Como é bom perceber que Deus se revela a todos independente de quem sejam e de como estejam. Deixe-me explicar melhor.

Deus, na escritura, se revelou salvificamente mas, na criação, Deus revelou a todos quem ele era. Temos vários textos na escritura que mostram esta revelação, o Salmo 19 fala que “os céus proclamam a gloria de Deus, sem discurso nem palavra, não se ouve a sua voz. Mas a sua voz ressoa por toda a terra”. Como é bom saber que mesmo uma pessoa não conhecendo a Deus ou até sendo contra Ele, ainda sim Deus pode falar através dela. Falou através de uma mula, não falaria através de um ímpio?

É por isso que não divido a música em evangélicas e seculares, prefiro dividir em músicas boas e músicas ruins. Pois existem muitas músicas chamadas “gospels” que falam a palavra Jesus, mas não condizem com o evangelho e, outras músicas chamadas seculares que são mensagem de Deus para nós ou que refletem a sabedoria ou a beleza do amor e da vida.

Mesmo não ouvindo muitas as músicas deles, o Ministério Casa de Davi tem uma música que conta a história de uma mulher que se apaixona por um homem, mostrando que ela está encantada com ele e que a única coisa que deseja é este homem, que no fim dança com ela por causa do amor que ele lhe deu. Vale apena ler a poesia e ouvir a música:

Por Causa do Teu Amor

O teu amor me alcançou
O teu olhar me conquistou
A tua voz me encheu de alegria
Com novo óleo me ungiu
Com linho puro me vestiu
Com jóias me cobriu, Senhor
Meu desejo é te abraçar, meu amado
Meu maior prazer é te beijar, Jesus

Meu coração, alegre,
Explode de tanta paixão,
E gera em mim uma nova canção,
E canto por causa do teu amor
Minha paixão, cresce
Quando em adoração,
Sinto o afago do teu coração,
E danço por causa do teu amor *1

É interessante que em milhares de igrejas esta música é cantada, mesmo vendo que se tirar o nome Jesus, que nem se encaixa muito na melodia, ela é uma bela música de uma mulher para um homem. É uma bela poesia romântica no estilo de cantares. E que as igrejas não condenam, pois descreve simbolicamente o encontro da noiva com o noivo, ou seja, da igreja com Jesus.

O que um dia me encantou e me fez ficar pasmo, foi quando vi que Deus já etava revelando para outros a maravilhosa história da Igreja e de Jesus.

Sempre contei que a Bíblia narra a história de amor entre um príncipe e uma prostituta, pois é assim que Deus descreve em Oséias. O príncipe vai até ela em forma de plebeu, mas o cafetão não o deixa levá-la. Foi quando, na briga entre os dois, o cafetão mata o príncipe. Mas ele ressuscita, mata o cafetão, pega a prostituta, dá roupas novas e a leva para o seu palácio. Lá eles se casam e no baile do casamento dançam a noite toda.

Nunca gostei das histórias de Jorge Amado e, dizem que o que ele viveu e creu não tinha nada haver com os evangélicos brasileiros.

Mas quando ouvi direito esta música que Djavan fez com a letra dele, pensei: Deus é maravilhoso, ele se revela a todos e mesmo as pedras podem clamar sua história.

Alegre menina
Oh! que fizeste, sultão, de mim alegre menina?

Palácio real lhe dei, um trono de pedraria
Sapato bordado a ouro, esmeraldas e rubis
Ametista para os dedos, vestidos de diamantes
Escravas para serví-la, um lugar no meu dossel
E a chamei de rainha, e a chamei de rainha

Oh! que fizeste, sultão, de minha alegre menina?

Só desejava campina, colher as flores do mato
Só desejava um espelho de vidro prá se mirar
Só desejava o sol calor para bem viver
Só desejava o luar de prata prá repousar
Só desejava o amor dos homens prá bem amar
Só desejava o amor dos homens prá bem amar

No baile real levei a tua alegre menina
Vestida de realeza, com princesas conversou
Com doutores praticou, dançou a dança faceira
Bebeu o vinho mais caro, mordeu fruta estrangeira
Entrou nos braços do rei, rainha mas verdadeira
Entrou nos braços do rei, rainha mas verdadeira. *2

Não tem como negar, o que Deus faz com a igreja é o mesmo que um sultão faz com a prostituta. Foi exatamente esta a história que Salomão escreveu em Cantares.

Obrigado, Senhor, por nos resgatar em nossos pecados, nos vestir com roupas do palácio e dançar conosco, a tua noiva.

