauá e obreiro em parceria com uma igreja local de Tapauá, que será a quinta base.

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Foto: EBC

O Grupo Especial de Combate ao Trabalho Infantil do Ministério do Trabalho encontrou, durante uma operação em Roraima, 118 crianças e adolescentes trabalhando em atividades listadas como algumas das piores formas de trabalho infantil, por serem prejudiciais à saúde e à segurança das crianças.

A operação foi realizada em feiras públicas, carvoarias e no aterro sanitário da cidade, onde foram encontradas 13 crianças trabalhando na coleta dos dejetos.

Pela gravidade da situação verificada no lixão onde as crianças foram flagradas nas atividades ilegais, o Grupo Especial optou pela interdição do local, emitindo pedido de providência imediata à Sanepav Ambiental, empresa responsável pela administração do espaço. Foram emitidos termos de afastamento imediato das crianças encontradas em situação de grave risco, além de 12 autos de infração relacionados às Normas de Segurança e Saúde.

Também foram inspecionadas as feiras livres do Pintolândia, dos Garimpeiros e dos Produtores. Em todas foi constatada a presença de crianças em atividade laboral. A operação foi finalizada hoje (11), com a apresentação dos resultados em uma reunião com autoridades locais.

Fonte: Agência Brasil.

Por Priscila Mesquita

Integrantes do ministério Amigos de Cristo em uma das visitas à loja de Bruce

Duas trajetórias imperfeitas, que culminaram no presídio e ali foram transformadas pelo Caminho perfeito. Assim podemos resumir as histórias de Bruce Cordovil e César Araújo, fruto do trabalho de capelania realizado pelo ministério Amigos de Cristo, em parceria com a Igreja Presbiteriana de Manaus (IPManaus). Só em 2016, 340 pessoas foram alcançadas nas unidades prisionais da capital do Amazonas, por meio de uma estratégia que ensina valores bíblicos usando o futebol.

Nas próximas linhas, você lerá duas histórias que representam outros tantos milagres-vivos. Não nos ateremos ao passado apagado na cruz, mas contaremos quem são os homens que tiveram seu presente e seu futuro restaurados.

Aos 28 anos de idade, casado e pai de um garoto de três anos, Bruce Cordovil é proprietário de um varejão na zona Leste de Manaus. Dedicado, trabalha de domingo a domingo no atendimento aos clientes, no caixa e na reposição dos produtos. Cresceu com outros quatro irmãos em um bairro com altos índices de violência e fora de casa firmou amizades prejudiciais. Em 2011, já no Centro de Detenção Provisória (CDP), conheceu Rogério Evangelista, líder do ministério Amigos de Cristo.

“Foi na época que minha irmã mais nova morreu e minha mãe ficou fragilizada. Pedi ajuda ao Rogério porque não queria que minha mãe sofresse ainda mais por minha causa. Eu precisava de ajuda porque quando a gente sai da unidade, a gente sai instruído para o crime”, conta.

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O analfabetismo atinge 8% da população brasileira entre jovens acima de 15 anos. Já entre o público de 5 a 17 anos, a taxa de analfabetismo sobe para 11,4%. As regiões Norte e Nordeste apresentam percentuais acima da taxa nacional nas duas amostras. Os dados apresentados na última terça-feira (10) em um levantamento da Fundação Abrinq, baseado em números da Pnad 2015 (Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios), mostram que:

  • No Nordeste, a taxa de analfabetismo entre jovens acima de 15 anos é de 16,2%, o maior entre as regiões brasileiras. A região Norte, com 9,1%, também tem um índice de analfabetos acima da taxa nacional.
  • Entre crianças e jovens de 5 a 17 anos, os índices de analfabetismo também se mostram bem superiores nas regiões Norte e Nordeste, respectivamente 15,6% e 13,9%. A média nacional é de 11,4%.

Veja outros dados do levantamento.

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