PORQUE TEMOS DUPLA CIDADANIA !

Quando insistimos no termo Cristão, estamos reconhecendo o fato de que a maioria de nós realiza o trabalho social como expressão de uma vocação inspirada em nossas convicções de fé. Acreditamos que somos cidadãos com dupla cidadania e que, portanto, empenhamos a nossa lealdade a dois governos: o governo do nosso país e ao governo de Deus.

Somos cidadãos brasileiros e, portanto, sujeitos às autoridades e leis que regem este país. Somos cidadãos do Reino de Deus, e sob autoridade maior de Cristo.

O governo do nosso país e ao governo de Deus!

 

 

Participe da Campanha Meu Educador Social Cristão, (clique aqui!)

DESTAQUE AS ATRIBUIÇÕES QUE VOCÊ CONSIDERA QUE FAZEM PARTE DA SUA ROTINA DE TRABALHO

Eu realizo…

Sobre essas atribuições, listadas na página anterior, temos 2 importantes observações a destacar:

Observação 1: de acordo com a CBO, a família de ocupações do código 5153 se organiza a partir das ações e características similares da atuação destes profissionais, não levando em conta a faixa etária dos que são beneficiários desta atuação, ou seja, educadores sociais podem trabalhar com todas as idades dependendo do serviço no qual estão inseridos.

Observação 2: suprimimos muitas das funções mais específicas e únicas daqueles que trabalham com adolescentes em conflito com a lei em meio fechado (como a Fundação Casa, por exemplo).

 

DESCOBRI QUE REALIZO VARIAS DESSAS FUNÇÕES!

NO ENTANTO, NÃO SOU REMUNERADA PORQUE O MEU TRABALHO É VOLUNTÁRIO… E AÍ?
Você pode dizer que atua como uma educadora social muito embora o faça como voluntária. O fato de trabalhar sem remuneração não diminui a sua contribuição nem a desobriga de realizar um trabalho de alto nível profissional, assim como um médico que presta serviços voluntários assume a responsabilidade de fazê-lo com o maior compromisso ético que a sua profissão exige.

 

Participe da Campanha Meu Educador Social Cristão, (clique aqui!)

Por Elsie Gilbert

“No último e mais importante dia da festa, Jesus levantou-se e disse em alta voz: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva”. (Jo. 7.37- 38). Quando a criança é vista como uma pessoa integral, complexa, ao mesmo tempo dona e agente de transformação da sua própria história, não é difícil perceber que ela carrega dentro de si muitos desejos. São anseios que, se por um lado podem ser fonte de angústia, por outro são molas propulsoras para a vida.

Os Educadores Sociais Cristãos devem ser capazes de enxergar estas muitas sedes das crianças e dos adolescentes com quem trabalham. Devem também buscar formas de dialogar com eles para ajudá-los a navegar situações de vida por vezes confusas e até assombrosas.

 

ENTÃO QUAIS SÃO AS SEDES DAS CRIANÇAS?
São basicamente as mesmas dos adultos: desejo de pertencer, de ser parte de uma família amorosa; desejo de segurança, de poder sonhar com o futuro sem que este sonho se torne em um pesadelo; desejo de se relacionar com um Deus amoroso e todo-poderoso que sabe o que está fazendo; desejo de entender coisas profundas e ocultas que ainda estão por serem decifradas; desejo de significado, de saber que sua vida faz sentido e é relevante.

E é por isto que a Rede Mãos Dadas lança um desafio especial na 3a Campanha Meu Educador Social Cristão, cujo tema é: Eles enxergam as muitas sedes das crianças! Para enxergar a sede do outro é preciso reconhecer a sua. Queremos parabenizar todos os homens e mulheres que dedicam seus talentos, seus conhecimentos, seus esforços e seu tempo para caminhar com aquelas crianças e adolescentes cuja situação de vida é precária. Mas queremos também reconhecer as muitas sedes que cada um de vocês carrega.

