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Leio muitos artigos sobre o sofrimento das mães na gravidez, no parto, no pós parto, na amamentação e muitas outras coisas. Esse sofrimento não se compara com a alegria de ter o filho, mas é inegável que ser mãe é uma mistura de alegria e sofrimento. O que ninguém fala muito é o sofrimento do pai.

Hoje caiu sobre mim uma daquelas tarefas que sempre cabe ao pai, o de abaixar o berço. Confesso que pensei que seria moleza, afinal de contas é só pegar uma chave de fenda, tirar tudo do berço, abaixar o estrado e colocar tudo de volta. Mas não foi tão simples assim, não pelo serviço braçal, mas pela reflexão que o pai faz ao exercer essas pequenas funções.

Descer o berço é subir a grade, é a tentativa de guardar com segurança por alguns meses a mais o seu filho pequeno dentro do lugar seguro, descer o berço é admitir que o tempo está passando muito mais rápido do que o pai gostaria e que seu pequeno não é tão pequeno mais, descer o berço é reconhecer que a cada dia o filho dependerá menos de nós, descer o berço é desapegar da segurança calculada e se apegar a fé de que a cada dia que passa teremos que confiar mais em Deus, pois essa segurança se diluirá na mão do pai e só resta orar para Deus proteger.

Ver o filho crescendo, para mim que sou pai, é doloroso pois cada dia que passa mais o meu controle como pai diminui, e mais dependo do controle do outro Pai. E como eu queria passar logo para o meu filho a importância de amar e estar perto do outro Pai, como passar de um colo para o outro.

Mas esse tipo de amor não se herda, é muito mais na vivência do dia a dia, nos pequenos gestos de oração antes de dormir ou comer, nas musiquinhas de gratidão que cantamos e ensinamos, nas histórias lindas que contamos da bíblia e, principalmente em passar por esses marcos, como descer o berço, confiando que o verdadeiro Pai está no controle.

Poucos falam sobre o sofrimento que temos nessas pequenas tarefas. Deve ser porque gostamos de fingir para as mamães que somos fortes e inabaláveis, mas tarefas como segurar o filho na vacina, descer o berço, trocar a cadeirinha do carro por uma maior, guardar o tapetinho de brincar porque o filho não precisa mais, dói e dói muito.

Talvez esse relato se perca com muitos outros sobre o grande sofrimento das novas mamães, e talvez seja bom assim mesmo, pois vamos continuar fingindo que somos inabaláveis e que o super homem estará sempre aqui para quando a mamãe e os filhos precisarem.

*Mais imagens e reflexões no Instagram @marcosbotelho
www.instagram.com/marcosbotelho

As vezes gastamos tanto tempo criticando, tentando passar conceitos teológicos ou apenas batendo um papo divertido, que esquecemos de conversar de coração para coração. Essa nova série “É de coração!” vai ser um momento onde eu vou tentar falar ao seu coração. Se por acaso não conseguir falar ao seu coração, saiba que é de coração. Grande abraço.

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