*1 – Casa de Davi – Composição: Davi Silva e Mike Shea
*2 – Djavan -Composição: Jorge Amado e Dorival Caymmi


Não sou tão fã da história do Homem-Aranha. Talvez seja por não achar muito coerente a explicação de como ele se tornou um homem metade aranha. Acho um pouco estranho ele pegar alguns poderes da aranha, de genética modificada, que o picou e, não ter pego outras características mudando a sua aparência, por exemplo. Outra coisa que me incomoda muito são os seus inimigos, estes, definitivamente, são chatos e forçados. Mas o Homem-Aranha como super herói é fantástico!

É muito bacana vê-lo se balançado de um lado para o outro entre os prédios do Queens, subindo um arranha-céu só encostando as mãos e os pés nas paredes e vidros.

Mas uma coisa que poucos sabem é seu super-poder chamado sentido aranha, que acusa quando o perigo esta próximo a acontecer. Toda vez que algo de ruim vai acontecer com o Homem-Aranha ele sabe um pouco antes e usa o seu reflexo apurado para desviar e fugir do mal.

Na bíblia encontro esse poder no episódio do Getsemani, quando Jesus estava em Jerusalém, já tinha ceado com os seus discípulos e sabia de alguma forma que em breve o mal viria e seria algo terrível. Não foi a única vez que Jesus previu o futuro e a sua morte, mas desta vez foi muito forte. Seus amigos e discípulos não estavam entendendo e se importando, pois tinham caído no sono. A angústia o tomava e suas orações pareciam não ser escutadas. Cristo estava suando sangue ao prever a cruz.

“Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”. Dei este nome a esta série porque vivemos em uma época onde as pessoas buscam em Deus poder, uma fé super poderosa capaz de vencer as doenças e conquistar o poder e o dinheiro. O tio Bem antes de morrer fala isso para seu sobrinho Peter Parker (Homem-Aranha), mas ele não ouviu até experimentar a perda do próprio tio.

A grande diferença, nesse sentido, entre o super-herói Homem-aranha e Jesus é que o Homem-Aranha sempre se desvia do mal, evitando a morte, afinal de contas, por que ele iria morrer se, ele vivo pode evitar a morte de algumas pessoas?

Jesus ao prever o que viria, levanta-se e vai à procura de seu traidor, não para desviar do mal, mas para se entregar a ele, entregar-se a cruz. Jesus não faz o que é melhor para ele, o que seu instinto natural manda. Ele vai até a morte, pois vivo salvaria a si mesmo e a alguns, mas morto salvaria o mundo.

Não quero mais ser um super- herói, pois além deles não existirem, eles agem de acordo com o instinto. Quero ficar do lado de quem abriu mão do poder de ser um herói para ser o verdadeiro servo de Deus, quero ficar do lado de Jesus Cristo de Nazaré.

Que responsabilidade! Deus nos ajude.

[Com Grandes Poderes Vem Grandes Responsabilidades é uma “série teen” de artigos que tem por objetivo fazer um paralelo entre os super-poderes dos heróis de HQ e os personagens bíblicos. Além de destacar o fato de que os poderes de uns são, pela fé ,verdadeiros e, dos outros são apenas poderes fictícios. Os textos também querem mostrar que, na bíblia, o que transforma uma pessoa em um herói não são os super-poderes e sim o evangelho do Reino de Deus.]


Certa vez, ouvi que no afinco de jogar fora a água suja que banhou o nenê, o bebê acabou indo junto. Acho que é isso que está acontecendo com o sexo. O sexo está sendo tão banalizado por nossa sociedade, o pecado está em toda parte explicitamente. Mas os líderes evangélicos de jovens estão confundindo as coisas, em nome da santidade jogaram a água suja e o bebê fora.

Não sei, mas parece que se algumas pessoas fossem narrar a história do Éden diriam que primeiro Adão comeu do fruto proibido e depois, com um desejo pecaminoso, olhou para Eva e a desejou para si.

Temos que lembrar que foi Deus quem fez o sexo e a sexualidade. Quando Adão viu Eva ficou muito atraído por ela, antes da queda e, no fim da criação Deus falou que tudo que Ele havia criado era muito bom.

Lembro-me dos meus 17 anos, quando fui num acampamento e ouvi uma palestra sobre sexualidade, onde o preletor estava querendo colocar o perigo da atração sexual e dos desejos pecaminosos, e falou: “toda vez, jovem, que você estiver olhando para uma mulher e na tua cabeça começar a desejá-la sexualmente, pense imediatamente na sua mãe.” A minha sorte é que quando cheguei em casa, perguntei para meu pai sobre isso e ele falou que era loucura do preletor. Pois realmente, além da solução gerar um problema maior, o princípio teológico está errado, a premissa de que a atração sexual é pecado é uma falácia.

