Por Sandra Duarte de Souza

Historicamente testemunhamos o sexismo da sociedade brasileira, levado a cabo por meio da organização patriarcal das relações sociais. O estatuto social diferenciado de homens e mulheres se materializa nas desigualdades de gênero observadas no país. Essa desigualdade está presente também em muitos outros lugares do mundo.

17354411936_bbfc923809_cOs avanços tecnológicos, a industrialização, as mudanças políticas, não foram suficientes para erradicar o abismo existente entre os sexos. As mulheres constituem a maioria das pessoas empobrecidas, sendo consequentemente a maioria das pessoas famintas da terra, estando mais expostas a doenças e epidemias. As mulheres têm menos acesso ao direito à terra e ao crédito. No campo da educação, a maioria das pessoas não alfabetizadas do mundo são mulheres. O mercado formal de trabalho é menos permeável à presença feminina do que à masculina, obrigando as mulheres a se submeterem a subempregos e a salários inferiores aos dos homens. A violência doméstica acomete majoritariamente meninas e mulheres adultas, e o feminicídio é realidade no mundo todo. Também são as mulheres as que estão mais expostas ao assédio e a abusos sexuais. Anualmente milhões de mulheres de distintas idades são traficadas e submetidas ao trabalho escravo e à prostituição. Menos de 20% das mulheres do mundo são legisladoras, e isso tem implicações diretas sobre a afirmação e garantia de seus direitos.

Todos os dados acima apresentados podem ser ainda mais problematizados se considerarmos também o dado da raça/etnia, da regionalidade, da idade e muitos outros. Existe uma explícita articulação e integração das diferentes formas de dominação. As desigualdades de gênero estão articuladas com as desigualdades de classe, de raça/etnia, de idade e assim por diante. No Brasil, por exemplo, uma mulher negra ou indígena, pobre e idosa, tem menos probabilidade de acessar direitos básicos se comparada a uma mulher jovem, branca, de classes mais favorecidas. Isso significa que há mulheres que estão em condições ainda mais marginais do que outras, e essa situação precisa ser denunciada e combatida. Mais >