Pós-Modernidade
Eu mudo para continuar o mesmo
17/11/11

A palavra mudança incomoda a muitos, principalmente aos líderes de igreja.
Acredito que isso acontece por um erro de conceito na base do pensamento. Os líderes pensam que a igreja, a teologia e principalmente a vida estão em terra firme. Acreditam que essa terra é seca e quando encontram um oásis fixam sua vida toda em torno daquela fonte, construindo casas e cercas para não serem incomodados.
Mas vendo a dinâmica da vida, da sociedade, dos nossos tempos e o amadurecimento que uma pessoa tem com o evangelho, tenho percebido que a vida não está sobre terra firme e sim em um rio agitado.
Aquele que fica parado é levado pela correnteza do sistema, do comodismo e da religiosidade que nos anestesia da vida.
Aquele que experimentou o evangelho nunca mais pode parar de remar, pois sabe que parar é retroceder.
Como diria o filósofo Leonardo Boff: eu mudo para continuar o mesmo.
Mudar não é necessariamente sair do lugar, mudar, muitas vezes, é continuar na mesma fé e convicções. Na correnteza da vida quem não se mexe cai na grande cachoeira. Mais >
Missão de imposição, transcultural e transgeracional
25/08/11

Na história de missões do Brasil, lemos que os missionários que vieram dedicar sua vida aqui, mesmo muito bem intencionados, na maioria das vezes não distinguiram o evangelho de sua cultura.
Trouxeram a mensagem mais relevante do universo junto com valores culturais sem nenhuma relevância para nós brasileiros. Não conseguiram diferenciar (nem sei se era possível para aquela época) a MENSAGEM dos usos e costumes como ternos, hinos, arquitetura de igreja, liturgia, e até a língua. Lembrando que muitos cultos católicos eram realizados em Latim, pois era a língua ideal para louvar a Deus.
Nas últimas décadas, a antropologia e a sociologia, juntamente com os nossos missiólogos desenvolveram um pensamento mais aprimorado, separando o que em missões era a mensagem do evangelho e o que era a cultura.
Hoje se um jovem que recebeu o chamado bem específico de Deus para ir para um país como, por exemplo, o Afeganistão, pedir um conselho para você sobre o que ele deve fazer antes de ir, você logo responderá:
Cara não é tão simples assim. Você deve estudar a língua deles para passar a mensagem na língua materna deles, você tem que se vestir como eles, comer o que eles comem, frequentar os lugares que eles frequentam, se associe a uma agência missionária que já trabalha lá, faça um curso básico de teologia, ore muito a respeito e comece a levantar sustento desde já!
Uma igreja criativa ou evangelização criativa?
02/08/11
Você já percebeu que em nome da “evangelização” se pode quase tudo? Comecei reparar isso faz um bom tempo.
Na maioria das igrejas ainda a dança não é bem vinda, não a vemos nos cultos e nem nos ambientes eclesiásticos como festas e confraternização dos crentes. Mas é só marcar um evangelismo em alguma escola, que montam, ou pior, convidam, uma equipe de dança para fazer uma apresentação e chamar a turma para ver que não somos diferentes dos outros a não ser na mensagem.
Fazemos isso também com o teatro, vemos de forma rara teatro na igreja, tirando, é claro, a sala de criança (ai que inveja delas), mas é só marcar um evangelismo em uma praça que ensaiamos uma peça, usamos roupas e até maquiagem para mostrar que a criatividade e a arte podem apontar para Cristo.
E assim várias outras formas de arte e costumes são “justificadas” com a evangelização: Os palhaços com muito humor, música “secular” para falar de um assunto, filmes, contadores de histórias, poemas, sk8, pintura, um grupo tocando tambores, já ouvi até tatuagens sendo justificadas por que uma pessoa viu a cruz e perguntou o que era e o tatuado pode testemunhar de Cristo. Mais >
O direito de esquecer
19/07/11

Você já passou pela situação de colocar a mão na cabeça e lembrar de um compromisso que era para você ter ido, mas esqueceu completamente?
Já sabemos como é ruim esquecer das coisas importantes, mas algo que não sabemos é que é desastroso não esquecermos das coisas. Vou explicar.
Estamos vivendo em uma era que a tecnologia tem ganhado cada vez mais importância em nossas vidas, passamos quase o dia todo com ela na frente do computador e nossos smartphones que contem relógio, agenda, e-mails, torpedos, post it, e uma infinidade de outras coisas.
Estes dias baixei um aplicativo no meu telefone que me avisa cada vez que o meu time entra em campo e faz gol.
No começo achei que era um bom aplicativo, mas percebi ao longo do tempo o quanto eu esquecia que tinha jogo e não fazia falta para mim. Fui vendo que cada torpedo de gol do meu time ia me tirando da vida que estava vivendo naquele presente e fazia eu querer para tudo e ir para a frente de uma TV. Mais >
Modelos novos de #Liturgia2.0
29/05/11
Nos últimos anos vemos as coisas ao nosso redor mudarem rapidamente, muito mais rápido do que nós estávamos preparados. O que demorava décadas para mudar em uma sociedade, agora em poucos anos, tudo fica diferente.
Isso tem pegado desprevenidos muitos líderes políticos, professores, empresários e pastores, pois perceberam que o jeito que fazíamos antigamente (e dava certo), não é eficaz e eficiente para atingir o objetivo nessa geração.
Assim também aconteceu com a liturgia de nossas igrejas. Lembrando que liturgia é um ato cultural e humano, para através dela, o crente ser inserido na realidade da sua salvação.
As pessoas estão mudando, a cultura está mudando e a liturgia tem que mudar para atingir o seu objetivo.
Nos últimos 15 anos a internet tem moldado o jeito desta geração se relacionar, consumir e aprender. Nesse sentido, pensando em uma nova forma de assimilar e aprender, proponho três modelos de liturgia 2.0 possíveis:
Oval com vários focos (Altas Horas)

