Educador social: irrigando desertos

 

10333700_1056604077714545_6599615491130154585_oPedimos a Thiago Costa e Dan Bianchin, ambos profundamente envolvidos com crianças e adolescentes socialmente vulneráveis, para que nos ajudassem a enxergar o Educador Social Cristão, entendido como a pessoa que se dedica à criança ou adolescente socialmente vulnerável como ocupação e que o faz motivado por sua fé cristã. Aqui está o depoimento deles:

Ouvimos com frequência “gente, que bonito esse trabalho!”, que quase sempre é seguido de “eu não sirvo pra isso não!”. Dificilmente alguém toparia encarar diariamente contextos vulneráveis e violentos, a não ser por uma grande cilada do ego ou por um grande senso de vocação. Não é gostoso lidar com pais negligentes, estado ausente e violência física e/ou sexual envolvendo crianças e adolescentes todo dia. E sinceramente, um sorriso não faz “tudo valer a pena”.

Escrever sobre a miséria humana enquanto tema de pesquisa é fácil, escrever sobre transformação de comunidades é fácil, culpar o capitalismo ou a cultura é fácil. Difícil é conviver com as consequências do pecado, ser ameaçado de morte por tentar trazer luz ao escuro e decidir continuar irrigando desertos, ainda que nenhum fruto aponte. O educador social é quem se dedica as práticas educativas não escolares; eles estão no território, nas praças, nas ruas, nas casas, nas igrejas, nos projetos e sabem muito bem que educar é – dentre tantas coisas – praticar o princípio do acolhimento, da hospitalidade, é se vincular.

Enquanto nos projetos sociais cristãos os educadores se sentem menosprezados, invisíveis e desamparados, “lá fora”, é a mesma coisa. Em 2009, o termo “educador social” foi integrado à Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), no entanto, ainda não há a delimitação de uma formação específica e nem mesmo um nível de formação mínimo requerido. As diversas nomenclaturas desarticulam a categoria, que encontra dificuldades para lutar por melhores salários, diminuição de carga-horária, formação continuada, supervisão, etc, etc, etc.

Valorizar o agente social cristão é mais do que abraçá-lo, citar seu nome no culto e lhe presentear com bombons. Quem executa esta prática por fé, por compreendê-la enquanto missão, também precisa de cuidado, também precisa de condições para prover o sustento de sua família, precisa de ouvido, de discipulado, precisa se capacitar. Valorizar esta gente invisível é dar condições pra que eles exerçam aquilo que Deus os tem chamado à fazer.

“A tarefa do educador moderno não é derrubar florestas, mas irrigar desertos” – C. S. Lewis

 

Thiago Costa – Arte educador, designer gráfico. Nos últimos anos tem desenvolvido oficinas de artes visuais com adolescentes em conflito com a lei no estado de São Paulo.

Dan Bianchin – Educadora, cientista social –  Atualmente conselheira Tutelar em Valinhos-SP, casada com Thiago.

 

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