10799_10151365339173379_1658564917_n

A cada ano que passa, recebo, no meu aniversário, mais recados na internet e menos abraços. Tudo começou com a popularização do celular há alguns anos. Meus amigos e familiares começaram a me ligar no dia do meu aniversário e deixaram de vir me visitar para me dar um abraço, desejar um feliz aniversário e comer um bolinho da minha mãe. Mas foi depois das redes sociais que todos sumiram de vez.

Agora, quando chega o meu aniversário, acesso a internet e gasto horas lendo todos os recados maravilhosos que recebo. São de pessoas de longe, de perto, e, o mais engraçado, dos meus vizinhos também. O problema é que leio no fim das frases “bjs e abraços”, mas não os sinto. O fato de só lê-los não me faz sentir que realmente fui lembrado e visitado. Continue lendo →


Lembro-me na minha adolescência a eterna briga entre nós, os adolescentes, e os diáconos da igreja com relação a usar boné na igreja. Naquela época estava deixando o cabelo crescer e estava bem na fase: nem curto, nem comprido, na fase de esconder.

Pois é, foi nesse ano que eu e o meu boné nos tornamos melhores amigos. E em todo lugar que ele não era bem vindo, invariavelmente, eu também sentia que eu não era.

Como todo adolescente, questionava tal regra: por que a Casa do Senhor e o boné, ou qualquer outra roupa jovem, não poderia ser compatível?

Foi quando veio o argumento que me calou a boca por muito tempo, um diácono, de púlpito, falou: Se por acaso algum dia você fosse ver o presidente, você iria vestido de qualquer jeito? Com boné e bermuda? Não! Quanto mais vestido desse jeito na presença do Deus criador de todas as coisas!

Este argumento é muito furado, por dois motivos: primeiro porque pré supõe que vamos ver Deus na igreja, e que quando sairmos de lá ele não vai sair com a gente. Fico pensando que se esse diácono um dia tiver consciência da onipresença de Deus tomará banho de roupa.

E o outro furo, mais grave, é em relação a que tipo de respeito se deve mostrar para com Deus. Pois em Cristo Jesus, não somos convidados para um relacionamento com Deus como um cidadão e um presidente, e sim como um amigo, como Joao 15:15 fala: “Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos”. Este tipo de relacionamento formal, como nas cerimônias de visita do presidente, é cheio de protocolos e regras, mas não tem intimidade nenhuma. Aliás, intimidade não se deve ter com um presidente.

Mas é muito mais simples, para se ver com olhos humanos, esse tipo de reverência, se nos comportarmos com Deus com esse argumento do presidente. Assim colocamos uma roupa formal, dos valores e modos de 50 anos atrás, e vamos visitar Deus na igreja, em uma cerimônia seria e rápida.

Mas hoje tudo mudou, nem gosto mais de boné, nem o presidente é tão excelentíssimo, mas ainda temos que ter cuidado com os argumentos furados de alguns líderes!

[Artigo da série “Argumento Furado” escrito originalmente para o site irmaos.com, escreva no comentário algum argumento religioso que você acha que seja furado para desenvolvermos juntos esta série]


Durante o ano, passamos a maior parte do tempo esperando as férias chegarem, mas quase sempre esquecemos de pensar no que vamos fazer com elas. Como o dia-a-dia nos sufoca, vamos agüentando até o limite e, quando elas chegam, nos jogamos nelas por alguns dias como se estivéssemos em coma e depois de pouco tempo vemos que estamos entediados de não fazer nada. Por que isso?

O problema é que a maioria de nós vê o descanso como ociosidade, como um tempo para não fazer nada, ou pior, pensamos que nos momentos de descanso temos que fazer algo útil e aí acabamos fazendo o contrário, trabalhamos. Estas duas visões estão erradas se compararmos com a visão bíblica, em que Deus descansa no sétimo dia. O descanso na palavra de Deus tem o sentido de desfrutar do que se fez e é por isso que o Criador fala que tudo o que havia feito era muito bom. Deus desfruta da criação, em uma mistura de contemplação, cuidado e relacionamento com o homem.

