segundas-1024x231Por Vanderlei Schach

Ora, as tropas da Síria haviam atacado Israel e levado cativa uma menina, que passou a servir a mulher de Namaã (Re 5.2).

Em 2 Reis 5.1-19 encontra-se registrada a história de uma menina que não tem o seu nome mencionado no texto. Quando as tropas da Síria invadiram Israel sob o comando de Naamã, levaram cativa uma “menina pequena”, segundo o texto hebraico. Era provavelmente pré-adolescente e tornou-se escrava da mulher de Naamã. Vítima do sistema internacional violento, essa menina sem nome passou pela grave situação de ver os inimigos chegando, destruindo e saqueando Israel. Ela deixou para trás seus pais e irmãos, que possivelmente foram mortos no ataque sírio. Deixou também seus amigos, sua casa, sua boneca preferida e tantas outras coisas. O texto bíblico mostra um claro contraste entre a menina e Naamã (ela anônima, ele Naamã; ela vulnerável, ele poderoso; ela sem família, ele com família). Quando Naamã descobriu que estava com lepra, a menina cativa falou à sua senhora: “Se o meu senhor procurasse o profeta que está em Samaria, ele o curaria da lepra” (2 Rs 5.3). A frágil menina possuía a solução que o poderoso Naamã não possuía.

Victoria closeupEsta menina tinha tudo para se rebelar contra Deus e contra sua senhora. Ela poderia ter pensado: “Já que sou escrava de Naamã e estou aqui sofrendo, nem sei o que aconteceu aos meus pais, por mim que morra duma vez, assim também me vingo!”. Mas na hora certa ela mostra a graça de Deus. Uma mulher, ainda menina, é usada por Deus para cumprir Seus propósitos tanto em Naamã (para lhe mostrar que não era o todo-poderoso) como também em Israel (para mostrar que ainda havia um Deus poderoso – 2 Rs 5.15). Essa menina anônima tornou-se protagonista da paz e da vida ao exercer a teologia a partir do que havia provavelmente aprendido dos seus pais sobre Deus. Isso significa que a criança é dotada de capacidade espiritual e consegue captar as verdades espirituais. Por esse motivo, os pais devem ensinar seus filhos sobre Deus.

Por sua atitude de amor e perdão, a menina anônima nem precisou ter seu nome conhecido. Ela fez com que uma mulher lhe desse atenção, um rei se desesperasse e rasgasse suas vestes, um general se humilhasse, um soldado confrontasse seu general, um profeta fosse encontrado e o general fosse curado. Por fim, Deus foi exaltado. Essa menina anônima no Reino dos Céus será muito conhecida. Deus salva explorados e exploradores, e o mais interessante: a partir de crianças, que normalmente são as maiores vítimas.

Como já mencionei acima, esta menina tinha tudo para reclamar e talvez até perguntar: “onde está o Deus poderoso de Israel?” Podemos tirar algumas lições práticas da história desta menina pequena: 1) evitar reclamações por causa dos problemas; 2) auxiliar as crianças a reconstruir suas vidas a partir do mal que lhes foi feito; 3) ensinar a criança sobre o poder de Deus; 4) ensinar a criança que Deus cuida dela e pode transformar o mal em bem.

Questões para reflexão:

  1. Estamos nos aproximando do final de 2014, como passamos o ano? Reclamando do mal que nos foi imposto ou agindo a partir dele mostrando a graça de Jesus?
  2. Quais são nossas perspectivas para 2015 em relação às crianças e o poder de Deus?

Um abençoado ano de 2015 a todos e que Deus possa ir a frente nos preparando o caminho que teremos que trilhar para proteção da criança.

 

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vaVanderlei Schach, é casado com Aline e tem dois filhos: Daniel (9 anos) e Samuel (7 anos). Fez mestrado em Novo Testamento e doutorado em Teologia Prática, é também pesquisador de crianças em situação de vulnerabilidade social e afetiva, pastor e professor na Faculdade Batista Pioneira de Ijuí – RS. Vanderlei e Aline ministram capacitações para pais e líderes de ministério infantil.

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