Por Tábata Mori

Foto: Valdir Steuernagel, colunista da revista Ultimato, fala sobre Teologia da Criança.

O 10º Encontro Nacional da RENAS começou ontem (24), às 14h, com a presença de pelo menos 200 pessoas de 15 estados brasileiros. O tema é “Seguir a Jesus: Ver, Sentir e Agir”. E nada mais propício para a abertura do evento do que a apresentação musical de dois grupos formados por crianças e adolescentes de 7 a 19 anos. São eles: o Projeto Guri, que cantou um misto das músicas do Tim Maia; e a Timbalata: música e sustentabilidade, que apresentou seu batuque em latas de tinta e galões plásticos.

Ver: na perspectiva da criança e no colo de Cristo
Em seguida, Valdir Steuernagel, pastor luterano, vice-presidente da diretoria nacional da Visão Mundial e colunista da revista Ultimato, abriu o primeiro bloco temático (vida plena para as crianças) discorrendo sobre como a criança é importante para a teologia. Segundo ele, “a Teologia da Criança nos faz olhar a realidade a partir da perspectiva dos pequenos. Quando a criança passa a ser protagonista, a agenda muda. Nós estamos em projetos que fazem isso: ajudam a igreja e as comunidades a revisitarem seu jeito de enxergar o mundo, a olhar para a realidade com os olhos da compaixão. De alguma maneira, Maria fez isso na educação de Jesus, quando o ajudou a ‘crescer em sabedoria, estatura e graça’”.

Ao falar da multiplicação dos pães e peixes em Marcos 6 e João 6, Valdir nos convidou a renunciar a lógica dos duzentos denários, pois Jesus quer nos levar a ver a lógica da bênção, a lógica do milagre. A solução é colocar Jesus no centro, caso contrário, só nos resta a lógica adultocêntrica. “Porém, com Jesus no centro, olhamos para Marcos 10.16, em que vemos o Jesus que dá um colo, colo que só ele tem. Se não deixarmos as crianças chegarem a Jesus, elas não vão ter vida plena. Porque as crianças só vão ter vida plena no colo de Jesus”, completa Valdir.

Sentir: vida que vale menos que um celular
Eduardo Nunes, da Visão Mundial e pesquisador da I.E.A./USP, ajudou a sentir a realidade a partir de estatísticas sobre a situação da criança de 15 anos para cá. Com base no orçamento público, ele mostrou a desvalorização da vida e provocou: “compensa mais matar um jovem negro no Brasil do que roubar um celular porque a chance de você ser preso é bem menor. Quem já teve um celular roubado e sabe que nunca mais vai ver ele de novo. Isso diz para gente que essa vida não vale nada, menos que um celular.”

Nunes continuou: “O Brasil tem 20 mil estupros de meninas menores de 8 anos por ano, notificados, estima-se que ocorram três casos não notificados a cada um que aparece. O estado de São Paulo investe 42% mais de valor em gastos com jardinagem do que em mulheres vítimas de estupro. Isso diz que a planta vale mais que a mulher.”

Outro ponto que Eduardo abordou é a falsa ideia de melhoria social. Falsa porque mais escolas não significa mais educação e mais postos de saúde não indica mais saúde. “Hoje, temos três vezes mais crianças pobres do que idosos pobres. A pobreza diminuiu, mas a pobreza entre as crianças aumentou.”

Agir: boas práticas de transformação
Este momento será sempre apresentado com vídeos de parceiros que transformaram a vida de pessoas através da sua ação integral: vendo, sentindo e agindo.

1. O sonho de Karol, vídeo de Asas de Socorro
Karol enxergava muito pouco, mesmo usando óculos. Desde mais criança, ela sofria com glaucoma em estágio avançado. Asas de Socorro mudou a história dela. Um médico voluntário visitou sua comunidade e fez contato com um oftalmologista em Goiânia (GO) a quem propôs: “esta é a situação dela, se você a operar, eu banco a ida dela para Goiânia”. Sim, foi a resposta. Karol e a mãe dela viajaram do interior do Amazonas para Goiânia e felizmente ela conseguiu ser submetida à cirurgia. Com a visão restaurada, a primeira coisa que a criança disse foi: “mãe, como estou bonita!”

2. Diogo Lopes, vídeo do Vale da Bênção
Diogo Lopes hoje tem 29 anos. Seus pais foram presos e ele e as duas irmãs iriam para um abrigo. A mais velha foi adotada. Ele e sua outra irmã foram para a “Cidade da Criança”, no Vale da Bênção, onde Diogo conheceu a Jesus. Lá, ele também ia para escola, fazia reforço escolar, futebol e brincava. Lá, ele teve um casal que cuidava dele e das outras crianças como se fossem seus filhos. Com 14 anos, Diogo foi para outra unidade do Vale da Bênção que focava aprendizagem para o trabalho. Ele também se destacou em uma seleção com mais 300 candidatos e logo foi para outra empresa, onde continua há 10 anos. Nesse período, casou e teve dois filhos. Atualmente, tanto ele quanto a irmã celebram as famílias que formaram.

A tarde terminou com reflexões em grupo pensando nos desafios que ficaram e um momento de oração para que possamos colocar pelo menos uma sugestão de mudança em prática!

Tábata Mori, missionária da Igreja Presbiteriana do Brasil e assessora de comunicação da Campanha “Bola na Rede, da RENAS.

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