Artigos com o marcador Evangelho Pós-Moderno
O contrato social para o desencargo de consciência.
11/03/10
Tbm naum vjo o avivamento vindo dos letrados
12/10/09

Tenho ouvido muitas reclamações sobre como os adolescentes, e agora os jovens, estão escrevendo “errado” na internet. Ouço que este novo jeito de escrever está estragando a língua portuguesa e criando uma geração que não sabe ler os textos que vou chamar de “clássicos”.
De alguns anos para cá, não é tão difícil encontrar na internet palavras como naum (não), tbm (também), vc (você) entre centenas de outras palavras que estão sendo abreviadas ou escritas como se fala, para facilitar agilizar a comunicação na net. E a perspectiva é de piorar com o fenômeno do Twitter chegando no país e “forçando” ainda mais as pessoas a escreverem abreviadamente.
Mesmo concordando que temos negligenciado o estudo da língua portuguesa e a valorização da nossa cultura e, também com a opinião que estamos entrando em uma geração que desaprendeu a desenvolver um pensamento com mais de um parágrafo. Pretendo dessa vez ver o outro lado da moeda, para sermos mais justos em nosso julgamento e vermos que este fenômeno não é de todo mal.
Minha crise com o português mais rebuscado veio da simples situação de que por um bom tempo da minha vida eu tentava ler o Antigo Testamento e não entendia quase nada. Pensava que a bíblia, principalmente o AT, era algo tão profundo que eu teria que estudar teologia para entender. Quando entrei no seminário, ao me deparar com outras versões e traduções, percebi que o meu problema na adolescência não era a teologia e sim o português. Pois a tradução que tínhamos na minha igreja era de mais de 50 anos e não estávamos falando a mesma língua.
Foi quando me veio a segunda pergunta lógica, que fiz para a professora de português do seminário: por que não se populariza a Bíblia Linguagem de Hoje? (na época não tinha Nova Versão Internacional). Quando ela de bate pronto me respondeu com outra pergunta: Se popularizar como os letrados (catedráticos) vão continuar dominando o povo?
Foi como cair o véu que me cegava, entender que a ignorância leva a escravidão, e que ela beneficiava quem estava no poder!
Na história, o dinamismo da língua, sempre incomodou quem estava no poder, e entenda o estar no poder como o que controla o conhecimento,com os estudiosos ridicularizando os que popularizavam a comunicação e os religiosos sacralizando o antigo (que já estava dominado) e profanando o novo, o desconhecido.
Foi essa a acusação aos rabinos, após o exílio, de estarem profanando as escrituras por traduzirem do Hebraico para o Aramaico a lei para o povo, assim também foi com o grego na septuaginta. O novo testamento foi rejeitado por muitos da sua época por ter sido escrito no grego do povo e não no clássico.Cinco séculos depois, a tradução da Bíblia para o Latim foi chamada de Vulgar (Vulgata), e não foi diferente com as traduções feitas após a reforma.
Sempre foi assim, era rejeitada a nova linguagem, considerada pobre e vazia, até que ela fosse dominada pelos poderosos, que a engessava e as controlava.
A tentativa de reforma da língua portuguesa, que vimos um tempo atrás, além de ser uma jogada econômica, foi um tapa buraco que não chegou nem perto da realidade do português que falamos hoje.
Você até pode não gostar na nova forma de escrever que a internet está trazendo com muita rapidez, mas acredito que em primeiro lugar ela é inevitável, pois a roda girou e a oportunidade da troca do poder esta bem a frente a todos com a net 2.0.
E para você que é cristão, não se espante se a reforma ou o avivamento vier desse novo jeito de pensar e escrever, pois foi assim que aconteceu na história do cristianismo até hoje!
A crise da informação e a reforma do ensino.
03/09/09

