Faz tempo que venho ouvindo falar do famoso Bill Hybels e da mega igreja que ele tem nos Estados Unidos. Aproveitando um trabalho da pós que estava fazendo em Teologia Urbana, comprei o livro “Liderança Corajosa” para fazer uma resenha.

O livro é muito bom e dá muitas dicas para quem é líder de qualquer ministério eclesiástico. Mas, sabe como eu sou… Aprendi a não engolir o que eu leio sem antes mastigar.

A certa altura do livro o senhor Hybels escreve que para ser de sua equipe, o líder precisa ter os três “C”: Competência, Caráter e Compatibilidade.

Logo que li pensei: nossa, realmente, como seria mais fácil se toda a minha equipe tivesse os três “C”. Que fossem competentes em todas as tarefas que recebessem e, que eu pudesse confiar plenamente no caráter de cada um e que tivessem compatibilidade plena com as idéias e projetos que Deus me deu.

Mas esse é o problema de tratarmos a igreja e os ministérios dela do mesmo jeito que o mundo corporativo. Tudo parece tão certinho e bem feito, mas quando passamos no crivo da vida de Jesus Cristo, vemos que os resultados a qualquer custo não eram um valor que ele viveu ou pregou. Isso diferencia radicalmente o mundo corporativo e a igreja que Deus planejou.

Vemos nos exemplos de Jesus e seus discípulos os três C caírem por terra. A competência nunca foi o forte dos discípulos, depois de muito tempo com o mestre não conseguiam expulsar demônios (Mt 17:16), nem curar, ou dar de comer ao povo (Mc 6:37). Quanto ao caráter, Pedro não estaria na equipe depois de ter negado Jesus três vezes (Mt 26:34), Natanael por ser racista com os Nazarenos (Jo 1:46) e, Tiago e João querendo passar a perna nos outros para ser o maior de todos (Mc 10:37). Quanto à compatibilidade acredito que todos não passariam no teste, pois até a ressurreição não tinham nenhuma compatibilidade com as idéias do mestre, uns queriam que ele fosse rei e Cristo falou que não, outros queriam que o reino chegasse por espada e Cristo falou que não; Jesus falou que iria para cruz e eles não queriam deixar e, principalmente Judas que, mesmo com a clara incompatibilidade em todas as áreas, Jesus andou ao seu lado até a última hora dando a oportunidade para ele se arrepender.

Pois é, seria muito bom ter uma equipe do jeito que Bill Hybels falou. Como cresceriam as nossas igrejas e os nossos ministérios! Mas Hybels fala para encontramos pessoas competentes, Jesus pessoas que querem viver o reino de Deus. Hybels quer apenas os de caráter, Jesus pessoas que saibam o que é certo e que saibam se arrepender. Por último, Hybels fala que o líder precisa ter compatibilidade com você e Cristo fala que tem apenas que estar disposto a amar.

Mesmo o livro tendo várias coisas boas e que podemos aproveitar, está posto a mesa: de quem você vai querer seguir o exemplo ministerial? Posso garantir que o resultado de um é de crescimento rápido e o outro mais devagar, mas dura há mais de dois mil anos. Lembrando que o líder da segunda opção acabou sendo morto!

  1. Oie Marcos tudo bom??Muito Bom o post, concordo que tratar a igreja como uma empresa não daria muito certo, daqui a pouco vão querer designar igrejas como ME(microempresa) e S/A!!eu estava querendo conhecer a flam, vc sabeira me dize como fazer para marcar uma visita??Abraços!!A Paz!!

  2. Somos vitrine.. pessoas nos olham procurando um modelo de vida, um referencial de como se deve agir, e é assim que eu enchergo um lider.. alguem com que as pessoas se identifiquem.. alguem que reflita a Crito nos aspectos mais elementares, é alguem que se esvazia, que abre mão de inumeras coisas para assumir uma posição de servo!Ser lider é ser servo, é ser movido pelo mesmo sentimento, pelo mesmo amor as almas que Cristo teve, resultando em atitudes semelhantes a de Cristo..Benção demais seu Blog!beeejão

  3. Animal o post MB, mas o líder da segunda opção não cabou morto não… rsrs… aliás… Ele é do tipo de líder que não acaba… nem começa… não é?

