Acredito que a maioria dos jovens, principalmente namorados, não entende direito o versículo “façam aos outros o que vocês querem que lhes façam”(Mt 7.12), pois eles entendem este versículo literalmente, e não o espírito da lei e dos profetas.

Vou explicar melhor, quando vejo as brigas de namorados, reparo que na maioria das vezes eles estão praticando o versículo literalmente, e isso ao invés de unir, tem os separado cada vez mais.

Uma das grandes crises dos casais é que eles estão tratando os outros da maneira com que querem ser tratados, e é este pensamento que tem criado as grandes divergências nos relacionamentos, pois o texto, mesmo não parecendo, fala exatamente o contrário.

Não sei se é a regra, mas geralmente quando algum rapaz vem se queixar de seu namoro, eles se queixam que a namorada não dá espaço para ele, não deixa sair com os amigos e ter seu próprio tempo sozinho. Do outro lado, quando elas vem falar comigo, vejo que a grande reclamação é contrária, que eles não dão atenção para elas, não ligam para as sua vidas e não querem passar muito tempo com elas.

A grande crise que eu tinha é que ao perguntar como um deles tratava o outro, eles respondiam que gostavam muito um do outro, e que faziam para o outro o que gostariam que o outro fizesse para eles.

Hoje, para o espanto deles, eu falo que o que eles estão fazendo não é Bíblico e sim uma atitude egoísta, pois para entendermos o versículo não podemos interpretá-lo literalmente, e sim o espírito da lei.


Quando tratamos o outro da maneira que gostaríamos de ser tratado, partimos da premissa que todos são iguais e querem ser tratados do mesmo jeito, e isso não é verdade. Somos diferentes um dos outros, principalmente o homem da mulher. O versículo não esta falando da maneira, e sim do principio do tratamento, o amor.

Cada um sente (ou sabe) em si mesmo o que falta para ser completo pelo outro. Que não adianta chegar muito perto do outro, sendo que o outro precisa é de espaço, ou me afastar, já que o que a outra pessoa precisa é de proximidade.

Temos que tratar os outros de maneira a completá-los, assim como gostaríamos de ser completos pelo outro.

Em um primeiro momento, vamos fazer não o que nos queremos e sim o que o outro quer e precisa. Isso requer muita humildade e abstinência de sua vontade. Mas, em um segundo momento, com o tempo, você começa a colher o fruto de uma pessoa que está completa em você e que abre mão de sua vontade para satisfazê-lo(a) da maneira que você espera.

O homem e a mulher não pensam e se comportam de maneira igual e é por isso que quando ele a trata da maneira que ele gostaria de ser tratado e não da maneira que ela gostaria, ela vai se abrir com uma amiga que a apóia, porque elas pensam de forma igual. E da mesma maneira acontece com os homens.

Muitas vezes amar é abrir mão da sua vontade, para fazer o outro feliz. Tem uma música do Djavan que fala “vem me fazer feliz porque eu te amo…”. Como diria minha namorada: este cara não sabe direito o que é o amor, pois se soubesse falaria “vou te fazer feliz porque eu te amo!” Então o que é o espírito de fazer ao próximo o que você gostaria que fizesse com você: Amar o próximo de tal forma que a pessoa se sinta completa assim como você quer ser completado.

Texto feito para o Blog “marcos botelho do JV” 22/11/07

Ao longo do ministério com jovens pude perceber como era difícil expor a bíblia para os jovens de uma maneira que eles entendessem bem e que os motivassem a continuar a leitura do texto quando voltassem para casa.

Os seminários geralmente nos ensinam que logo após estudarmos um texto bíblico devemos sistematizá-lo para depois expô-lo em um estudo ou pregação. Com isso, cresci acostumado a ouvir dos pregadores, depois de uma breve introdução, uma mensagem cheias de pontos, passos e tópicos.

Um dos resultados de uma mensagem muito sistematizada é que pode fazer com que o público não entenda o texto, mas sim o resultado, a conclusão, a sistematização do texto. Desta forma, o público não aprende a pensar no texto, mas apenas a digerir o que foi colocado.

