Julho foi um mês intenso de capacitação para cerca de oitenta pessoas que participaram do Seminário de Desenvolvimento Comunitário (Sedec), promovido pelo Centro de Assistência e Desenvolvimento Integral (Cadi). Dividido em duas turmas, o seminário aconteceu na base do Cadi Fazenda Rio Grande, Paraná.

Além de pessoas vindas de países como Uruguai, Paraguai, Chile e Argentina, e outras de diversos estados do Brasil, teve gente do norte e nordeste presente no Sedec. Trabalhando em frentes diversas, essas pessoas agora têm nas mãos o desafio de contextualizar para suas realidades os princípios, orientações e ferramentas apreendidas durante o seminário. Confira alguns breves depoimentos de como o Sedec vai impactar projetos, organizações cristãs e as igrejas no norte e nordeste do Brasil:

Depois de alguns dias intensivos de aprendizado, construção de conhecimento, experiência prática e quebra de paradigmas, a pergunta mais frequente é: o que fazer com tudo isso? Como voltar para minha cidade e aplicar tudo que aprendi? Como começar a mudar o mundo partindo das ferramentas que tenho? O que inicialmente parece utópico, após um olhar menos apressado vai ganhando definição: é possível mudar o mundo a partir de nosso lar, nossos familares, nossos amigos, nossa comunidade. Cada pessoa que passar a compreender que a missão de fazer do mundo um lugar mais justo, mais digno e com equidade é uma pessoa que já se tornou melhor para o mundo, ou seja, transformamos o mundo a partir das pessoas, e essa foi uma das grandes lições do SEDEC. Toda técnica apreendida, toda informação compartilhada e cada ação realizada será apenas mais do mesmo se não for pensando na integralidade do ser humano. Compreender que somos possuidores de história, cultura, crenças, que somos biopsicossociais, integrais é um passo importante para pensar em mudar o mundo, para olhar para as problemáticas de determinada comunidade e ver nelas desafios a serem superados e oportunidade de trabalhar para o crescimento de um grupo pensando na futura emancipação dele, como autor de muitas e mais melhorias para a comunidade ao entorno, para a sociedade como um todo, para o mundo. Assim, quando volto a pensar em como ou onde aplicar o que aprendi, percebo que o “como” será respondido pela necessidade das pessoas daquela localidade e o “onde”, será por onde andar.

Ítala Aguiar, Valença, Bahia.

Minha área de atuação está ligada diretamente ao ensino, por isso tenho procurado incluir em minhas aulas, palestras, formações e outras oportunidades que surgem (seja em ambientes confessionais ou não) os princípios da cosmovisão cristã. Além disso, venho atuando na sensibilização da minha comunidade de fé por uma missiologia mais ampla na perspectiva do Reino de Deus e com isso, articular novas ações da nossa igreja local e demais igrejas filiadas por meio da nossa Secretaria de Missões.

Felipe Linhares, Belém, Pará.

 

A realidade na qual estou inserida retrata explicitamente as refrações sociais, bem como muitas formas de violência contra a pessoa humana. Motivos estes que me impulsionam ao anseio de aplicar os princípios da cosmovisão cristã, com intencionalidade de uma transformação desta realidade, a partir de projetos de desenvolvimento comunitário, na área de educação em forma de contra turno, ações mobilizadoras e aplicabilidade do advocacy, no sentido de reivindicar do poder público ações que coíbam a todas as formas de violência, contra quem quer que seja.

Josélia de Carvalho, Candeias, Bahia.

 

O que mais me impactou foi refletir nas maneiras que o próprio Deus usa para redimir todas as coisas, como vemos em Colossenses 1.20. Ampliar a visão de que Deus está redimindo o mundo criado para sua glória, permite atuar de maneira intencional em todas áreas da vida. Isso vai além de implantar igrejas. Por muitos anos nossas igrejas se empenharam em “salvar almas para Jesus”, dedicando todos seus esforços a ações de evangelismo e implantação de igrejas. Deixando de lado, porém, outras áreas da vida que são igualmente importantes para Deus, como o desenvolvimento comunitário, a política, a arte, a ciência, dentre outras. Atualmente, minha cidade, Boa Vista (RR), tem vivido tempos caóticos. A chegada dos imigrantes venezuelanos elevou os problemas de saúde, bem como casos de violência e furtos, pessoas em situação de rua, crianças em situação de vulnerabilidade, prostituição, consumo de drogas e entorpecentes etc. Muitas igrejas se mobilizaram para ajuda emergencial. Agora temos o grande desafio de atuar para que essas pessoas possam ter dignidade e melhores condições de vida. A pergunta que fica é: Como a igreja boa-vistense será resposta de Deus paras esses problemas atuais? Faço minhas as palavras que ouvi durante o Sedec: “Vamos mudar o mundo, uma vida de cada vez!”.
Calene Rodrigues, Boa Vista, Roraima

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