Por Phelipe Reis

Localizada na cidade de Cabedelo, região metropolitana de João Pessoa, na Paraíba, a Igreja Evangélica Vila Feliz oferece aulas de informática, muay thai, violão e reforço escolar para crianças e adolescentes. O projeto conta com uma estrutura que dispõe de espaço para cultos e salas para cursos, todas com ar condicionado. Mas nem sempre foi assim. O pastor Jaerton Lacerda e a esposa, Vanessa, estão à frente do trabalho desde 2018 e contam que, no início, reuniam as pessoas debaixo de uma tenda. A maior parte do material e recursos para conseguirem construir chegou por meio de doações. Mas o que realmente alegra o coração do casal é a transformação de vidas. “Nosso objetivo é ser uma igreja relevante na vida da comunidade e expressar o reino de Deus de forma integral. Aqui, as crianças ouvem o evangelho e começam a ter perspectiva de futuro, pensar em profissões que antes achavam impossível.”, afirma o pastor. Ele ainda ressalta que desejam ampliar as instalações para poder atender um público maior, oferecendo acompanhamento nutricional, psicológico e educacional.

Quando e como surgiu o projeto Vida Feliz?

O pastor Augusto Rodrigues, titular da Igreja Evangélica Batista de Intermares, em João Pessoa, Paraíba, sempre teve um grande desejo de alcançar e desenvolver projetos relevantes para as comunidades do município de Cabedelo. Então iniciou um trabalho evangelístico no bairro Portal do Poço, em uma casa alugada, com o intuito de proclamar o evangelho. A convite do obreiro responsável pelo ponto evangelístico, a irmã e psicóloga Rogéria Tavares foi convidada para atender uma criança, em setembro de 2009. Após este atendimento, foram aparecendo outras crianças da comunidade desejando atendimento. Essa foi a porta para iniciar um projeto de atendimento social com as crianças da comunidade. Este projeto recebeu o nome de “Vida Feliz”. Em 2012, chegou um casal voluntário: Maria Lúcia Marques, assistente social, e o pastor Paulo Marques, que perseveraram juntos por seis anos com amor às crianças e famílias da comunidade. Em 2018, a IEB Intermares comprou um terreno na Comunidade de Vila Feliz com a intenção de plantar uma nova igreja e desenvolver o trabalho com as crianças da comunidade. No mesmo ano da aquisição do espaço físico, o casal Jaerton e Vanessa Lacerda assumiram a coordenação do Projeto Vida Feliz.

Quais foram os maiores desafios que enfrentaram?

Trabalhar em meio a comunidades extremamente carentes é um grande desafio. Contudo, um dos maiores desafios é romper com a mentalidade limitante da comunidade, fazê-los enxergar que todos têm potencial, mesmo em meio aos problemas sociais. A influência espiritual também é um grande desafio, pois muitos se acham indignos de serem perdoados por Cristo.

Quais as maiores vitórias durante esse tempo trabalhando na Vila Feliz?

Ver a transformação de algumas crianças. Elas têm a oportunidade de ouvir falar do evangelho e começam a pensar em um futuro e em profissões que antes achavam impossíveis. Outra grande vitória foi a construção das instalações físicas no terreno adquirido em 2018, onde funcionam a nova igreja e o Projeto Vida Feliz.

O que vocês sonham para o projeto para os próximos cinco anos?

O Projeto Vida Feliz é uma resposta do que a igreja IEB Intermares interpretou no contexto em que está inserida, com o objetivo de ser uma igreja que seja relevante na vida da comunidade e que, de fato, expresse o reino de Deus de forma integral. O nosso sonho e projeto a longo prazo é melhorar as instalações físicas para atender de 100 a 300 crianças e jovens no contraturno escolar, oferecendo acompanhamento nutricional, psicológico e educacional nas áreas de tecnologia, esportes, música, artes e educação.

