Por Elsie Gilbert

Chegou aos ouvidos de Herodes a fama de Jesus bem no começo do seu ministério. Herodes procurou vê-lo e Jesus se retirou para o deserto. Que interessante! Imagino que a atitude de Herodes não era a mesma da atitude de Nicodemos. Ele deve ter cogitado uma de duas coisas: “Acabo de degolar um aproveitador e agora um outro já começou a fazer gracinha?” ou quem sabe sua atitude foi: “Degolei um profeta e agora estou em maus lençóis com Deus? Ele deve ter ressuscitado o profeta para se vingar. Quanto mais rápido eu agir, melhor.”

DesertoQualquer que tenha sido a atitude de Herodes, Jesus tinha toda razão de evitar este encontro e portanto ele se retira para o deserto. O pai deste atual Herodes tinha tentado matá-lo quando bebê, e num acesso de ira tinha mandado degolar todas as crianças do sexo masculino de 2 anos para baixo em Belém.

Fico imaginando se alguns hoje não tentam se aproximar de Jesus com as mesmas intenções de Herodes. “Já destruí um da sua espécie uma vez, destruirei você também! Será que não há inimigos verdadeiros, trabalhando hoje contra Jesus, degolando aqueles que o sequem de verdade? Será que as pessoas que trabalham em obras sociais se arriscam a encontrar os Herodes de hoje, mais cedo ou mais tarde? Tenho encontrado discípulos de Jesus que já tiveram esta experiência muito real em suas vidas. Os Herodes de nosso tempo rejeitam tudo que seja bom, honesto. Sagrado. Acredito que eles todos têm uma coisa em comum: eles desprezam e odeiam as crianças, porque o coração delas é puro e estão abertas às coisas de Deus.  

Para o deserto precisamos retroceder de vez em quando. No deserto nós não deixamos de ser úteis para os propósitos de Deus, mas ali nós passamos a depender muito mais nele. Lucas nos conta que Jesus se retirou para o deserto com os doze discípulos e que muitos o procuraram lá. Os Herodes de ontem assim como os Herodes de hoje são importantes demais para procurar Jesus no deserto. No deserto, somos ainda capazes de servir aos que realmente nos procurarem. O deserto testa a nossa motivação em relação a Jesus. O deserto nos ajuda a desfrutar da sua presença e a crescer.

O que ganhamos quando nos retiramos para o deserto? Nossas necessidades básicas, como água e sombra, se tornam muito mais importantes na nossa lista de afazeres diários. Como resultado, passamos a ver a mão protetora de Deus e aprendemos a ser mais agradecidos. O deserto é um lugar difícil, mas não é um lugar ruim de se estar. E é precisamente neste lugar onde eu me encontro agora!

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