  4. Queremos tanto que a igreja seja contextualizada que deixamos de lado a verdadeira função da igreja: fazer missão. Não deixamos qualquer um em nossos ministérios, deixamos que aqueles que gostamos mais sejam nossos parceiros. Perdemos a oportunidade de “amar ao próximo” e nos tornamos aquilo que Cristo queria que não fossemos: hipócritas. Muito bom o seu post.Parabéns.Abraços.

  5. Marcos,Concordo 100% com o que você disse. Parabéns pela resenha crítica.Também aprendi a mastigar idéias antes de engoli-las.Realmente, muitos pastores têm engolido goela a baixo quaisquer métodos empresariais de ministério para engordarem seus egos com sucesso e/ou suas contas bancárias com R$ e/ou seus templos com multidões de clientes.Infelizmente, esses pastores corrompem seus estômagos engolindo tudo sem o discernimento do ministério de Jesus. No fim das contas, adoecem com uma úlcera na alma e no ministério.Mas, também…É trágico diagnosticar que existem alguns magros remanescentes pastores segundo o coração de Jesus que são forçados e pressionados – seja pela liderança de sua igreja local e/ou por todos os membros de sua igreja e/ou pelos outros concorrentes-colegas-pastores e igrejas – a engolir essas estratégias do mundo corporativo e vomitá-las no ministério de sua igreja para fazê-la crescer.Estes remanescentes pastores são forçados a terem um ministério grande e de sucesso apenas para não saírem de suas igrejas e sobreviverem com um sustento básico, uma vez que, na prática, esses muitos pastores dependem financeiramente de suas igrejas.E a igreja e sua liderança, ignorantes quanto ao modelo de ministério de Jesus, pressionam o pastor para que ele seja um executivo-empresário-empreendedor-eclesiástico para que a igreja se torne numa mega-organização.O que dizer para um pastor que está fazendo um regime desses métodos empresariais-bussines-corporativo-capitalista?O que dizer para um pastor que está indo na contramão do Hybels, mas tem que sobreviver financeiramente daqueles que admiram o jeito Hybels de ministério e pressionam o pastor a imitá-lo?Muitos saem das aula de teologia saudáveis por mastigarem e engolirem os ensinamentos do ministério de Jesus, uma vez que em uma sala de aula tudo se resolve perfeitamente. Mas porque, quando se tornam pastores na vida real da igreja local, ficam obesos, empanzinados e adoecidos pela úlcera e gastrite dos métodos empresariais de ministério, apenas para sobreviverem em suas igrejas a fim de dar de comer a seus filhos?Será que a igreja não permite mais o pastor mastigar antes de engolir? Porque a igreja dita sempre o que o pastor deve engolir?Porque o pastor engole tudo sem mastigar apenas para sobreviver às custas da igreja?Eis a questão…e mais uma crise dos pastores…Em Cristo, nosso supremo pastor em que os “três C” é trocar a competência da justiça própria pela graça da CRUZ, um caráter irrepreensível pela transformação enquanto está a CAMINHO do discpipulado, e a compatibilidade pelo amor e serviço às pessoas em suas CRISES.Jairo Filho.