Corremos o risco de o grande foco ficar nos pontos e não no texto em si e, o interesse com a palavra pode cada vez mais diminuir, pois o texto fica tão distante da nossa realidade e, apenas na cabeça do pregador é que ela faz sentido com o nosso cotidiano.

Certa vez, conversando com um amigo e mestre, Ariovaldo Ramos, ele falou para mim que “o grande problema de interpretação da bíblia é que os intérpretes não entendem que a Biblia é um texto zipado”. E essa frase ficou na minha cabeça por anos até eu entender, desenvolver melhor a idéia e começar a aplicar nas palestras.

Uma definição particular de “Zip” é que ele é um programa de computador que compacta de tal forma outros programas, fazendo com que eles fiquem mais leves e caibam em lugares onde não caberiam normalmente.

É interessante pensar que a mensagem de Deus, como João falou no fim do seu evangelho, não poderia caber nem em sonhos dentro de um só livro, pois não haveria livros suficientes no mundo para escrever tudo que Ele fez e falou.

Por isso, o Espírito Santo, através dos escritores, fez uma seleção e “zipou” dentro de uma coleção de livros chamado bíblia. É muito importante lembrar que quando se “zipa” um texto, ele continua completo e com tudo do original, apenas fica compactado para caber em um recipiente.

Se apenas jogamos o texto com um pouco de contexto, e logo entramos nos tópicos, o público compreende o que pregador mandou fazer, mas não entende o que, de fato, aconteceu na passagem. Com isso, o mais importante não é o texto e sim o pregador.

Precisamos, como intérpretes da bíblia, aprender a “dezipar” o texto bíblico em nossas leituras bíblicas ou mensagens para que possamos entender o que realmente está acontecendo no texto.

A grande pergunta neste ponto do pensamento é: como podemos “dezipar” o texto bíblico? Qual ferramenta usar para isso? Eu diria: a sua imaginação! C. S. Lewis falou que a razão leva a verdade e a imaginação ao sentido de um texto.

Muitos textos bíblicos, como o evangelho, por exemplo, se preocupam em narrar os fatos, mas por estarem limitados na forma de texto (letra), não conseguem expressar por completo os sentimentos, os detalhes, o que causou certas reações. Isso cabe ao leitor. E ele só consegue remontar os fatos e dar sentido usando sua imaginação.

É necessário usar a imaginação, o que é diferente de viajar em idéias que não estão no texto, pois só estamos “dezipando” o que está contido na bíblia. E, principalmente, como em tudo na vida, temos que lembrar que a orientação do Espírito Santo é fundamental para não cometermos erros.

Podemos até entender em nossas mentes uma poesia de salmos sistematizada, mas só faz sentido e cai no nosso coração se ela for declamada, cantada. Se o começo do Salmo 23 não se tornar um campo aberto bem verde cortado por um rio de águas tranqüilas, com um senhor sentado em uma pedra, bem atento com um cajado na mão, posso até entender que Deus cuida de mim, mas não terei a consciência da beleza com que o salmista descreve o cuidado deste pastor.

No século XX o bom pregador era alguém que sistematizava bem os textos bíblicos, mas no século XXI o desafio é diferente. Um bom intérprete é um contador de histórias, alguém que expõe o texto colocando os detalhes e, assim, dando vida para que o público entenda o evangelho, a História.

Se aprendermos a “dezipar” o texto, iremos além de ensinar os princípios bíblicos para vida, daremos mais vida ao texto e com isso conseguiremos restaurar o amor pela leitura bíblica.

Texto feito para o Blog “marcos botelho do JV” 01/11/07

Por volta dos meus 10 anos de idade, quando ia jogar bola na escola, sempre tinha alguém mais novo que queria jogar, mas não era compatível com os outros meninos. Tenho que admitir que eu já fui um desses também. Para os times não ficarem desiguais, a gente colocava aquele menino a mais no time e fala que ele era café com leite.

Não sei de onde veio esta expressão, mas, neste caso, significava que para ele as regras não eram válidas, não importa o que ele fizesse, pois no final das contas ele e nada era a mesma coisa.