 

SOMOS TODOS EDUCADORES SOCIAIS: VEJA ALGUMAS POSSIBILIDADES

Observação: a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) contém a família de ocupações com o código 5153 cujo nome é: Trabalhadores de atenção, defesa e proteção a pessoas em situação de risco e adolescentes em conflito com a lei. Os títulos reunidos nesta família são: 5153-05 – Educador social: Arte educador, Educador de rua, Educador social de rua, Instrutor educacional, Orientador sócio educativo. 5153-10 – Agente de ação social: Agente de proteção social, Agente de proteção social de rua, Agente social. 5153-15 – Monitor de dependente químico: Conselheiro de dependente químico, Consultor em dependência química. 5153-20 – Conselheiro tutelar. 5153-25 – Socioeducador, Agente de apoio socioeducativo, Agente de segurança socioeducativa, Agente educacional, Atendente de reintegração social. 5153-30 – Monitor de ressocialização prisional, Agente de ressocialização prisional, Monitor disciplinar prisional.

 

E A SUA SEDE?
Querido educador, querida educadora, saciar a sua sede é essencial. Não deixe de fazer isto, pelo seu bem e pelo bem das crianças e adolescentes que você busca influenciar com o seu trabalho. Que ao se reabastecer na fonte que é Cristo, você descubra mais uma vez que, de fato, fontes de água viva jorram do seu interior.

Parabéns pelo seu dia!

Participe da Campanha Meu Educador Social Cristão, (clique aqui!)

 

Eu sou o seu chamado!

Recentemente li estas palavras que me levaram a pensar no meu trabalho e no trabalho das pessoas que se dedicam para criar, cada uma no seu cantinho, um mundo melhor para as crianças:

“Muitos cristãos não se sentem chamados para o trabalho que realizam porque há séculos acreditam em um mito de que existe uma espécie de hierarquia de chamados segundo a qual o trabalho do pastor ou o do “missionário de tempo integral” tem, de alguma forma, mais relevância eterna do que o do empreendedor, artista, zelador ou vendedor. A Bíblia desbanca este mito de forma muito clara. No Éden ainda intacto e perfeito, vemos Deus convocando a Adão para o trabalho de jardineiro e “classificador” da ordem criada, dois trabalhos que poderíamos nos sentir tentados a enxergar como “seculares” hoje em dia. Mas estes dois trabalhos foram ordenados por Deus e são, portanto, inerentemente bons e relevantes. Adoramos a um Deus que cria e nos chama para criar como uma forma de glorificá-lo.”

Além de aceitar o que a Bíblia tem a dizer sobre o caráter benéfico e valoroso do trabalho, é necessário também admitir que nosso trabalho só pode ser um chamado se alguém nos incumbir para realizá-lo e se assumirmos a responsabilidade de realizar a agenda daquele que nos chamou e não a nossa. E qual é a agenda daquele que nos convoca? Jesus resumiu esta agenda de forma muito eloquente em Marcos 12: amar a Deus e ao próximo.” (YouVersion.com)

Continue lendo →

Reunimos as nossas melhores ferramentas a serviço das crianças do Rio de Janeiro!

Serão 14 oficinas e uma palestra especial oferecidas pelas organizações parceiras da Rede Mãos Dadas, todas focadas em assuntos essenciais para quem trabalha com crianças em escolas, igrejas e projetos sociais.

Data: Dia 15 de setembro – 19:00
Dia 16 de setembro – Manhã e Tarde

Onde: Mackenzie Rio, Rua Buenos Aires, 283 – Centro, Rio de Janeiro – RJ

Veja abaixo as oficinas que serão oferecidas na Feira de Boas Práticas e faça a sua inscrição. Teremos uma oferta especial para inscrições de pessoas de uma mesma organização!!!

