A Diaconia ajudou as mulheres a formar empresas comunitárias, como padarias. (Foto: Diaconia)

A vida pode ser dura na região semiárida do Brasil, especialmente para as mulheres. A falta de acesso à água e à terra faz com que a agricultura seja muitas vezes uma luta. Muitos homens e jovens migram para cidades à procura de trabalho. A cultura é dominada pelos homens, e as mulheres normalmente têm poucas oportunidades para ter uma renda ou voz.

A parceira da Tearfund, Diaconia, criou um projeto de três anos para ajudar as mulheres desta região a ter sucesso econômico e tornarem-se mais empoderadas social e politicamente.

União e empoderamento das mulheres

A Diaconia mobilizou as mulheres para se juntarem em grupos femininos comunitários. Os funcionários do projeto treinaram as mulheres em novas técnicas agroecológicas (formas sustentáveis e ecológicas de agricultura). Eles também as ensinaram como agregar valor aos seus produtos, fazendo polpas de frutas, doces, bolos e pães. Eles ajudaram as mulheres a iniciarem juntas negócios comunitários, como padarias, e também organizaram visitas de intercâmbio entre diferentes comunidades para que as mulheres pudessem aprender com os sucessos e fracassos umas das outras.

Os funcionários da Diaconia ofereceram um treinamento completo em gestão empresarial, produção e comercialização às mulheres e ajudaram-nas a acessar os mercados em que poderiam vender seus produtos de forma mais rentável, inclusive feiras agroecológicas. Eles também ajudaram a ligá-las a duas políticas governamentais: o Programa de Aquisição de Alimentos e o Programa Nacional de Alimentação Escolar. Através desses programas, o governo compra alimentos de pequenos agricultores para hospitais, casas de idosos e escolas públicas.

Através do treinamento, a Diaconia ajudou as mulheres a aprender mais sobre seus direitos e encorajou-as a se envolverem na tomada de decisões pública. As mulheres começaram a participar de associações comunitárias locais e sindicatos de trabalhadores, muitas vezes, assumindo cargos de liderança. Em muitos casos, isso melhorou o desempenho das organizações.

Relacionamentos transformados

O projeto viu uma melhoria notável no empoderamento das mulheres. Sua renda aumentou significativamente, e algumas famílias conseguiram comprar artigos como refrigeradores e motos. Algumas conseguiram pagar o ensino superior para os filhos.

O fato de as mulheres agora estarem contribuindo para a renda familiar mudou os relacionamentos dentro das famílias. Ao verem os benefícios para sua família, os homens começaram a apoiar as esposas em seus novos empreendimentos. Enquanto as mulheres faziam visitas de intercâmbio para aprender em outras comunidades, os maridos assumiram suas tarefas diárias em casa – apesar da relutância no início.

Tudo isso não aconteceu sem dificuldades. “No início, foi muito difícil, porque existia muito machismo”, diz Maria Dilvânia Fernandes. “Os maridos não queriam que as mulheres participassem das reuniões de grupos de mulheres nem das capacitações. Mas nós não desistimos: as que podiam sair e participar dos encontros, reivindicavam liberdade e igualdade para as demais.”

Nota: Conteúdo extraído da revista Passo a Passo, edição nº 103, publicada pela Tearfund.

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