Muito tempo depois, fui para o seminário e, nas discussões cristológicas, encontrei uma turma com uma opinião acerca de Jesus diferente da que eu tinha.

Eles viam Jesus como um Super Homem e eu via Jesus com um homem e como Deus na mesma pessoa. Deixa-me explicar melhor: eles acreditavam que Jesus era o melhor em tudo, se ele fosse um cientista seria o melhor de todos os tempos, se ele fosse um corredor seria o mais rápido, se ele fosse um empresário venderia muitos livros, pois seria sempre o melhor.

Eu nunca vi Jesus desta maneira, nem li em nenhum lugar que as peças que ele fez como carpinteiro eram tão perfeitas que valiam ouro. O Jesus que li na Bíblia nunca se destacaria nestas áreas, pois era um homem normal, ele se destacou em coisas que o mundo empresarial não valoriza muito: no amor, na compaixão, na santidade, nestas áreas Jesus era o melhor e não, por exemplo, em matemática. E pelas parábolas da ovelha e da dracma, realmente matemática e economia não eram seu forte.

Mas o grande problema que percebo nesta visão do “Jesus super homem” é o efeito contrário que ele gera no final, pois se Jesus era mesmo um Super Homem, e tudo Ele podia fazer, então tudo que Ele fez não pode servir de exemplo para nós, pois não somos super humanos.

É como se eu falasse que temos que ser corajosos como o verdadeiro “Super Man” e enfrentarmos os bandidos armados de peito aberto. Você logo me responderia: Pera ai, não vale me comparar com o “Super Man”, ele é de aço, assim até eu!

Lembro-me de estar confrontando um amigo e ele me perguntou se praticamente todo mundo pecaria nisso que ele havia feito e eu respondi que não, Jesus não pecou. E para o meu espanto ele me respondeu, mas Jesus é Jesus!

No final das contas este amigo pensava igual aquela turma. O que ele quis dizer é que Jesus é Deus, é Super Homem e, desta forma, Jesus Cristo seria café com leite.

O fato é que a maneira com a qual vemos Jesus reflete direto no nosso comportamento. E se vemos a figura de Jesus como um super herói, cheio de super poderes, o efeito da nossa intenção em “exaltá-lo” se inverte e logo chegaremos à conclusão de que Jesus não vale como paradigma de vida, pois ele é café com leite.

Texto feito para o Blog “marcos botelho do JV” 24/10/07

Mesmo tendo crescido dentro de uma igreja histórica e sendo doutrinado por pastores de fala reformada, nunca tive a dificuldade de aceitar e acreditar que Deus fala particularmente com alguns, ainda hoje, através de profetas. Não acredito que isso necessariamente vai contra a doutrina que a bíblia é a revelação perfeita e completa do evangelho de Jesus.

Mesmo acreditando, sempre fico com pé atrás quando me deparo com aquelas profecias gerais, estilo “tarô gospel”, que podem acontecer com qualquer um em qualquer lugar.

Profetadas como: “Deus tem preparado maravilhas para alguém nesse culto!” Mas não é desse tipo de “profetada” que gostaria de falar, e sim daquelas que vem direto do Pai.

Mas mesmo com as verdadeiras profecias algo sempre me incomodou nos mensageiros dos nossos dias, o modo pelo qual eles levam a mensagem. O inabalável padrão com que começam a maioria das revelações: “Eis que vos digo, meu servo…”

Não entendo o porque Deus falaria desse jeito em pleno século XXI. O que aconteceu com o Deus atemporal no qual nós acreditamos? Ficou preso aos anos 50? Por que Deus não pode falar assim: “Olha meu amigo, tenho uma mensagem para você…” ou: “ô cara, se liga! Escuta aqui…” ?

Alguns poderiam falar que estou tentando vulgarizar a mensagem de Deus. Mas acredito que o problema é mais profundo do que este argumento, ou será que nós acreditamos que Deus só fala na linguagem revista e atualizada? Por que será que a bíblia na linguagem de hoje nunca se popularizou, sendo que é muito mais simples e fácil de entender?

