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Crianças brincando no lar Nueva Esperanza

Crianças brincando no lar Nueva Esperanza

A história narrada abaixo aconteceu em 2008 com John Collier, médico aposentado e também um dos fundadores da Revista Mãos Dadas. Ela foi publicada pela primeira vez neste blog há um ano. Reescrevemos e republicamos a história aqui, usando o estilo de conto de fadas “Era uma vez…” com o objetivo de ser lida ou apresentada oralmente para as crianças em escolas, igrejas e projetos sociais. Além disso, ela pode ser usada em associação com a história da serva de Naamã, publicada na semana passada aqui.

O que é necessário para que um turista faça o bem? John Collier diria que é necessário discernimento para saber quando Deus está falando com você e a disposição de gastar tempo e recursos (que você tem, é claro, ou não estaria viajando)!

 

Aconteceu não há muito tempo, num país não muito distante do Brasil, neste tempo em que os grandes e poderosos estão sempre tentando ganhar vantagem sobre os pobres e mais fracos, que uma mãe resolveu colocar sua filha para trabalhar para ajudar a família. A garota tinha de vender bombons na praça de uma cidade chamada Arequipa no Peru. O nome desta menina era Sofia que quer dizer “sabedoria”.

Sofia passava muitas noites trabalhando na praça. Por lá passavam muitas pessoas importantes. Dava para ver que eram importantes por causa das roupas que vestiam, do jeito que andavam apressadas, dos carros que as conduziam para lá ou para cá. Sofia logo descobriu que ela era quase invisível. Poderia ficar parada num banco da praça o dia todo e ninguém se incomodaria em perguntar o que estava fazendo ali.

Para efetuar uma venda era necessário interromper as pessoas. E mesmo assim, era preciso saber a quem abordar porque nem todas as pessoas eram gentis com ela. Ela sabia que alguns eram na verdade pessoas muito más que não exitariam em se aproveitar dela, se pudessem. Destes ela procurava manter distância. Só que do novo padrasto ela não conseguia manter distância e ela sabia que não havia bondade em seu olhar.

Um certo sábado à noite, Sofia se aproximou de dois homens importantes. As pessoas os chamavam de turistas. Percebeu que o menino engraxate já estava quase terminando de polir os sapatos deles. Falavam aquela língua esquisita que as pessoas chamavam de inglês. Mesmo assim, ela ofereceu seus bombons. Os homens pararam, olharam para ela e por um instante ela os encarou. Um dos homens falou com ela em espanhol. Ele perguntava, ela respondia, ele falava com o outro homem em inglês. E assim foi: Qual é o seu nome? Onde você mora? Por que você está trabalhando na praça? Você está  sozinha, onde está sua mãe? Você estuda? Quantos irmãos você tem?

Sofia sabia que os homens estavam preocupados com ela porque não é bom que uma menina esteja só numa praça e muito menos que fique falando com pessoas estranhas. Enquanto Sofia esperava o primeiro turista traduzir para o segundo ela pensava. “Por que estou conversando com estes homens? Acho que é porque os olhos deles são bons. Eles não querem me fazer mal.” Sentiu vontade de contar para eles que estar ali não era plano seu, que existia uma outra alternativa bem melhor. “Devo ou não devo contar?”  O problema é que se ficasse conversando venderia menos bombons e corria o risco de fazer o seu padrasto ficar mais bravo ainda.

Mas, Sofia não se conteve e perguntou “Por que vocês não apadrinham uma criança pobre?” Primeiro o turista que falava espanhol e depois o outro fizeram cara de espanto! Sofia resolveu se explicar melhor. Antes ela morava no lar Nueva Esperanza porque sua mãe não tinha condições de criá-la.  Sofia gostava muito daquele lugar porque lá ela se sentia segura e sentia a presença de Deus nas pessoas. Ela não podia mais morar no lar Nueva Esperanza porque sua mãe não deixava, mas outras crianças poderiam e o lar precisava de ajuda. Lá era muito bom, ela contou. Lá, crianças como ela estudavam, tinham lugar para dormir, roupas, comida, e conselheiros. Lá tinha tudo.

Os dois turistas ficaram meio que sem palavras. Compraram seus bombons, pagaram o menino engraxate e se foram. Sofia os seguiu com o olhar.

Duas semanas mais tarde, alguns funcionários do lar Nueva Esperanza foram à casa de Sofia. Tinham ordem do juiz que obrigava sua mãe a deixar Sofia voltar para o lar Nueva Esperanza. Eles avisaram a mãe de Sofia: “Se você continuar levando seus filhos para a praça para trabalhar, vai perder todos eles.” Sofia ficou muito feliz com sua volta ao lar porque apesar de sentir a falta da mãe e irmãos, lá ela não precisaria ter medo do padrasto! E além disso, ela poderia visitá-los de vez em quando. Ela só não entendeu como isto tudo tinha acontecido.

No lar Nueva Esperanza ela ficou sabendo que os dois turistas tinham visitado a instituição. Os turistas tinham contado sobre o que estava acontecendo com Sofia, que ela estava sendo obrigada a trabalhar à noite numa praça perigosa. “Eles adiaram a viagem e ficaram procurando você, Sofia,” disseram os funcionários. “Quando não conseguiram te encontrar,  procuraram o lar Nueva Esperanza. Eles vieram aqui pedir que nós fôssemos buscar você de volta para você poder estudar e não ter que trabalhar na rua.”

Não precisa nem dizer que foi grande a alegria dos funcionários do lar Nueva Esperanza ao receberem Sofia de volta. E ela já chegou com dois padrinhos distintos, um que falava espanhol e o outro que só falava inglês. Os dois são médicos, um mora em Portugal e o outro nos Estados Unidos.

A menina foi sábia e generosa ao falar o que sabia mesmo correndo o risco de perder seu tempo e sofrer maus tratos do padastro. Mas ela conhecia pessoas bondosas, acreditava na bondade daqueles que temem a Deus e sabia que de alguma forma o seu Criador poderia usar suas palavras para fazer o bem. Os dois turistas foram muito abençoados porque ouviram a menina e acreditaram nela.

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História escrita por Elsie B. C. Gilbert a partir de informações fornecidas por John Collier

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