Artigos com o marcador Argumento Furado
Fizeram um fake dos evangélicos
11/08/10
Lendo a revista Época dessa semana relembrei uma velha discussão que temos feito ao longo dessa última década.
Após a ditadura, na década de 80, depois de um grande período de opressão no silêncio da maioria das igrejas históricas, surgiram as igrejas neopentecostais.
Estas igrejas se firmaram com duas características fortes: O rompimento dos usos e costumes que os pentecostais tinham e a mensagem da teologia da prosperidade, que tem como base o capitalismo norte-americano como resposta a pobreza dos países explorados.
A mensagem do poder, riqueza e glória nunca condisseram com a mensagem do nosso Senhor Jesus Cristo. Muito pelo contrario, Satanás tenta Jesus em cima desses valores. Se Jesus tivesse aceitado as três propostas de satanás em sua tentação, provavelmente, a teologia da prosperidade teria começado naquela época.
O problema é que eles se autodenominaram seguidores do evangelho de Cristo, evangélicos. Isso criou uma crise de identidade em todos os outros que já se consideravam seguidores do evangelho de Jesus Cristo, como as igrejas históricas e os pentecostais.
Imagina que alguém comece a andar com seu nome, seus documentos, e faz negócio com o seu nome. E, de repente, quando você passasse um cheque, dirigisse por uma blitz ou saísse do Brasil, você fosse barrado porque seu nome estava sujo. É lógico que você iria à justiça reivindicar o que era seu que foi usado indevidamente.
Mas se mesmo com tudo isso, você percebesse que por anos foram muitas falcatruas e ilegalidades, e que seu nome foi sujo em qualquer área da sua vida e em qualquer lugar de forma ilegal. Você mudaria de nome para ter menos problemas?
Pois é este dilema que estamos vivendo nos dias de hoje como evangélicos. Será que vale a pena lutarmos por nossa identidade de evangélicos, como seguidores do evangelho? Afinal de contas foi a nossa marca na história da igreja. Assim ouvi defender um grande mestre meu, Robson Cavalcante.
Ou é melhor pensarmos em outro nome para nos definir, pois o estrago já foi feito nos veículos de massa. Vamos mudar de nome e voltar a ser chamados de uma forma mais abrangente como cristãos, ou até protestantes (nesse caso, protestantes passivos)? Como diria Ed Rene Kivitz, eles que desenrolaram a corda, eles que morram enforcado com ela.
Reformar ou se opor?
Esta é uma pergunta que teremos que responder o mais rápido possível.
O Pecado Capital Evangélico
07/12/09
Os pecados capitais surgiram na tradição da igreja cristã, no afinco de controlar e educar o povo no que podia ou não fazer. Como o perdão dos pecados precisava passar por um ungido da igreja, através de uma confissão, a igreja selecionou e classificou os pecados em dois tipos: os pecados que são perdoáveis sem a necessidade do sacramento da confissão, e os pecados capitais, merecedores de condenação ao inferno.
Um crente político ou um político crente?
19/09/08