Como disse acredito que o problema é outro, um reflexo de um preconceito evangélico com a juventude. Penso que ainda temos uma mentalidade na igreja de que o novo é profano e que o antigo é sagrado. Que tudo que é novo é profano, assim como a linguagem moderna, as gírias, as roupas, os estilos, ou seja, os jovens. É isso mesmo, no fundo é isso que muitos dos nossos líderes nos passam em suas atitudes e em suas mensagens, que as coisas antigas são sagradas, mas que as novas, assim como o jovem, são profanas.

Acredito na sabedoria dos senhores e senhoras das nossas igrejas, e que devemos ouvi-los mais do que fazemos hoje, mas agir como se nós ou nosso jeito não passasse de um jeito profano vai contra a própria bíblia. Textos como “aproveitem o dia da sua juventude, antes que venham os maus dias” ou “jovem, eu falo para vocês porque vocês são fortes”, entre outros, mostram claramente que Deus é a favor também dos jovens e do seu jeito de ser.

O pensador Nietzsche acreditava que Deus não passava de uma projeção de nós mesmos, dos nossos jeitos e peculiaridades, e que por isso ele era a penas uma imagem de nós e não um Ser independente. Pois a Palavra Dele nos diz exatamente o contrário, que nós somos a imagem Dele e que Deus se inclina quando quer se revelar a nós, humanos, se limitando até em nossa linguagem falada limitada.

Sei que quando minha amada avó Maria senta na velha cama e fala com o seu Senhor amado de anos de caminhada, Ele ainda responde na boa e velha linguagem dos anos cinqüenta, pois este é o linguajar que fala ao seu coração. Mas também creio em um Deus com um linguajar do nosso tempo, rápido e forte, assim como os jovens são. Um linguajar que fale igual ao nosso.

Por isso preste bastante atenção, pois tenho uma mensagem para você: Eis que vos digo, meu servo: “Eu, teu Deus, também falo na linguagem de hoje, na linguajem moderna, no linguajar dos jovens”.

(Escrito em 2006 para BibliaWorld)

Tenho pensado muito sobre o trabalho de artistas que são também cristãos e tenho visto uma grande diferença entre eles, não só na qualidade, onde oscilam entre divino e bestial de uma forma muito rápida, mas também no que se refere à relação da arte com a bíblia.

Todos os artistas cristãos se encontram, mais cedo ou mais tarde, em uma encruzilhada em sua arte, um conflito hermenêutico moderno. Sejam os numerosos maestros e compositores, os poucos escritores e diretores de peças e filmes e até mesmo os pintores e os extintos escultores os profanados por nós protestantes.

Todos, sem exceção, na hora de fazerem sua arte se deparam com a grande questão: a bíblia, a palavra de Deus, a qual tem a revelação que pode transformar o mundo, é a imagem final ou os óculos no olhar do artista?

Por muito tempo entendemos que a bíblia é a fonte das coisas que devemos produzir, pois ela é a palavra de Deus e nela contém o que precisamos para viver. Podemos dizer que ela possui a verdadeira inspiração para a arte. Por isso, se queremos produzir algo que reflita a vida que há em nós, devemos produzir o que nela contém. O tempo e a distância entre nós e a bíblia é absorvido por um óculos chamado contextualização, que traduz para os nossos dias e torna palpável para os que se defrontam com este tipo de arte.

Parece que todo artista, principalmente cristão, não quer fazer arte pela arte, mas arte para a vida. Ou seja, o artista com esta visão de hermenêutica, cria a sua arte, bela ou não, a partir da fonte (imagem) chamada Bíblia e coloca seu talento, suas verdades, seu contexto como óculos para facilitar o entendimento das pessoas a respeito de sua arte.

Este tipo de ordem hermenêutica tem sido aceita por anos pelos pregadores. Eles estudam a imagem (o texto) e com os óculos modernos interpretam para o povo a palavra. Porém, é preciso lembrar que eles não estão fazendo arte, pelo menos o que se entendia como pregação.