Quanto?  1 pessoa = R$ 20,00
5 pessoas de uma organização = R$ 15,00 por pessoa
10 pessoas de uma organização = RS 12,00 por pessoa

 

Palestra no dia 15/09 às 19:00 hrs 
O que Acontece Quando as Crianças são Ouvidas – Uma oferta Lifewords/SGM, ministrada pela pastora Luciana Falcão

 

Oficinas que acontecerão pela manhã 16/09 ( início às 9:00 – 12:00)

  • Potencialize a Captação e Mobilização de Recursos – Uma oferta da AEBVB, ministrada por Tércio Freire
  • Atenção Individual – Uma oferta da Lifewords/SGM, ministrada por Clenir Santos
  • A Ternura Começa em Casa – Uma oferta da Visão Mundial, ministrada por Jovani Nascimento
  • Arte-educação na Prevenção das Violências Contra o Corpo – Uma oferta do Claves Brasil, ministrada por Joseana Menezes Galvão
  • Acolhimento Familiar: Modelos Possíveis – Uma oferta da ACRIDAS, ministrada por Leolina Cunha
  • Histórias Bíblicas em Espaços Seculares: Estratégias Possíveis – Uma oferta do Sociedade Bíblica do Brasil, ministrada por Emilene Araújo
  • A Igreja Local e as Crianças mais Próximas – Uma Oferta da Junta de Missões Mundiais da CBB, ministrada por Mary Dias
  • Boas Práticas de Defesa dos Direitos Humanos: Projeto Binho – Uma Oferta da Missão Aliança e RIAC, ministrada por Marcos Costa e Bebeto Araújo

 

Oficinas que acontecerão à tarde 16/09  (início às 13:30 – 16:30)

  • Plataforma Juntos pelas Crianças – Uma oferta da Visão Mundial, ministrada por Sueli Catarina
  • Bons Tratos em Família! – Uma oferta do Claves Brasil, ministrada por Josiana Menezes, Janine Smits e Tânia Marques
  • Cuidado Integral das Crianças – Uma oferta de RENAS/Médicos de Cristo, ministrada por Soraya Dias
  • Plano de Carreira no Trabalho Social – Uma oferta do CADI, ministrada por Deise Ladentim
  • Meio Ambiente e as Crianças – Uma Oferta da FEPAS, ministrada por Tânia Wutzki
  • Política de Proteção que Funciona – Uma oferta do Exército de Salvação, ministrada por Vânia Quintão

 

Por Elsie Gilbert

Jesus, montado num jumento, se aproxima de Jerusalém. Uma multidão alegre estende seus mantos pelo caminho e grita:

“Bendito é o rei que vem em nome do Senhor!”.

Aí Jesus avista a cidade santa. Ele para e… chora! “Se você compreendesse neste dia, sim, você também, o que traz a paz!” E continua seu lamento dizendo que por conta da incompreensão Jerusalém caminha a passos largos para sua completa destruição. As crianças morrerão, ele prevê, não restará pedra sobre pedra! Tudo porque a cidade não reconheceu a oportunidade que Deus lhe concedeu. A destruição de Jerusalém aconteceu mais ou menos quarenta anos depois desta fala.

Há coisas que nós precisamos perceber. Há uma dimensão do encontro de Jesus conosco que precisa ser reconhecida por nós. Nossa indiferença poderá nos levar a um perigoso afastamento de Deus! Mas há também uma dimensão oculta e misteriosa da ação de Jesus, Deus feito homem, em nós.

Neste caso somos chamados a contemplar com o coração o que a mente ainda não consegue assimilar. Tanto a nossa indiferença como a nossa atitude de “sabe tudo” podem nos levar a perder as oportunidades que Deus nos concede hoje! Continue lendo →

“Ela não vai ficar paralítica então?”

A jovem senhora rearranjou bebê nos braços e bolsa nos ombros ao avistar o ônibus trafegando pela Avenida Caxangá em direção ao centro do Recife. A hora do rush já tinha passado e a manhã prometia mais um dia de calor intenso. Ela suspirou aliviada ao perceber que o ônibus, pelo menos, não estava abarrotado!

Subiu pela porta de trás juntamente com outras cinco pessoas. Sentou-se numa cadeira vazia, no fundo do ônibus, para poder procurar uma nota de um cruzeiro e em seguida passou pela catraca. Procurou um lugar para se sentar percebendo que cada banco estava tomado por pelo menos uma pessoa. Não tinha muita escolha. Sentou-se ao lado de uma jovem. Durante toda esta transação, a menininha que devia ter uns 12 meses, observou atentamente os movimentos da mãe. Na verdade, este caminho já tinha se tornado uma rotina para as duas.