Estamos entrando no olho do furacão de uma crise que ninguém está percebendo ou anunciando, mas que está cada vez mais forte e real: a crise da informação.
Se há meio século tivemos a crise da razão, um basta da humanidade sobre o autoritarismo da razão sobre a vida, onde o que não encaixava na mente humana era descartado como fútil, chegamos, em pouco tempo, a uma segunda crise, pois recebemos uma quantidade de informações tão grande, que estamos nos tornando uma geração futilmente informada.
Hoje uma pessoa recebe por dia, a mesma quantidade de propaganda que um jovem recebia em um ano 50 anos atrás. Chagamos ao limite da informação, nossa mente não agüenta mais.
Este fenômeno mudou toda a epistemologia, ou melhor, a forma de aprender de nossa geração. Um bom estudante, uns cinqüenta anos atrás, era aquele que guardava tudo que pesquisa, um estudante esponja, era premiado por decorar. Pois as informações precisavam ser encontradas e alcançadas. Hoje, de certa forma, este modelo de estudante, o esponja, passou de um estudante inteligente para uma pessoa fútil, pois a quantidade de informação que ele recebe por dia e por pesquisa é infinitamente maior e menos “relevante”.
Mas as instituições de ensino e as igrejas não se deram conta disso e, como me disse a Bráulia Ribeiro alguns dias atrás, “Esta crise no ensino, não é apenas religiosa, é mundial.”
Aprendemos a bloquear em minutos quando percebemos conscientemente ou inconscientemente que estamos recebendo informações demasiadas e aparentemente inúteis ao nosso dia-a-dia. Isso é um mecanismo de defesa desta geração, senão ficaríamos loucos.
Quando um pregador começa sua exposição gastando 15 minutos falando de contexto, da palavra no original, o que “Agostinho” falava, etc.,a nova geração bloqueia o resto da pregação e, quem sabe, só volta na hora do apelo com o tecladinho. Eu, como um professor de Hermenêutica, sei muito bem da importância do contexto, língua original e etc. para compreender o texto, mas estas informações têm que ser diluídas na exposição, não como uma pregação em forma de tese, mas como uma história.
Da mesma forma as Escolas Bíblicas Dominicais desanimam os “alunos” só de ver o conteúdo programático do semestre. Muita informação e pouca formação. É a única escola que o indivíduo NUNCA se forma em nada.
E quando chegamos a instituição de ensino chamada seminário, aí da vontade de chorar. Mandamos um jovem nota 10 para um seminário na esperança dele voltar mais sábio, mais amigo, mais preocupado com o próximo e, sabe o que geralmente nos mandam de volta? Quando não se desvia, volta um jovem arrogante, chato e com muita informação inútil da bíblia.
O bom estudante hoje não é o espoja, mas o Jovem “Peneira”! Aquele que deixa passar a maioria das coisas que não são palpáveis e retém as coisas sólidas.
A crise da informação nos remete a uma reforma no ensino, a uma nova pedagogia nos seminários, escolas bíblicas e pregações. Em uma metodologia de relacionamentos e protagonismo. Deus nos ajude nesta reforma antes que seja muito tarde.
Geração Fragmentada em Tribos
24/08/09

Hoje é normal vermos grupos de jovens que se identificam com uma causa, com a forma de se vestir ou de ser de uma determinada “tribo”. É o caso dos Sk8tistas, PUNK´s, EMOs, Pagodeiros, Nerd´s, Esportistas, enfim, são diferentes grupos que defendem uma forma de ver e, principalmente, de viver a vida. Isso tudo faz ressaltar uma pergunta: Como lidar com uma geração fragmentada em tribos?
Bom, só conseguiremos responder esta pergunta se entendermos o que Jesus falou aos seus discípulos quanto a sua identificação com a sociedade.
Os líderes de jovens acreditam que os evangélicos devem ter uma marca que os identifiquem como “povo de Deus” em relação às outras pessoas da nossa sociedade. E com isso todos nós concordamos, o problema é que muitos trocaram a forma pelo conteúdo e isso tem gerado religiosos ao invés de pessoas parecidas com Cristo.
Jesus, quando viu que os discípulos estavam apavorados por terem percebido que Ele iria “embora” e eles não teriam mais uma referência clara de conduta, falou: “Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros” Jo 13:34,35 (NVI)
O que tem de novo nesse mandamento? Amar uns aos outros? Não, isso já tinha desde o antigo testamento. O novo mandamento é ser identificado somente pelo amor. A busca de um estereótipo para os evangélicos é um tiro no pé, é a volta ao antigo, é ir em direção a religião e não a Cristo.
O beijo de Judas para identificar o mestre não foi porque Jesus estava escondido, foi porque os soldados não sabiam quem era o líder, pois Jesus não tinha roupa ou aparência diferenciada.
Não devemos ter a tribo dos jovens evangélicos, devemos ter Sk8tistas cristãos, EMOs cristãos, PUNK’s cristãos, assim como na política, na arte, e em outras áreas de nossa sociedade. Criar uma sociedade evangélica só favorece as raposas do mercado evangélico, mas joga contra a expansão do Reino de Deus.
Talvez agora possamos tentar responder a pergunta que aflige os líderes de jovens e adolescentes dessa geração: Como lidar com uma geração fragmentada em tribos?
Não tem como discipular essa geração a distância, precisamos entender cada fragmento, precisamos vivenciar e sentir na pele, precisamos nos encarnar na cultura assim como Jesus fez. Ele é o nosso paradigma de contextualização.
O problema é que é muito mais fácil trabalhar com a forma, com o exterior, dando broncas e colocando regras e mais regras. Como já disse antes: A lei tem que ser forte onde os relacionamentos são fracos. Mas se trabalharmos com a essência que é o amor de Cristo uns pelos outros, não só colocaremos uma marca indelével nos jovens, mas transformaremos uma geração toda.
A nova geração está desfragmentada em tribos, devemos ser diferentes lá dentro de cada pedaço, no núcleo de cada uma, trabalhando para uni-los em um elo nunca visto antes por eles, um elo que está na essência e não nos estereótipos, o elo possível entre tribos e seres humanos, chamado amor de Jesus Cristo.
[Artigo originalmente escrito para a Revista Ideao]
A lei tende a ser forte onde o relacionamento é fraco
11/08/09