 

Leia abaixo uma história de transformação de vida de uma das crianças atendidas pelo projeto Vida Feliz:

Era fevereiro de 2019. Começava na comunidade um movimento que animava alguns e despertava a curiosidade de outros. Dona Joana estava no primeiro grupo e levou a filha, Juliete, de sete anos, para participar do projeto recém iniciado na comunidade. Após fazer a matrícula da filha, os responsáveis pelo projeto perguntaram se ela tinha outros filhos. “Eu tenho. O Gilberto, de dez anos. Mas ele dá muito trabalho, é rebelde, bate nas outras crianças… Vocês não vão querer ele aqui”, respondeu a dona de casa. As palavras causaram preocupação no líder do projeto, que falou à mãe antes que ela fosse embora: “Traga o Gilberto e os documentos para fazer a matrícula, pois Deus é especialista em transformar vidas!”. Dona Joana prometeu levar o garoto, sem deixar de enfatizar, mais uma vez, que ele daria muito trabalho. “Depois não digam que eu não avisei”, disse a mulher ao se despedir. Atrás de Joana, estava outra mãe aguardando na fila a vez para matricular seu filho. Ao ter ouvido a conversa que acabara de acontecer, comentou: “Meu filho estuda com o Gilberto, na mesma sala. Todo dia é uma confusão na escola. Às vezes, meu filho chega machucado em casa. Acho que vocês não deveriam aceitar ele aqui”. Na primeira semana do início do projeto, os facilitadores observaram em Gilberto um grande potencial de liderança e muito interesse em tudo o que era ensinado. “Quando eu ministrava as aulas, ele fazia muitas perguntas sobre Deus e a criação. Naquela ocasião estávamos ensinando valores e levando a palavra do Senhor de forma contextualizada. Apresentamos o plano de salvação, explicando que não somos merecedores do amor de Deus”, conta o facilitador, Jaerton Lacerda. Com o passar do tempo, Gilberto foi se demonstrando cada vez mais participativo e disposto a ajudar nas atividades. Em certa ocasião, após três meses envolvido no projeto, o garoto surpreendeu a todos. Ao perguntar à turma se “somos merecedores de alguma coisa”, o facilitador ouviu de Gilberto as seguintes palavras: “Tio, nenhum de nós merece nada. Na verdade, merecemos o inferno. Mas Jesus, com muito amor por nós, sem merecermos, morreu em uma cruz para que pudéssemos morar com ele para sempre!”. No outro canto da sala, a irmã do garoto levantou a mão e disse: “Tio, outro dia, quando perguntaram o que queríamos ser quando fôssemos adultos, o Gilberto respondeu que seria assaltante de banco”. Sem perder tempo, o garoto se defendeu: “Eu falei isso mesmo, mas naquele dia eu não conhecia Jesus e o amor dele por mim. Agora eu conheço Jesus e, quando crescer, quero ser um pastor”, afirmou o menino. Naquele momento, todas as crianças fizeram um grande silêncio, como se estivessem refletindo no que Gilberto acabara de falar. “Meu coração se alegrou de tal forma que nem consegui continuar a aula. Percebi que já era o bastante. Deus usou o Gilberto para falar conosco naquela manhã”, relata Jaerton e acrescenta: “O Espírito Santo operou de forma sobrenatural no coração do Gilberto, transformando o comportamento violento do menino e outras questões que a própria mãe havia comentado. Gilberto recebeu o perdão de Jesus e foi transformado pelo próprio Deus; tornou-se uma criança educada e amorosa; aprendeu a cativar seus amigos e respeitá-los; e seu desempenho na escola melhorou muito”.

 

Nota: O nome das crianças e da mãe foram alterados em respeito à sua privacidade.

 

» Confira mais algumas fotos do projeto: 

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  1. Antonia Leonora van der Meer

    Que lindo relato que prova mais uma vez o poder de Jesus em transformar a vida de crianças e adolescentes em situação de pobreza e desânimo. Que Deus continue abençoando esse trabalho de amor.

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