Por isso, lembre-se de que o principio das férias é desfrutar do que você tem feito. Hora de, simplesmente, desfrutar das dádivas de Deus.

Um exemplo prático: chegou a hora de ler o livro que você sempre quis ler, mas nunca precisou. Leia, mas não se esqueça que é para desfrutar, por isso, não se sinta culpado em ler apenas a introdução ou a conclusão. Afinal, depois de ler, você não precisará fazer uma resenha. Ah! Quer mais uma dica? Pare de ler na mesma hora que você perceber que o autor está enrolando.

Faça uma viagem, mas tire menos fotos e olhe mais os detalhes, não corra para visitar todos os lugares turísticos, mas desfrute bem de um lugar apenas, quem sabe até visite um lugar que você sempre foi a trabalho.

Não mande scraps ou ligue para seus amigos, simplesmente apareça na casa deles de surpresa. Leve um jogo de tabuleiro ou um filme alugado, de preferência das antigas, compre muitas guloseimas, você vai ver que não custa muito. E não tenha hora para voltar!

Vá passar uma semana em um desses acampamentos interdenominacionais, mas escolha um apelido bem criativo e se apresente com ele escondendo até o final o seu nome, escolha um quarto que você não conheça ninguém e fuja na última noite para fazer uma serenata com as melhores dos anos 80.

Nestas férias desfrute de sua saúde, amizades e, principalmente, da família. Curta aquilo que Deus criou!

Se você não lembrar de tudo que falei, só não esqueça que o descanso é dádiva do Criador e, principalmente, de usar protetor solar!

[Artigo escrito originalmente para a revista Soma]


Lembro-me de, em um domingo à tarde, ver no programa do Faustão, após uma rápida reportagem mostrando como viviam as mulheres no Afeganistão, o apresentador trazer uma burca e vestir em uma das dançarinas do programa. Todos ficaram indignados ao ver como uma mulher tinha que se vestir naqueles países de religião muçulmana. Alguns entrevistados falavam: “é um absurdo uma mulher ter que se submeter a este tipo de veste por causa de uma religião (sociedade)” e uma mulher que estava perto de mim falou “elas se tornaram escravas por causa dos olhos dos homens”.

Mesmo não concordando de forma veemente com o jeito de vestir que a religião/Estado exigem das mulheres mulçumanas, pensando bem, não sei se o Brasil é muito diferente do Afeganistão. Acho que são dois lados de uma mesma moeda!

Em países de religião/Estado mulçumano, as mulheres têm que cobrir o corpo todo até a cabeça. Na maioria das vezes só ficam os olhos de fora, e que olhos! Isso vem de regras oficiais do Estado e da cultura local.

Eu sempre entendi que, na história, as mulheres “pagaram o pato” por causa dos homens. Por causa dos olhos, ou melhor, da mente dos homens, quem tinha que mudar era sempre a mulher. Até porque, Jesus não falou: se o teu olho te faz pecar, arranque o que você viu e te tentou e, olhe de novo!

Lembro-me de um acampamento, quando era adolescente, onde as meninas só podiam ir para a piscina de maiô e camiseta. Eles alegavam que se não fosse assim, estariam induzindo os homens a pecar. Na entrada da piscina tinha uma placa grande: Só é permitido roupa de banho de uma peça (maiô)! Eu e os meus amigos brincávamos: Eba! Então vai ter topless!!!

Mas por outro lado, temos que entender que esta escravidão das mulheres por causa dos olhos dos homens pode refletir de outra forma.

Voltando ao programa de TV, como era patético ver as outras dançarinas seminuas, indignadas por existirem mulheres que se vestem daquele jeito por causa de uma sociedade machista que imprime na mulher o jeito que ela tem que se vestir para ser aceita. Elas mal perceberam que aqui no Brasil a base do problema é a mesma, só que se reflete de forma contrária.

