A política social do Governo Federal é a de um país sem miséria, que infelizmente tem se tornado um contra-senso, já que os últimos dados do Censo Demográfico revelaram que metade da população brasileira vive com menos de um salário mínimo. Ainda que a economia do Brasil seja a sétima maior do mundo, o contraste social impera em nosso país. E a situação fica mais drástica quando a região analisada é o Nordeste.

O Mapa de Pobreza e Desigualdade do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que o Nordeste tem maiores dificuldades para vencer a barreira da linha de pobreza no país. A população nordestina sente a falta de acesso aos direitos de participação da vida social, política e cultural de onde vive. Exemplo disto, foi a realização de uma Conferência Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente, na cidade de Vitória da Conquista – Bahia, onde não houve participação popular, apenas delegados escolhidos pelo poder municipal puderam participar da Conferência. Mas, se os direitos são da criança e do adolescente, aonde estão estas crianças e estes adolescentes?

O Nordeste ainda é uma região chefiada por coronéis políticos que privam à população de uma vida digna. E o agravante deste cenário é perceber que o aparelhamento do Estado é composto por políticos desta categoria. Políticos corruptos que estão sendo contemplados pelas benesses do poder. A desigualdade social não é meramente uma questão de distribuição de renda, mas antes, passa pela urgência do combate à corrupção, onde a impunidade não seja a palavra final.

O Nordeste a depender dos políticos corruptos continuará sendo uma região de desigualdades e contrastes sociais, todavia, eu acredito que a depender do cidadão honesto, que não se envergonha do trabalho braçal, que levanta ainda de madrugada para desempenhar com vigor o seu trabalho, da mãe que por causa dos filhos se aventura em várias atividades, da força de vontade estampada em cada nordestino e nordestina, por causa destes, o Nordeste pode ser diferente.

O Nordeste, assim como o Brasil, precisa de menos propagandas eleitoreiras e mais resultados concretos, afinal de contas, não vivemos em um país de propagandas, vivemos em um país real, que por mais que não queiramos, possui uma das maiores desigualdades sociais do mundo, e os mais desiguais estão aqui, no Nordeste.

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Ivan Cordeiro tem 26 anos, é administrador e teólogo, mora em Vitória da Conquista (BA). É responsável pelos sites: www.bomlider.com.br e www.ivancordeiro.blogspot.com