O barulho do ônibus, o cansaço do percurso até ali, o calor, tudo cooperou para fazer a menina ficar sonolenta. Ela recostou a cabeça no peito da mãe e adormeceu. Foi só aí que a mãe se deu conta de que sua companheira de banco não era tão jovem como aparentava, ou então a menina tinha se casado muito nova! Não devia ter mais que 18 anos. Usava uma aliança no dedo anular da mão esquerda e estava obviamente grávida.

A menina-quase-mãe falou olhando para a bebê adormecida…

— Ela parece um anjinho, tão perfeita!

— É, quando eles dormem assim a gente até esquece do trabalho que dão quando estão acordados né?

— Num sei disso não. O meu primeiro só chega para o mês que vem.

— Você prefere menino ou menina?

— Pra mim tanto faz, visse? Mas o que eu quero mesmo é que venha perfeito.

— Você tem medo do bebê ter algum problema? Por quê? Continue lendo →

Lixão situado em Brasília, pelas lentes do missionário James Gilbert em 2015.

A Fundação Abrinq lançou hoje um estudo que indica quais são as prioridades que o Brasil deve priorizar para combater às desigualdades regionais se quiser alcançar as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), ligados diretamente à criança e ao adolescente.

Dos 17 ODS, dez têm metas diretamente associadas à infância e adolescência. A pesquisa “A Criança e o Adolescente nos ODS – Marco zero dos principais indicadores brasileiros – ODS 1, 2, 3 e 5” visa complementar relatório voluntário entregue pelo governo à ONU, na semana passada. Nesse primeiro lançamento, foram selecionados quatro dos dez objetivos: erradicação da pobreza, fome zero, saúde e bem-estar e igualdade de gênero.

No balanço geral, o Brasil cumpriu sete dos oito Objetivos do Milênio, voltados para os países em desenvolvimento, com exceção da meta de redução da mortalidade materna.

A administradora executiva da Abrinq, Heloisa Oliveira, ressalta que, apesar dos avanços na última década, há regiões do país e grupos sociais cujos dados apontam extrema desigualdade e que são camuflados pela média nacional. Para que os objetivos traçados para 2030 sejam cumpridos, disse ela, todos os grupos sociais e regiões do pais precisam estar incluídos nas metas.

“Nossas estatísticas são boas, mas muitos dados precisam ser desagregados. Vivemos em um país extremamente desigual. Olhando a média nacional dá para pensar que alguns indicadores estão bons, mas precisamos olhar para as diferentes realidades brasileiras para enxergar onde estão os desafios”, afirmou.

 

Avanços e discussão

“Precisamos implementar os ODS a nível local porque somente assim avançaremos. É preciso aprofundar e detalhar mais a discussão, elaborar um ponto de partida de todos os indicadores, investir em novas estatísticas para sabermos de onde estamos saindo e para onde vamos”, explicou.

A Abrinq é uma das oito organizações selecionadas, por meio de edital, para debater e implementar a chamada Agenda 2030 na Comissão Nacional para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

De acordo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD-2015), 27% dos habitantes vivem com até meio salário mínimo por mês. Mas esse percentual sobe para 40,2% se for feito um recorte da população de 0 a 14 anos, ultrapassando a casa dos 60% de crianças e adolescentes em situação de pobreza em estados como Alagoas, Maranhão, Ceará, Bahia e Pernambuco. Continue lendo →

Ele bateu levemente no umbral da porta anunciando sua entrada no quarto da filha. Ela permaneceu onde estava, contemplando seu reflexo no espelho, penteando seus cabelos longos com movimentos bruscos. Sentada na cadeira, muito séria, sua tensão interna era palpável.

– Por que você está tão chateada? – Perguntou gentilmente.

Depois de algumas tentativas da parte do pai, ela se virou na cadeira encarando-o. Duas grandes lágrimas ameaçavam cair de seus olhos.

– Minha amiga, aquela que diz ser espírita, é egoísta demais! Ela gosta de mim porque, de acordo com ela, eu sei ouvir as pessoas. Eu, por outro lado, não posso falar nada. Primeiro, porque ela não está interessada em nada que eu digo e, segundo, porque no momento que eu toco no assunto da minha fé, ela começa a me chamar de alguma coisa. Hoje, ela passou dos limites! Disse que todo pastor é um machista homofóbico sem-vergonha!

