FALE VOCÊ

Depois daquela onda…

sextas

por Elsie B. C. Gilbert

Em 2010 nossa família resolveu fazer uma viagem nas férias de janeiro. Escolhemos o litoral capixaba como o destino final. Visitamos primeiro Belo Horizonte, depois Aimorés para ver o Instituto Terra do renomado fotógrafo Sebastião Salgado e finalmente chegamos a Guriri, norte de São Mateus.

Só tínamos três dias para aproveitar a praia e logo me vi diante de um dilema: eu não queria entrar na água! Fiquei assustada diante desta constatação. “Puxa, como estou ficando velha! Eu que sempre adorei água, estou com preguiça de entrar no mar!”  No alto dos meus 42 anos e em meio à “crise dos quarenta” este não era um bom sinal!

No último dia resolvi criar coragem e entrei na água. Comecei a pegar onda com o meu marido como companhia. Lá pelas tantas consegui pegar uma onda bem legal. Só que à medida que eu avançava para a praia, vi um menino bem na minha frente e pensei “Vou trombar com ele!” Mas o menino foi ágil e saiu da frente bem na hora.

Quando me levantei, feliz por constatar que ainda conseguia pegar onda, ouvi o menino exclamar “Oh, que maneiro, a mulé pegando onda! Ah se a minha avó fizesse isto também!”

onda

Os ratinhos também vestem cor-de-rosa!

sextas

O humor faz parte dos recursos dados por Deus para conseguirmos enfrentar as situações difíceis da vida. O humor nos convida a não nos levarmos tanto a sério e a confiar que Deus está no controle de tudo. Uma coisa que temos em abundância no trabalho social são situações engraçadas. Confira:

Terezinha e Daison são amigos até hoje. Pertencem à velha guarda que nos anos 80 organizaram a ação social da Igreja Presbiteriana de Viçosa, criando uma creche para crianças carentes. Certa ocasião foram visitar a Cida*, que tinha acabado de ter uma menina. Terezinha e Daison se comoveram com a situação de pobreza da família e constataram que a bebê não tinha o que vestir.

Naquela mesma semana voltaram levando uma caixa enfeitada contendo roupas para o enxoval da bebê recém-nascida. Embora usadas, as roupinhas estavam em ótimo estado. Um mês após terem dado a caixa de enxoval, os dois foram visitar o barraco de pau-a-pique novamente. Cida, de resguardo, não se sentia em condições de manter o ambiente limpo. Perceberam logo que a bebê continuava na mesma situação anterior: enrolada em panos, mas sem roupas! Olhando ao redor, os dois visitantes constataram surpresos o destino dado ao enxoval da bebê. Em vários pontos das paredes de barro começaram a ver pontos cor-de-rosa. É que as roupinhas tinham sido enfiadas nos buracos da parede onde o barro já se desprendera.

sextaratinhosTerezinha, querendo resgatar alguma peça para a bebezinha, pediu que Cida trouxesse a caixa. Ao abri-la, se deparou com mais uma surpresa. O que salvou a situação foi o bom humor do Daison, que exclamou: “Que bonitinho, seis ratinhos, todos vestidinhos em cor-de-rosa!”

 

Agora é a sua vez, envie para cartas@maosdadas o seu relato para publicarmos aqui.

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Esta história foi contada originalmente na Edição 5 da Revista Mãos Dadas, leia o artigo completo aqui.

*Nome fictício.