Parece que estamos em guerra, liderança de igreja e juventude. Cada dia que passa dá a impressão de que estão se afastando cada vez mais.
De um lado, muita reclamação dizendo que os jovens não levam nada a sério, são entregues ao “oba oba” e não têm atitudes de cristão. Do outro lado, uma apatia com o descrédito de uma liderança que está distante, que não se preocupa em entender o porquê os jovens agem como agem. Uma liderança cada vez mais fria e legalista.
O abismo entre as gerações está crescendo muito mais rápido do que conseguimos controlar e avaliar. Dez anos atrás falávamos de missão transcultural em nosso seminário, hoje precisamos avaliar o evangelho da igreja brasileira e começar a pensar no conceito da Missão Transgeracional.
A instituição, encabeçada pelos líderes, está apavorada por não entender as novas cabeças. Tentam retomar o controle institucional delegando cada vez mais regras.
Puxaram o arreio, pois se assustaram com a liberdade e o galope do cavalo.
Não é pela lei que vamos nos entender,colocando mais regras para alcançar o controle social da juventude. Pois a lei não opera santidade e muito menos relacionamentos.
A lei tende a ser forte onde o relacionamento é fraco.
Precisamos sentar para conversar. Saber o que está por trás dos líderes sisudos, a história de vida deles, quais foram os traumas e experiências ao longo da vida. Quais as reclamações que eles têm com os líderes deles e, como estão suas famílias.
Precisamos sentar para conversar, entender por que a liturgia que funcionou por séculos incomoda tanto os jovens, quais as angústias do coração desta geração, quais pressões sociais estão enfrentando, como estão se relacionando e quais são os seus heróis.Em um ambiente onde os líderes e os jovens estão sentados em volta de uma mesa, onde todos estão no mesmo nível, onde o “pão” esta no centro da mesa.
Precisamos urgentemente ter uma agenda relacional em nossas comunidades para que os relacionamentos se fortifiquem e continuemos no evangelho de Cristo. Pois, se não mudarmos, será insuportável convivermos juntos na lei!
Socorro! Eu entrei no twitter.
13/04/09

Estou com muito medo de hoje ter sido o dia em que me perdi completamente, pois fiz uma conta no twitter!
Você deve estar se perguntando: do que ele está falando? O que fazer uma conta no twitter tem a ver com se perder? Se perder do que?
Bom, cresci ouvindo os adultos falarem mal da nova geração e da pós-modernidade, ouvi tanto que me cansei! Ao sair do seminário tomei uma decisão que iria mudar o destino do meu ministério pra sempre e, por que não dizer, da minha vida!
Resolvi assumir a pós-modernidade como minha época, pois não acredito que cinqüenta anos atrás, na era moderna, fosse um centímetro melhor que hoje. Era apenas diferente, nem melhor e nem pior.
Crescemos ouvindo dos adultos a famosa frase: “Na minha época isso não acontecia, pois bla bla bla…” e de fato não mesmo, mas o que percebi era que quando eles eram jovens ouviam a mesma coisa dos seus pais!
Vejo amigos brigando com o novo estilo de pensar, pregando o passado como se fosse a solução. Acabam gerando um geração alienígena que “tenta” viver isolado de tudo o que acontece em uma utopia retrógada.
Mas nunca quis viver a pós-modernidade acriticamente, simplesmente mergulhar de cabeça. Quero vive-la e aproveitá-la, pois é a era em que nasci, mas quero transformá-la também.
Por isso, decidi não só fazer peças de teatro, mas gravá-las e colocar na net. Não só pregar, mas postar em blogs. Não só ler, mas assistir. Não só escrever, mas responder e interagir.
Logo que fiz o blog, vim com a cabeça acadêmica de defender tese e fazer citações. Logo comecei a ver que ou eu me adaptava a esta nova mídia ou não iria atingir o meu objetivo de comunicar. Foi quando comecei a investir no visual do blog, a não passar de 1600 caracteres, a colocar vídeos, etc.
Twitter é uma espécie de blog, mas que você pode escrever no máximo uma linha por postagem (140 caracteres), um torpedo de celular, e que teoricamente postaria muito mais vezes no dia que um blog. Uma central de noticias suas 24h.
É aí que acho que me perdi. Até quando posso jogar este jogo com a minha geração? Será que não estou perdendo os valores e estou colaborando para criar uma geração imediatista, rasa em seus pensamentos e argumentos e preguiçosa? Ou será que estou ficando velho e não estou conseguindo acompanhar as mudanças de uma era rápida, precisa e direta?
Não sei se algum dia vou postar algo lá na minha conta do twitter, só sei que sinto que está na hora de parar e repensar até que ponto posso continuar mergulhando nesta água corrente sem que eu morra afogado!
Brincando com os cavalos
05/12/08

