“(…) nós percebemos que vocês estão prontos para esta tarefa!”

Por Jane Reuther

Em 2009 recebemos na Cidade da Criança o Moisés com 2 aninhos e 7 meses de idade. Seus pais o abandonaram e uma tia assumiu a guarda do bebê. No entanto, a tia não conseguiu dar conta da rotina médica e dos cuidados especiais que o Moisés requeria. O menino foi então encaminhado, por ordem judicial, para a Cidade da Criança.

Logo que chegou, as cuidadoras perceberam que Moisés tinha algumas limitações físicas: dificuldade para falar, ouvir, ver, e outros probleminhas de saúde devido a uma desnutrição severa que o acometeu por motivos do abandono e negligência dos pais.

Moisés possuía uma graça especial, logo cativou a afeição dos cuidadores e das pessoas que visitavam a casa.

Num belo sábado, chegou na Cidade da Criança, um grupo de pessoas para visitar e distribuir brinquedos. Uma das famílias do grupo, se apaixonou pelo menino e a partir de então, ele deixou de ser uma criança sozinha. A família foi lutar no Fórum por ele, disposta a investir todos os esforços para conseguir a sua adoção, mesmo já tendo dois filhos que eram a alegria da casa. Moisés começou a receber visita desta família, que derramava sobre ele muitos mimos e carinhos.

Eles deram entrada nos papéis para a adoção. A primeira resposta foi: “Existe uma fila de espera e vocês devem aguardar. Pode ser que outra família venha a adotá-lo por estar na frente”. Para tristeza da família e do Moisés, o juiz determinou a suspensão das visitas desta família ao menino, pois o contato e o afeto recebido, poderia interferir e atrapalhar o processo de adoção de uma outra família na fila de espera.

As cuidadoras percebiam que todas as visitas de pessoas interessadas em adoção eram mal sucedidas. Eles estavam à procura de um perfil “diferente”. Não era muito difícil de constatar que na verdade os cuidados especiais que Moisés precisava assustavam estes candidatos à adoção. Eles não estavam dispostos a pagar o preço.

Um ano se passou. Durante este período de espera, a família continuou orou, intercedendo pelo Moisés e colocando a situação diante de Deus. Eles amavam o menino e estavam dispostos a perseverar até o fim do processo.

Foi grande a alegria da família, quando receberam liberação judicial para retomar as visitas ao Moisés. Felizes com esta possibilidade, perguntaram: “Por que só agora podemos dar continuidade na adoção”? A resposta foi: “Entendemos que este menino precisará de cuidados especiais por toda a sua vida, vai exigir dos pais adotivos muita dedicação, amor e paciência e nós percebemos que vocês estão prontos para esta tarefa”.

O Moisés tem hoje 10 anos, é um menino lindo e inteligente. Esta família, mais do que especial, é a garantia de que o direito à proteção, à convivência em família e ao afeto se tornaram realidade na vida de Moisés.

Jane Reuther é educadora social atuante na AEBVB (Associação Educacional e Beneficente Vale da Benção) em Araçariguama, SP

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