Tive uma ótima educação religiosa em casa. Lembro-me que toda noite, antes de dormir, minha mãe nos ensinava que deveríamos orar e lembrar, na presença do Pai, o que aconteceu durante o dia e agradecer.

Por isso, toda vez que deitava, me cobria bem com o cobertor pesado da minha cama e começava minha oração falando: “Obrigado Deus por ter feito isso e aquilo no dia de hoje…” Mas o que me incomodava é que quase nunca chegava ao fim da minha oração, pois ao lembrar do dia me vinha à cabeça as possibilidades de mil outros desdobramentos que podiam ter acontecido naquele dia, outras falas, outros encontros e, quando eu percebia já estava em um outro mundo, no da imaginação e da fantasia, onde era muito real o maravilhoso beijo que nunca tive coragem de dar naquela menina da escola, ou a comemoração do gol que nunca fiz (e na verdade nunca vou fazer), o discurso no estádio que foi aplaudido de pé e que mudou a história de um país.

O pior é que no meio da fantasia lembrava que estava orando, voltava rápido para a oração e falava: “muito obrigado Deus, em nome de Jesus amem”. E tentava retornar ao ponto onde eu tinha deixado a história. Às vezes conseguia, outras, já tinha ficado para trás e não era a mesma coisa, não era mais tão real.

Sempre foi assim na minha vida, nunca consegui ler longos trechos de livros de uma só vez, pois quando chegava na quarta ou quinta página parava e me perguntava o que tinha lido e não sabia mais, pois a minha cabeça já tinha ido longe por alguma faísca que um trecho do texto tinha me dado. Assim era com palestras, musicas e tudo mais.

Tive professores que me repreenderam dizendo que eu era muito avoado e que precisava me concentrar mais no presente, colocar os pés no chão.

Provavelmente eles tinham razão e foi quando comecei a exercitar a minha mente a não mais “viajar” quando lia um texto, ouvia uma palestra, uma música ou fazia uma oração.

Essa idéia veio muito mais forte quando comecei a lidar com a igreja local e descobri que fantasia para os evangélicos era algo ruim, daqueles que fugiam da realidade, uma coisa inútil e fútil, algo perigoso ou até pecaminoso para uma mente de um jovem cristão.

Atualmente, eu escrevo peças para palhaços e sei que o mais marcante em cada uma delas é o fato de saber lidar com a realidade dos problemas humanos sem perder a “graça” de uma boa história, sem perder o lúdico e a fantasia que tínhamos quando ouvíamos histórias quando crianças.

Hoje, em consultas e conversas de bastidores, o que mais os futuros escritores me perguntam é como ter uma mente fértil e criativa para produzir coisas novas e belas.

Minha oração é para que seus professores, seus pais ou suas igrejas não tenham te ensinado que colocar os pés no chão é o único caminho para entender a vida. Que você possa compreender que imaginar é experimentar um pouco mais do céu, das coisas espirituais, imaginar é bom, é benção, é dom de Deus.

Esta é a minha oração, mas não confie muito nela não, pois provavelmente não vou chegar ao fim dessa também… Amém!

  1. Poxa, muito bom ter esta visão de que “…imaginar é experimentar um pouco mais do céu…”, agardeço a Deus mais uma vez, pela sabedoria que Ele tem te dado Marquinhos! Deus te abençoe!bjos

  2. cara o qeu eu vou comentar agora não tem nada a ver com esse texto e sim com o texto da tentação de Jesus qeu vc escreveu a tempos atrás.estive lendo-o novamente e me surgiu uma dúvida.O que fez o diabo desistir de tentar Jesus. Foi o fato de Jesus usar sua autoridade ou o fato dele usar a autoridade da Biblia?

  3. Meu irmão, nunca coloque seus pés no chão, sua “viajem” é instumento para alcançar muita gente para Cristo! Seria uma grande perda esses “pés no chão”.Deus continue te inspirando!Xero

  4. ADOLFO NETO E RAFAELA ZOLA

    Aiii… Passado este final de semana… quando fecho os olhos, ainda me vem as lembranças destes ultimos dias, como eu fui abençoado por Deus, eu tenho procurado palavras e palavras para descrever para as pessoas o que tenho sentido no coração… mas não da, não existe como eu expressar isso… é muitooooooo grande, não existe nenhum tipo de mensuração para o que sinto! O fato que só vai me entender quem experimentar o mesmo que eu, ou mais… Marquinhos(intimida em) provavelmente você não vai se recordar de mim, mas queria te dizer algumas coisas…Passiando pelas comunidades vi uma comunidade que se chama “marquinos é o cara” algo assim… e vi que você disse que em forum que não é o cara… entendo o seu sentimento, sentimento de que toda honra e toda gloria seja dada a Deus… Mas quero que você me diga uma coisa… se você não tivesse decido ter essa vida, assumir essa missão, participar desses ministerios… talvez eu não tivesse recebido o que recebi esse final de semana… não temos como saber isso não é mesmo?? O fato é que eu queria te dizer que eu te considero um grandeeeeeeeeeeeeeeeeeservo de Deus(na visão de muita gente diria você é o cara :)!)Fico muitooooooo feliz por Deus ter de alguma maneira te colocado em minha vida, e ter ministrado a mim atravez de sua vida…Li varios de seus artigos… não li todos, mas todos os que li, fui grandemente tocado, você acredita?to me segurando para não chorar… não aguento mais chorar… mas parece que chorar é meu escape, pois a sensação é de que vou explodir… falta-me folego…Muitos artigos que li.. me identifiquei muitooooooooo cara… parece até mesmo que vivi com você muito legal… e esse do colocar os pés no chão realmente foi o que mais me identifiquei… sempre fui assim também… tenho uma dificuldade imensaaaaaaaaaa de dormir por causa disso, passo horas e horas viajando… como seria? como gostaria? se fosse feito assim? queria ter feito assim… viajo mesmo!!!!!! hehehe…Bom… espero poder te encontrar logo para te dar um bom abraço… e girar em volta de você fazendo tchu-tchu… tchu-tchu… tchu-tchu… Te amoooooooo demais querido!Deus te abençoe o tanto que você precisar…!!!By Adolfo Rodrigues de Almeida Neto

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