shutterstock_415307752

Foi no silêncio que Ele me deu colo!

Por Elsie B. C. Gilbert

O meu terceiro Dia das Mães como uma jovem mãe foi triste. Estava em luto pela perda do meu pai que acontecera havia apenas 3 meses.  Pensando nas mães que estarão tristes por viverem dias de luto neste domingo, resolvi contar a minha história do dia em que Deus me deu colo. Ele me consolou com a simplicidade e ternura que ele dispensa com frequência a todas as mães que buscam nele estas qualidades maternais!

Meu pai vivia os últimos capítulos de sua longa luta contra o câncer. Eu vivia meus primeiros dias como mãe do meu segundo filho. Naquele domingo em meados de fevereiro de 1996, a angústia da morte dominava o meu coração de tal forma que pedi a meu marido que me levasse para passear de carro sem rumo certo. Eu precisava de ar!

Não funcionou. Voltamos para casa e eu finalmente liberei meu marido que ficou cuidando de nossos dois pequenos. Estava na hora de entrar no silêncio, no escuro, num canto a sós e pedir socorro a Deus. Meu problema era o seguinte: na eventual morte do meu pai, que parecia tão iminente, eu confiava que ele entraria na presença de Deus e que o seu sofrimento daria lugar à alegria. O que me feria profundamente naquele momento era vê-lo sofrer, definhar, ser maltratado pela doença. Meu pai era um homem de Deus, vê-lo sofrer daquele jeito me fazia temer que afinal de contas Deus nos abandona, mesmo que temporariamente.

Falei isto tudo para Deus. Perguntei se ele estava presente naquele quarto de hospital. Fiquei quieta na presença de Deus naquela salinha escura até sentir as lágrimas secarem e uma quietude invadir a minha alma. Logo em seguida, comecei a ouvir uma melodia. Ela começou bem suave e foi crescendo. Mas eu continuava sem conseguir identifica-la. Eu sabia que era um hino da minha infância e que era do Cantor Cristão, hinário da Igreja Batista.

Lembrei-me de um pastor que morava ali perto da minha casa. Fui lá, bati na porta, e quando o pastor atendeu, fiz o meu pedido estranho cantando para ele a melodia que estava na minha cabeça. Ele me disse: “Espera um pouco que vou pegar o Cantor Cristão.” Voltou com o cantor aberto no hino 290 que diz o seguinte:

 

Cristo, meu Mestre, meu amigo sem igual,

Tu dás descanso, salvação real.

Quando sou provado, e já vou desfalecer,

Tu, meu Cristo amado, vens me socorrer.

 

Perto, mui perto, eu chegar-me vou a ti:

Perto, mui perto, vem, Senhor, a mim.

 

Cristo, meu Mestre, que mais gozo posso ter

Que no teu reino tua glória ver?

Em teu seio quero minha fronte reclinar,

Para ter descanso desse labutar.

 

Perto, mui perto, eu chegar-me vou a ti:

Perto, mui perto, vem, Senhor, a mim.

 

Fiquei maravilhada! No meu coração o Senhor sussurrou: “Seu pai e eu estamos conversando. Já está chegando a hora.” Como valeu a pena entrar no silêncio daquela salinha escura numa tarde de domingo. O Senhor me pegou no colo e me consolou. Só ele poderia me revelar que meu pai não estava só!

Vinte anos depois, meu 22º Dia das Mães será um dia feliz, creio. Muitas mães passarão este dia com alegria, em família, na presença dos filhos e entes queridos. Mas muitas também estarão em luto. São tantas as razões pelas quais as mães choram… Quero, no entanto animá-las a buscar o colo de Deus. Ele está perto, ele nos ouve, ele pode nos pegar nos braços, enxugar nossas lágrimas e nos dar um novo dia! Deus é pai, e ele é também terno e amoroso como uma mãe.

Gritem de alegria, ó céus, regozije-se, ó terra; irrompam em canção, ó montes! Pois o Senhor consola o seu povo e terá compaixão de seus afligidos.

Sião, porém, disse: “O Senhor me abandonou, o Senhor me desamparou”.

“Será que uma mãe pode esquecer do seu bebê que ainda mama e não ter compaixão do filho que gerou? Embora ela possa se esquecer, eu não me esquecerei de você!

Isaías 49:13-15