Pode parecer que é só uma troca de ordem, mas não é, pelo menos não é o que quero dizer.
Uma coisa é alguém que tem vocação política e é, ou se tornou crente. Outra coisa é alguém que é crente ou até pastor e está se metendo a político.
Eu sei que, provavelmente, vou receber muitas pedras em forma de recados pelo que vou dizer aqui, mas prefiro votar em um bom político metido em qualquer outra religião, do que votar em um bom crente metido a político.
O fato de alguém ser crente não o legitima como um bom candidato a um cargo político. E o pior é que está em alta por aí o argumento furado de que por alguém ser pastor, missionário ou apóstolo, tem vantagem sobre os outros, pois será um ótimo futuro vereador ou prefeito. Será?
Não tem como olhar para a história e achar que um estado cristão possa ser benção para o nosso país. No papel até que seria uma boa idéia, mas estudando de Constantino até a Reforma, lembrando das cruzadas, dos Estados Unidos e suas guerras santas, da discriminação aos protestantes de um século para trás no Brasil e outros diversos exemplos, vemos que nós cristãos temos que garantir um estado laico. Não estou falando necessariamente de um político ateu ou algo parecido. Mas o homem ou mulher que for ocupar um cargo político tem que garantir o direito dos cidadãos independente da sua fé ou a do cidadão que ele esteja representando.
Por isso, quando vou ver um candidato, tento observar e priorizar dois pontos antes de atentar se ele é evangélico ou não:
Verifico primeiro se ele é um bom político e não um bom crente, pois não adianta o cara ter uma confissão de fé “boa” e ao verificar o que ele já fez, por onde passou e seu plano de mandato, e perceber que ele é um péssimo político.
Em segundo lugar, verifico se ele vai priorizar o cidadão e não a minha igreja, pois é muito fácil vermos candidatos pedindo voto, prometendo benefícios para a instituição que você faz parte. Mas temos que lembrar que quem vai pagar o salário dele não são apenas os crentes, mas também os de outros credos e que por isso ele precisa estar representando a todos.
Ai se por acaso você encontrar dois políticos iguais: com vocação no que faz, com um bom passado, e que está planejando em projetos escritos representar a todos os cidadãos e seus direitos, aí sim, escolha o que confessa a mesma fé que você. Mas não esqueça de dar um “Glória a Deus” e me avisar, pois dois políticos bons desse jeito na mesma cidade é como encontrar uma mosca branca!
O Evangelho Coca-cola.
04/08/08
Certa vez ouvi um pregador falando que a igreja tinha deixado de cumprir a missão para a qual foi chamada: levar o nome de Jesus por todas as nações. Até aí eu estava concordando, pois acho mesmo que temos esquecido a nossa missão. Foi quando ele usou o argumento que a missão da Coca-cola era que cada habitante da terra pudesse experimentá-la pelo menos uma vez e, com um século de existência, ela já estava cumprindo sua missão. E a igreja, em dois mil anos de história, não cumpriu a sua.
Por algum tempo fiquei pensando como uma empresa que está vendendo uma bebida e que busca apenas o lucro pode estar exercendo sua missão melhor do que nós, a igreja, que temos a mensagem de vida eterna. Mas quando me dei conta, vi que isso é um argumento furado.
Como podemos comparar missões com a venda da Coca-cola? Penso que o evangelho tem que ser vivido, que a mensagem não pode ser só falada e sim encarnada pela pessoa que a está levando.
Às vezes temos tratado a mensagem do evangelho como se um bom marketing e investimento financeiro pudesse resolver. Ao conversar com uma missióloga, ouvi que na década de 90 o Brasil teve um alto índice de missionários que retornaram do campo precocemente por falta de preparo, problemas de caráter e sustento adequado.
Jesus, em sua missão de salvar o mundo, encarnou-se para viver o que vivemos e mostrar que existe uma vida melhor (João 1.14). Só se pode ver a glória de Deus através da encarnação na missão do mensageiro.
Não é só a mensagem, mas é também a vida. A experiência nos mostrou que não podemos mais chegar em um lugar, longe ou perto, falar de Jesus e simplesmente virar as costas. Não foi este o exemplo que Cristo nos deixou. Temos que estar, viver e entender o lugar e as pessoas e, através da mensagem, com a vida de Cristo em nós, transformar as pessoas e o meio em que vivem.
Acredito que realmente não estamos fazendo missões do jeito que deveríamos, pois nos prendemos no nosso mundinho e esquecemos da grande comissão. Mas tenho a certeza que não é com os valores, métodos e números de uma multinacional que devemos nos comparar.
Que Deus nos ajude a servi-lo com maestria.
Excelentíssimo Senhor
04/07/08

Lembro-me na minha adolescência a eterna briga entre nós, os adolescentes, e os diáconos da igreja com relação a usar boné na igreja. Naquela época estava deixando o cabelo crescer e estava bem na fase: nem curto, nem comprido, na fase de esconder.
Pois é, foi nesse ano que eu e o meu boné nos tornamos melhores amigos. E em todo lugar que ele não era bem vindo, invariavelmente, eu também sentia que eu não era.
Como todo adolescente, questionava tal regra: por que a Casa do Senhor e o boné, ou qualquer outra roupa jovem, não poderia ser compatível?
Foi quando veio o argumento que me calou a boca por muito tempo, um diácono, de púlpito, falou: Se por acaso algum dia você fosse ver o presidente, você iria vestido de qualquer jeito? Com boné e bermuda? Não! Quanto mais vestido desse jeito na presença do Deus criador de todas as coisas!
Este argumento é muito furado, por dois motivos: primeiro porque pré supõe que vamos ver Deus na igreja, e que quando sairmos de lá ele não vai sair com a gente. Fico pensando que se esse diácono um dia tiver consciência da onipresença de Deus tomará banho de roupa.
E o outro furo, mais grave, é em relação a que tipo de respeito se deve mostrar para com Deus. Pois em Cristo Jesus, não somos convidados para um relacionamento com Deus como um cidadão e um presidente, e sim como um amigo, como Joao 15:15 fala: “Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos”. Este tipo de relacionamento formal, como nas cerimônias de visita do presidente, é cheio de protocolos e regras, mas não tem intimidade nenhuma. Aliás, intimidade não se deve ter com um presidente.
Mas é muito mais simples, para se ver com olhos humanos, esse tipo de reverência, se nos comportarmos com Deus com esse argumento do presidente. Assim colocamos uma roupa formal, dos valores e modos de 50 anos atrás, e vamos visitar Deus na igreja, em uma cerimônia seria e rápida.
Mas hoje tudo mudou, nem gosto mais de boné, nem o presidente é tão excelentíssimo, mas ainda temos que ter cuidado com os argumentos furados de alguns líderes!
[Artigo da série “Argumento Furado” escrito originalmente para o site irmaos.com, escreva no comentário algum argumento religioso que você acha que seja furado para desenvolvermos juntos esta série]







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