Lendo a revista Época dessa semana relembrei uma velha discussão que temos feito ao longo dessa última década.

Após a ditadura, na década de 80, depois de um grande período de opressão no silêncio da maioria das igrejas históricas, surgiram as igrejas neopentecostais.

Estas igrejas se firmaram com duas características fortes: O rompimento dos usos e costumes que os pentecostais tinham e a mensagem da teologia da prosperidade, que tem como base o capitalismo norte-americano como resposta a pobreza dos países explorados.

A mensagem do poder, riqueza e glória nunca condisseram com a mensagem do nosso Senhor Jesus Cristo. Muito pelo contrario, Satanás tenta Jesus em cima desses valores. Se Jesus tivesse aceitado as três propostas de satanás em sua tentação, provavelmente, a teologia da prosperidade teria começado naquela época.

O problema é que eles se autodenominaram seguidores do evangelho de Cristo, evangélicos. Isso criou uma crise de identidade em todos os outros que já se consideravam seguidores do evangelho de Jesus Cristo, como as igrejas históricas e os pentecostais.

Imagina que alguém comece a andar com seu nome, seus documentos, e faz negócio com o seu nome. E, de repente, quando você passasse um cheque, dirigisse por uma blitz ou saísse do Brasil, você fosse barrado porque seu nome estava sujo. É lógico que você iria à justiça reivindicar o que era seu que foi usado indevidamente.

Mas se mesmo com tudo isso, você percebesse que por anos foram muitas falcatruas e ilegalidades, e que seu nome foi sujo em qualquer área da sua vida e em qualquer lugar de forma ilegal. Você mudaria de nome para ter menos problemas?

Pois é este dilema que estamos vivendo nos dias de hoje como evangélicos. Será que vale a pena lutarmos por nossa identidade de evangélicos, como seguidores do evangelho? Afinal de contas foi a nossa marca na história da igreja. Assim ouvi defender um grande mestre meu, Robson Cavalcante.

Ou é melhor pensarmos em outro nome para nos definir, pois o estrago já foi feito nos veículos de massa. Vamos mudar de nome e voltar a ser chamados de uma forma mais abrangente como cristãos, ou até protestantes (nesse caso, protestantes passivos)? Como diria Ed Rene Kivitz, eles que desenrolaram a corda, eles que morram enforcado com ela.

Reformar ou se opor?

Esta é uma pergunta que teremos que responder o mais rápido possível.