Por Jénerson Alves

Pai Nosso, que estás no Céu,
E em meu coração também,
Santificado é Teu nome
No Reino que de Ti vem.
Quero, Pai, Te agradecer
Pela graça de viver
No meu Nordeste feliz,
Que eu digo, ou até grito:
O pedaço mais bonito
Que existe neste país!

Te agradeço pela graça
Da tela que se emoldura,
Pois a chuva, quando passa,
Passa trazendo fartura.
O campônio, bem contente,
Cava o chão, bota a semente
Que morre sem ser ferida,
Novo rumo a vida trilha:
Nasce a planta, como filha
Da terra que engravida.

Te agradeço nesta estrada
O palácio da palhoça,
Por ter a mão calejada
Da rude lida na roça.
Acordar sentindo o cheiro
Do café no fogareiro
Feito por minha mulata,
Ver o Sol raiar a luz
Comendo sopa, cuscuz,
Queijo de coalho ou batata…

Eu sou grato pelas farras
Dos pássaros nos arvoredos,
Pelas canções das cigarras
Que são cheias de segredos,
Pela graça do Evangelho
Que faz novo o homem velho
Num espetáculo divino
Que Cristo dá por troféu:
Me fez cidadão do céu
Me mantendo nordestino.

Te agradeço, mas te peço
Com o coração contrito:
Que me livre do insucesso,
De briga, foice e atrito;
Que me livre do mau homem
Com valores que se somem
Como poeira nos pés,
E me livre do falso dote
E do peso do chicote
Dos modernos coronéis.

Proteja minha família
Onde meus filhos despontam
Contra os papéis Brasília
Que a toda família afrontam.
Me livre da triste sina
De mudar minha rotina
Do campo para a cidade;
Ver a família mudada:
Minha filha viciada
E meu filho por trás da grade…

Me livra do desafeto
De perder a minha flor
Que ela é sob meu teto
Um pedestal do amor,
Que as lições da novela
Não façam a cabeça dela
E ela mude de consórcio
Dizendo que é mais moderno
Jogar o amor eterno
Na fogueira do divórcio…

Me livra, Senhor, também,
De encontrar bala perdida,
De perder o meu vintém
Pro ladrão que tira a vida,
De faca, foice, peixeira,
Riso de mulher faceira,
Conversa besta de seita,
Pra não me acordar na lama
De um quarto em que a cama
Foi pelo Inimigo feita.

Envia, Senhor, Teus anjos
Dos mais bonitos corais
Pra me envolver em arranjos
De coros celestiais!
Me dê o pão do amor
Pra todo canto que eu for
Lavrar sementes do bem
E dar pão a quem tem fome.
Glorificando o Teu nome
Pra século sem fim. Amém.

• Jénerson Alves é jornalista, membro da Igreja Batista Emanuel em Caruaru (PE) e presidente da Academia Caruaruense de Literatura de Cordel (ACLC).

  1. Marcos Aurélio Quintino

    Oro a Deus pedindo bênçãos e conversões no Nordeste, essa linda oração me desperta a pedir também pelo meu estado de São Paulo, minha cidade Ribeirão Preto.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

You may use these HTML tags and attributes:

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>