O peso na consciência não vem apenas pela memória de ter feito algo errado, mas também é muito forte quando sabemos, mesmo que lá no fundo, que não estamos fazendo a coisa mais correta.
Olhar para Jesus, seus discípulos e os heróis da fé e para a vida radical que viveram , acaba gerando em nós um desconforto e um pensamento: como é que estamos vivendo as nossas vidas?   Vivemos mesmo esta missão ou já terceirizamos?
O  pior é que, com a potencialização do capitalismo e o espírito de revolução industrial onde todos têm um papel específico no processo, aprendemos afazer apenas o nosso trabalho para os outros e pagamos os outros para fazer o nosso trabalho. Deixe-me explicar.
Teoricamente, a bagunça da minha casa, pagar minhas contas no banco, cuidar da minha segurança, ir buscar água para beber no fim do dia e outras coisas, são responsabilidades, tão somente, minhas.
Mas com o desenvolvimento das cidades veio o pensamento de que eu tenho que me preocupar apenas com o que eu decidi ser a minha função, o meu trabalho, mesmo que não tenha nada a ver comigo e, que devo pagar para os outros fazerem o resto para me deixar bem.
Por isso pagamos alguem para limpar as nossas casas, taxas em bancos para pagar a nossas contas, condomínios para nossa segurança, a companhia de água para termos água em casa, e muitos outros serviços. No fim do mês vemos que o que recebemos em dinheiro do nosso trabalho, que fazemos para os outros, bate com o dinheiro que pagamos para os outros fazerem o nosso trabalho. E nessa loucura moderna vamos vivendo.
Não estou dizendo que isso está errado, eu já cresci neste círculo doido, que acredito ser possível frear, mas impossível reverter. E nem sei se de outro jeito seria melhor.
Vivemos pagando para os outros fazerem o que é nossa responsabilidade e com isso não nos pesa a consciência de não fazê-las, pois afinal de contas pagamos, e pagamos caro.
Esse tipo de pensamento faz parte da religião desde os primórdios, mas nos últimos tempos tem sido potencializado através de  uma espécie de contrato social para o desencargo de consciência.
Já que eu não evangelizo mais, levamos as pessoas para a igreja para serem evangelizadas pelo pastor, afinal de contas eu dou o dízimo. Já que eu não ajudo o próximo, contribuo com o ministério de ação social, já que eu não vou sair do meu comodismo para fazer missões, “pago” para todo missionário que vem aqui na igreja para eles irem.
É lógico que isso não é uma regra com todos que contribuem, mas é algo a ser pensado, pois é esse o espírito capitalista!
Ninguém fala nisso nas igrejas, pois os dois lados, teoricamente, estão satisfeitos, os que pagam e são aliviados a consciência e os que recebem para viver fazendo as suas  tarefas e as dos outros. Mas isso não quer dizer que está correto. E assim vamos vivendo um contrato social para o desencargo de consciência. Mas se fosse diferente, como seria?
  1. Algumas coisas não seriam, impossível fazer tudo, nosso dia só tem 24 horas e temos um milhão de coisas pra fazer. Mas entendo a analogia. Sim, acho que muitas vezes somos tentados a pensar no dízimo como "a nossa parte" na obra, o que não é nem de longe a verdade. Se todos, inclusive os líderes, assumissem isso e deixassem de agira assim, bom seria quase o céu na terra, todos fariam sua parte, teriam a consciencia de que tudo que fizermos aqui ainda vai ser pouco diante do que temos recibido. E que dízimo não é favor, nem missão, é ordenança.

  2. Uma vez ouvi a seguinte historia… anunciaram que haveria ovos com bacon na fazenda. A galinha ficou tranquila pois contribuiu com os ovos… mas o coitado do porco! Talvez seja mais ou menos assim a relação entre alguns cristãos e alguns dos missionários que estão dando suas vidas no campo

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  5. Gente é claro que estamos com e essencia capitalista. Afinal vivemos numa sociedade assim. Você não pode culpar Santo Agostinho por ele ter uma mentalidade medieval para certas coisas porque ele viveu na Idade Média. É assim também conosco.Porém admito que não é motivo para não termos em consciência toda a secularização que a nossa fé vive. Todas as barganhas que se faz com Deus, os contratos que se faz com Deus, a busca de palavras de motivações no domingo que nos fazem "ir a luta" todo dia, o milagre de Jesus resumido em curas físicas e poderes espirituais que se quer para "ser cabeça e não cauda" na sociedade. ETC!A santidade as vezes é minimizada em termos da pessoa ser disciplinada no trabalho, uma "honestidade" que não leva em conta as contradições da sociedade. Entre outros.Já li num livro que quando se reforma a Igreja muda-se a sociedade também. Não tenho tanta certeza disso, mas acho interessante pensarmos em nossa espiritualidade. E agradecermos a Deus por Cristo Jesus porque apesar de nós Ele nos alcaça com graça. E esse é o maior tesouro do evangelho.

  6. Fala Marquinhos,Muito boa a sua reflexão e o seu ponto de vista.Confesso que muitas vezes me rendo ao meu comodismo e me deixo levar por toda essa onda capitalista, mas acho que você foi muito pessimista ao dizer que estamos tercerizando o nosso trabalho e as nossas obrigações.Não existe a possibilidade de eu fazer todas aquelas coisas que vc citou e ainda assim cumprir com os meus deveres e ainda mais, fazer oque eu gosto de fazer, seja jogar bola ou vídeo game.Creio que cada um tem a sua tarefa, tanto no Reino quando na sua vida cotidiana e seguirmos esse contrato social, não é tão ruim assim se cada um fizer a sua parte, seja ela servir ou contribuir, ou até mesmo as duas coisas.Abraços

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