KidsGame_CEM

Está estranho esse título? Não se preocupe, vou esclarecer como isso é possível.

Independente da classe social, toda criança tem o direito de brincar em suas mais variadas experiências. Não que eu esteja muito velha… mas, me encontro saudosamente lembrando como eram bons aqueles nossos tempos! Fabricar os brinquedos, imaginar, inventar, montar, desmontar, correr, pular, virar cambalhota… fazer o que é bem próprio da infância: brincar.

Hoje talvez, apenas talvez, não possamos dizer o mesmo da infância das crianças modernas. Algumas têm agendas lotadas de atividades ‘extra-classe’. É inglês, balé, natação, futebol, piano, violão, judô, aula de reforço… E outras delas, as mais vulneráveis, sequer entendem o tempo que gastam em atividades ‘de apoio familiar’, como ajudar com as vendas e ‘bicos de serviços’ para colaborar com o sustento da casa, cuidar dos próprios irmãos ou de outros parentes menores, cuidar da casa e das próprias roupas. Ufa!! Quanta coisa! Tanto para as favorecidas quanto para as que não o são, na agenda já não cabe o ‘brincar’ propriamente dito.

Você pode estar pensando: “Ah, mas se sobra um tempinho elas rapidamente preenchem com YouTubers, Games, Netflix e Redes Sociais.” Mas… continuo a questionar: É isso? Isso é brincar? Será que brincar virou brincadeira? Sem razão? Sem objetivo? Descartável? O último da lista?

O professor, especialista em desenvolvimento infantil, David Elkind, defende que BRINCAR é algo bem maior do que pensamos. Em sua famosa obra “The Power of Play” ele afirma enfaticamente que brincar está entre os 3 pilares fundamentais do ser humano, dá uma olhada:

“Amar, trabalhar e brincar são três impulsos natos que fomentam o pensamento e a atividade humana por todo o seu ciclo vital.”

E mais! Ele ainda esclarece que é uma dinâmica presente e importante em todas as fases de nossas vidas:

“Brincar não é um privilégio, mas sim uma dinâmica saudável fundamental para o desenvolvimento físico, intelectual e socioemocional , em todas as faixas etárias.”

Sobre o desenvolvimento dos três pilares, ao longo de nossas vidas, Elkind descreve:

“O desenvolvimento do brincar, amar e trabalhar, acontece em quatro fases distintas:

Durante a primeira infância, o brincar é o modo de atividade dominante e diretivo, o amar e trabalhar estão em segundo plano.

A partir dos 6 ou 7 anos – quando se inicia a segunda infância – o trabalhar assume a liderança e o brincar e amar assumem um papel de apoio.

Na adolescência o amar se torna o fator primordial que determina toda atividade, subordinando o trabalhar e brincar aos seus impulsos.

Na fase adulta o trabalhar, amar e brincar se tornam finalmente separados, mas podem aparecer juntos em várias combinações.”

Pronto! Já sabemos que devemos retomar as brincadeiras em nossas vidas e nas vidas de nossas crianças! Brincar é necessário. É coisa séria, mesmo que divertidamente.

Vamos brincar? Pensando em como colaborar para que vocês realizem brincadeiras específicas para cada etapa de desenvolvimento, durante essa Semana das Crianças a Rede Mãos Dadas divulgará (aqui e em sua página no Facebook) postagens diárias sobre “As necessidades de Brincar em cada faixa etária” (incluindo sugestões de brincadeiras).

Acompanhe as postagens e tenha uma semana mais ‘leve’ e ‘divertida’.

Texto por: Beatriz Pinho Tavares – Educadora Física e Colaboradora da RMD

Nota: Tradução livre de alguns trechos do livro “The Power of Play: Learning What Comes Naturally” de David Elkind, feita por Elsie Gilbert.

Imagens: Crianças participando do KidsGame no CEM (Arquivo Pessoal – Beatriz) e Foto de crianças brincando na Rebusca (Banco de Imagens RMD/ILL por James Gilbert).

    • Olá Raquel! Que bom que você gostou! Muitas vezes não pensamos nisso, mas ao refletir, percebemos como é importante para as crianças, não é verdade? A Rede Mãos Dadas se alegra com o seu contato! Volte mais para conferir nossas postagens! Forte abraço!

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