O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados estimou que, até 2015: pelo menos 60 milhões de pessoas deixaram suas casas em decorrência de conflitos e violência. Metade delas são crianças.  (Fonte)

 


Há pouco mais de 10 meses, o mundo se voltou para triste história do menino Aylan Kurdi que se afogou e foi encontrado em uma praia turca. Aylan que era sírio, teve sua imagem como símbolo da crise migratória. Infelizmente muitas famílias que buscam escapar de guerras, de perseguições e da pobreza sofrem por perder seus entes queridos da mesma forma. Hoje a Rede Mãos Dadas lembra do relato do Major Ebeneser Nogueira, publicado na Revista RUMO n°8 em outubro de 2015, que expressa o sentimento triste e angustiante sofrido por muitos. 

Não sei se você ainda tem lágrimas para chorar a morte de Aylan Kurdi, o menino sírio de apenas três anos de idade, encontrado morto em uma praia na Turquia. A história tão comum de uma família que partiu em busca de uma vida melhor e encontrou dor e morte.

A Bíblia já começa sua narrativa falando de migração. Adão e Eva são expulsos do Éden e precisam recomeçar a vida num lugar mais difícil. Abrão é chamado por Deus para deixar Ur dos Caldeus e migrar para um destino incerto. O povo de Deus tem um histórico com altas ocorrências de migração. Os hebreus são afligidos por quatro séculos no Egito, quando tudo que mais queriam era ter seu próprio lugar para viver. O Filho de Deus, Jesus, é o migrante-mor das Escrituras: Deixa o céu para viver neste mundo, e, ao chegar, ainda bebê, numa região dominada por outro povo, é perseguido e sua família tem que emigrar para o Egito, onde se esconde por alguns anos. Não é de se estranhar que o povo de Deus seja formado por peregrinos, que vivem sonhando e esperando a Terra Prometida, o Lar Celestial.

Aylan, assim como o menino Jesus, não encontrou lugar onde pudesse ser acolhido. Jesus ajeitou-se numa estrebaria. O pequeno Aylan não teve tanta sorte: foi parar sem vida numa praia qualquer. Que significado tem para uma criança de três anos política ou religião? Que entende ele sobre vistos, fronteiras, relações diplomáticas e economia? Tudo que ele precisava estava garantido no texto da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que ele não chegou a ver ser colocada em prática.

Quantos corpos precisarão ser estampados nos jornais para compreendermos que o outro – estrangeiro, diferente, excluído – é nosso irmão e que a vida só faz sentido quando estendemos a mão e o acolhemos? As fronteiras são apenas reflexos do nosso medo. Por isso precisamos amar, pois “no amor não há medo; pelo contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor” (1 João 4:18).

Descanse em paz, pequeno Aylan. Não haverá Dia da Criança para você este ano. Nem no ano que vem. Nunca mais. Na verdade, você não terá outro dia para viver nesta terra. Minha esperança é que, em meio ao mar gelado, você tenha ouvido a voz dAquele que já foi criança perseguida, a dizer: “Venha, bendito do meu Pai! Eu preparei um lugar para você. Eu enxugarei dos teus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor. O tempo de cantar chegou!”.

“Quando o Filho do homem vier em sua glória, com todos os anjos, assentar-se-á em seu trono na glória celestial. Todas as nações serão reunidas diante dele, e ele separará umas das outras como o pastor separa as ovelhas dos bodes. E colocará as ovelhas à sua direita e os bodes à sua esquerda.” (…) Então ele dirá aos que estiverem à sua esquerda: ‘Malditos, apartem-se de mim para o fogo eterno, preparado para o diabo e os seus anjos. Pois eu tive fome, e vocês não me deram de comer; tive sede, e nada me deram para beber; fui estrangeiro, e vocês não me acolheram; necessitei de roupas, e vocês não me vestiram; estive enfermo e preso, e vocês não me visitaram’. “Eles também responderão: ‘Senhor, quando te vimos com fome ou com sede ou estrangeiro ou necessitado de roupas ou enfermo ou preso, e não te ajudamos’?”. Ele responderá: ‘Digo-lhes a verdade: o que vocês deixaram de fazer a alguns destes mais pequeninos, também a mim deixaram de fazê-lo’. E estes irão para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna”. Mateus 25:31-33; 41-46. Major Ebeneser Nogueira

 

*Publicado originalmente pelo Exército de Salvação na Revista RUMO n°8, em outubro 2015.

 

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