Tive o privilégio de crescer em um sítio e, entre a idade de 8 e 11 anos tive dois cavalos, era responsável por cuidar deles, tirar os carrapatos, limpar, passar remédio nas mordidas de morcego e, principalmente, levá-lo para onde tivessem verdes pastos. Essas eram as condições para eu poder brincar com ele. Nunca tive uma cela e nem cabresto, às vezes montava nele com uma corda e cavalgava meio sem direção. O fato de eu deixar ele me levar era a nossa brincadeira, era o que nós dois gostávamos. E o mais fantástico é que quase sempre ele me levava a um lugar que eu não conhecia.
Certa vez, tomei um coice e até uma mordida dele e o cara que nos vendeu falou que era porque eu não estava montando nele com o arreio e ele estava ficando desacostumado e voltando a ter vontade própria. Só comprando um arreio para domá-lo de novo.
Esta experiência que tive, brincando com os cavalos, me ensinou muito sobre hermenêutica. Vou explicar:
A pretensão moderna em dissecar a palavra de Deus de uma forma científica se tornou ineficaz pedagogicamente e de instrumento de transformação.
Não sei por que a maioria dos professores nas escolas nos ensinou que somos maiores que os textos só porque somos os intérpretes. Ler se tornou sinônimo de domínio. Como um cavaleiro domina o seu cavalo na arena de um rodeio, a hermenêutica se tornou o cabresto das letras e o premio é dado para aquele que demonstra mais habilidade em domar o cavalo.
Assim, vamos até o texto para analisá-lo de forma científica e confundimos neutralidade da pesquisa com frieza. Com isso, matamos as poesias, os contos, as narrativas, as parábolas, os textos apocalípticos, entre outros. A forma com que as escolas nos ensinaram a ler, só me serve para ler jornal.
Quero regredir a minha infância e brincar com os cavalos, voltar aos tempos em que a bíblia era lida para mim, assim como foi para os primeiros ouvintes do texto bíblico, onde não sou o domador de cavalos e sim o menino que brinca com o cavalo, que o monta sem superioridade, em uma confiança mútua, sem achar que conhece o caminho.
Quando ouvia as histórias como criança, na frente dos meus olhos já não estavam mais as letras como hoje estão e sim a imaginação, os sonhos que transformavam as palavras em imagens.
Quero ouvir Salmos como ouço Vinícius de Moraes, que narrem o livro de Gênesis como foi narrado Indiana Jones, quero imaginar Apocalipse como um gibi de manga, ouvir as parábolas contadas num banquinho de praça por Forest Gump, receber as regras de Levítico lidas em alta voz por um juiz de tribunal sério e inteligente, ser sussurrado cantares por minha amada e, abrir o e-mail, indevidamente, que Paulo mandou para Timóteo.
Quando ia brincar com os cavalos, só porque não estava domando-os, não significava que estava desrespeitando ou os rebaixando, estava apenas deixando-os ser o que são: cavalos.
Eu sei que, assim como brincar com os cavalos, ler a bíblia dessa maneira é bobeira, coisa de criança. Hoje somos adultos e temos que entrar na arena para que todos possam ver a nossa virilidade.
Mas…Não custa nada sonhar!





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