Por Elsie Gilbert

Rebusca_CE_-4608Em julho de 1989, mais de 3000 líderes evangélicos de cerca de 170 países se encontraram na capital das Filipinas para pensarem no movimento evangélico frente a grande tarefa de fazer Jesus Cristo conhecido em todas as nações. Este já era o segundo encontro do Movimento de Lausanne. O primeiro, como o próprio nome indica, aconteceu em julho de 1974, em Lausane, Suíça, com a presença de mais de 2.400 delegados originários de 150 países. A revista TIME descreveu este primeiro congresso como um “fórum formidável, possivelmente o mais abrangente encontro de cristãos da história.” Entre os palestrantes estavam nomes muito respeitados da época como Billy Granham, Francis Schaeffer, Ralph Winter, Carl Henry, e John Stott. O terceiro e mais recente congresso do Movimento de Lausanne, aconteceu na Cidade do Cabo, em outubro de 2010 com a participação de 4.200 líderes evangélicos de 198 países.

Retomo estes registros para dizer que se um número tão grande de líderes, representando uma infinidade de expressões evangélicas se encontra para pensar na missão da igreja no mundo, nós deveríamos dar ouvidos ao que eles têm a dizer. Veja o que foi declarado no Manifesto de Manila sobre o testemunho cristão:

Deus, o evangelista, dá ao Seu povo o privilégio de serem Seus “colaboradores” (2 Coríntios 6:1). Porque ainda que não possamos testificar sem Ele, Ele normalmente escolhe testificar através de nós; Ele só chama alguns para serem evangelistas, missionários, pastores, mas chama toda a sua Igreja e cada um de seus membros a serem suas testemunhas.

A tarefa privilegiada dos pastores e mestres é a de guiar o povo (grego = laos) de Deus com maturidade (Colossenses 1:28) e equipá-los para o ministério (Efésios 4:11,12). Os pastores não devem monopolizar os ministérios, se não multiplicá-los animando outros a usar seus dons e treinando discípulos para fazerem discípulos. O domínio dos laicos pelos pastores tem sido o grande mal na história da Igreja. Priva tanto os laicos como os pastores do papel que Deus lhes tem dado, produzindo sobrecarga a estes, debilitando a Igreja e criando obstáculos ao avanço do Evangelho, além do mais, não é fundamentalmente bíblico. Por tanto, nós, que durante séculos temos insistido no “sacerdócio de todos os crentes”, agora também insistimos no ministério de todos os crentes. (Manifesto de Manila do Movimento Lausanne, 1989, parágrafo 6 da Parte A, grifo nosso)

E é aqui que o educador social cristão pode se ver contemplado. Que conceito interessante: ministério de todos os cristãos! Deus dá a cada um de nós que adentramos o seu reino, uma tarefa especial que tem valor eterno. Perceber o valor eterno das tarefas corriqueiras que cada educador social desenvolve é um ato de fé. Mas não há dúvida de que acolher uma criança vulnerável, buscar formas de defender e garantir seus direitos, promover o seu bem-estar em família e em comunidade, está muito alinhado com os propósitos de Deus para a humanidade! “E qualquer que receber em meu nome a uma criança tal como esta, a mim me recebe.” Mt 18.5

É comum em nossas igrejas o comissionamento ou envio de pastores, obreiros, oficiais da igreja e missionários para o trabalho que passarão a desenvolver. Esta prática implica num reconhecimento de que o trabalho que estas pessoas desenvolverão representará o grupo de irmãos (a igreja local) que os comissionou. O que aquela pessoa faz ela o faz em nome da igreja que a comissionou.

Mas se uma irmã se sente chamada para adentrar uma região pobre e violenta da cidade e contra todos os preconceitos comunitários e sociais, comunicar com ações e palavras o amor de Jesus para um grupo de crianças e suas famílias, a igreja dificilmente se sente constrangida a comissionar este trabalho. Por alguma razão ele está fora do que se considera ministério na igreja local!

É claro que todo cristão deve buscar alinhar o seu trabalho profissional aos valores eternos. O que eu faço hoje precisa ser relevante para o reino de Deus mesmo que a conexão não esteja clara para todos. O apóstolo Paulo encontrou uma forma de usar a sua ocupação (fazer tendas) para engrandecer o reino de Deus. A maioria dos educadores sociais cristãos com quem mantenho contato elegem fazer isto por convicção própria e movidos pelo Espírito Santo. Mas quando as coisas ficam difíceis (e no trabalho social cristão isto é mais a regra do que a exceção) o apoio da igreja que chama, capacita, envia, ora e acompanha, faz toda a diferença!

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