Mas com a queda do teocentrismo e a valorização do indivíduo e da sua cultura, outra visão de hermenêutica tem ganhado campo entre os artistas cristãos, onde a fonte (imagem) da arte a ser lida e retirada é o ser humano com sua cultura, seu cotidiano e o meio onde vive. Arte se tira desta figura, pois ela é real e está mais palpável para todos. Mas e a bíblia, com a sua fonte de vida, onde fica? Ela serve como os óculos da interpretação artística, ela é a julgadora de valores e de vida da figura. Com ela podemos extrair o belo, a vida de praticamente tudo ao nosso redor, pois só passa pelas lentes o que é vida.

Desta forma, toda sociedade, tudo que é cotidiano, comum, pode ser transformado em arte que gera vida. As músicas, as histórias, os quadros e imagens podem ser imagens do homem no olhar de Deus.

Estes dois caminhos são totalmente diferentes, mesmo que a finalidade da arte seja a mesma, a de gerar vida, o caminho traçado é outro. A mesma diferença entre arte cristã e arte feita por cristãos, revelação geral é a fonte e revelação especial a lente julgadora (ou vice versa).

Qual das duas valoriza ou defrauda a bíblia? Qual delas a coloca como a única fonte de inspiração e qual a coloca como o único valor de medida para as inspirações e artes humanas?

Essas são respostas que cada artista deve trazer ao seu coração antes de escolher qual caminho traçar, se é que ele já entendeu que o final deve ser o mesmo, gerar vida com a sua arte.

Nós jovens temos o orgulho de sermos a geração da tecnologia, de sabermos mexer nas maquinas de última geração muito mais do que os nossos pais. É muito engraçado ver um pai de 45 anos pedindo (ou até implorando) ao seu filho de 15 anos para ensinar a mexer no computador novo que ele comprou.

Alguns adultos tentam desprezar, outros até a menosprezar a tecnologia, mas o fato é que nossa sociedade está cada vez mais dependente dela, e esta é mais acessível e controlável pelos jovens.

Os jovens não pedem mais o telefone das meninas e sim o e-mail ou o endereço do “messenger”. Nossa geração não brinca mais no quintal (nem temos mais quintal), preferimos passar horas jogando em nossos computadores ou em nossos videogames avançados, e as meninas não têem mais diários e sim palms.

Dizem que somos da geração que está conectada com o mundo, mas eu fico pensando se isso é verdade ou não. Nós jovens temos o sistema de comunicação avançado aos nossos pés (ou em nossas mãos), mas acredito que este sistema não responde as nossas ansiedades.

Desde que inventaram o radio, capacitando o homem a ouvir o que estava acontecendo à distância, depois o telefone onde possibilitou a conversa mesmo com os que estão longe; logo veio a televisão permitindo-nos ver ao vivo os acontecimentos no mundo, e agora a internet que nos permite fazer tudo isso junto. Desta maneira foi passado para nós que o mundo se globalizou, e virou um grande bairro e que estamos conectados com o mundo.

Mas ao invés de ver nossa geração feliz por estar conectada com todos, vejo jovens cada vez mais sós e insatisfeitos. É claro que ao invés de conversar, nós preferimos nos isolarmos do mundo com nossos Ipods para ouvirmos nossas bandas prediletas. Não precisamos chamar mais nossos amigos e vizinhos para vir em casa, já que temos os jogos eletrônicos que vem completo (até com o parceiro). Nem quero comentar muito da TV que tirou toda aquela conversa entre pai e filho na varanda, pois bem sabemos que o jornal, a novela e o futebol são mais importantes que isso, não é?

Ouvi falar que antigamente as famílias iam visitar os avós uma vez por mês, é claro que agora isso já não precisa mais, pois temos celulares e podemos ligar toda semana para ver como eles estão.

E por último, mas não menos importante, temos a maravilhosa internet na qual eu entro e gasto horas todos os dias. Percebi que tenho muito mais “amigos” lá dentro do que aqui fora. Afinal de conta minha conta no orkut ta lotada! Lá eu não sou tímido e nem tenho nenhum complexo, pois posso ser quem eu quiser (ou quem eles querem que eu seja).