Agora, as lágrimas desciam livremente. A menina fixou o olhar no pai buscando encontrar vestígios de que ele compreendia de fato o peso daqueles insultos.

– Pai, ela sabe que você é pastor!

“Ah, então é isto. Minha Victoria enfrenta qualquer adversidade sem problemas, menos insultos dirigidos à sua mãe, pai ou irmãos”.

Hoje, ela passou dos limites! Disse que todo pastor é…

 

– Pelo menos ela disse uma coisa que é certa, – arriscou o pai –  você realmente sabe escutar as pessoas. Acho que está na hora de te contar uma história.

 

Ele sabia que podia contar com o poder de uma boa narrativa para recalibrar o estado emocional de sua filha, até mesmo hoje, já com 15 anos. Victoria deu

 

de ombros; ele resolveu interpretar o gesto como permissão para continuar.

– Sempre que visitamos seus avós, passamos por uma comunidade que se chama Vale do Incó, um bairro pobre lá em Recife. O meu primeiro trabalho depois que me formei em engenharia foi lá. Isto aconteceu muito antes de assumir meu primeiro pastorado. Nossa equipe estava trabalhando para transformar aquela favela num lugar bom para se vi

 

ver. Tínhamos que implementar os serviços básicos como esgoto, água encanada, pavimentação daquelas ruas estreitas, eletricidade para todos e iluminação pública. Queríamos até criar uma praça, levar serviços de saúde, posto policial, escolas, etc. Era um trabalhão e nós sabíamos que o sucesso dependia da nossa habilidade para entender a situação das pessoas. Precisávamos andar pelas ruas, conversar com as pessoas, descobrir o que funcionava para elas. Foi lá que conheci a Mariana, uma moradora que tinha apenas 15 anos. Ela era evangélica e, como você, queria muito compartilhar sua fé com todo mundo. Assim, ela tentou evangelizar um rapaz que tinha como herói e inspiração o Che Guevara.

– Espera aí, – interrompeu a menina – este não é aquele guerrilheiro cubano?

– Isto mesmo, ele foi morto em uma emboscada na Bolívia em 1967 a mando dos Estados Unidos. Ele acreditava que os pobres precisavam se organizar para derrubar as elites gananciosas e opressoras. Esta era a única forma de acabar com a injustiça e a dominação de uns poucos que se apoderam de tudo, dos recursos naturais aos sistemas financeiros do mundo.

Ela acenou com a cabeça indicando reconhecer algo que aprendera na escola.

– Ou seja, o rapaz da sua história era um marxista, mais precisamente, um bicho grilo.

– Sim, – concordou o pai – mas não um ateu cabeça-dura. Ele simplesmente acreditava que o único jeito de acabar com governos corruptos e maus era por meio de uma luta organizada das camadas mais sofridas da população e em último caso, por meio da revolução armada.

O pai percebeu que sua filha já estava bem menos tensa e voltou à sua narrativa.

– O rapaz vinha de uma família de classe media, tinha acabado de sair da universidade e era seis anos mais velho que a menina. Toda vez que ela dizia alguma coisa sobre sua fé, ele dava um jeito de rir dela. Não era agressivo, mas era óbvio que não estava levando a menina a sério. E ele também deu alguns nomes para ela: alienada, ingênua, massa de manobra usada por alguns líderes que só pensavam em se engrandecer. A menina levava isto tudo numa boa. Um dia, ela deu um presente para o rapaz. Uma Bíblia. Ela tinha um zíper. Ele nunca tinha visto um livro que vinha com um zíper e achou aquilo tudo bizarro! Tratou de esconder um sorriso, aceitou o livro e agradeceu à menina; o tempo todo pensando o que ia fazer com o presente. Os amigos logo acharam um uso para as páginas do livro: eram perfeitas para enrolar uns baseados.

Victoria ficou chocada:

– Não acredito que eles queriam fumar a Bíblia!

