“Deus me agraciou em permitir morar e servir o povo sertanejo”, José Carlos

Há cinco anos visitei o sertão do Piauí pela primeira vez, fui até uma comunidade quilombola chamada Baixão. Eu já tinha visitado muitos lugares no nordeste, mas essa foi minha primeira vez no sertão. Lembro como se fosse hoje o quanto fiquei impactado com aquela visita. Entrávamos nas casas de telhado baixo, com revestimento de taipas. As palavras que as pessoas da comunidade usavam eram na maioria desconhecida do meu vocabulário. Mas algo não saia da minha cabeça: como podem existir comunidades tão distantes e tão carentes no meu país e eu nem ouvira falar?

Depois daquela visita Deus falou muito forte ao meu coração que aquele tempo não foi apenas só mais uma visita qualquer. Nós tínhamos responsabilidade diante do que Deus tinha nos permitido ver e conhecer.

Começamos a levar doações para o quilombo Baixão e para outras comunidades do sertão. Nessa época eu morava em Teresina (PI) e para chegar em comunidades do sertão nos viajávamos cerca de 500 quilômetros.

O tempo foi passando e percebi que minha vida era muito mais intensa no sertão do que na capital Teresina ou em qualquer outro lugar. Resolvi então me mudar para o município de Betânia do Piaui. Fui sozinho. Durante alguns meses morei em um quarto na casa do pastor da igreja local.

A partir dessa decisão de me mudar em definitivo para o sertão, tudo mudou. Agora eu visitava o quilombo Baixão quase todos os dias. Em pouco tempo começou uma igreja na localidade, algo que nunca existiu antes.

Já se passaram alguns anos dessa mudança para Betânia. Hoje não moro mais na casa do pastor. Me casei e moro com minha esposa em uma casa na entrada da cidade. Posso dizer que meu coração é sertanejo, meu primeiro filho que vai nascer em setembro vai crescer correndo no meio dos jumentos e mandacarus do sertão.

Tenho certeza que Deus me agraciou em permitir morar e servir o povo sertanejo. Na verdade, me sinto muito mais servido por eles do que o contrário. Com o sertanejo aprendi a ser receptivo, a sempre ter a porta aberta para uma visita, respeitar e honrar meus pais e, seja vindo a chuva ou a seca, acreditar que Deus está no controle de tudo.

Atualmente estamos com cinco igrejas implantadas no município de Betânia do Piauí, onde iniciamos uma ONG chamada Instituto Novo Sertão, que atende 150 jovens e crianças semanalmente. Diariamente vemos como o coração de Deus está voltando para esse povo tão amado, que é o povo Sertanejo.

• José Carlos Brito Filho vive há cinco anos em Betânia (PI), onde trabalha com plantação de igreja e com a ONG Instituto Novo Sertão.

 

 

  1. Suely Araújo

    Coração grato e inundado de alegria por “ler” você, ZeCarlos! E perceber que a sua satisfação está na contra mão dos tantos que buscam por “fama”. Que estas palavras sr cumpra em sua vida e ministério “o Senhor sr agrada dos que o Renan, dos que colocam sua esperança e satisfação no seu amor leal”. Suely Araújo

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