Deus fez o sexo e por ele temos a reprodução e o prazer. Ele colou no ser humano o instinto da atração sexual para que cumpramos o desejo de Deus de largarmos pai e mãe e nos tornarmos uma só carne.

Se ensinarmos para os jovens que a atração pelo sexo aposto é pecado, estaremos gerando uma juventude doentia, jovens com traumas e com um sentimento de culpa imenso, homens e mulheres com inversões sexuais, porque foram reprimidos no seu instinto primário.

Os mais legalistas me perguntariam: Então agora vou falar para os meninos da minha igreja que eles podem ficar olhando à vontade as meninas por aí e as desejando?

Mesmo achando que é melhor eles desejarem a mulherada do que outras coisas, acredito que a atração sexual é um instinto e, como todo instinto deve ser controlado pelo ser humano, esse não é diferente. Afinal de contas o que nos distingue dos animais irracionais é que eles são dominados pelos instintos e nós podemos controlar nossos impulsos.

Por isso, quando você vir alguém do sexo oposto e se sentir atraído(a) sexualmente, primeiro se controle e depois levante as mãos para o céu e agradeça a Deus, pois você esta reagindo do jeito que Deus planejou.

2 – Será inútil levantar cedo e dormir tarde, trabalhando arduamente por alimento. O Senhor concede sustento aos que determinam vitória pela fé.

[Está é uma serie de versículos da Bíblia NVTP (Nova inVersão da Teologia da Prosperidade) que tem como objetivo confortar e encorajar o leitor a prosperar na vida. Para isso, usamos a Bíblia NVTP que mudou detalhes da Palavra para adaptar-se melhor a teologia da prosperidade e ao capitalismo.]


Aprendi que uma boa teologia não se faz apenas de idéias e sim é o fruto de uma reação do que se está vivendo. Por isso as boas teologias ou migram seu foco de reação junto com a sociedade ou já nascem com data para ficarem apenas na história.

Tenho me apaixonado pela reação que surgiu de uma reunião de missionários do mundo todo na Suíça (Lausanne/1974). Nesse congresso eles produziram um texto chamado Pacto de Lausanne com uma proposta de missão integral da igreja, com o lema “o evangelho todo, para o homem todo para todos os povos”.

Quem deu o tom deste congresso foram os missionários, latino americanos, africanos e asiáticos do chamado países do terceiro mundo. E por aqui no Brasil já estávamos vivendo por uma minoria esta proposta de missão. Ariovaldo Ramos descreve em seu livro que os movimentos jovens como Aliança Bíblica Universitária, Jovens em Cristo, Jovens da Verdade, Sociedades dos Estudantes de Teologia Evangélica entre outros que já militavam com os jovens nas ruas por um evangelho mais contextualizado e mais eficaz se juntou com teólogos preparados e dispostos a empregar uma mudança, líderes como Robson Cavalcante, Dieter Brephol, Manfred Grellert, Caio Fabio, Osmar Ludovico,Jasiel Botelho, Valdir Steurnagel, Paul Freston entre muitos outros. (Nossa Igreja Brasileira/Hagnos).

Nos últimos 10 anos, a Faculdade Latino-Americana de Teologia Integral (FLAM/JV), dirigida pelo Ariovaldo Ramos, tem se preocupa em refletir e reagir a Teologia Integral do ponto de vista da America Latina, a partir do contexto brasileiro.

Mas partindo do principio que uma boa teologia é aquela que é fruto de uma reação, a luz da bíblia, do contexto em que estamos inseridos, e como diria Ziel Machado: Uma boa teologia necessariamente tem que nos colocar de joelhos. Temo ver a morte da missão integral sem ela ter chagado a sua maturidade.

Jesus Cristo já foi anunciado para o Brasil! Na sua maioria não foi da forma certa, não foi pelas pessoas certas e nem sei se o Jesus que muitos pregam é o mesmo Jesus que a bíblia narrou. O fato que todos conhecem a figura de Jesus e os seus seguidores “evangélicos”, pois a evangelização se tornou apenas mais um braço do capitalismo.

Como a proposta surgiu de um congresso de missões, não tinha como evitar a reflexão na cosmo visão de um missionário, e muito que foi produzido é uma proposta de missão integral.