Apesar de todas estas facilidades da comunicação eu vejo uma juventude solitária. O que era para nos unir nos deixou mais sós. E é por isso que eu volto a afirmar: O que nós jovens precisamos não é de mais veículos de comunicação em nossa vida, mais tecnologia, nós precisamos de pessoas, mais relacionamentos, mais amor. Precisamos mais é de amizade, de abraços, de toques, de sentir o cheiro do outro, de um bom cafuné da mamãe. A geração da tecnologia clama: Pai me ensina o que é relacionamento!!!

(Escrito em 2005 para BibliaWorld)

No ano de 1979 em uma terça de carnaval meu pai estava pregando no Acampamento Jovens da Verdade e minha mãe estava sendo levada para um hospital de São Bernado dos Campos para eu nascer, pois a bolsa dela já tinha estourado.

Desde então nunca mais saí do Jovens da Verdade e minha vida sempre ficou misturada com esta vida de acampamento.

Já se passaram alguns anos do meu nascimento, mas ao conversar com um companheiro de ministério fizemos as contas e percebi que nos últimos 5 anos participei de mais de 100 acampamentos, parece que Deus já tava me avisando no meu nascimento que eu não iria sair mais desta vida.

Nestes anos percebi que existem coisas que andam junto com acampamento, como: pastas de dente em quem dorme primeiro, jogar alguém na água no último dia e uma boa serenata no último dia para as meninas. O Jantar de Gala e a serenata não podiam faltar nos acampamentos que participei quando adolescente. Ainda tenho claramente na memória as serenatas inesquecíveis da década de 90 que fazíamos no JV.

Nas serenatas que participei sempre começávamos a escrever os bilhetinhos e ensaiar as musicas umas 3 horas antes de sair do quarto, e me lembro que nessa hora sempre tinha um grande impasse entre os acampantes e monitores. Que tipo de musicas iríamos cantar?

Nós os acampantes queríamos cantar musicas românticas, pois na maioria das vezes estávamos querendo conquistar alguma gatinha que conhecemos no acampamento. Porque a final das contas, serenata é para isso, não é?

Mas os monitores falavam que não podíamos cantar Tim Maia, Roupa Nova, Barão Vermelho pois eram musicas do mundo e continham um conteúdo erotizado nas letras, onde podia levar os que cantam ou quem estavam ouvindo ao pensamento mais impuro (sexual).

Quero lembrar que há 12 anos atrás as letras das musicas eram bem mais comportadas que as que temos hoje.

Até hoje me lembro de uma serenata que fiz aos 13 anos que nos obrigaram a cantar musicas que não eram do “mundo”, musicas de louvor. Me senti, naquela madrugada, como se tivesse em um culto da fogueira, mas é claro sem a fogueira.

Mais o que me deixa mais intrigado, é que freqüentando os acampamentos hoje, não vejo mais esse tipo de embate entre acampantes e monitores. Esse tipo de discussão ficou no passado.

Mas não ficou no passado porque os acampantes aceitaram a idéia que a musica romântica do “mundo” não era para ser cantada nas serenatas dos nossos acampamentos e nem tão pouco por achar que os líderes estão mais de mente aberta quanto aos compositores não cristãos.

Deve ter ficado no passado porque hoje o adolescente pode chegar na janela do dormitório feminino, dedilhar o violão e cantar que o maior desejo é te abraçar, te beijar, se envolver nos teus braços, até sentar no seu colo, sem si quer o monitor poder recrimina-lo pois ele esta cumprindo com a velha regra, ele esta cantando músicas da igreja.

Eu já não vejo mais a diferença das musicas que eu queria cantar para as meninas que estava paquerando com algumas musicas que cantamos em nossos cultos hoje.

Para mim que trabalho com acampamentos, um grande dilema e responsabilidade foi tirado das minhas costas, pois não preciso mais ficar tão preocupado com que tipo de música os adolescentes vão cantar nas serenatas do último dia! Esta discussão ficou no passado, graças a Deus, ou não!

Marcos Botelho

(Escrito em 5/6/07 para BibliaWorld)