A ação de Deus de enviar o Filho é o ponto culminante para que possa haver melhor compreensão do que significa missões. E isto está explícito nos escritos de João a partir do momento em que ele apresenta o verbo de Deus e deixa clara a natureza de Jesus: um Verbo que se torna carne (Jo 1:14). João é usado por Deus para que soubéssemos que Jesus Cristo era plenamente Deus em forma humana. A obra missionária anunciada em Gênesis 3:15 estava se cumprindo n’Ele para Ele mesmo, através do Filho, que é a expressão exata do Pai (Hb 1:3). João esclarece a identidade de Jesus no primeiro capítulo do livro, entre os versículos 29 e 34.

A mensagem central de Jesus em João foi manifesta à humanidade em uma exposição de vida operante que revelava o Pai com a presença do Cristo trazendo a salvação de pecadores, o ministério da cura e o evangelho do amor.

No contexto literário bíblico, vemos Jesus sendo completo em todos os aspectos de sua missão. Em João, podemos observar o seu ministério itinerante sendo usado com sinais que mostram esta característica de realizar o serviço de maneira plena: o que é realizado por Ele é tão perfeito que em todas as suas atitudes vemos lições para a vida. Como exemplo, temos Dockery, que descreve o quadro dos sete sinais, mostrando em João no capítulo 2, versículos de 1 a 11, que Jesus transforma água em vinho, mensagem que aponta para um Jesus como fonte para todas as bênçãos do futuro de Deus (Is 25:6-8; Am. 9:13,14). Ao curar o filho do oficial do rei (Jo 4:43-54), a mensagem está apontando para Jesus como o doador da vida. Ao curar o inválido em Betesda (Jo 5:1-15), podemos ver o Messias como o colaborador do Pai. Ao multiplicar os pães (Jo 6:1-15), Jesus é indicado como o pão do céu que dá a vida. Quando andou sobre as águas (Jo 6:16-21), temos a prova de que Jesus é divino. A cura do cego de nascença (Jo 9:1-41) reflete Jesus como aquele que dá visão espiritual. A ressurreição de Lázaro (Jo 11:1-44) aponta para o que é a ressurreição e a vida (paráfrase).

A missão do Messias em João era mais do que um expressar de palavras; era, acima de tudo, uma prova de que Ele era o filho do Homem ligado à sua missão terrena (Jo 1:51), tendo por base Duteronômio 7, versículos 13 e 14.

Jesus veio por amor para salvar e, dentro dessa missão, vemos a sua consideração para com o Pai em levar a sua mensagem, dando a entender que o Cristo era enviado de Deus e tinha a ênfase de, com alegria, fazê-lo conhecido de maneira constante e incondicional segundo a vontade daquele que o tinha enviado (Jo 5:30; Jo 6:38; Jo 8:26; Jo 9:4; Jo 10:37,38; Jo 12:49,50; Jo 14:31; Jo 15:10; Jo 17:4).

Quando falamos da revelação do Pai através do Filho com a salvação para pecadores, subtende-se que a mensagem do apóstolo diz da missão do enviado de Deus que, nessa tarefa, ilustra uma verdade para que o homem apegado pelo pecado viesse entender a mensagem de resgate (Jo 8:12): “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida”. Esta mensagem não traz somente uma pregação oral, mas também um espaço para abrir o laço de união através da aliança no sangue (1Jo 1:9), tirando toda a barreira de separação que impedia o acesso do humano ao relacionamento com o divino. O peso desse foco teológico repercute na vida que a luz traz ao que está em trevas, um caminho aberto para que se ande na verdade e, com isso, para que o homem possa receber do céu a condição de ter de fato a verdade que tinha sido anunciada, que foi encarnada e que é transformadora.

 

Ministério de cura

Nesta missão, Jesus dá destaque ao serviço praticado com o sacrifício do amor, como resposta à necessidade do aflito a fim de que o contrito seja consolado. Jesus diz no capítulo 15, versículo 13: “ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a sua vida pelos seus amigos”. Aqui é o ponto culminante do evangelho do amor: não há missão sem compaixão. O núcleo da vida é Deus e Ele expõe essa vida pelo amor, porque Deus é amor.

Começando por Jo 3:16, vemos o sentido deste alvo: o sentimento perfeito por uma causa injusta que foi a transgressão, mas o comprazer de Deus pelo sacrifício de sua vida, que justifica o perdido para dar a condição de ele ser justificado e, com isso, a causa tornar-se justa. O imerecidor torna-se merecedor deste amor em função do que Jesus fez, isto é, o nome do Pai conhecido para que, a partir do amor com que o Pai o tinha amado, a presença de Jesus também estivesse neles (Jo 17:26).

A missão do Mestre foi proporcionar um resgate não com fatos documentais, mas com a sua presença imanente, que gera em cada indivíduo uma fonte eterna (Jo 4:14). Quando falamos do evangelho do amor, não estamos falando apenas por falar, mas porque aquele de quem o evangelho fala é testificado por atitudes que condizem com a verdade, tendo um estilo de vida que corresponde com o que é anunciado (Jo 3:19-21; Jo 4:26; Jo 8:28; Jo 9;33; Jo 10:11; Jo 12:28-30; Jo 15:9; Jo 17:26; Jo 19:30; Jo 20:14-16).

Podemos, assim, afirmar que o Apóstolo João anunciou o evangelho do Senhor Jesus Cristo de maneira que nos leva a conhecer o maior e mais perfeito dos ministérios, um serviço que, apesar de ter sido concluído de maneira drástica – por morte de humilhação –, foi triunfante, resultando na ressurreição e na vitória sobre a própria morte. Assim, tornou vitoriosos os derrotados e feridos pelo poder do pecado. Jesus, o missionário por excelência, é em si um exemplo tão simples que o mundo não pôde compreender; tão profundo que ninguém é capaz de explicar, a não ser por meio da fé obtida pelo poder da sua palavra quando anunciada.

 

Bibliografia

BRUCE, F.F. João, introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2002.

DOCKERY, David S. Manual bíblico vida nova. São Paulo: Vida Nova, 2001.

ALMEIDA, João Ferreira. Bíblia do Obreiro. Barueri-SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2003.

 

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Enviado por Cosme Alves de Almeida, pastor em Junco do Serido (PB). Ele é participante do Paralelo 10.