Mas creio que está na hora de pensarmos não mais apenas na perspectiva do que vai levar a mensagem e sim nos que irão receber a mensagem, precisamos começar a desenvolver o que é a Conversão Integral.

Começar a refletir sobre pessoas na bíblia e na história que tiveram uma conversão integral e que mudaram não só suas mentes, mas o comportamento e sociedade em que estavam.

O que é se converter de uma forma integral? O que muda na vida daquele que conhece a pessoa de Jesus Cristo? Qual a diferença no seu lar, no trabalho e na cidade de uma passou que experimentou uma conversão em todas as áreas? Qual a diferença de uma igreja que tem pessoas verdadeiramente convertidas?

São muitas perguntas do outro lado da moeda que ainda não foram respondidas por completo, pois estamos desenvolvendo bons missionários, mas nem tantos cristãos de forma integral.

Vivemos em uma sociedade onde não se fala e nem se entende conversão. Não se fala em ser um seguidor de Cristo, pois um grupo ensina que temos que ser um consumidor da igreja, e outro ensina que o convertido é aquele que mudou suas idéias e que perpetuam ritos semanalmente.

Precisamos correr atrás do atraso e consertar a proposta do “evangelho da conversão parcial” que os veículos de massa já fizeram e estão fazendo. Precisamos mostrar e ensinar não apenas o que é a missão integral da igreja, mas o que é uma conversão integral, o que é realmente acontece com alguém que conheceu Jesus Cristo de Nazaré.


O principal objetivo deste trabalho é comparar três textos de fontes distintas, mas que tratam do mesmo assunto.

No livro de Daniel, capítulo três, mostra que o rei Nabucodonosor fez uma estátua magnífica da altura de um prédio de 7 andares, toda revestida de ouro. Não se via e, não se vê hoje, uma estátua desse tamanho revestida de ouro.

Mas o rei não estava satisfeito com isso, contratou músicos e instrumentos de toda a espécie. Instrumentos como o som da buzina, da flauta, da harpa, da sambuca, do saltério, da gaita de foles, algo de aparência ímpar.

Se em pleno século XXI é difícil encontramos uma orquestra em uma praça tocando para todos, com tão variados instrumentos, quanto mais naquela época juntar todos estes instrumentos e colocá-los em uma praça para todo o povo. Vale lembrar que alguns instrumentos eram privilégios de apenas para os reis e a corte.

A forma estética da estátua de ouro, juntamente com a maravilhosa orquestra são o palco de uma estratégia para alcançar todos os que estão na Babilônia. Não tem como passar pela cidade e não se maravilhar com uma estátua de ouro daquele tamanho e não parar para ouvir e apreciar a orquestra tão rara e bela que o rei colocou para introdução de seu próprio culto. Mexendo com as emoções através das músicas, fica mais fácil concluir que só um deus poderia proporcionar tão bela estética para um povo simples e desprovido deste privilégio em seu cotidiano.

Mas por que o rei Nabucodonosor colocou aquela banda toda na rua antes do grande ato de adoração de sua imagem? A estátua gigante de ouro não era suficiente? Não.

Eu gostaria de fazer um paralelo deste acontecimento com uma reportagem que li em um site que trás as “noticias Super Gospeis” falando do mega show que juntou, segundo eles, mais de um milhão de pessoas: “Seis anos depois de seu primeiro CD gravado ao vivo, o Ministério de Louvor … grava mais um CD, mas como todos os outros, não foi apenas um show. Mais de um milhão de adoradores se reuniram ali no Centro Administrativo da Bahia para proclamar que só o Senhor é Deus! Um coral de 4.500 vozes de igrejas da Bahia estava presente naquela maravilhosa noite.”

A reportagem continua falando das músicas e dezenas de dançarinos e músicos que estavam naquele mega show, fala de um palco gigante construído apenas para o evento e da cidade que se mobilizou toda em volta do evento.

Não é apenas um louvor, nem apenas um show, como diz o repórter, é O evento de adoração. Onde se reúne toda espécie de músicos, instrumentos, show de luzes, telões e até um coral de 4500 vozes. A multidão vai ao delírio com as músicas e o show. O espetáculo sonoro e estético é algo não visto antes pela grande parte daquelas pessoas que estavam ali presentes.

Não é à toa que os CDs e DVDs de grupos como estes estão entre os mais vendidos do Brasil. São grupos que alcançaram a multidão com suas músicas e seus mega shows.