  6. Ei Marquinhos… te achei meio radical em suas colocações, até pq vc criticou Hybels baseado apenas num trecho de um dos livros dele… eu li o livro dele chamado A revolução do Voluntariado e tirei grandes lições de vida e ministério. Na minha opinião Hybels merecia bem mais indicações de leitura do que críticas por causa de seus “Cs”… bom ,esta é minha opinião sincera.abraço… Débora Fukumoto

  7. Falae MBAcho q você não foi muito feliz nessa critica com relação ao livro “Liderança Corajosa”. Tb não sou do tipo que lê um livro e engole tudo que esta falando nele independente de ser Bill, Rick ou quem quer q seja que escreveu. Li esse Livro “Liderança Corajosa” concordo em grande parte no que ele(Bill) fala sobre a organização administrativa de uma igreja em quanto instituição, não acho que vc querer q sua igreja tenha uma organização administrativa com pessoas competentes e profissionais seja uma forma de nos moldarmos como o Mundo. Deus quer que seus servos desenvolvam seus dons com perfeição, e isso inclui todos os dons.Com relação aos 3 “Cs” que foi o alvo da critica, quero que observem(pra quem já leu o Livro) que Hybels fala o tempo todo sobre experiência de liderança vivida por ele em sua igreja “Willow Creek “Uma das razões por eu estar atualmente achando tão agradável o trabalho ministerial, é que, finalmente, após quase três décadas montando equipes, todas as nossas principais equipes de liderança foram montados de acordo com o critério de liderança que descrevi.”(Pg.85, 2º paragrafo)Pra quem conhece a Willow, sabe muito bem que seus critérios não foram falhos. Mais isso não quer dizer que minha liderança tenha que ser baseada na liderança dele, tenho esses 3 Cs como mais uma subsídio para o crescimento do meu ministério.É apenas uma opinião…Everton Svensson

  8. Competência, sim! Não exerça um ministério sem antes melhorar as habilidades que Deus dá. Caráter, sim! Deus muda e aperfeiçoa. Compatibilidade, sim! Vc pode ser um bom motivador, mas não um bom planejador. Mas outro vai ser. Características pessoais é Deus quem dá. Se a Igreja chegou até aqui é porque Jesus viu o potencial nos Discipulos que escolheu. Jesus não vê o que somos, mas o que podemos ser nas mãos Dele. Quando amadurecidos os Discipulos foram os três “C’s”. Pessoas que querem viver o Reino também são competentes. Não é só Bill que quer pessoas de caráter, Deus também e quer mudar o caráter. Não é compatibilidade com vc e sim com o tipo de liderança.
    Meu caro, vc usou tom irônico em trechos do seu comentário. Quem ironiza não argumenta.

  9. Com todo respeito…
    Por acaso os discípulos não foram competentes em sua missão? O Evangelho que conhecemos hoje, foi expandido através de quem?
    Eles foram chamados de cristãos porque? Não foi por serem parecidos com Cristo? Deus usaria homens sem caráter? Compatibilidade não esta relacionado em unidade de visão, caminhar debaixo um mesmo propósito? Sinceramente, você interpretou muito mal o livro.
    Paz!

  10. Não quero aqui defender o autor do livro. Mas, ao ler a parte em que cita os 3 c’s, ele começa com o Caráter, depois Competência e, então, Compatibilidade. E o autor explica bem cada C e colocar em ordem de prioridade!!! Então, acho que autor do blog, deveria levar isto em consideração.
    Lembro também que ao chegar no ponto entre Caráter vs Competência, o autor diz que, Caráter, não dá para mudar – ou se tem um compromisso com Deus ou não tem – e, quanto a competência, ela pode ser adquirida com o tempo.

  11. A discussão é boa. Só pra acrescentar mais um elemento nesse “caldeirão”:
    O objetivo de Deus é formar o caráter de Jesus em Seus filhos. Jesus tem caráter, é competente, é compatível (com os planos de Seu Pai)? Sim para os 3 “C”s.
    Isso será formado em Seus filhos, à medida em que Deus trabalhar esse morrer da carne para o viver de Cristo e isso independe da capacidade natural desses seres humanos. Deus produzirá isso no seu tempo e do seu jeito. Talvez o que entre em discussão aqui é quando essas pessoas podem ser “aproveitadas” no ministério. Antes ou depois do trato de Deus? Ou durante?
    Lembrando que Pedro pisou na bola uma pá de vezes, enquanto Cristo estava sendo formado nele.

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