Dançarinas de programas de auditório, cantoras de bandas de axé, “funkeiras”, atrizes nuas na Playboy e uma infinidade de profissões, refletem a escravidão da mulher no Brasil que tem que mostrar o corpo para ser valorizada. Não percebem que a sociedade capitalista machista em que vivemos, fala com palavras bem claras: Mulher boa é mulher que tira a roupa!

Quando a dançarina do Faustão tirou a burca e ficou com sua sainha minúscula e seu bustiê, aí sim todos nós sentimos que ela voltou a ser livre de novo, livre de ser uma escrava dos olhares dos homens, livre de uma sociedade machista escravizadora.

Mas parando para pensar, lá no fundo da alma, me pergunto. Será mesmo?

[Artigo escrito originalmente para o www.sexxxchurch.com]

Olha que jovem modelo! Precisamos de mais jovens desse quilate.

Todos estão tão preocupados em cumprir a lei do Senhor, na correria arrancaram as túnicas depressa. Ele, atento e pronto a servir, foi segurando uma por uma. Afinal de contas, as túnicas não podem se sujar.

Seu zelo é incrível! Como é bom ver um jovem se preocupando com os guardiões da lei.

Nem chegou ainda a maior idade, mas já vemos que todos confiam no seu cuidado. O jovem fica em pé com mais ou menos 12 a 16 peças de roupas nos braços.

Diferente de como foram entregues, os senhores bem vagarosamente e em um clima solene, voltam e pegam uma por uma.

O jovem não entendeu direito, mas enquanto todos iam embora, com um ar de tarefa cumprida no rosto, virando as costas, volta para a sinagoga, pois estava na escala dos preparativos do culto da noite.

Deixando para trás, sem dar importância, uma túnica suja de sangue no chão de terra batida.

[Não li, mas vi em Atos 7:58]

11055336_895180270525092_8073272911100068186_n
Depois de anos, a chamada “Marcha para Jesus” firmou-se como um evento da cidade de São Paulo. Ela não trás tanto dinheiro como a marcha do orgulho gay, nem posso usar a expressão que a cidade de São Paulo parou porque faz um bom tempo que não anda, mas não podemos negar que se firmou como evento.

Nunca entendi direito este nome, pois alguém que marcha, marcha para algum lugar. Nesse caso estão marchando para alguém: Jesus. Será que ainda não o encontraram?

Hoje a Marcha para Jesus deveria ter outro nome para ser mais honesta com o que acontece, deveria se chamar Parada do Orgulho Evangélico. “Orgulho” porque o que mais acontece é que a maioria sai nas ruas para afirmar a sua fé e não para confirmar seu compromisso com a vida cristã. “Evangélicos” porque não vejo nos palanques desses eventos católicos ou outros representantes de outra religião, Jesus não é propriedade dos evangélicos e nos palanques só aparecem aquelas cartas marcadas evangélicas.

Nos evangelhos as pessoas que tiveram um encontro com Jesus acabaram recebendo o convite de marchar com ele e não para ele. Este é o grande chamado de Jesus, o grande desafio.

Aí caímos em uma outra dúvida, se não temos que marchar para ele ou por ele e, sim com ele, para onde Ele esta marchando?

Jesus estava marchando para cruz, e ninguém poderia impedi-lo, nem satanás, nem seu amigo e discípulo Pedro. Ele marchava para nos dar vida às custas da Sua própria. Devemos sempre pegar nossa cruz e ir com Ele até o calvário e morrer a nossa velha natureza lá.

Mas de uma forma concreta, para onde deveríamos marchar? Deveríamos ir até os necessitados, os presos, os que têm fome, os que estão com frio, os que estão com sede. Pois, afinal de contas, Jesus está lá com eles desde o começo.

Quem sabe um dia, o povo na Marcha para Jesus, não marche para shows e discursos em palanques, mas sim para encontrar Cristo nos necessitados. Marche com Jesus para que o reino de Deus se estabeleça aqui em São Paulo.

Foto: @FaysonMerege