Qual o paralelo que quero fazer entre um mega show idólatra e profano de Nabucodonosor e o Mega show de adoração das bandas atuais, como este show na Bahia? O argumento em que Marx Weber se baseia e usa ao definir a estética no livro “Os Pensadores, Ensaios de Sociologia” na pagina 257 é que:

“Na realidade empírica, histórica, esta afinidade psicológica entre arte e religião levou a alianças sempre renovadas, bastante significativas para a evolução da arte… Quanto mais desejavam ser religiões universalistas de massa, tanto mais sistemáticas eram as suas alianças com a arte.”

Nisso, Weber interpretou com maestria a grande aliança entre a arte e a religião. A arte não é só uma ferramenta para a expansão e aceitação de uma religião para um povo, mas é o elemento básico de massificação de uma nova religião. No movimento Gospel brasileiro a intenção de alcançar as massas é o que nutre a grande aliança entre a arte e a religião.

Foi assim com Nabucodonosor e é, principalmente, nos dias de hoje, no movimento gospel Brasileiro. Não devemos negar a arte, como os que querem purificar a religião protestante, mas devemos entender a posição que ela ocupa nos nossos dias.

O uso da arte é para a massificação da religião gospel, este é o objetivo final, é o valor maior. E a adesão legitima qualquer forma de arte, ainda mais uma arte mágica, um show mágico, onde qualquer desvio bíblico fica em segundo plano.

É lógico que não usamos os termos que Weber usava, usamos os termos evangélicos: a arte mágica ganhou o nome de canções cheias de unção e a massificação ganhou o nome bonito de evangelização.

Marcos Botelho


Tive uma ótima educação religiosa em casa. Lembro-me que toda noite, antes de dormir, minha mãe nos ensinava que deveríamos orar e lembrar, na presença do Pai, o que aconteceu durante o dia e agradecer.

Por isso, toda vez que deitava, me cobria bem com o cobertor pesado da minha cama e começava minha oração falando: “Obrigado Deus por ter feito isso e aquilo no dia de hoje…” Mas o que me incomodava é que quase nunca chegava ao fim da minha oração, pois ao lembrar do dia me vinha à cabeça as possibilidades de mil outros desdobramentos que podiam ter acontecido naquele dia, outras falas, outros encontros e, quando eu percebia já estava em um outro mundo, no da imaginação e da fantasia, onde era muito real o maravilhoso beijo que nunca tive coragem de dar naquela menina da escola, ou a comemoração do gol que nunca fiz (e na verdade nunca vou fazer), o discurso no estádio que foi aplaudido de pé e que mudou a história de um país.

O pior é que no meio da fantasia lembrava que estava orando, voltava rápido para a oração e falava: “muito obrigado Deus, em nome de Jesus amem”. E tentava retornar ao ponto onde eu tinha deixado a história. Às vezes conseguia, outras, já tinha ficado para trás e não era a mesma coisa, não era mais tão real.

Sempre foi assim na minha vida, nunca consegui ler longos trechos de livros de uma só vez, pois quando chegava na quarta ou quinta página parava e me perguntava o que tinha lido e não sabia mais, pois a minha cabeça já tinha ido longe por alguma faísca que um trecho do texto tinha me dado. Assim era com palestras, musicas e tudo mais.

Tive professores que me repreenderam dizendo que eu era muito avoado e que precisava me concentrar mais no presente, colocar os pés no chão.

Provavelmente eles tinham razão e foi quando comecei a exercitar a minha mente a não mais “viajar” quando lia um texto, ouvia uma palestra, uma música ou fazia uma oração.

Essa idéia veio muito mais forte quando comecei a lidar com a igreja local e descobri que fantasia para os evangélicos era algo ruim, daqueles que fugiam da realidade, uma coisa inútil e fútil, algo perigoso ou até pecaminoso para uma mente de um jovem cristão.

Atualmente, eu escrevo peças para palhaços e sei que o mais marcante em cada uma delas é o fato de saber lidar com a realidade dos problemas humanos sem perder a “graça” de uma boa história, sem perder o lúdico e a fantasia que tínhamos quando ouvíamos histórias quando crianças.

Hoje, em consultas e conversas de bastidores, o que mais os futuros escritores me perguntam é como ter uma mente fértil e criativa para produzir coisas novas e belas.

Minha oração é para que seus professores, seus pais ou suas igrejas não tenham te ensinado que colocar os pés no chão é o único caminho para entender a vida. Que você possa compreender que imaginar é experimentar um pouco mais do céu, das coisas espirituais, imaginar é bom, é benção, é dom de Deus.

Esta é a minha oração, mas não confie muito nela não, pois provavelmente não vou chegar ao fim dessa também… Amém!