– Claro que queriam! Lembra quando sua mãe e eu começamos um ministério no presîdio? Uma vez, pedi para um preso abrir a Bíblia numa passagem e ele logo veio com essa, “Escolhe outra aí, pastor, que esta eu já fumei”.

Desta vez o pai foi recompensado com um sorriso completo que chegou até os olhos. “É isto aí, minha filha”, pensou em sua torcida silenciosa.

– Bom, no fim das contas, o rapaz da nossa história começou, de fato, a ler o livro com zíper! E ele se apaixonou por Jesus. Viu em Jesus um homem muito mais radical que Che Guevara. Ali estava alguém que propunha uma revolução que começava de dentro para fora. Quem é o injusto que precisa ser deposto? Para Che Guevara era sempre o outro. Jesus dizia que a injustiça estava dentro de nós. Só ele era capaz de nos fazer justos. Dependendo da situação, qualquer um de nós poderia se tornar um governante corrupto e autoritário. No entanto, cada um de nós éramos, ao mesmo tempo, escravos do pecado. Seis meses depois que a menina lhe deu a Bíblia, o rapaz entregou a sua vida para Jesus Cristo como aquele que tem a verdade e pode nos libertar.

Quando parou de falar, Victoria dirigiu a ele um olhar carregado de suspeita. As peças foram se encaixando em sua mente. De repente, ela pulou da cadeira e gritou,

– Pai! Você é o tal rapaz! Você foi horrível com a menina!

Com um sorriso meio desconcertado, o pai perguntou,

– Como que você descobriu?

– Simples. Che Guevara. Suas fotos antigas. Aquele cabelo e aquela barbicha horrorosa, definitivamente Che Guevara. Mas eu já entendi, pai. Vou tentar levar as coisas numa boa. Sei lá, Deus pode estar chamando minha amiga para se tornar a próxima Madre Teresa!

Com esta, um pai feliz deixou uma filha mais serena e voltou para o seu escritório.  “Acho que acabei de receber um elogio da minha própria filha!”

A história acima é baseada em fatos reais, mas porém os nomes foram mudados de propósito. A Rede Mãos Dadas reservou um brinde especial para quem conseguir adivinhar de quem é a história. Comente em nosso post, dizendo de quem você acha que essa história pertence?! 

 

Dicas: Ele mora em Curitiba atualmente. É líder de uma das organizações parceiras da Rede Mãos Dadas.

09/06/2017. Crédito: Ed Alves/CB/D.A. Press. Brasil. Brasília – DF. Especial trabalho infantil no Distrito Federal. Crianças vendendo balas e doces na pista do Setor Militar.

Hoje no Dia Mundial do Combate ao Trabalho Infantil, encontramos um artigo publicado pelo Correio Braziliense que mostra a atual situação do Brasil em relação ao trabalho infantil.

Veja abaixo um trecho escrito por Alessandra Azevedo

Todos os dias, das 14h às 19h30, Arthur* e o irmão, Caio*, vendem balas no semáforo, a poucos quilômetros de distância do centro da capital federal. Não há nada de errado com o ofício, a não ser o fato de os dois serem menores de idade. Um tem 12 anos e o outro, 14. Se todas as crianças que trabalham no Brasil, como eles, fossem colocadas em uma mesma cidade, seria possível ocupar uma metrópole como Brasília apenas com mão de obra infantil. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), levantamento mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que trata do assunto, mostra que há 2,7 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos nessa situação. Em geral, o número tem tendência de queda, mas continua preocupante, principalmente quanto à faixa etária de 5 a 9 anos. Antes de completar 10 anos de idade, 79 mil brasileiros já estão trabalhando — aumento de 13% entre 2014 e 2015, na comparação mais recente do IBGE.

A cada quatro crianças que trabalham na América Latina, uma é brasileira. “Hoje, as Américas têm o menor número de crianças em situação de trabalho infantil, mas o peso do Brasil nesse quadro é ainda muito grande”, lamenta a coordenadora do Programa de Combate ao Trabalho Infantil da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Maria Cláudia Falcão. A situação desanima ainda mais porque, além de ser o país latino-americano que mais sofre com casos assim, o Brasil está longe de atingir a meta de erradicá-los, estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2006.
Leia o artigo completo AQUI!