O exemplo deste modelo é o programa Altas Horas (antigo Programa Livre).
Uma forma de culto oval e com vários focos supre várias necessidades do processo de aprendizagem dessa geração.
O palco desce e o público sobe, e todos sentam em círculos, proporcionando um sentimento de que aprendemos uns com os outros, olhando nos olhos.
Quando estamos assistindo o programa percebemos que não são os cenários que estão atrás do apresentador ou do entrevistado, e sim a plateia. Nós olhamos para eles e eles estão “olhando” para nós, criando um ambiente de construção coletiva, onde todos podem dar sua opinião, pois perguntas e opiniões são abertas ao público.
Apesar de toda a programação ser baseada em um tema, temos vários entrevistados, diversidade de música e músicos e um dinamismo impressionante onde ninguém fica com o foco (olhar) voltado para o mesmo lugar por mais de 5 minutos, pois de qualquer lugar do ambiente pode estar vindo a próxima atração.
Este formato é dinâmico, interativo, formado no coletivo, e eclético de opiniões. Mais >
Liturgia 2.0 – Uma analise do legado de Lausanne III
15/02/11
Em uma palestra na FTL (Fraternidade Teológica Latino-Americana) juntamente com Pr Ricardo Barbosa, Pr Carlinhos Veiga e Pr. Thiago Thomé falamos de nossas observações de “Lausanne III” Cape Town, realizado em outubro de 2010.
Se você tem acompanhado os nossos esforços para uma liturgia mais contemporânea, aqui a gente pode expor um pouco do que aconteceu em Lausanne III e o legado revolucionário do programa que deixou para nossos congressos e igrejas.
Se quiser ter o DVD com todas as palestras entre em Missão na Integra.
Fizeram um fake dos evangélicos
11/08/10
Lendo a revista Época dessa semana relembrei uma velha discussão que temos feito ao longo dessa última década.
Após a ditadura, na década de 80, depois de um grande período de opressão no silêncio da maioria das igrejas históricas, surgiram as igrejas neopentecostais.
Estas igrejas se firmaram com duas características fortes: O rompimento dos usos e costumes que os pentecostais tinham e a mensagem da teologia da prosperidade, que tem como base o capitalismo norte-americano como resposta a pobreza dos países explorados.
A mensagem do poder, riqueza e glória nunca condisseram com a mensagem do nosso Senhor Jesus Cristo. Muito pelo contrario, Satanás tenta Jesus em cima desses valores. Se Jesus tivesse aceitado as três propostas de satanás em sua tentação, provavelmente, a teologia da prosperidade teria começado naquela época.
O problema é que eles se autodenominaram seguidores do evangelho de Cristo, evangélicos. Isso criou uma crise de identidade em todos os outros que já se consideravam seguidores do evangelho de Jesus Cristo, como as igrejas históricas e os pentecostais.
Imagina que alguém comece a andar com seu nome, seus documentos, e faz negócio com o seu nome. E, de repente, quando você passasse um cheque, dirigisse por uma blitz ou saísse do Brasil, você fosse barrado porque seu nome estava sujo. É lógico que você iria à justiça reivindicar o que era seu que foi usado indevidamente.
Mas se mesmo com tudo isso, você percebesse que por anos foram muitas falcatruas e ilegalidades, e que seu nome foi sujo em qualquer área da sua vida e em qualquer lugar de forma ilegal. Você mudaria de nome para ter menos problemas?
Pois é este dilema que estamos vivendo nos dias de hoje como evangélicos. Será que vale a pena lutarmos por nossa identidade de evangélicos, como seguidores do evangelho? Afinal de contas foi a nossa marca na história da igreja. Assim ouvi defender um grande mestre meu, Robson Cavalcante.
Ou é melhor pensarmos em outro nome para nos definir, pois o estrago já foi feito nos veículos de massa. Vamos mudar de nome e voltar a ser chamados de uma forma mais abrangente como cristãos, ou até protestantes (nesse caso, protestantes passivos)? Como diria Ed Rene Kivitz, eles que desenrolaram a corda, eles que morram enforcado com ela.
Reformar ou se opor?
Esta é uma pergunta que teremos que responder o mais rápido possível.






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