Nos últimos anos vemos as coisas ao nosso redor mudarem rapidamente, muito mais rápido do que nós estávamos preparados. O que demorava décadas para mudar em uma sociedade, agora em poucos anos, tudo fica diferente.

Isso tem pegado desprevenidos muitos líderes políticos, professores, empresários e pastores, pois perceberam que o jeito que fazíamos antigamente (e dava certo), não é eficaz e eficiente para atingir o objetivo nessa geração.

Assim também aconteceu com a liturgia de nossas igrejas. Lembrando que liturgia é um ato cultural e humano, para através dela, o crente ser inserido na realidade da sua salvação.

As pessoas estão mudando, a cultura está mudando e a liturgia tem que mudar para atingir o seu objetivo.

Nos últimos 15 anos a internet tem moldado o jeito desta geração se relacionar, consumir e aprender. Nesse sentido, pensando em uma nova forma de assimilar e aprender, proponho três modelos de liturgia 2.0 possíveis:

Oval com vários focos (Altas Horas)

O exemplo deste modelo é o programa Altas Horas (antigo Programa Livre).

Uma forma de culto oval e com vários focos supre várias necessidades do processo de aprendizagem dessa geração.

O palco desce e o público sobe, e todos sentam em círculos, proporcionando um sentimento de que aprendemos uns com os outros, olhando nos olhos.

Quando estamos assistindo o programa percebemos que não são os cenários que estão atrás do apresentador ou do entrevistado, e sim a plateia. Nós olhamos para eles e eles estão “olhando” para nós, criando um ambiente de construção coletiva, onde todos podem dar sua opinião, pois perguntas e opiniões são abertas ao público.

Apesar de toda a programação ser baseada em um tema, temos vários entrevistados, diversidade de música e músicos e um dinamismo impressionante onde ninguém fica com o foco (olhar) voltado para o mesmo lugar por mais de 5 minutos, pois de qualquer lugar do ambiente pode estar vindo a próxima atração.

Este formato é dinâmico, interativo, formado no coletivo, e eclético de opiniões.

Os cuidados que os líderes devem ter: dominar o tema que será exposto, pois virão opiniões de todas as perspectivas e, também saber colocar o ensino da bíblia com autoridade, acima das opiniões sem desvalorizá-las.

Informativo e Pessoal (Glocal Mídia)

Um modelo onde a mídia é mais valorizada que nos outros, onde todos tenham uma boa visão de telões gigantes e as cadeiras são móveis (como as de plástico que usamos hoje).

Nesse formato o pregador não tem mais a função de gerar conteúdo, esta função é repassada para os vídeos.

Com isso em cada reunião a igreja poderá ouvir palestras, em 15 minutos, de âmbito global: pregadores do mundo todo (de um bom pregador brasileiro até John Stott legendado), um especialista (um psicólogo, sociólogo, cientista), algo histórico (último discurso de Luther King ou de um pregador que já morreu) e até a opinião de alguém famoso (Bono Vox, Obama, etc.).

Todos estes vídeos são selecionados com antecedência por um colegiado que está pensando na mensagem bíblica que quer passar para a igreja.

Quando o vídeo é de outro pregador, o pregador local tem a função de aplicar a mensagem para os membros da igreja local, mas quando o vídeo é só informativo ele tem a função de expor o que a bíblia fala sobre o assunto e aplicar logo depois.

Lembrando que os vídeos não são pequenos exemplos para apoiar o pregador ou introduzir o assunto. Eles são o assunto (a tese) e o pregador é quem vai dar a opinião bíblica e aplicar em 15 minutos.

No final da mensagem todos podem virar suas cadeiras em pequenos grupos, conversar e orar sobre o assunto.

Este formato destaca um conteúdo global, com aplicações bíblicas e claras para o dia-a-dia e os relacionamentos.

Os cuidados que os líderes devem ter são: não querer gerar mais informação na hora de aplicar, pois esta é a função dos vídeos. Deve tomar cuidado com o tempo, pois o vídeo e a aplicação não devem ultrapassar 30 minutos.

Aplicação em mesa (Lausanne 3)

Neste modelo teremos um palco com várias atividades como louvor, peças, danças, vídeos, testemunhos e pregação.

A grande diferença é que todos estão sentados em mesas e após cada apresentação é dado o mesmo tempo para discutir o que foi visto e o que isso tem a ver com o dia-a-dia de cada um.

Este modelo consegue manter o formato de culto que estamos acostumados, mas a aplicabilidade e os relacionamentos são muito mais fortes, pois as pessoas estão em volta de uma mesa. Teve que alterar também as apresentações, para serem menores e mais precisas.

Foi exatamente assim o congresso mundial de missões em 2010 (Lausanne 3). Colocaram 4.000 pessoas sentadas em mesas, onde os melhores pregadores do mundo dividiram seu tempo com peças, danças, vídeos e músicas.

Os cuidados que os líderes devem ter são: integrar todos os ministérios para que falem a mesma mensagem,  disciplina para serem curtos e profundos, trabalhar para suavizar as transições constantes entre palco e mesa.

Conclusão

Como foi exposto, estes são apenas possíveis modelos, e se você perceber que  mesclá-los será mais útil para o propósito da sua liturgia, em sua cultura local, você tem a obrigação de fazê-lo.