trafico_humano-imagens_evangelicas_-_flickr-ccUma matéria publicada no site da Rádio Nacional da Amazônia mostra como acontece o tráfico de mulheres na Amazônia e apresenta o crescente número de denúncias de tráfico de pessoas. A matéria é do programa Amazônia Brasileira.

Segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos do Amazonas (Sejus), houve um crescimento de 106,2%, no número de denúncias de tráfico de pessoas, no Amazonas, entre os anos de 2011 e 2013, e as mulheres representaram 66,6% das vítimas.

O programa entrevistou a professora de Antropologia da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Iraildes Caldas, doutora em Ciências Sociais e Antropologia. Ela é uma das escritoras da obra “Tráfico de Mulheres na Amazônia”.

Ela esclarece que as mulheres amazônicas são tidas, no imaginário europeu e no imaginário brasileiro, como uma mulher exótica, bela e lasciva. A escritora explica que foi construída, historicamente, uma imagem depreciativa dessa mulher.

Iraildes Caldas acredita que é o exotismo em relação as mulheres que está no imaginário das pessoas, que introduzem as mulheres amazônidas no tráfico de mulheres: “são moças que são pobres, algumas indígenas, outras de classe média, que estão fazendo universidade, então a questão do tráfico não é uma questão de pobreza, é uma questão do patriarcado mundial. No nosso caso, a questão indígena e étnica vem se posicionar dentro desse patriarcado. Aqui, nós temos uma ideia de que do século XVIII para cá, se construiu uma imagem da índia que se oferece”, conta.

Outra questão que se aloja com esta, contada por Iraildes Caldas, é que, a partir do século IX, começaram a acontecer doações de moças, para as famílias abastadas de Manaus: “famílias iam para o interior, até a área ribeirinha, conversavam com a família da moça, se tornavam padrinhos e madrinhas ao fazerem a passagem pela fogueira, um costume da região, e levavam as moças para a cidade, com o propósito de que ela teria uma vida melhor na cidade grande. Na verdade, essa moça seria explorada, tanto do ponto de vista servil quanto do ponto de vista sexual”, diz.

A professora explica que na Amazônia, essa ideia étnica, da índia lasciva, faz com que a sociedade, enxergue o tráfico como uma coisa natural.

De acordo com Iraildes Caldas, existe uma rede sofisticada de tráfico humano, com pessoas importantes. “Aqui nós conseguimos denunciar e fazer com que a Justiça levasse a prisão um prefeito que fazia abuso sexual de meninas, conforme a idade”, comenta.

“Descobrimos vertentes, em três cidades, que promovem, abertamente, dentro de barcos, orgias sexuais com meninas. As pessoas que estão nela são pessoas que vem de fora, havendo uma proliferação desse tipo de negócio e de uma forma fácil”, conta.

Iraildes Caldas enfatiza que o tráfico de mulheres “é uma questão que ninguém quer se comprometer” e, inclusive, envolve risco físico para quem deseja pesquisar e investigar o assunto.

Clique aqui para acessar a matéria completa no site da Rádio Nacional da Amazônia e ouvir a entrevista com a professora Iraildes Caldas.

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